“Katırın Ölümü”
19 Kocabay, Halaza, s 29.
O rito sumário foi introduzido pela Lei n.º 9.527, de 10 de dezembro de 1997. Aplica-se o procedimento sumário para apuração de acumulação ilegal de cargos, de abandono de cargo e de inassiduidade habitual, sendo em todos os casos cabível a pena de demissão.
Como nesses casos a materialidade já está pré-constituída, espera-se que seja uma instrução célere, ultrapassando algumas etapas do rito ordinário, mas sempre observando o contraditório e a ampla defesa.
Se for necessário contestar a prova pré-constituída, nada impede que a defesa provoque formação de provas como no rito ordinário (artigo 133, § 8.º, da Lei n.º 8.112/90), com oitivas, diligências, interrogatório, etc., sem prejuízo das prerrogativas da comissão de denegar aqueles pedidos impertinentes ou protelatórios, conforme o artigo 156, § 1.º, da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990:
STJ. Mandado de Segurança n.º 7.464: “Ementa: [...] III – A intenção do legislador – ao estabelecer o procedimento sumário para a apuração de abandono de cargo e de inassiduidade habitual – foi no sentido de agilizar a averiguação das referidas transgressões, com o aperfeiçoamento do serviço público. Entretanto, não se pode olvidar das garantias constitucionalmente previstas. Ademais, a Lei n.º 8.112/90 – art. 133, § 8.º – prevê, expressamente, a possibilidade de aplicação subsidiária no procedimento sumário das normas relativas ao processo disciplinar.
5.2.3.1 Rito para acumulação ilegal de cargos
Identificado o caso de acumulação ilegal, a autoridade instauradora deve notificar o servidor, por intermédio de sua chefia imediata, a fim de que, no prazo de dez dias, ele opte por um dos cargos (artigo 133 da Lei n.º 8.112/90). Fazer a opção pelo outro cargo implica exoneração a pedido do cargo ocupado no próprio órgão. Se a opção for pelo cargo ocupado no próprio órgão, deve-se aguardar pela comprovação da exoneração do outro cargo.
É importante ressaltar que a proibição da acumulação remunerada também se estende aos proventos da aposentadoria, nada obsta a que o aposentado que se encontra na situação de acumulação ilícita opte pelo cargo, renunciando àqueles proventos.
Frise-se que somente se o interessado não fizer a opção por um dos cargos é que se instaura o processo sumário, com comissão integrada por dois servidores estáveis.
Como a prova é pré-constituída, a portaria de instauração já deve indicar a autoria e a materialidade. Logo, deve conter a identificação do servidor, a descrição dos cargos, dos órgãos, das datas de ingresso, dos horários e dos regimes de trabalho (artigo 133, § 1.º, da Lei n.º 8.112/90).
Até três dias antes da instauração do processo, a comissão providenciará o termo de indiciação do servidor, promovendo a sua citação para apresentar defesa em cinco dias (artigo 133, § 2.º, da Lei n.º 8.112/90).
Uma vez apresentada defesa sem pedido de realização de diligências, busca de provas, em cinco dias a comissão deve elaborar o relatório conclusivo acerca da inocência ou da responsabilidade do servidor, opinando sobre a licitude ou não da acumulação (artigo 133, § 3.º, da Lei n.º 8.112/90).
A opção pelo servidor até o último dia de defesa configura boa-fé e implica apenas exoneração a pedido do outro cargo (artigo 133, § 5.º, da Lei n.º 8.112/90).
Se o servidor não manifesta a sua opção e se o procedimento sumário apresenta um relatório caracterizando a ilegalidade de acumulação, deve a autoridade promover sua demissão de ambos os cargos, empregos ou funções públicas que ocupa irregularmente (artigo 133, § 6.º, da Lei n.º 8.112/90).
Um exemplo de caso em que há boa-fé são manifestações divergentes acerca da legalidade da acumulação ou mera aparência de que se trata de matéria de caráter técnico
efetivo. Há má-fé quando, ao ser provido em um cargo, o servidor não declarar o fato de já ocupar outro441.
Em cinco dias do recebimento do processo, a autoridade julgadora analisa aspectos formais do processo e, se for o caso, remete os autos à Consultoria Jurídica do órgão, uma vez que o ilícito enseja pena expulsiva, a cargo do respectivo Ministro de Estado (artigo 133, § 4.º, da Lei n.º 8.112/90).
O prazo para a conclusão do procedimento administrativo disciplinar de rito sumário é de trinta dias, contados da instauração, prorrogáveis por mais quinze dias (artigo 133, § 7.º e § 8.º, da Lei n.º 8.112/90).
5.2.3.2 Rito para abandono de cargo e inassiduidade habitual
A apuração do abandono de cargo e da inassiduidade habitual segue quase o mesmo rito adotado para a acumulação ilegal, previsto no artigo 133 da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, não sendo adotada a prévia ou a posterior manifestação configuradora de boa-fé e outras particularidades, pois o artigo 140 contém algumas disposições específicas em relação a dispositivos do artigo 133.
A própria lei já define o que é considerado abandono de cargo: a ausência intencional do servidor ao serviço por mais de trinta dias consecutivos (artigo 138 da Lei n.º 8.112/90). Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justificada, por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses (artigo 139 da Lei n.º 8.112/90).
No caso do abandono de cargo, a indicação da materialidade na portaria de instauração faz-se com o registro preciso do período de ausência intencional superior a trinta dias. Isto é, indica-se o primeiro e o último dia de ausência ininterrupta, sem um único dia de efetivo exercício do cargo.
A conclusão da comissão deve levar em consideração tanto a comprovação do quantitativo de ausência continuada, quanto a comprovação da intencionalidade ou não da ausência superior a trinta dias consecutivos. Ressalta-se que a Lei não exige animus de abandono definitivo.
Se a comissão não comprovar a intenção (elemento essencial) do servidor de ausentar-se do serviço por mais de trinta dias, não poderá aplicar a pena de demissão por
abandono do cargo, com base nos artigos 132, II, e 138 da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Cabe outro enquadramento, por exemplo, falta de pontualidade ou de assiduidade, do artigo 116, X, da Lei n.º 8.112/90, ou, caso não caiba nenhum enquadramento, restará apenas o efeito pecuniário da ausência.
No caso de inassiduidade habitual, a indicação da materialidade na portaria de instauração faz-se com o registro preciso dos sessenta dias (ou mais) de falta sem causa justificada em um período de doze meses.
Observa-se que, para a configuração da inassiduidade habitual, a Lei exige a descrição da materialidade com a indicação individualizada de cada um dos sessenta dias úteis, não se incluindo fins de semana, feriados e dias de ponto facultativo, intercalados entre dias de ausência.
A conclusão da comissão deve levar em consideração, além da comprovação do quantitativo de faltas, algum motivo para as mínimas sessenta faltas interpoladas em doze meses e verificar se esse motivo realmente é suficiente para justificá-las.
Se existirem motivos relevantes, aceitáveis e razoáveis para justificar as faltas, não há enquadramento nos artigos 132, III, e 139 da Lei n.º 8.112/90; poderá haver, por exemplo, falta de pontualidade ou de assiduidade, enquadrada no artigo 116, X, do Estatuto. Se não houver outro enquadramento, caberá apenas efeito pecuniário.
Assim, foram descritos os meios de apuração de faltas (processo administrativo disciplinar ordinário, processo disciplinar sumário, sindicância ordinária) dos servidores públicos padrão, em geral. Posteriormente, será abordado o processo administrativo disciplinar especial ou a sindicância especial para os servidores públicos temporários, ressaltando-se suas particularidades e diferenciações.
5.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O DEVIDO PROCESSO LEGAL, O