VE İŞVERENLERİN SORUMLULUKLARI
VIII- ÇALIŞAN TEMSİLCİSİNİN YETKİ VE SORUMLULUKLARI İş Sağlığı ve Güvenliği Kanunu işyerinde sağlık ve güvenlik
O presente trabalho privilegia o estudo dos registros paroquiais da matriz de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto referentes ao período compreendido entre 1838 e 1900.87 Os livros originais estão conservados no Arquivo Eclesiástico da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto (AEPNSP) e, de maneira geral, encontram-se em bom estado de conservação.88 Toda a documentação do acervo foi higienizada e está
acondicionada dentro dos modernos padrões científicos de conservação de fontes arquivísticas.
Não podemos deixar de exaltar e elogiar o cuidado com que essa série documental tem sido preservada pelos responsáveis. O pároco, padre José Feliciano Simões, homem culto e consciente de seu papel como tutor de todo o patrimônio artístico e cultural da matriz de Nossa Senhora do Pilar89, conduziu até seus últimos
dias, com firmeza e carinho, a equipe coordenada pelo historiador Carlos José Aparecido de Oliveira (o Caju), cioso da importância da preservação de todo o acervo.
Parte dessa documentação, relativa ao período de 1712 a 1900, foi microfilmada e está depositada no CECO (Centro de Estudos do Ciclo do Ouro), localizado na Casa dos Contos de Ouro Preto (órgão do Ministério da Fazenda), em projeto de resgate da documentação referente à Vila Rica do século XVIII. Essa produção encontrava-se, até
86 CARPEAUX, Otto Maria. Os livros na mesa. Rio de Janeiro: São José, 1960. p. 169.
87 Apesar de nossa análise determinar como marco final do trabalho o ano de 1897, data da mudança da capital mineira para Belo Horizonte, utilizamo-nos dos registros de três anos subsequentes para identificarmos, através deles, o impacto dessa transferência na dinâmica populacional de Ouro Preto. 88 O livro referente aos anos de 1834 a 1865 está em piores condições, faltando-lhe as páginas 62, 63,
142 e 143 (volume 409).
então, descentralizada, tanto no Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte, como no Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
O projeto que visa ao retorno da documentação concernente a Ouro Preto àquela cidade foi implantado em 06 de fevereiro de 1974, e resgatou, inicialmente, documentos que representam aspectos econômicos, fiscais, tributários e sociais do século XVIII. Posteriormente, a microfilmagem e catalogação de outros acervos vieram enriquecer o potencial da Instituição, entre eles, os assentos de batismos, casamentos e óbitos da paróquia do Pilar do Ouro Preto.90
Em 1998, sob a coordenação da professora Dra. Adalgisa Arantes Campos, teve início a constituição de um banco de dados da referida documentação paroquial. Esse projeto envolveu o Departamento de História da FAFICH/UFMG (instituição outorgada) e o próprio CECO/Casa dos Contos (associada), com o apoio do FUNDEP (gestora) e FAPEMIG (outorgante). A dedicação e o trabalho de diversos pesquisadores e alunos bolsistas, tanto da Casa dos Contos, onde o projeto teve início, como da FAFICH/UFMG, para onde a base de dados foi transferida, foram essenciais para que a referida base documental estivesse em condições de subsidiar tão pretensiosa pesquisa.
O conjunto desses dados, riquíssimo, tem-se mostrado de grande valia para os mais diversos estudos acerca da família e da sociedade da região das Minas nos séculos XVIII e XIX.91 Para o período proposto, temos a existência de oito livros que não foram microfilmados, dos quais seis volumes referentes a assentos de batismos, sendo estes: um específico para o batismo de escravos, entre 1839 e 1871 (livro 3), outro próprio para batismos celebrados basicamente nas capelas filiais localizadas fora da urbe (livro
90 FERRAZ, Eugênio. Casa dos Contos: Ensaio histórico e memória da restauração no ano de seu bicentenário. 1984. Disponível em: <http://www.esaf.fazenda.gov.br/casa-dos-contos/home_4.swf>. Acessado em 22/03/2007.
91 O referido Banco de dados já possibilitou produção de diversas dissertações do Programa de Pós- Graduação do Departamento de História da Fafich/UFMG, como: PEREIRA, Marcos Aurélio de Paula. O cativeiro e a messe nas Terras do Ouro: escravidão e catolicismo em Minas colonial (2002); ARAÚJO, Jeaneth Xavier. Para a decência do culto de Deus: artes e ofícios na Vila Rica setecentista (2003); LOTT, Mirian Moura. Casamento e família nas Minas Gerais: Vila Rica – 1804-1839 (2004); OLIVEIRA, Patrícia Porto de. Batismo de escravos adultos na Matriz do Pilar de Ouro Preto: 1715- 1750 (2004); SILVEIRA, Felipe Augusto de Bernardi. Entre políticas públicas e tradições: o processo de criação do Campo Santo na cidade de Diamantina (2005). MARTINS, Agnaldo Lopes. Metadados para descrição de documentos remanescentes de fundo eclesiástico: (Mestrado em Ciência da Informação da UFMG, 2006). Tal projeto subsidiou também a publicação da Revista Varia História, n. 31, jan. 2004, com artigos abordando as questões demográficas, políticas, sociais, familiares e religiosas dos setecentos e oitocentos mineiros.
3 B), e os demais, exclusivos para o registro de batismos de livres, com início em 1847 e final em 1894 (livros 3 A, 9, 10 e 11).
Os dois volumes relativos aos registros de casamentos que exigiram leitura diretamente dos originais abarcam o período entre 1865 e 1890 (livros 6 e 7). O livro 8, que cobriria a década de 90 do século XIX, infelizmente não foi localizado, deixando- nos com a lacuna de uma década. Os demais, editados em microfilme, foram lidos por bolsistas do curso de História, que, ao mesmo tempo em que se beneficiaram pela oportunidade de terem contato direto com fontes históricas tão relevantes, muito contribuíram para a realização desse estudo. O trabalho desses alunos foi supervisionado tanto pela coordenadora, professora Adalgisa, como pela autora da presente tese, o que nos garante a pertinência das informações e nos permite um trabalho sobre base documental segura.92
A pesquisa não se limita à análise das planilhas preenchidas no banco de dados. Este foi utilizado principalmente para os exames quantitativos, pois, além de nos possibilitar visualização das informações básicas constantes em cada assento, permite que os dados sejam apresentados em forma de tabelas e gráficos, facilitando sua visualização abrangente e cruzamentos entre os diversos campos preenchidos.
Atualmente, a referida base de dados, formatada no programa Microsoft Access, conta com o registro de 17.771 batismos, 2.443 casamentos, e 13.614 óbitos, englobando os séculos XVIII e XIX. Para o período entre 01 de janeiro de 1838 e 31 de dezembro de 1900, temos 4.358 batismos, 1.355 casamentos, e 4.285 óbitos, que compõem o sustentáculo de nosso trabalho. Os livros de números 03, 3 A, 3 B e 9 foram digitalizados em planilhas do Excel. Somam 652 registros de batismos.
As informações contidas nas planilhas podem ser organizadas em tabelas, quadros, listagens ou gráficos. Podem, ainda, ser quantificadas e filtradas, a partir de seleção de dados (por data, condição social, condição de legitimidade) ou qualquer dos campos preenchidos, exceto o das observações. Estas devem ser resgatadas individualmente, mesmo porque não são referentes a informações objetivas, mas tratam
92 Agradecemos de maneira especial aos estudantes de História Julio Caetano, Edson, Flávia Gervásio (hoje graduada e com título de mestre) e, principalmente, a Aléxis Nascimento, pelo comprometimento e dedicação a seu trabalho de leitura paleográfica e digitação das planilhas.
de especificidades contidas num determinado assento. As planilhas, que sofreram várias modificações no decorrer do tempo, têm a seguinte configuração atual:
FIGURA 4: Planilha de batismo.
FIGURA 5: Planilha de casamento.
As informações capturadas a partir da base de dados citada, porém, são insuficientes para uma análise qualitativa dos registros. O estilo de cada período e/ou do pároco responsável, as informações privilegiadas num determinado momento, mas que, depois, desaparecem, são indícios da mentalidade e das preocupações de cada época. Por isso, não deixamos de investigar diretamente nos livros e microfilmes, fato que muito enriqueceu a pesquisa.
Os arquivos paroquiais passaram a se constituir em fonte privilegiada para os historiadores a partir da escola dos Annales, fundada, na França, em 1929,93 na medida em que propõe o alargamento do campo da história: “Ao desertar o terreno político, esta acaba por orientar o interesse dos historiadores para outros horizontes – a natureza, a paisagem, a população e a demografia, as trocas, os costumes”.94 Além disso, a história deixa de privilegiar os grandes líderes políticos para acompanhar a vida de uma vila, de uma comunidade e seus personagens, até então, incógnitos. Para tanto, “deve ampliar as fontes e os métodos, os quais devem incluir a estatística, a demografia, a lingüística, a psicologia, a numismática e a arqueologia”.95 A aproximação da história com a demografia passou a permitir estudos sobre as populações e as famílias no contexto da história social, utilizando-se, principalmente, para os séculos XVIII e XIX, das fontes paroquiais.
A chamada demografia histórica desenvolveu-se, na França, a partir de 1956. Os pesquisadores franceses Louis Henry e Michel Fleury “utilizaram os registros paroquiais de batismos, casamentos e óbitos para reconstruir o comportamento das populações vivendo em outros regimes demográficos”. Em 1966, surge outro grupo de pesquisadores, já na Inglaterra, utilizando-se dos registros paroquiais e das listas nominativas de habitantes, preocupados “em analisar a formação e a estrutura dos domicílios”.96
93 Marco dado pelo lançamento, em 15 de janeiro de 1929, da revista Annales d’histoire économique et sociale, sob a direção de dois historiadores: Marc Bloch e Lucien Febvre.
94 DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. Campinas: Ed. da Universidade Estadual de Campinas, 1992. p. 54.
95
DOSSE, François. A história em migalhas... p. 54.
96 BOTELHO, Tarcísio Rodrigues. Abordagens quantitativas em história demográfica e social: novas possibilidades de estudo. XIV Encontro Regional de História da ANPUH-MG, Juiz de Fora, jul. 2004, CD-rom.
Maria Abadia Cardoso97 comenta que a história demográfica vai estabelecendo interfaces com a história social, na medida em que aspectos como mortalidade, natalidade e casamentos vão se relacionando com o modo de vida e a percepção de uma determinada comunidade. Nesse sentido, a história demográfica se obriga a perpassar a sua própria dimensão, partindo de fatos demográficos e chegando a aspectos antropológicos e culturais. Segundo a pesquisadora:
A História Demográfica é uma dimensão importante a ser examinada pelos historiadores e tem trazido muitas contribuições especialmente a partir da década de 1950, onde ocorreu um entrelaçamento com a História Regional. Os pioneiros foram os historiadores franceses, sobretudo Coubert e Pierre Vilar. É igualmente um campo rico em reflexões, pois, ao ter como prioridade de análise a “população”, esta noção já traz em si um leque de possibilidades.98
No Brasil, a demografia histórica foi introduzida na década de 1960, e teve a professora Maria Luiza Marcílio como uma das pioneiras, ao desenvolver sua tese de doutorado, na França, com o professor Luis Henry. Posteriormente, essa pesquisadora utilizou, no Brasil, as fontes paroquiais para a reconstituição de famílias.99
Não devemos deixar de citar importante núcleo de história demográfica vinculado ao departamento de História da Universidade Federal do Paraná, que tem no professor Sérgio Odilon Nadalin seu maior representante. Estudos iniciados na década de 70 do século passado têm desvendado a particularidade de Curitiba, determinada pela presença marcante de imigrantes, principalmente germânicos. Além disso, um levantamento considerável de documentos tem oportunizado não apenas um trabalho dentro da técnica de demografia histórica, mas se aproximado da difícil tarefa de traçar a genealogia das famílias curitibanas. O trabalho de reconstituição da sociedade e da economia do Paraná, através da história econômica e social, se destacou igualmente pelas pesquisas de Altiva Balhana e Cecília Westphalen.
97 CARDOSO, Maria Abadia. O campo da história: especialidades e abordagens. Revista de História e Estudos Culturais. Disponível em: <http://www.revistafenix.pro.br/>. Último acesso em 20/04/2007. 98
Cf. CARDOSO, Maria Abadia. O campo da história.
99 Uma rápida retrospectiva sobre a introdução da demografia histórica no Brasil, ver: COSTA, Iraci del Nero da. Apontamentos para a história da demografia histórica no Brasil. Disponível em: <http://historia_demografica.tripod.com/iddcosta/pdfs-ira/ap07.pdf> (acessado em 02/06/2008).
Ao se falar em demografia histórica, não podemos também deixar de mencionar os estudiosos Iraci del Nero da Costa100 e Francisco Vidal Luna, que analisaram a estrutura demográfica e socioeconômica de várias localidades mineiras e paulistas. Destacamos estudo verticalizado sobre Vila Rica, a partir do Censo de 1804 e de fontes paroquiais referentes à matriz de Nossa Senhora da Conceição do Antônio Dias, entre 1719 e 1826, abrindo um vastíssimo campo de trabalho para os pesquisadores posteriores.
Apesar de se constituir em fonte essencial para o estudo da estrutura social e da composição das famílias do período colonial e imperial brasileiro, precisamos observar alguns cuidados para a investigação das fontes paroquiais, pois devemos considerar que o objetivo desses documentos não era o de recenseamento da população. Por isso, não devemos cobrar deles rigor científico e total objetividade, por mais cuidadosamente que tenham sido produzidos. Primeiramente, referiam-se a comunidades pequenas, onde o pároco, responsável pelos registros, conhecia praticamente todos os moradores. Sua familiaridade com os participantes dos eventos religiosos tornava desnecessária, às vezes, que os dados fossem completos. Alguns aspectos que nos parecem obscuros podiam ser óbvios para os envolvidos no processo de assentamento dos sacramentos católicos, como, por exemplo, o nome completo ou mesmo a referência do nome em determinado assento. Citamos como exemplo o registro de batismo de Ignácio, celebrado em 29 de setembro de 1894, cujos padrinhos foram “Ignácio Burlamarqui e sua esposa”, pessoas bem conhecidas da sociedade da época, e, por isso, dispensavam menção mais detalhada.
Além disso, os documentos retratam uma época em que não prevalecia a informação precisa, como temos atualmente. O significado de tempo e espaço para aquelas comunidades era outro. Temos como exemplo registros de óbitos em que constam a idade do falecido como sendo entre 40 e 50 anos, horários de casamentos entre 8 e 9 horas da noite ou mesmo locais de residência citados como “no morro de São Sebastião”. Para aquelas pessoas, essas referências bastavam para suas vidas.
100 Iraci del Nero da Costa: coordenador do Núcleo de Estudos em História Demográfica, que disponibiliza, pela Internet, resumos e artigos ligados à produção demográfica brasileira através do site: <http://historia_demografica.tripod.com/>
Mesmo a forma como os nomes são grafados varia, às vezes, dentro do mesmo documento. No registro de batismo de Jovelina (25 de março de 1894), seu nome é grafado na margem do assento como Juvelina. Nesse mesmo documento, o sobrenome de seu pai é Queiroz, enquanto o de sua mãe é grafado com “s”. Esse aspecto pode nos parecer um detalhe, mas é significativo no que diz respeito ao cuidado e às reservas que devemos ter ao analisarmos essas fontes históricas.
Por fim, devemos nos lembrar que os livros paroquiais não tinham somente o objetivo de registro dos sacramentos. Os párocos, como funcionários da Coroa, foram instados a colaborar nos levantamentos e recenseamentos periódicos da população provincial, a partir dos arrolamentos coletados nas freguesias sob sua responsabilidade.
Para tanto, temos diversas leis que tratam do assunto, como a de nº 46, de 18 de março de 1836. O art. 4º determina que “os assentos de nascimentos, casamentos e óbitos devem ser feitos pelos párocos, declarando o dia, e lugar do nascimento, o nome, domicílio e profissão dos pais: neles não se usará de abreviaturas ou algarismos, e serão assinados pelos mesmos párocos, ou por seus vice-gerentes, e pelo declarante”.101 O art. 15º manda que os párocos “devem remeter no fim de cada semestre um mapa muito circunstanciado dos nascimentos, casamentos, e óbitos havidos em suas paróquias”. Essa disposição foi alterada pela Lei nº 216, de abril de 1841, exigindo-se a remessa no fim de cada ano. Já a Lei nº 510, de 10 de outubro de 1851, alivia os párocos dessa obrigação.102
Os livros 10 e 11, de batismos, e os livros 6 e 7, de casamentos, fazem referência em seus termos de abertura ao art. 12º da Lei Provincial Mineira nº 258, de 23 de março de 1844, que, ao definir as funções da fábrica da paróquia, cita como sendo de responsabilidade do pároco os registros dos assentos de batismos, casamentos e óbitos.
101 NUNAN, Manoel Berardo Accurcio. Repertório geral ou índice alphabético das leis. Resoluções da Assembléa Legislativa Provincial de Minas Geraes. Ouro Preto, Typ. do Bom Senso, 1855. p. 17. 102 NUNAN, Manoel Berardo Accurcio. Repertório geral ou índice alphabético das leis... p. 207.
FIGURA 7: Regulamentação de assentos de batismos, casamentos e óbitos no oitocentos.103
1.1.2- A PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO PILAR DO OURO PRETO