“KİRALIK KONAK”TA ANLATICI VE KARAKTERLEŞTİRME Bahar Dervişcemaloğlu *
12 Moran, Türk Romanına Eleştirel Bir Bakış I, s 138.
Os primeiros povos considerados “pescadores” surgiram no Mesolítico a cerca de 10.000 anos atrás (McGOODWIN, 1990). Estabeleceram-se às margens do Mar Báltico e foram os primeiros seres humanos a adotar um estilo de vida semi- sedentário, sobrevivendo da coleta de vegetais terrestres e de organismos marinhos. O desenvolvimento desta sociedade foi acompanhado, nos demais continentes, pelo surgimento de outras civilizações dependentes do ambiente marinho. Também houve civilizações que se desenvolveram à margem dos rios, como os povos do Nilo (egípcios) e da Mesopotâmia (babilônicos, assírios, sumérios, caldeus, amoritas e acádios).
Estes grupos humanos exploravam os ecossistemas terrestres adjacentes, utilizando seus recursos naturais. Com este comportamento, eram menos suscetíveis às alterações ambientais de curto prazo do que as sociedades exclusivamente terrestres e puderam, também, acumular reservas de alimento (McGOODWIN, 1990), as quais proporcionaram o incremento populacional e o desenvolvimento de modos de vida mais sedentários.
Ao longo do tempo, a forma de utilização e a dependência dos ambientes terrestre, fluvial e marítimo mudaram, passando a existir ampla variação, tanto
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espacial quanto temporal, nas comunidades de pescadores, principalmente com o advento da agricultura (McGOODWIN, 1990).
Diegues (1983) descreve as mudanças sofridas pela pesca com o surgimento dos motores a explosão e com o início da industrialização do setor. O autor apresenta, de forma detalhada, o processo de ruptura que, no litoral brasileiro, ocorreu na pequena pesca dos pescadores-lavradores a partir da utilização de embarcações motorizadas pelos pescadores de pequena escala. A introdução do maquinismo não somente propiciou a expropriação do saber fazer tradicional dos pescadores mas também alterou sua percepção do ecossistema marinho. A transformação do recurso pesqueiro em mercadoria levou ao aparecimento do comportamento de rapina; onde os recursos são vistos como limitados e o sucesso da pescaria depende da pressa com que se processa a captura. Desta forma, os pequenos pescadores lançaram-se na pesca predatória.
No litoral de Santa Catarina, o desenvolvimento da pesca passou, de forma simplificada, pelas seguintes fases (LAGO, 1961 e CABRAL, 1994):
(1) Pesca de subsistência, que remonta a épocas pré-históricas, e é documentada em inúmeros sambaquis encontrados no litoral;
(2) Os primeiros povoadores do litoral, originários de expedições bandeirantes, passam a exercer os rudimentos da pesca de pequena escala, voltada principalmente para a subsistência e troca do excedente por outras mercadorias;
(3) A partir do século XVII, surgem em alguns pontos do litoral catarinense armações para a pesca da baleia (espécies não identificadas pelo autor). Esta atividade comercial teve relativa importância e, no início do século XIX,
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entrou em declínio, relacionado, principalmente, à concorrência com embarcações estrangeiras melhor equipadas;
(4) O desenvolvimento da pesca de pequena escala surge com a vinda, a partir de 1700, dos imigrantes açorianos. Estes colonos eram agricultores, dedicando-se à pequena lavoura e a produção de farinha de mandioca. A pesca era realizada de forma complementar, sazonal, direcionada para a captura da tainha (Mugil spp.) e anchova (Pomatomus saltatrix). Os recursos obtidos com sua comercialização eram utilizados para a compra de mercadorias não produzidas pelos colonos. Durante a safra se formavam as chamadas “companhas”, grupos de pescadores formados, geralmente, por pessoas com laços familiares, proprietários dos meios de produção, canoas e redes de praia, de pequeno porte e baixo custo (DIEGUES, 1983 apud LAGO; GOUVEIA, 1968).
O fato de ocuparem terras com baixa capacidade produtiva, dificultando o desenvolvimento da atividade agrícola e da criação de gado, conduziu o colono à dinamização da atividade pesqueira, a qual estava culturalmente afeito. Começa um movimento de mudança de atividade produtiva, com inúmeros pescadores-agricultores tornando-se unicamente pescadores. O processo de evasão conduz ao desmantelamento da estrutura econômica e social tradicional. A pesca passa a ser realizada o ano todo e não apenas no período da safra, com o contingente de pescadores sendo empregado na utilização de petrechos e embarcações cada vez maiores e cuja propriedade passa a ser de poucas pessoas, muitas vezes alheias à comunidade.
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(5) O desenvolvimento de importantes centros urbanos devido à chegada dos imigrantes italianos e germânicos constituiu um importante mercado consumidor local. Posteriormente, o aumento da demanda proveniente dos estados da região sudeste do Brasil, levou a melhoramentos no sistema de produção, conservação e transporte.
A partir dos anos 60, em decorrência da melhora na infra-estrutura de transportes, do crescimento urbano e do aumento da atividade turística no litoral catarinense, passam a ocorrer alterações na estrutura socioeconômica das comunidades de pescadores. A especulação imobiliária acaba por levar os pescadores a vender suas propriedades por preços muito abaixo da realidade de mercado (SEVERO, 2008). Desta forma, a complementação econômica, que antes era retirada da pequena propriedade, é substituída pela prestação de serviços aos habitantes locais e aos turistas.
Com as opções econômicas ficando reduzidas apenas à pesca, os estoques passam a ser explotados pelos pescadores de forma ininterrupta e não somente nos períodos de safra. Tal fato, aliado a melhoria na infra-estrutura de escoamento da produção e ao desenvolvimento da pesca industrial, levou a uma redução nos estoques pesqueiros locais (RODRIGUES et al., 1998).
Além dos fenômenos acima mencionados como originários do processo de redução dos estoques, deve ser considerada também a progressiva degradação da qualidade ambiental das áreas litorâneas do Estado de Santa Catarina. O crescimento do parque industrial em algumas regiões, o aumento na descarga de esgoto doméstico e industrial, o desmatamento e a ocupação agrícola são os principais vetores deste processo (RODRIGUES, 2000 e BASTOS, 2006).
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O resultado é uma possível diminuição na produtividade das pescarias, intensificando o empobrecimento dos pescadores e a erosão da segurança alimentar nas comunidades pesqueiras que dependem do pescado como fonte de proteína e renda.
Berkes et al (2006) apud Jentoft, McCay e Wilson (1998) discriminam dois tipos de comunidades pesqueiras: a funcional, que reúne grupos definidos por locais de pesca, tipos de petrechos e espécies exploradas, e a local, cujos integrantes são conectados por residência, identidade e história (por exemplo, os pescadores de uma aldeia ou cidade).
Lago (1961) descreve como principais comunidades pesqueiras em Florianópolis, os núcleos de Pântano do Sul, Ribeirão da Ilha, Lagoa da Conceição, Ingleses e Ponta das Canas. Atualmente o IBAMA considera que o Município de Florianópolis possui 17 localidades/comunidades de pescadores (BRASIL, 2005). Todos estes núcleos passaram por transformações nos perfis sociais, econômicos e culturais desde sua implantação pelos primeiros povoadores/colonos até os dias atuais onde enfrentam um conjunto de problemas que interferem diretamente no sucesso da atividade pesqueira.