2. ARSA VE ARAZİ DÜZENLEMESİ
2.6. Türkiye’de İmar Planı Uygulama Araçları
2.7.5. Arazi ve Arsa Düzenlemesi ve Adalet İlkesi
O Morro das Pedras é um conjunto de sete vilas na região Oeste de Belo Horizonte, a saber: Santa Sofia, São Jorge I, São Jorge II, São Jorge III, Leonina, Pantanal e Antena53
. A
74 população do aglomerado é de cerca de 20 mil habitantes, segundo dados do PGE - Morro das Pedras. No entanto, na pesquisa do IBGE 1991/1996, mais de 29 mil pessoas moram no Morro das Pedras e nas imediações, num conjunto de 6.600 domicílios. De qualquer forma, esses dados demográficos estão defasados, pois as pesquisas do IBGE e o PGE foram elaboradas há mais de uma década. Somente números do novo CENSO (2010) terão informações mais precisas, não apenas em relação aos dados demográficos, mas também sobre o perfil social e econômico da população.
Figura 6: Situação da regional Oeste no Município de Belo Horizonte e localização do Morro das Pedras na região Oeste. Fonte: Prefeitural de Belo Horizonte. Base Cartográfica: Prodabel 1996.
Segundo a pesquisa do Movimento da Casa Popular, no início do século XX a região que forma o aglomerado era constituída por diversas fazendas e uma pedreira que supria as construções da nova capital e à qual também se deve o nome “Morro das Pedras”. As primeiras ocupações datam da década de 1920, na área então denominada “Vila São Jorge das Pedras”, onde hoje se encontram as Vilas São Jorge I, II e III. Posteriormente, outros moradores migraram das favelas da Barroca e do Querosene (ambas removidas mais tarde).
A partir da década de 1950, o processo de urbanização na região Oeste de Belo Horizonte se intensifica. Embora seja ocupada principalmente por famílias pobres, ocorre uma valorização gradual, com o crescimento de bairros de classe média e alta no entorno e a chegada de investimentos públicos, principalmente após a década de 1970. Faz parte desse processo a implantação das avenidas Raja Gabaglia, Silva Lobo e Barão Homem de Melo, fronteiriças ao Morro das Pedras a leste, norte e oeste, respectivamente. Além disso, a
75 construção do Clube de Oficiais Círculo Militar na Avenida do Contorno e do BH Shopping no trevo de Nova Lima colaboram para que uma região “destinada somente aos ‘excluídos’ da cidade” se torne “alvo da especulação imobiliária”, iniciando um “grande processo de expulsão dos moradores, consentido pelo Poder Público, através de pagamento de pequenas indenizações” (PGE Morro das Pedras: Levantamento de Dados Urbel e Orbis, 2001, p.181).
Figura 7: Morro das Pedras dividido em vilas (linhas vermelhas) e com a marcação das três principais avenidas próximas ao aglomerado. (Fonte: Urbel e Movimento da Casa Popular, Volume 1 de 2: Levantamento e Mapas, 2001)
A abertura de avenidas de grande porte na região Oeste evidencia a intenção do poder público de alterar radicalmente o perfil da área, redesenhando o espaço urbano, e facilitando o trânsito da classe média pela região. A iniciativa privada aderiu a esses incentivos e passou a ocupar as margens das avenidas e os bairros adjacentes.
Hoje, todo o entorno do Morro das Pedras é composto por bairros residenciais de classe média e alta, tais como Gutierrez, Buritis, Cidade Jardim, Luxemburgo, São Bento, Nova Granada e Grajaú. Ao longo da avenida Raja Gabaglia existem edifícios comerciais e de serviços de alto padrão, que contrastam muito com o Aglomerado (tais como a EMATER, o Tribunal de Contas e
76 a sede da TV Bandeirantes), mas também comércio de pequeno e médio porte, que atendem inclusive à população do Aglomerado. Na Avenida Barão Homem de Melo predominam lojas de materiais para construção civil e lojas de peças e manutenção de carros.
Do lado oposto ao Morro das Pedras e da Avenida Raja Gabaglia, estão localizados os bairros Luxemburgo, São Bento e o Conjunto Santa Maria. Luxemburgo e São Bento são de uso predominantemente residencial de classe média, pertencentes à Regional Centro-Sul. Devido à topografia acidentada, não há acessos e nem relação evidente entre o Morro das Pedras e esses dois bairros. O Santa Maria é o conjunto de baixa renda mais próximo ao Morro das Pedras. Ele é o primeiro conjunto habitacional do município, construído na década de 1950 para abrigar moradores removidos da região do Santa Lúcia.
Uma das partes mais frágeis do Morro das Pedras é a área do antigo lixão, localizada na Vila São Jorge III. Após a década de 1940, a prefeitura passou a jogar o lixo da cidade, inclusive o resíduo hospitalar, nessa área. Até a década de 1970, centenas de famílias ocupavam seu entorno e retiravam da coleta de lixo seu sustento. Segundo dados do Movimento da Casa Popular, vários deslizamentos e uma explosão aconteceram lá, levando parte dos moradores a abandonar a área. Somente em 1995, a URBEL iniciou a recuperação urbanístico-ambiental da área, removendo 438 famílias para o conjunto Esperança, construído no Barreiro.
Durante várias décadas os moradores do Morro das Pedras não tiveram acesso a luz, água e tratamento de esgoto. Somente a partir da década de 1980 houve uma melhoria considerável nesse sentido. As melhorias são fruto não apenas do trabalho da gestão municipal, mas também das reivindicações dos moradores ao longo das últimas décadas. Atualmente, 94% das residências do Morro está ligada à rede de energia da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), 81% das casas direcionam o esgoto para a rede oficial da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) e praticamente todas as habitações recebem água encanada (79% têm hidrômetros instalados). Apenas 0,5% dos domicílios têm esgoto a céu aberto, um dado positivo bastante impressionante quando se trata de uma área denominada carente. No que se refere à coleta de lixo, mais de 80% da população é atendida, e o restante queima o lixo ou joga-o em vias públicas. Durante algumas visitas ao Morro pude notar que parte das famílias joga lixo e entulho de construção em terrenos baldios, principalmente em
77 áreas mais íngremes, nas quais não há ocupação ou famílias já foram retiradas. Parte do lixo encontrado nessas áreas são resíduos deixados pela URBEL após a remoção das famílias e demolição parcial de casas em 2008 e 2009 para as obras do Vila Viva.
Figuras 8 e 9: limite entre a Vila Antena e Vila São Jorge III. Área em que se acumula lixo residencial e também da construção civil local. Fonte: arquivo pessoal
Aproximadamente 95% das edificações do Morro das Pedras são de alvenaria, 2% de adobe, e o restante de lona ou latão. Esses números, somados aos dados sobre a infraestrutura do bairro corroboram a constatação de que se trata de uma área não apenas bem localizada, mas relativamente bem servida no que se refere aos serviços básicos, principalmente em comparação às outras favelas do município. É importante considerar que a ocupação em grande parte do morro é bastante antiga, e as melhorias foram conquistadas gradualmente pela população.
Outro aspecto que deve ser ressaltado é a existência de uma série de serviços nos bairros próximos ao Aglomerado: universidades, hospitais, escolas, creches, além de uma rede de comércios ampla. Há também a proximidade com o centro da cidade: o Morro está a cerca de dez minutos de carro do centro de Belo Horizonte. Essa conexão é facilitada pelo transporte público, principalmente nas avenidas Raja Gabaglia e Barão Homem de Melo, nas quais inúmeras linhas de ônibus transitam diariamente em grande fluxo.
Essas “externalidades positivas”, como denomina Abramo, transformam a região do Morro das Pedras não apenas em alvo de investimentos públicos, mas também em alvo de especuladores e da indústria de incorporação, interessados na liberação dessas áreas para seus novos empreendimentos. A atuação do poder público tem gerado essa discussão: por um lado,
78 as melhorias em infra-estrutura são inegáveis, e beneficiam consideravelmente parta da população. Conquanto, a saída de centenas de famílias num primeiro momento, para a própria intervenção, e a expulsão de outras pelo mercado são perversões das políticas públicas, ditas de urbanização e melhorias de favelas que não podem ser ignoradas.