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DÖVİZ CİNSİNDEN DÜZENLENEN KİRA KONTRATLARINDA DAMGA VERGİSİ UYGULAMASI

II- KİRA KONTRATLARININ DAMGA VERGİSİ KARŞISINDAKİ DURUMU

4. A SOCIALIZAÇÃO DE GÊNERO PELA PERSPECTIVA DAS CRIANÇAS

Este capítulo tem como finalidade apresentar dados produzidos na interlocução direta com as crianças. A apreensão desses dados nos permitiu captar a perspectiva de meninos e meninas sobre as relações de gênero por eles/as vivenciadas no interior da instituição de Educação Infantil

A partir de um quadro teórico-metodológico capaz de amplificar as vozes das crianças e que, igualmente, possibilitou apreender a densidade e a complexidade de suas experiências sociais, percebemos a presença de algumas representações de gênero no cotidiano institucional de meninos e meninas; homens e mulheres. Assim, considerando que as crianças são sujeitos ativamente engajados na complexidade da trama social; compreendendo-as como atores sociais capazes de falar sobre as experiências sociais que constroem cotidianamente, buscamos entender como elas percebem e significam o ser homem e ser mulher; o ser menino e ser menina.

De um ponto de vista semiótico, portanto, interpretativo (GEERTZ, 1989 [1973]), as práticas sociais nas quais as pessoas se engajam cotidianamente, pressupõem interpretações sobre o mundo. Desse ponto de vista, a sociedade é um contexto de produção de significados – significados estes que carregam traços constitutivos dos processos sociais por meio dos quais foram, em sua gênese, produzidos. Com isso queremos enfatizar que, significados relativos às relações de gênero são cultural e socialmente produzidos por aqueles/as que as vivenciam (CONNELL e PEARSE, 2015). Assim, consideramos que a falas e as ações das crianças não se configuram como testemunhos de um modo autônomo de ser e estar no mundo, pelo contrário, configuram-se como a expressão de silenciosos diálogos simbólicos entre as crianças e as pessoas de sua comunidade (BENJAMIN, 1884 [1928]; TOREN, 1999).

Na primeira seção do capítulo, retomo a discussão conceitual como forma de compreender as pedagogias de gênero presentes na instituição de Educação Infantil. Parto do princípio de que a dimensão simbólica do gênero produz formas de compreensão das diferentes representações de masculinidade e de feminilidade que veiculam no interior da instituição investigada. As representações de gênero são aqui tomadas na acepção formulada pelas investigadoras feministas (DE LAURETIS, 1994; LOURO, 1997, MORENO, 1999)

para quem tais representações possuem forte dimensão simbólica. Por representações simbólicas de gênero, compreende-se o conjunto de formas culturalmente organizadas que possibilitam aos sujeitos aludir, classificar, mostrar ou nomear a si mesmos, as pessoas e as coisas. As representações simbólicas não são meros reflexos da realidade, mas constituintes do “real”. Segundo Louro (1997, p. 98-99 – grifos da autora), “nessa perspectiva, não cabe perguntar se uma representação ‘corresponde’ ou não ao ‘real’, mas, ao invés disso, como as representações produzem sentidos, quais seus efeitos sobre os sujeitos, como elas constroem o ‘real’”. Com essas reflexões não estamos afirmando que tais representações de gênero são construídas, difundidas e conscientemente compartilhadas pelas crianças; pelo contrário, buscamos evidenciar que tais representações estão presentes no cotidiano da UMEI, sendo algumas percebidas pelas crianças, outras nem tanto. Acreditamos que essas representações, em certo sentido, podem influenciar a construção das identidades de gênero de meninos e meninas, mas não necessariamente determiná-las.

Na sequência, a partir dos dados produzidos na interlocução com as crianças E os docentes (a professora e o professor) procuro identificar e descrever as pedagogias de gênero presentes na instituição de Educação Infantil. Considerando que diferentes simbologias de gênero estruturam as relações sociais entre homens e mulheres; meninos e meninas e entre crianças e adultos, identifico primeiramente os elementos materiais dessa pedagogia, ou melhor, as imagens que a materializam visualmente. O objetivo dessa seção é demonstrar como essa dimensão visual auxilia no processo coletivo de produção de significados sobre ser menino e ser menina (tanto para as crianças, quanto para os adultos que convivem na instituição de Educação Infantil).

Na seção seguinte, além dessa visualidade, discuto como as representações de gênero atravessam o cotidiano de crianças e adultos na Educação Infantil. Busco compreender como as representações de gênero se espalham de modo fluido e sutil e como influenciam as relações sociais na UMEI, estando presentes em algumas práticas pedagógicas e em diversos ritos do cotidiano institucional. Isso não que dizer que as representações de gênero são disseminadas pelos adultos de modo totalmente deliberado. Como veremos, muitas vezes, os mesmos profissionais que, em algumas situações, promovem a legitimação de representações estereotipadas de gênero, em outras, constroem práticas de promoção da igualdade entre meninos e meninas no interior da instituição de Educação Infantil. Nessa seção, também discuto como as estruturas de relações de gênero influenciam as ações sociais das crianças. As

relações entre a professora referência e o professor de apoio também foram analisadas sob a perspectiva de gênero. As formas como os docentes se relacionavam entre si, também disseminavam modos de subjetivação da masculinidade e da feminilidade para as crianças.

Na seção seguinte, discuto a presença de diferentes processos de socialização de gênero que ora concorrem com aquele realizado pela instituição de Educação Infantil, ora se articulam a ele. Dentre esses diferentes processos destacam-se: a socialização de gênero vivenciada pelas crianças no âmbito familiar, no interior das instituições religiosas das quais participam, e da mídia.

Na seção subsequente, apresento dados que permitem identificar as crianças enquanto sujeitos de gênero – que em algumas situações se alinham com as representações hegemônicas de gênero; que noutras, as questionam e que em determinadas situações, podem experimentar novas formas de ser menino e ser menina num jogo relacional e interpretativo, do qual vão extraindo sentidos para as relações de gênero. Nessa seção, também evidenciamos que, as crianças, para além das diferenças relativas às experiências sociais de meninos e meninas, percebem também diferenças entre a experiência social de adultos e crianças. Nesse sentido, meninos e meninas deram sinalizações de que compreendem o tempo da infância como um tempo de apropriação das práticas culturais e que, no que diz respeito à construção da identidade de gênero, têm a possibilidade de experimentar diferentes formas de viver a masculinidade e a feminilidade.

Durante todo o capítulo procuro desenvolver a ideia de que as crianças vão construindo os sentidos da ação a partir das condições estruturais que lhes são oferecidas. Desse modo, inspirados em Dubet (1996), acreditamos que por meio dessa articulação de distintas lógicas de ação, meninos e meninas passam a produzir suas próprias experiências sociais de gênero.

4.1.Pedagogias de gênero na Educação Infantil: estruturando processos de socialização

Como vimos na revisão apresentada no início desta tese, é incontestável o esforço recente de alguns/umas investigadores/as brasileiros/as que, nas últimas décadas, buscam compreender a emergência, a difusão e os possíveis efeitos sobre a experiência social de meninos e meninas daquilo que anteriormente nomeamos por pedagogias de gênero