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Düzenleme Ortaklık Payı Kesintisi Hesabında Ayırma ve Birleştirme

2. ARSA VE ARAZİ DÜZENLEMESİ

2.10. Düzenleme Ortaklık Payı (DOP)

2.10.9. Düzenleme Ortaklık Payı Kesintisi Hesabında Ayırma ve Birleştirme

Tomo contato com o caso da Vila Antena em junho de 2009. Durante uma aula da disciplina “Teoria Crítica da Produção do Espaço Arquitetônico”, alguns alunos discutem o conflito entre moradores e técnicos da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no Programa Vila Viva- Morro das Pedras e, mencionam as Notas Taquigráficas57

e o Relatório da Defensoria Pública58

, documentos produzidos em maio de 2009. As Notas Taquigráficas são elaboradas em reunião extraordinária pela Comissão de Direitos Humanos de Belo Horizonte e, discutem o suposto autoritarismo da prefeitura na remoção de famílias e execução do programa, apontando que a participação e processo informativo da comunidade no processo teriam sido ínfimos. O Relatório da Defensoria aborda as mesmas temáticas, com foco no conflito jurídico- fundiário, sustentando a argumentação em dados quantitativos e leis, explicitando diversas violações de princípios constitucionais ocorridas durante o projeto e execução do programa, principalmente nos processos de remoção das famílias.

Na realidade, antes de ir à Vila Antena ou conversar com outras pessoas sobre o caso, já havia uma relação estreita entre alguns pesquisadores da Escola de Arquitetura e lideranças locais. Algumas professoras, pesquisadoras do grupo Morar de Outras Maneiras (MOM) já conheciam o caso, pois moradores da vila já as haviam procurado para pedir assistência em

56 MOM Debate- PAC apresentação

57 As Notas Taquigráficas se referem à 10ª Reunião da Comissão de Direitos Humanos da 3ª Sessão Legislativa Ordinária da 16ª Legislatura, realizada em 19/05/2009. Participaram dessa reunião alguns deputados, vereadores de Belo Horizonte, representantes da Defensoria Pública, representantes da prefeitura e da URBEL e também moradores do Morro das Pedras, especialmente da Vila das Antenas.

58 Relatório de Encerramento elaborado pela Coordenadoria de Integração dos Núcleos Especializados da Defensoria Pública de Minas Gerais. Procedimento Administrativo de Instrução PADI nº 01/09 PBH – Programa Vila Viva Morro das Pedras

84 relação ao conflito com a URBEL. Portanto, havia um envolvimento anterior, o que me levou a obter informações antes de ir à vila e facilitou meu acesso às pessoas e às reuniões na Antena.

A partir da leitura das Notas Taquigráficas, do PADI (Relatório da Defensoria) e também das conversas na Escola, me interesso em participar das reuniões dos moradores da Vila Antena, e passo a visitar o local durante o segundo semestre de 2009. A primeira vez que estive na vila foi em agosto, junto com a professora Silke Kapp e o graduando Matheus Andreatta. Na ocasião, fomos convidados para participar de uma reunião entre moradores da Vila Antena e técnicos da URBEL, esse encontro está descrito em “05/08/2009- Reunião entre técnicos da URBEL, Sudecap e moradores da Vila Antena”.

A metodologia da pesquisa foi definida após o primeiro encontro com os moradores. A primeira definição foi participar esporadicamente das reuniões do Conselho de Moradores, que deveriam aconteciam quinzenalmente e, participar também dos encontros com representantes da Defensoria Pública e da prefeitura, além de outros eventos que julgasse relevantes. Em segundo lugar, passei a coletar todos os documentos de que o grupo dispunha e digitalizá-los, principalmente as atas de reuniões anteriores, panfletos, fotos e vídeos. Entre os panfletos, havia materiais produzidos pela URBEL, por um vereador do Morro das Pedras, pelo Núcleo de Habitação e pelo Conselho de Moradores.

Em todas as ocasiões, procurei registrar os principais pontos discutidos e os trechos mais relevantes das reuniões; parte dessas anotações está incorporada ao texto e comparece como argumento em alguns casos. Devido à informalidade na qual esses dados foram coletados, somente nos casos em que houve uma transcrição sistemática pude utilizar integralmente os relatos na forma de citação. Portanto, as citações explicitas nesse estudo são transcrições de entrevistas gravadas em áudio.

Durante a pesquisa, entrevistei formalmente algumas lideranças do Conselho de Moradores, em alguns casos fiz a transcrição completa das conversas, em outros apenas anotei aspectos relevantes e resumi posteriormente. Os três principais entrevistados, cujos relatos foram integralmente transcritos e estão inseridos na pesquisa como citações, são pessoas entre 23 e 40 anos que participam (ou participaram) do Conselho de Moradores da vila. Dois deles não moram na vila atualmente, mas são filhos de um casal de antigos moradores ameaçados

85 pelas remoções e convivem com a população local cotidianamente: Mary Francisco Guimarães (professora, cerca de 35 anos) e Gilberto F. Guimarães (porteiro, cerca de 40 anos). O terceiro entrevistado se chama Leonardo, tem cerca de 25 anos, cursava arquitetura na época das entrevistas e reside na Vila Leonina há muitos anos. Os três entrevistados já tinham vínculos anteriores com outras formas de mobilização: instituição de apoio a mulher, movimentos pela moradia e grupo religioso, respectivamente.

Quando entrevistei Leonardo, ele já não participava mais do grupo, pois a URBEL determinou que somente moradores da Vila Antena deveriam participar da formação do Grupo de Referência Local. Durante a pesquisa entrevistei Gilberto Guimarães formalmente em quatro ocasiões, entre agosto de 2009 e dezembro de 2010, dessa forma, pude acompanhar os acontecimentos na Vila Antena mesmo nos períodos em que não houve reuniões ou qualquer forma de mobilização.

A metodologia escolhida para estas entrevistas foi criar roteiros semi-diretivos, escolher alguns temas importantes e elaborar uma série de perguntas relativamente abertas, nas quais os entrevistados poderiam se sentir mais a vontade para relatar o caso sem um direcionamento específico da conversa. O roteiro e a ordem das questões não foi seguido rigidamente, pois um dos objetivos era entender as questões centrais do ponto de vista do entrevistado, tentando reduzir a possibilidade de que as questões influenciassem e direcionassem suas respostas.

Nas demais ocasiões em que conversei com outros integrantes do Conselho de Moradores local, técnicos da prefeitura, moradores da comunidade e demais atores envolvidos no caso; mantive a metodologia de entrevistas semi-diretivas e anotações gerais a respeito dos temas discutidos, sem transcrição integral ou gravação. Gostaria de destacar que fiz diversas tentativas de contato por email e telefone com os responsáveis pelo Vila Viva Morro das Pedras, mas não obtive êxito. Assim, as passagens do texto em que há relatos de técnicos, ou mesmo da defensoria pública são anotações de reuniões e também trechos das Notas Taquigráficas e do PADI.

Os relatos deste capítulo estão em ordem cronológica, porém, não descrevem todas as visitas que fiz à Vila ou todas as reuniões das quais participei durante o estudo de caso, mas sim

86 eventos que julgo relevantes para a compreensão do caso e que alteram a dinâmica da relação entre a população da Vila Antena e técnicos envolvidos no conflito.

O entrave da participação não-deliberativa é apenas uma consequência para que um grupo da Vila Antena se mobilize (Conselho de Moradores). O que leva os moradores a se engajarem na formação de um Conselho de Moradores, posteriormente denominado Grupo de Referência Local, são vários fatores: a falta de acesso à informação, o grande número de remoções e a forma como as remoções ocorrem. A impossibilidade de participação efetiva nas tomadas de decisão e intervenções comparece de maneira secundária nas discussões. Os problemas que o Conselho de Moradores, posteriormente reconhecido pela URBEL como Grupo de Referência Local, se dispõe a enfrentar não dizem respeito à estrutura do PGE, mas a questões imediatas, por vezes coletivas, em outros momentos de um determinado grupo familiar. Um vizinho removido sem indenização prévia, não saber se sua casa vai ser retirada ou permanecer, não ter acesso ao projeto, enfim, ter seu destino condicionado às decisões de uma esfera macro de planejamento, a qual dificilmente tem acesso.

Essas são algumas motivações dos moradores da Vila ao procurarem um nicho de resistência às margens do Grupo de Referência Geral, instituído durante a elaboração do PGE (2001-2004). As manifestações, a procura da Defensoria Pública, do Serviço de Assistência Jurídica da PUC, a tentativa de diálogo com os técnicos da prefeitura e órgãos responsáveis pelo Vila-Viva Morro das Pedras explicitam um conflito iniciado em 2007, e ainda latente. Nesse momento, a participação é a chave e o ponto de pressão pelo qual o grupo pode garantir informação para a comunidade, princípio básico da reivindicação.

2.5.1 2008- 2009: