2. ARSA VE ARAZİ DÜZENLEMESİ
2.11. Kamu Tesis Alanlarına Tahsis (KOP)
Cerca de 20 pessoas participam da reunião no CIAME (Rua Central- Vila Antena) no dia 05 de agosto. Além dos moradores da Vila Antena, há algumas pessoas de outras vilas, dois técnicos da prefeitura (uma coordenadora de projetos da URBEL/SUDECAP e um coordenador
96 social da URBEL) e três pessoas da Escola de Arquitetura, incluindo eu. Apenas metade do grupo participa efetivamente com relatos e reivindicações, entre as principais reivindicações está a entrega do projeto das intervenções em arquivo digital ao grupo e respostas sobre quem será removido ou não. É comum ao longo da reunião que haja manifestações pontuais, nas quais pessoas da comunidade demonstram indignação ao relatarem casos específicos de remoção, polarizando a discussão.
Os técnicos da URBEL ressaltam que o objetivo da reunião é ouvir os moradores e não que eles dêem explicações sobre o projeto, ambos questionam quais são realmente as intervenções que a comunidade deseja, pois só a partir de propostas claras eles poderão discutir as intervenções. Os moradores apresentam um ofício encaminhado à URBEL no mês anterior (20 de julho), nesse ofício há uma série de reivindicações: o reconhecimento do Grupo de Referência formado na vila, o pedido que o PGE incorpore uma sede para atividades socioculturais (e outros edifícios para inclusão social e serviços), o acesso ao projeto de obras na Vila Antena, a documentação das obras licitadas e o arquivo digital em AutoCAD para execução de uma maquete das obras. Os integrantes do Conselho pedem também que as vias propostas pelo PGE sejam executadas conforme as dimensões previstas para as ZEIS e, finalmente, que as intervenções realmente (grifos do ofício) atendam a necessidade dos moradores.
Novamente, os técnicos da URBEL argumentam que os itens solicitados são abstratos, e pedem que o grupo apresente materiais e reivindicações mais consistentes, ressaltando que as obras feitas pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e previstas no PGE contemplam apenas infraestrutura urbana (ampliação de vias de pedestre e veicular, esgoto, luz) e habitação. Portanto, o PGE pode prever áreas para locar esses equipamentos, mas os moradores devem reivindicar esses projetos por outros canais, como o Orçamento Participativo ou a Secretaria de Educação, no caso das escolas. Integrantes do grupo argumentam que não é papel deles apresentar propostas de intervenção na vila, ainda mais se tratando de propostas técnicas, além disso, sem acesso ao projeto não é possível compreender quais são as obras que serão executadas, fato que os impede de elaborar propostas consistentes. A única obra evidente no projeto para a Vila Antena e, conhecida pela maioria da população é a Via de Ligação que interliga a Avenida Raja Gabaglia à Avenida Barão Homem de Melo.
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Figura 19: Os moradores se debruçam sobre as plantas para questionar técnicos e participantes da UFMG. Fonte: arquivo pessoal. Imagem 20: projeto apresentado pelos técnicos da URBEL e Sudecap na reunião. Fonte: arquivo pessoal
A Via de Ligação é um dos pontos de maior conflito entre moradores e prefeitura. Isso porque a implantação da via de mão dupla, com caixa de no mínimo 8 metros de largura acarreta a remoção de centenas de famílias. Somente na Vila Antena, segundo dados do PGE (2004), 109 famílias estão sendo removidas para reestruturação veicular. Importante sublinhar, sob o risco da redundância, que a Vila Antena é uma das menores favelas da área, está ocupada há mais de cinco décadas e não tem casos de área de risco geológico. Portanto, a remoção de quase 20% da população local (segundo o PGE) deve ocorrer apenas para abertura da avenida. Para os técnicos, a expansão da via principal é essencial para o acesso de ônibus, ambulância e caminhão de lixo no interior da vila. Por outro lado, há relatos de técnicos que transparecem a necessidade da via como exigência de acessibilidade da Polícia Militar: “uma questão de segurança pública”.
No PGE, a Via de Ligação comparece como elemento que integra as vilas, cria uma ligação com o Parque criado no interior do Morro das Pedras e também facilita o transporte da população local. Durante a reunião, a Via de Ligação é atacada por alguns moradores, há
98 protestos sobre a necessidade da via, já que ela atenderia aos moradores dos bairros adjacentes mais do que à população local. Consideradas as dimensões da via e o fluxo previsto que deverá trafegar por ela, posso reafirmar a intenção de atender outros bairros da região Oeste, já que ela interliga duas avenidas importantes da região Oeste (Raja Gabaglia e Barão Homem de Melo). Um dos moradores da Vila Leonina afirma que “existe uma divergência de interesses, eles não precisam que se abra vias ou ruas, mas sim que os becos sejam urbanizados”.
Os representantes da URBEL não se dispõem a explicações extra-oficiais; embora demonstrem paciência e boa vontade, a discussão não produz entendimento; os técnicos mantém uma postura defensiva, restrita a explicar porque diversas informações e materiais não podem ser disponibilizados, e porque não é da alçada do PAC a execução de algumas obras solicitadas pelo grupo de moradores.
Após a discussão, os técnicos apresentam duas implantações da Vila Antena, ambas em formato A2, contendo parte das propostas de intervenção: taludes, a Via de Ligação e a marcação das casas que permanecem. Não há indicações das casas demolidas para abertura da via, ou algum tipo de legenda/ inscrição para que os moradores localizem suas casas, as de seus vizinhos e parentes. Diante da dificuldade de entendimento, os moradores pedem que a técnica “explique a planta”. Utilizando uma terminologia técnica e genérica, a coordenadora da URBEL explica como a equipe do PGE elabora os mapas e a altimetria do terreno. Pouco interessados, os moradores passam a perguntar aos participantes da universidade onde estão suas casas e se elas serão retiradas ou permanecerão. Aos poucos cada morador identifica sua casa, e marcam sobre a implantação os nomes das famílias. O interesse dos moradores se evidencia nesse momento, quando ocorre um atendimento individual e informal, mais distante da linguagem técnica e próximo do interesse de cada morador presente na reunião, nota do meu relato:
Um dos técnicos tentou explicar o processo do PGE, começando com “a topografia serve para medir as casas por fora como se você visse ela em vista aérea, é a altimetria...”. Uma das pranchas era a área com as habitações a serem removidas e as ruas que seriam abertas ou ampliadas. Com a implantação em mãos, a maior parte dos moradores procurou esclarecimentos, perguntando se a residência seria removida ou não. Participantes da universidade apontaram as casas para os moradores que se aproximavam, conseguindo esclarecer parcialmente alguns, que compreendiam as representações sem grandes problemas. (Anotações do arquivo pessoal, 05/08/2009)
99 Grande parte do grupo demonstra ao longo da reunião alguma revolta com o suposto descaso das autoridades, e ao mesmo tempo conformismo com a situação. Ainda que afirmem representar a comunidade toda e digam que a maioria dos moradores é contra as intervenções, aparentemente, o grupo não constitui uma coletividade representativa. Reivindicam o acesso ao projeto e maior entendimento de como as intervenções alteram a vila. No entanto, os interesses oscilam num campo de crítica pouco abrangente, sempre ligado a questões específicas. Em momento algum há questionamentos sobre como o PGE é elaborado, ou se é possível revertê-lo e iniciar um processo de planejamento a partir de outros pressupostos.
Ao final da reunião, a entrega do projeto continua suspensa, os técnicos recolhem as implantações trazidas para a suposta apresentação, agora com anotações dos moradores. Também existe a promessa de que o projeto seja apresentado à comunidade numa reunião setorial, na qual as informações produzidas pela URBEL e pela HAP, construtora responsável pelo projeto, serão disponibilizadas para a comunidade.