2.3. Şîr Ali Han Dönemi: Afganistan’ın Kuzeyinde Sınır Diplomasisi (1869-
2.3.1. İngiltere ve Rusya Hükümetlerinin Orta Asya’ya İlişkin Uzlaşma
Segundo Veblen (2001: 45), até o início do século XX os técnicos e os engenheiros não tinham agido conjuntamente como uma força de trabalho autodirigida que visasse, entre outras coisas, quebrar os privilégios dos agentes da administração comercial-financeira das empresas. No entanto, no segundo decênio do mesmo século, os engenheiros estavam começando a refletir conjuntamente que constituíam “o quadro indispensável de especialistas
do sistema industrial”. Essa reflexão tinha tomado a forma de um crescente senso em comum
de que as confusões e os desperdícios, então corriqueiros nas indústrias, eram devidos à administração dos agentes dos proprietários ausentes; mais do que isso, elas eram inerentes ao controle das indústrias para fins comerciais/financeiros.
O móvel dessa reflexão conjunta teve início nos últimos anos do século XIX, quando primeiramente os engenheiros consultores e posteriormente, no segundo decênio do século XX, os engenheiros eficientes começaram a fazer freqüentes avaliações e intervenções nos detalhes dos processos, da administração e dos equipamentos industriais e demonstraram a incompetência industrial dos seus superiores leigos em tecnologia, e de quebra procuravam demonstrar que eles estavam realizando seus negócios em prejuízo da indústria de modo geral (Veblen, 2001: 45). De fato, no início do século XX, esses dois grupos de especialistas industriais eram requisitados pelos banqueiros investidores para apresentarem suas avaliações.
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Neste trabalho tem-se que um determinado habitus de engenheiro se refere não somente aos engenheiros possuidores de diploma e atuantes na área de engenharia, mas que se refere aos agentes da organização que, de uma forma ou de outra, dirigem, projetam, coordenam e controlam a organização das atividades implicadas na geração, transmissão,distribuição de energia elétrica e a organização do trabalho.
Substancialmente, eles apresentavam os fatos correntes na indústria demonstrando os problemas “de retração, perdas e fricções no sistema industrial” devidos ao seu “gerenciamento incoerente e parcial pelos aventureiros comerciais inclinados para o ganho
privado” (Veblen, 2001: 46).
Veblen (2001: 46-7) descreveu a diferenciação entre os membros da “guilda informal
de engenheiros” que ocorreu no início do século XX. Havia uma geração mais velha que tinha
se tornado predominantemente comercial devido às circunstâncias de sua formação. Esses engenheiros tinham formado sua perspectiva predominante ao longo do aprendizado com os financistas corporativos e com os banqueiros investidores, de modo que eram habilitados a perceber o sistema industrial como um dispositivo para produzir lucros; eram especialistas em tecnologia “reverenciados” dos financistas corporativos. Havia uma geração mais nova que estava se debruçando sobre o mau gerenciamento e os demais problemas que então eram habituais na indústria. Esses engenheiros estavam firmando uma perspectiva da indústria e do sistema industrial contraposta à perspectiva comercial-financeira.
Devido aos treinamentos decisivos na “lógica da tecnologia”, no “espírito da
performance tangível”, esses técnicos achavam “fácil e convincente” medir os homens e as
coisas em termos de sua “performance tangível”, desconsiderando a “reflexão comercial”. Eles começaram a compartilhar a compreensão de que a “engenharia começa e termina no
domínio da performance tangível”, sem relação alguma com o domínio comercial que, de
quebra, “não tinha nada de melhor para contribuir com o trabalho do engenheiro do que com
uma grande quantidade de retardação, rombo e fricção” (Veblen, 2001: 46-50).
Estes engenheiros começaram a se demarcar dos agentes do domínio comercial- financeiro com base em conhecimentos compartilhados, tais como: que eram homens “preocupados com as possibilidades da performance tangível nos rumos da indústria
constituíam o quadro de especialistas “suficiente e indispensável” do sistema industrial, vale dizer, das principais empresas das quais as outras dependiam e das quais o bem-estar material de toda sociedade dependia; que, devido ao caráter tecnológico, complexo, etc. do sistema industrial, “este corpo de especialistas tecnológicos de produção” tornou-se aquele ao qual o sistema industrial, “por força das circunstâncias”, tinha se “dirigido” para que seu funcionamento fosse adequado e sustentado; que eles eram “por força das circunstâncias” os que mantinham “o bem-estar material da comunidade”, embora tivessem agido, até o momento, como “zeladores e provedores” de renda livre para as “classes conservadoras”; que foram levados à posição de “diretores responsáveis do sistema industrial” e pelo mesmo movimento estavam em posição de “tornarem-se árbitros do bem-estar material da
comunidade”; que no sistema tecnológico de performance tangível, no esquema de trabalho
dos engenheiros, “a finança corporativa” e “todos seus trabalhos” são “completa perda de
tempo”, seu “único efeito óbvio sobre o trabalho” é “o desperdício de materiais e a retardação do trabalho”, e uma “intrusão injustificada” que se faltasse não “desarranjaria o trabalho”; que “nada é inteiramente real que não pode ser expresso em termos de performance tangível”; ao contrário, toda “textura de crédito”, toda finança corporativa é um
“tecido de faz-de-conta”, e alguns de seus elementos, como, por exemplo, as obrigações de crédito e as transações financeiras, foram “estabelecidos sobre certos princípios de
formalidade legal” que descendem do século XVIII e assim “antedata a indústria mecânica”
e não contém, não traz, nenhuma “convicção segura para o homem treinado na lógica
daquela indústria”; que aquele “direito de propriedade usual” que permite aos interesses
adquiridos controlar o sistema industrial “pertence a uma velha ordem de coisas” que não é aquela da indústria mecânica (Veblen, 2001: 47-51).
Em resumo, os engenheiros da segunda geração estavam procurando se afirmar como pertencentes a e preocupados com o domínio técnico-tangível, descrito como real, atual e
essencial para o funcionamento adequado do sistema industrial e para o bem-estar material da comunidade. Na construção e legitimação das evidências de suas descrições, eles contavam com o reconhecimento geral, mesmo por homens não treinados no domínio tecnológico, especialmente os banqueiros aos quais estavam assessorando. Isto é, tinham a favor deles, naquele momento, um amplo circuito que legitimava suas aferições de que os problemas do sistema industrial que eles estavam denotando, claramente induzidos por critérios tangíveis, eram empíricos, ilegítimos e amplamente indesejáveis.
Neste processo que podemos chamar de depuração, afirmação e conquista de visibilidade social mais ampla pelos agentes da metade técnico-tangível do espaço dos comandantes das empresas, os engenheiros procuram se demarcar nitidamente do financista corporativo e das suas propriedades correlatas, aos quais amplamente se atribuíam os desarranjos do sistema industrial, e às quais eles imputavam o caráter de improdutivas, fictícias e anacrônicas.