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İngiltere ve Rusya Arasında Gerilimin Arttığı Yıl 1870

2.3. Şîr Ali Han Dönemi: Afganistan’ın Kuzeyinde Sınır Diplomasisi (1869-

2.3.3. İngiltere ve Rusya Arasında Gerilimin Arttığı Yıl 1870

Nossa pesquisa foi realizada tendo como referência uma empresa do SEP que estamos chamando de Empresa Caso (EC). Ela não poderá ser identificada, devido às conveniências que acordamos com os entrevistados e com diferentes funcionários do quadro da empresa que, de várias formas, nos ajudaram a ter acesso às informações (dados, documentos e entrevistas), contando com nossa discrição. Nosso objetivo neste tópico é procurar apresentar traços que nos dão uma idéia de que a EC, especialmente nos anos 70, era a realização de um mundo dos engenheiros.

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A EC, assim como as outras empresas do tecido econômico brasileiro estatal, realizaram o mundo dos engenheiros e foram capitaneadas por eles, seja porque eles eram os quadros do topo da pirâmide organizacional, seja porque eram os portadores por excelência do habitus que gerava as formas de perceber e enquadrar cognitivamente a empresa26.

Isso se aplica às empresas estatais de modo geral, como podemos afirmar a partir do trabalho de Martins (1976) e Barbosa (1993). No trabalho daquele há uma sistematização das informações e revelações sobre a trajetória política dos engenheiros a partir de uma tese sobre as transformações da elite brasileira. A tese revela as especificidades do momento e as condições sociais em que se deu a ascensão dos engenheiros ao universo da elite brasileira, desde o início de suas reivindicações no começo do século XX até meados dos anos cinqüenta27. Martins demonstra que os engenheiros compartilhavam com os militares o fato de utilizarem o domínio que tinham dos conhecimentos técnico-científicos da época como meio de ascensão social, especialmente procuravam e, de fato, conseguiram transformar esses meios em recursos políticos para interagir no sistema político e no sistema de decisão28 (Martins, 1976: 87).

O trabalho de Barbosa (1993), pode-se dizer, tratou o mesmo assunto a partir de um plano empírico mais local, de uma perspectiva mais sociológica e abrangeu um período mais

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Neste trabalho o conceito de cognição é utilizado no sentido de DiMaggio e Powell. Em suas palavras, “embora cognição muitas vezes se refere à toda atividade mental, nós seguimos um uso corrente distinguindo entre cognição, de um lado, e processo afetivo ou avaliativo, de outro. Por cognição nós nos referimos ao raciocínio e ao fundo pré-consciente da razão: classificações, representações, roteiros, esquemas, sistemas de produção, e semelhantes” (DiMaggio e Powell, 1991: 35) (Tradução livre).

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Formam pesquisadas as decisões relacionadas à política siderúrgica, à política petrolífera, à criação do BNDE e a implantação da Indústria automobilística.

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Na armação teórica de Martins, o conceito de sistema de decisão representa “o campo político onde os grupos em conflito ensaiam, por meio de decisões de poder, de conservar ou redefinir as posições que eles ocupam em uma estrutura social dada. Posições que são, por sua vez, aquelas que lhes assegura os recursos políticos necessários para ter acesso à tomada de decisão” Esse sistema é o local “onde as reivindicações são convertidas em iniciativas e onde estas últimas recebem a sanção política que as transformam em decisões. […] A condição de acesso ao sistema é a detenção de recursos políticos específicos, definidos por uma estrutura de dominação dada”. Enfim, ele é um “subsistema do sistema político”. O sistema político engloba um conjunto maior de instituições e de atores que, no entanto, não têm necessariamente acesso às arenas onde se tomam as decisões políticas, ao sistema de decisão: “no sistema político se escolhe (escolhas eleitorais, por exemplo)” (Martins, 1976: 156-157) (Tradução livre).

amplo (1876 a 1990). O estudo sobre a ascensão dos engenheiros no Estado de Minas Gerais, dentre outras coisas, descreve como os eles conseguiram adentrar no universo da elite local e nacional, e como influenciaram fortemente os rumos da sociedade brasileira no processo de industrialização e de desenvolvimento econômico após a Revolução de 30. Nesse processo, eles tiveram como trunfo fundamental o fato de que dominavam e aplicavam conhecimentos

técnicos e científicos atrelados a um projeto de modernização da sociedade. Barbosa estudou a

constituição do campo profissional dos engenheiros em Minas Gerais, desde a fundação da Escola de Minas de Ouro Preto até fins dos anos oitenta. Ela realizou seu estudo “a partir das

teorias que destacam a profissionalização como projeto de mobilidade social, mas também como luta pela estruturação da sociedade” (Barbosa, 1993: 29). Segundo ela, os engenheiros

“foram o grupo que conseguiu ir mais longe ou, pelo menos, de forma mais explícita e com

um projeto mais definido, no sentido de assumir tarefas administrativas e até de querer gerir toda a sociedade” (Barbosa, 1993: 41). Eles atuaram no nível estadual e federal onde criaram

agências estatais de planejamento, criaram modernas empresas estatais e privadas e “foram

agentes fundamentais na produção de uma nova forma de hierarquização dos grupos sociais”

(Barbosa, 1993: 23).

No que tange mais especificamente à EC, vamos apresentar abaixo alguns indicativos que demonstram que ela realizou desde os anos 70 um mundo dos engenheiros.

a-) Patrimônio e atividades em expansão. Nos anos 60 a EC realizou, dentre outras

coisas, sua obra maior; uma usina hidrelétrica que quando foi finalizada, em 1969, tornou-se a terceira maior do país. Para se ter uma idéia da sua dimensão, ela respondia por cerca de 78% da geração de energia que a empresa distribuía em 1972. Depois de realizado este grande projeto, uma obra de engenharia stricto sensu, a empresa concentrou seus projetos e realizações na ampliação de suas atividades de distribuição de energia elétrica.

A partir de 1973, ela tornou-se fundamentalmente uma empresa de distribuição de energia elétrica, particularmente porque a grande usina finalizada em 1969 foi incorporada por Furnas, devido a decisões tomadas no âmbito da Eletrobrás. Para se ter uma idéia da mudança que isso resultou no perfil da empresa, basta dizer que em 1982 sua produção própria de energia respondia por cerca de 10% do total que ela distribuía.

Desde o início dos anos 70, o esforço industrial da EC resultou em um período de expansão das redes de transmissão e distribuição de energia elétrica, e de demais obras de assistência à distribuição, tais como a construção, pela própria empresa, de subestações, de agências de atendimento ao público, de projetos de eletrificação rural, etc., como se constata nas freqüentes notícias de inaugurações e comentários publicadas pelo Jornal Organizacional (JO)29.

Na pesquisa de dados realizada na literatura sobre o assunto e no JO, não conseguimos produzir dados quantitativos que permitissem dimensionar de forma precisa os resultados desse esforço industrial. No entanto, um indicador do montante e do destino dos financiamentos concedidos à EC pela Eletrobrás o confirma. No ano de 1970, a holding nacional concedeu “vultuosos recursos” de financiamento para a empresa realizar “a

continuação do seu programa de obras, a ser executado no biênio 1970/1971” (JO: DEZ,

1970). Na grande solenidade em que se realizou a assinatura dos documentos — presenciada por políticos regionais, diretores da Eletrobrás e pelo alto escalão da EC — ainda foi declarado os fins do empréstimo: a holding nacional estava

“fornecendo recursos de vulto para a realização efetiva de obras de ampliação e de melhoramento de sistemas de transmissão e distribuição, de modo a podermos garantir o fornecimento eficiente às numerosas localidades […] seja ampliando o seu sistema próprio, seja promovendo a integração com outras Companhias da Região Centro-Sul do Brasil” (JO: DEZ, 1970).

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A EC possui um jornal de circulação interna que é editado mensalmente desde o início dos anos 50. Foram pesquisadas as edições desse jornal desde 1960 até 2004. Como este trabalho não vai identificar a EC, a sigla JO (Jornal Organizacional) foi adotada para identificá-lo, e, quando houver referência a alguma de suas edições para identificar e precisar a fonte dos dados, serão citados o mês e o ano da publicação (cap. 3).

Dois anos depois, o mesmo cerimonial voltou a acontecer, com os mesmos protagonistas e coadjuvantes. Desta vez, outro “vultuoso empréstimo” concedido pela eletrobrás foi somado ao anterior, para a EC “intensificar” a “execução de obras e serviços de

seu sistema elétrico” que “abrangem, no total, uma parcela de 4% para o setor de geração, 18% para o setor de transmissão e obras de subestações e 76% para obras de distribuição e instalações gerais” (JO: ABR e NOV, 1972; MAI, 1973).

Em 1971, a empresa inaugurou um “Escritório Geral” construído para agrupar suas atividades que, até então, estavam espalhadas em 4 prédios alugados. Tratava-se uma obra enorme e suntuosa de 17 andares resultado de um conjunto de obras “executadas sob a

responsabilidade da Superintendência de Engenharia Civil e supervisionadas pela Diretoria Administrativa” (JO: SET, 1970). E ainda neste ano a empresa inaugurou suas novas

instalações nas localidades:

“obedecendo a um programa previamente traçado, a Companhia vai planejando, construindo e inaugurando suas novas instalações nas localidades por ela servidas, buscando atender as necessidades da empresa a comodidade do consumidor e facilidade para atender aos seus pedidos” (JO: JUN-JUL, 1971).

Em 1972, a EC relatou que estava construindo 8 delas em 8 cidades da sua área de atuação (JO: MAR, 1972). Esses dados sobre os investimentos em imóveis ficam mais evidentes como uma forma particular de perceber e agir da empresa, ou como a perspectiva que tem seus executivos do que constitui o comportamento organizacional apropriado, quando comparado com o comportamento das empresas na atualidade, que têm operado sob outra perspectiva. A ótica dos engenheiros e gerentes da empresa nos anos 70 era mais próxima de uma concepção de controle organizacional, que Fligstein denomina concepção de controle da produção (p. 40). Atualmente as empresas procuram se desfazer de seus imóveis com o objetivo de alocar o capital para investimentos considerados mais rentáveis financeiramente. Como um dado ilustrativo, tem-se que, no limite, elas alugam o prédio da sua sede do fundo

de pensão de seus funcionários (que o construiu e o aluga), como é o caso de uma empresa de distribuição de energia elétrica do Estado de São Paulo, e como é a pretensão de outra delas — quer vender e, então, alugar o prédio de sua sede. Ou seja, seus executivos atuam preferencialmente a partir da concepção de controle financeiro30.

Os números sobre o aumento do consumo de energia na área de concessão da EC, sobre a evolução do número de consumidores e sobre o aumento do quadro de funcionários são indicadores que demonstram a alentada ampliação das atividades da empresa nos anos 70. Então, o aumento no consumo também foi significativo e a EC deu conta de supri-lo; seja com a finalização de sua grande usina geradora, seja com a ampliação da rede de transmissão e distribuição de energia, como tratado acima. Enquanto o consumo em MWh na sua área de concessão aumentou cerca de 120% nos anos 60 (1959-1969), nos anos 70 (1969-1979) o aumento foi perto de 217% (Publicação da EC, 1982: 171).

Outro indicador importante é a evolução do número de consumidores. De 1959 a 1969, houve um aumento de cerca de 70%, sendo em média em torno de 7% ao ano. Entretanto, de 1969 a 1979 o aumento foi de 90%, isto é, em média foi de 9% ao ano. Nos anos posteriores, o índice voltou a ser menor, por exemplo, em 1982 foi de 7.7% (Publicação da EC, 1982: 193). Deve-se ressalvar que os números crescentes nos anos 70 foram ainda maiores para a quantidade de energia distribuída porque o segmento de consumidores industriais foi o que mais cresceu.

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A concepção de controle financeiro foi engendrada nos EUA na segunda metade dos anos 1950 e dez anos depois predominou entre as maiores empresas norte-americanas. Ela caracteriza-se fundamentalmente pela utilização de ferramentas financeiras na avaliação da performance das empresas. O principal critério de referência é a avaliação das taxas de retorno financeiro das linhas de produtos, ou das subdivisões das organizações, em relação aos recursos que empregam. Uma empresa e suas divisões e subdivisões não significam nada mais do que feixes de diferentes tipos de ativos, ou centros de lucros, produzindo taxas de retorno variadas. Em uma fórmula, o escritório central da empresa seria um banco e suas divisões e subdivisões seriam empreendedores credores (Fligstein, 1993: 15). As taxas de retorno devem ser as melhores possíveis no curto prazo para satisfazer os acionistas e manter em alta o preço das ações. As empresas, ou as unidades de uma empresa que não têm essa performance devem ser vendidas e, ao contrário, as que têm ou apresentam estimativas de ter são cobiçadas para ser compradas (Fligstein, 1993: 15).

O mesmo processo de crescimento tangível pode ser percebido pelo crescimento do número de funcionários. Há dados a partir de 1968, mas não para todos os anos. Tomando-se o número de funcionários de 1968 e comparando-se com o número de 1983, constata-se que ele aumentou cerca de 107% em 15 anos. No caso de uma série um pouco menor, de 10 anos, que inclui os anos 70 (1973-1983), tem-se que o crescimento foi de 43%. Esses percentuais de crescimento são significativos quando se compara com os anos posteriores a 1983, quando o crescimento foi brando. Por exemplo, de 1983 a 1990 o aumento do número de funcionários foi de 12%. Ainda que não haja dados disponíveis para alguns anos da década de 1970 e 1980, pode-se dizer que nos anos 70 (1973-1983) o crescimento médio por ano foi de 4,3%, que nos anos 80 (1983-1990) foi de 1.7% e que desde 1990 o número de funcionários da empresa começou a cair lentamente até 1994, quando teve um pequeno aumento. Esse foi o ano de pico do número de funcionários na história da EC. Desde então, esse número só diminuiu (tabela 01, Anexo I).

b-) a presença dos engenheiros no comando. Outro dado relevante sobre a década

de 70 é que nela o conjunto dos engenheiros aumentou sua participação em posições de comando, como se pode constatar fazendo uma comparação entre o organograma da empresa de 1967 e o de 1972.

Em 1967, no organograma havia no primeiro nível a “diretoria superintendência”, como era chamada, a qual possuía assessorias. No segundo nível havia as superintendências e no terceiro nível os departamentos e as unidades regionais.

QUADRO 01