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Kerbela Faciasına Karşı Muhammed b Hanefiyye’nin

B. Hz Hüseyin’in İsyanı Sürecinde Muhammed b.

3. Kerbela Faciasına Karşı Muhammed b Hanefiyye’nin

A construção de um imaginário organizacional e de uma cultura organizacional, como descrito anteriormente, não é possível sem que haja um aparato simbólico para dar sustentação às ideologias e aos discursos organizacionais. Porém, conforme autores como Baudrillard (1991), Debord (1997) e Wood Jr. (1999), o simbolismo deixa o papel coadjuvante de oferecer sustentação aos discursos e ideologias e se torna ideologias e discursos de si mesmo. Os sistemas de signos operam no lugar dos objetos e progridem exponencialmente em representações cada vez mais complexas. O objeto se torna o discurso que promove intercâmbios virtuais incontroláveis, para além do próprio objeto (BAUDRILLARD, 2004).

Debord (1997), cujas idéias foram publicadas originalmente em 1967, descreve a sociedade em que vivemos como condicionada às relações mediadas por imagens, pelos eventos não-espontâneos, pela imagem como uma estágio máximo ao qual chegou a mercadoria, ou seja, a realidade é habitada por novidades artificiais. Rosa (2006) salienta que o nosso banco de imagens passou a ser composto por imagens que não existem objetivamente na realidade, mas influenciam decisivamente nossa forma de ver e de pensar. Para exemplificar esta idéia, o autor cita a apresentadora “Eva Byte” do telejornal semanal de maior audiência em seu horário no Brasil, que se trata

apenas um boneco virtual apresentando um programa de televisão, e que ganha status real, pois todos a conhecem, passando a aferir qualidades e mesmo a estabelecer relações emocionais com ela.

Seguindo esse raciocínio, podemos dar como exemplo o software “Second

Life” em que as pessoas se encontram num espaço virtual para viver uma vida

semelhante à vivida no mundo real. Nesse ambiente, as pessoas trabalham, constroem casas, viajam, fazem amigos e também participam de eventos de entretenimento. Já é possível encontrar pessoas que vivem mais nesse mundo virtual do que no mundo real (se é que podemos chamar de real) em que vivemos. Esses exemplos apenas corroboram com a idéia de Baudrillard (1981) de que ao invés da arte imitar a vida, a nossa vida tem cada vez mais imitado a arte.

Nessa quebra de barreiras entre o real e o irreal, Baudrillard (1981) desenvolve o conceito de hiper-realidade que não ocorre apenas no "mundo virtual". Essa hiper-realidade está presente também no real que passa a ser produzido a partir do modelo simulado. Ao utilizar esse conceito, o autor emprega a Disneylândia para exemplificar um modelo de fantasia que se torna um paradigma para a sociedade americana. Ou seja, o autor mostra que a sociedade americana quer se tornar uma grande Disneylândia. O simulacro mais uma vez se torna o modelo, ou seja, esse modelo se torna determinante do real de forma que as fronteiras entre cotidiano e hiper-realidade são apagadas.

Nesse mundo, em que o real se transforma em simples imagens, essas simples realidades se tornam motivações para um comportamento hipnótico. O espetáculo, que em outras épocas fora privilegiado pelo sentido do tato, serve- se agora da visão para privilegiar o sentido da pessoa humana. Assim, a sociedade e os eventos sociais são permeados pela espetacularização, isto é, criação de um mundo paralelo em que as relações pessoais são mediadas por imagens. Nesse contexto, vivemos a constante inversão de papéis: somos, ao mesmo tempo e continuamente, audiência e atores do espetáculo. Para Wood Jr. (1999), na sociedade do espetáculo, o homo spectator não vive, apenas

contempla. Ele é ator coadjuvante, pressionado a encontrar o seu papel e a desempenhá-lo. O espetáculo fornece o roteiro, o ato e a fala, e ainda avalia o desempenho. O espetáculo consegue reunir o separado, mas o reúne como “separado” (DEBORD, 1997).

O espetáculo significa a ocupação total da mercadoria na vida social, cada mercadoria considerada separadamente é justificada em nome da grandeza da produção. Afirmações inconciliáveis se chocam no palco do espetáculo unificado da economia. Desse modo, as mercadorias sustentam projetos contraditórios simultâneos de planificação da sociedade e de personificação do consumo, através do qual os indivíduos podem encontrar a sua própria “expressão”.

A mercadoria não tem o seu valor como mercadoria, mas no seu relacionamento com algum evento em que o entusiasmo pelo uso do produto, a representação de status, a identificação com uma personalidade, tornam o consumo do produto algo muito além do consumo em si. O produto passa a ser associado a um conceito, a uma idéia, a um momento e a um estilo de vida. “Um estilo de roupa surge de um filme, uma revista lança lugares de moda, que por sua vez lança as mais variadas promoções”. (DEBORD, 1997, p. 45).

Corroborando essa idéia, Wood Jr. (1999) salienta que o mundo dos negócios transformou o mundo das artes e do entretenimento – o teatro, cinema, música, pintura –, pois tudo passou a ser business. Por outro lado, o mundo das artes penetrou no cotidiano organizacional, tudo passou a ser espetáculo nas organizações: modismos gerenciais merecem enredos, gurus e gerentes são os personagens de sucesso, best-sellers oferecem os roteiros para o mundo empresarial.

Os gurus são aqueles que não irão trazer soluções para a empresa, mas garantirão o alívio definitivo de seu sofrimento. Apesar de não fazer parte do mundo artístico, têm sua performance no mundo organizacional calmamente preparada: utilizam símbolos, metáforas, imagens e comunicação dramática

para conseguir o apelo desejado de envolvimento das pessoas. Conforme a cita Debord (1997), suas apresentações são verdadeiros rituais de hipnose.

Para Wood Jr. (1999), os gurus podem se apresentar como curandeiros que irão garantir, através de fórmulas, técnicas e diagramas, o controle de todos os fenômenos como: controlar chuvas, garantir a colheita, e trazem a vitória. Eles podem garantir ainda o aumento dos lucros e a liderança de mercado. Porém, em tempos de incertezas e turbulências, suas manifestações são incapazes de resolver os problemas reais da organização. O que mais importa é manter a platéia entretida em um mundo onde a ordem surge do caos e a solução para problemas complexos é tão simples, que fica ao alcance das mãos.

Os líderes simbólicos, que segundo Wood Jr. (1999), são aqueles que entrevêem continuamente na rede de significados, através da manipulação de símbolos, metáforas, retórica e imagens, estão por toda a parte. Além disso, eles manipulam imagens de poder e status e tentam moldar os comportamentos dos seus liderados. Gostam de cultivar a imagem de empreendedores e costumam fazer shows pirotécnicos para exaltar os seus feitos sem que estes sejam tão grandiosos. O importante é manter a imagem de um grande líder. Por isso, permanecem cercados por assessores de imprensa, especialistas em relações públicas, e todo o tipo de pessoal com a função de gerar imagens e discursos (WOOD JR., 1999).

O palco para esses gurus, curandeiros e líderes simbólicos são as organizações contemporâneas que promovem rituais espetaculares de passagem, controle dos empregados através da cultura, profusão de signos e significados, valorização da imagem. A imagem grandiosa é a preocupação primordial em detrimento da substância.