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Bina Maliklerine İmar Parselinin Tam ve Hissesiz Verilmesi

2. ARSA VE ARAZİ DÜZENLEMESİ

2.13. İmar Parsellerinin Oluşturulması Ve Dağıtım Esasları

2.13.2. İmar Parsellerinin Oluşturulması ve Dağıtımına İlişkin Esaslar

2.13.2.2. Bina Maliklerine İmar Parselinin Tam ve Hissesiz Verilmesi

A ilegalidade urbana deixou de ser exceção e passou a ser regra, ela é estrutural e estruturante dos processos de produção da cidade e precisa ser enfrentada enquanto tal, requerendo a formulação de diretrizes e estratégias específicas no contexto mais

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amplo do planejamento urbano e da gestão urbana, e não meramente por meio de políticas sociais e/ou urbanísticas isoladas e marginais. (FERNANDES, 2003, p.176)

O processo de irregularidade fundiária e urbana em Belo Horizonte é paralelo à implantação da cidade. A construção da capital, planejada no final do século XIX, cria imediatamente um “excedente populacional” composto por trabalhadores não qualificados da construção civil e outras camadas mais pobres que participam direta e indiretamente da construção da cidade (MENDONÇA, 2003). A estrutura socioespacial definida pelos urbanistas determina apenas a moradia dos funcionários da nova cidade, sede do governo de Minas Gerais, além de parte da classe burguesa vinda de Ouro Preto (ligada às atividades agroexportadoras), técnicos do comércio e da construção civil e ex-proprietários do Arraial Curral Del Rey. Portanto, as classes mais pobres vêem-se imediatamente obrigadas a procurar soluções fora dos limites formais estipulados – para além da Avenida do Contorno (Antiga Avenida 17 de Dezembro) e das áreas demarcadas no entorno. A criação da cidade previa três zonas de ocupação: Urbana, Suburbana e Rural. A moradia dos trabalhadores não foi prevista no plano de Belo Horizonte que, para Costa (1994, p.68), “nascia duplamente periférica, situada na periferia do capitalismo mundial e estruturada internamente a partir de anéis de ‘periferia’ urbana historicamente definidas”.

Os primeiros assentamentos informais somavam já em 1895 cerca de 3 mil pessoas (Fernandes e Alfonsin, 2003). Menos de duas décadas mais tarde, em 1912, o número de moradores externos à Zona Urbana compunha 68% da população. As maiores ocupações ocorrem na área Norte e Oeste da atual Av. do Contorno. Em 1912, 68% da população residia fora da Zona Urbana, principalmente a norte e nas Colônias Agrícolas. (COSTA, H. 1994, p.68)

No final da década de 1950, um estudo da Sociedade para Análise Gráfica e Mecanográfica Aplicadas aos Complexos Sociais (SAGMACS) comprova essas tendências de expansão:

Quase metade da população de Belo Horizonte (47,3%) vive em condições insatisfatórias [...] localizam-se fora da Av. do Contorno, cobrem praticamente todas as zonas norte e oeste da cidade, e a periferia das zonas leste e sul são ocupadas por camadas populares ou predominantemente populares, e sua ocupação é recente... (SAGMACS: II-86 apud MENDONÇA,2003)

114 Os dados apresentados nessa introdução dizem respeito principalmente à formação de assentamentos precários, e não a aspectos da regularização fundiária, embora a irregularidade jurídico-urbanística constitua um ponto da informalidade e precariedade urbana. Seria anacrônico adotar critérios atuais de regularidade urbana para definir assentamentos formados há mais de um século. Portanto, esses índices são relevantes para compreender como a formação de Belo Horizonte esteve atrelada a processos de exclusão socioeconômica e espacial que colaboram para a formação da conjuntura de desigualdade social e irregularidade urbana vividas atualmente não apenas na capital, mas em todo o território metropolitano.

O crescimento de favelas e loteamentos irregulares responde à ausência de opções formais acessíveis para grande parte da população das classes de renda baixa e média-baixa. A opção para a exceção (na realidade, regra) é a autoprodução e a ocupação de áreas que não despertam o interesse do grande capital imobiliário, mas apenas a atenção de pequenos especuladores ou famílias sem condições de adquirir formalmente um lote.

Encostas, áreas de alta declividade, áreas de proteção ambiental ou faixas de domínio são gradualmente ocupadas, formando aglomerados irregulares de habitações da população de baixa renda. Este é o caso de parte das favelas bem localizadas, que só conseguem se inserir física e socialmente na cidade por estarem em áreas não parceláveis e edificáveis e, portanto, não disputarem a terra com a indústria imobiliária, pelo menos no período de sua formação (frequentemente, essa disputa se instaura mais tarde, com a saturação das áreas formais próximas).

A falta de possibilidades formais de acesso à terra e a serviços urbanos não pode ser compreendida como uma deficiência operacional do Estado ou do mercado, mas sim como uma condição inerente ao modo de produção e acumulação capitalista, refletido nas possibilidades de ocupação espacial. Existe uma dialética entre as relações sociais e sua materialização espacial. A desigualdade e a pobreza não são condições passageiras dentro da estrutura capitalista, mas sim funcionais à sua manutenção, logo, não podem ser extirpadas dentro dessa dinâmica. É nesse contexto que o acesso à terra urbanizada, legal e localizada em áreas com

115 serviços e oportunidades é uma realidade improvável. Ainda que o direito urbanístico disponha de instrumentos jurídicos suficientemente consistentes para gerar situações de equidade social, no que trata de equidade fundiária e acesso à moradia, isso não se reflete na realidade.

Atualmente, cerca de 20% da população belo-horizontina vive em favelas, um percentual considerado baixo em comparação aos índices encontrados em outras capitais, como Recife e Salvador, onde cerca de 40% da população habita em condições precárias (FERNANDES e ALFONSIN, 2003). No entanto, é importante observar que o município de Belo Horizonte é caracterizado por uma extensão territorial reduzida em relação às demais capitais, e existe um movimento claro de expulsão de parte da população para municípios próximos, decorrente da valorização excessiva e do entesouramento de áreas e imóveis disponíveis na capital. As relações estabelecidas entre os municípios circundantes e a capital geram questionamentos sobre como os problemas urbanos têm relevos e escalas que trespassam as fronteiras administrativas. Nesse sentido, qualquer dado sobre desigualdade e irregularidade fundiária em Belo Horizonte precisa ser observado considerando a situação em outros municípios da região metropolitana que tomam para si grande parte do ônus social.