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Parselasyon Sürecinde Bedel Takdirlerinin Kamulaştırma Kanununa Tab

2. ARSA VE ARAZİ DÜZENLEMESİ

2.13. İmar Parsellerinin Oluşturulması Ve Dağıtım Esasları

2.13.5. İmar Parselinin Oluşturulmasında ve Dağıtımında Diğer İlkeler

2.13.5.5. Parselasyon Sürecinde Bedel Takdirlerinin Kamulaştırma Kanununa Tab

Hoje não resta dúvida de que o controle democrático é incompatível com as liberdades empresariais que são indispensáveis à máxima acumulação do capital. E é por não poder prescindir dessas liberdades que o capital tem todos os motivos para resistir ao controle democrático. O direito de propriedade ilimitado não pode coexistir com a democracia. Um democrata otimista pode alegar que o Legislativo e o Judiciário já fizeram sérias investidas contra o direito de propriedade ilimitado. Mas quanto mais incisivas são essas investidas, mais os porta-vozes do capital se esforçam para vincular a liberdade de propriedade às demais liberdades individuais. (MACPHERSON, C.b., 1991 apud ALFONSIN, 1998, p. 165)

A diferença entre as experiências de Recife e Belo Horizonte (Profavela, PGE, Vila Viva) está nos seus preceitos fundamentais. Em Recife, a função social da propriedade e o direito à moradia prevalecem sobre a propriedade individual da terra; além disso, as COMULs constituem formas participativas deliberativas, ainda que incipientes e aquém do almejado. Em oposição, o Vila Viva favorece o direito individual e irrestrito sobre a terra, adotando uma visão civilista que absolutiza a posse plena em detrimento de outras formas de apropriação coletiva e restritiva, como é o caso das concessões coletivas de uso (Fernandes, 1998). No exemplo belo-horizontino estamos diante da privatização da propriedade imobiliária dentro das ZEIS, que passam a ser concebidas como mercadorias, adquirindo valor econômico de troca, que substitui o antigo valor social de uso.

128 CDRU devam ser aplicadas sem restrições ou que a titulação individual, que põe nas mãos do proprietário a decisão e o poder sobre a terra, nunca possa ser usada. Mesmo a concessão de uso tem seu revés, pois impede que a família se mude da área sem dar satisfações à associação de bairro ou à prefeitura, dificultando sua mobilidade, como é o caso no PREZEIS. Mas não há dúvida de que, sejam quais forem as soluções específicas mais apropriadas a cada situação, elas devem ser encontradas mediante um diálogo com a população, e devem assegurar o direito à permanência para quem a desejar. Nesse sentido, as políticas urbanas cujo principal fim é a regularização da propriedade individual são, no mínimo, restritas.

Mostrou-se particularmente equivocada a teoria do economista peruano Hernando de Soto, de que a regularização urbana e o microcrédito seriam suficientes para produzir uma nova forma de economia e resolver o problema da pobreza urbana (Davis, 2006). Para De Soto, os pobres são na realidade ricos, mas a informalidade lhes interdita o acesso à própria riqueza: a terra e as benfeitorias que lhes pertencem configuram um capital morto. A formalização da propriedade imobiliária transformaria essa riqueza em capital vivo, numa ação que, ademais, teria custo nulo para o Estado:

A concessão dos títulos, afirma ele (Hernando de Soto), criaria instantaneamente um enorme patrimônio com pouco ou nenhum custo para o governo; parte dessa nova riqueza, por sua vez, forneceria capital para que microempresários famintos de crédito criassem novos empregos na favela, que então se transformaria em “hectares de diamante”. Ele fala em “trilhões de dólares”, prontos para usar, bastando apenas revelar o mistério de como transformar o patrimônio em capital vivo. (DAVIS, 2006, p.88)

Uma perspectiva neoliberal que prega soluções empresariais para a pobreza urbana reproduz a lógica do capital, contraposta à justiça social evocada pelos instrumentos do Estatuto da Cidade. Se os pobres estão, segundo De Soto, cobiçosos pelo direito de propriedade, mais cobiçosos estão os investidores e especuladores para que a formalização da terra facilite os negócios e retire os moradores das áreas valorizadas pelas obras estruturais dos programas públicos, inclusive o Vila Viva: eis o processo de expulsão branca ou gentrificação.

Não é novidade que existe um mercado informal imobiliário e de terras nas favelas. Para Abramo (2002), as favelas têm fatores locacionais e externalidades positivas que colaboram para que os moradores participem de jogos especulativos, com ganhos e perdas fundiário-

129 imobiliárias, assim como ocorre em áreas formais. Construção de puxadinhos, sublocação, trocas e vendas informais de imóveis comprovam que existem ações nesse sentido. Portanto, quais são realmente as vantagens oferecidas pela regularização formal, se os moradores exercem o direito de permanência e conseguem obter pequenas vantagens de forma mais efetiva (e talvez mais segura) fora da prometida formalidade? O que a legalização oferece de fato é um endereço formal, maiores possibilidades de acesso a crédito e outras formas de consumo, além da óbvia garantia de posse que não assegura necessariamente a permanência e a possibilidade de negociação do terreno pelo preço que ele vale. Por outro lado, assegura também um controle mais rigoroso da gestão municipal sobre o espaço, e a cobrança do Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU), e outras taxas, como energia, luz e água. Smolka (2002) defende que a regularização do solo restrita ao direito individual é uma medida “curativa e míope”, que gera perversões opostas às premissas planejadas pelas políticas urbanas. Ao mesmo tempo, representa uma falsa eficácia do Estado em resolver os problemas urbanos:

[...] na impossibilidade ou inconveniência de outra política, faça-se “vista grossa” à forma como a população tem acesso ao solo e regularizam-se os assentamentos que se consolidaram – ao final, para os cofres públicos sairia tudo mais barato, e melhor para a população beneficiada! (SMOLKA, 2002, p. 213)

O dilema do planejamento urbano está no fato de que não regularizar não é uma opção. O desafio é como regularizar sem alimentar o círculo vicioso da reprodução da irregularidade e das novas periferias: impedir que a valorização e especulação promovam uma seleção “darwiniana”, na qual parte dos moradores permanece e a outra cede às ofertas irrecusáveis do mercado (Smolka, 2002). O portfólio das intervenções públicas precisa aprofundar as perspectivas dadas pelos instrumentos do Estatuto da Cidade presentes nos Planos Diretores de grande parte dos municípios. As diretrizes que propõem a regularização com a emissão de títulos individuais não criam instrumentos posteriores que assegurem a permanência da população; eles apenas deliberam sobre o direito de posse, sem coibir a entrada especulativa nos territórios carentes.

130 Parte dos planos diretores municipais utiliza as ferramentas do Estatuto da Cidade, incluindo o pressuposto da função social da propriedade, apenas como um conjunto de abstrações que garante credibilidade fictícia aos planos, sem discutir como cada instrumento pode ser aplicado na realidade de cada contexto e escala. Muitos desses planos são elaborados por empresas terceirizadas, sem conhecimento dos enfrentamentos locais e apenas para cumprir exigências formais. Essa situação não ocorre por incompetência da esfera municipal, mas porque a obrigatoriedade de criação de planos com prazos e excesso de normas pré- estabelecidas torna quase todas as prefeituras inaptas para discutir o próprio futuro dentro de uma estrutura burocratizada. Isso contribui para a “reprodução xerográfica de planos, seu engavetamento e a atuação de profissionais inescrupulosos” e também para que não haja um processo de reflexão consciente sobre como esses planos podem incidir na realidade local, tornando a regularização fundiária realmente inclusiva (VILLAÇA, 2007, p.18). De fato, ao visitar prefeituras de diversos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, pude observar que muitos dos técnicos dessas prefeituras admitem a necessidade imediata de revisão dos planos diretores e de criação de leis mais simplificadas, próximas da prática cotidiana.

Atualmente, os municípios da RMBH estão num processo de elaboração de Planos de Regularização Fundiária Sustentável (PRFS), com apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (SEDRU) e do governo do estado de Minas Gerais. Para isso, foram investidos R$ 2 milhões: R$500 mil pelo governo federal e R$1,5 milhões pelo governo de Minas. Apenas os municípios de maior capacidade administrativa assumiram a execução dos próprios Planos (Belo Horizonte, Betim, Contagem, Nova Lima e Sabará). A maior parte dos PRFS está a cargo da SEDRU, e vem sendo executada por empresas terceirizadas. Em fevereiro de 2011, 14 desses PRFS estavam concluídos (Caeté, Confins, Ibirité, Lagoa Santa, Mario Campos, Nova União, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Santa Luzia, Sarzedo, Taquaraçu de Minas e Vespasiano) e outros 15 estavam em processo de elaboração (Baldim, Brumadinho, Capim Branco, Esmeraldas, Florestal, Igarapé, Itaguara,

131 Itatiaiuçu, Jaboticatubas, Juatuba, Mateus Leme, Matozinhos, Rio Manso, São Joaquim de Bicas e São José da Lapa).

Novamente, os planos vêm com alta dose de otimismo, e incorporam (na teoria) quase todos os instrumentos do Estatuto da Cidade, inclusive a CDRU, a doação e o usucapião. Como ponto positivo, os Planos mapeiam os problemas jurídico-fundiários e as especificidades de cada município, analisam caso a caso os assentamentos irregulares e propõem um cardápio de ações bastante variado. Conquanto, até que sejam postos em prática, fica a suspeita de que venham a sofrer os mesmos entraves dos Planos Diretores, tornando-os mais uma série de documento produzidos burocraticamente, para fins igualmente burocráticos. Nos municípios menores a preocupação em colocar os Planos em prática deve ser redobrada, afinal, a maioria das prefeituras sequer dispõe de secretarias ou funcionários atuando especificamente na área de regularização fundiária.

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