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2.6. TEDARİK ZİNCİRİ YÖNETİMİNİN GELECEĞİ

3.2.2. İşletmelerde Oluşan Gelir Unsurları

Observando essas construções, relativas ao sujeito da ação no discurso, identifiquei a personificação como uma característica recorrente e

198 Veja – Carta ao Leitor, São Paulo, n. 1009, p. 17, 6 jan. 1988. 199 Ibidem.

200 Ibidem. 201 Ibidem. 202 Ibidem. 203 Ibidem.

que aparece na constituição desse discurso de diferentes formas e em momentos distintos.

Quando Veja é constituída como o sujeito protagonista da ação, por exemplo, há a personificação mediante a atribuição de faculdades humanas à revista. Outro tipo de personificação observada em relação à formação do sujeito da ação no nível do discurso em Veja acontece quando trabalhos jornalísticos específicos são atribuídos a sujeitos reais referidos por seus nomes próprios. Neste caso, não é Veja que é personificada, mas o continuam sendo os sujeitos da ação. Dentre os três eixos destacados, não se observa a existência de nenhum tipo de personificação, apenas quando o sujeito da ação do discurso é relacionado a um ―nós‖ que não é relacionado a nenhum nome ou a nenhuma faculdade humana.

Observe o quadro a seguir: Tabela 1: Tipos de personificação em Veja. Sujeito da ação no

discurso

Veja – sujeito

Veja –

produto Personificação Critérios da personificação

Ela (sujeito Veja) Sim Não Sim Atribuição de ações e faculdades humanas ao sujeito inanimado PERSONIFICAÇÃO DE TIPO 1 Nós (a equipe de Veja) Não Sim Não Nenhum

Eles (os agentes reais produtores do

discurso em Veja)

Não Sim Sim Discriminação dos sujeitos reais relacionados mediante os seus nomes próprios e/ou funções desempenhadas

PERSONIFICAÇÃO DE TIPO 2 Fonte: a Autora. Dados referentes à pesquisa realizada na mostra dos editoriais referidos à página 58.

Conforme a Tabela 1, aponta-se para a construção na revista a construção de um sujeito Veja à semelhança do que propõe Carla Silva.204

Minhas conclusões a esse respeito vão ao encontro das suas, a respeito da existência e das características fundamentais desse sujeito, onde a autora enfatiza a constituição do sujeito Veja como uma ação pedagógica e também

como sendo ―a base da caracterização liberal da própria revista, que se vincula às noções de: opinião pública, responsabilidade, quarto poder‖205 que

constituíram o padrão liberal sobre o qual se construiu em grande parte a credibilidade da revista diante de seu público.

Entretanto, analisando o corpus composto pelos editoriais selecionados, observei que concomitantemente à construção desse sujeito Veja proposto por Silva, havia também a construção de outros sujeitos da ação no discurso em Veja. Estes tiveram uma função pedagógica e de conferir credibilidade ao discurso e, consequentemente, ao projeto ideológico representado na revista.

Contudo, mesmo reconhecendo a importância desse ponto, faz-se necessário destacar os demais elementos que observei nesse sentido. Nessa direção, no que diz respeito aos eixos resumidos no quadro anterior, são relacionados especificamente três subtipos de sujeitos, entre os quais figuram com destaque aqueles compostos, ou representados, por Veja. Estes três subtipos de sujeitos consistem em formas distintas do que me refiro como o sujeito da ação no discurso.

Nessa direção, num primeiro momento, identifiquei que o sujeito da ação no discurso constituído na revista foi construído em terceira pessoa como sendo ―ela‖, que corresponde a Veja. Nesse sentido, a revista, personificada mediante a atribuição de ações e faculdades humanas, aparecia como o protagonista da ação.

Num segundo momento, identifiquei figurando como o sujeito da ação um ―nós‖ que representava a equipe de Veja, onde não houve uma forma consistente de personificação, já que nenhum sujeito foi discriminado especificamente.

Por último, observei a constituição do sujeito da ação no discurso atribuída a um ―eles‖ construído mediante a personificação da referência aos nomes próprios e cargos ocupados por estes sujeitos reais.

Assim, no primeiro exemplo, Veja representava o sujeito da ação no discurso, ou seja, o sujeito Veja, aos moldes do que propôs Carla Silva. No entanto, nos outros dois subtipos identificados, não observei a construção deste mesmo sujeito Veja como o sujeito da ação no discurso. Diferentemente disso, nos dois outros subtipos, Veja aparecia como um produto construído pelos sujeitos reais que, nestes dois casos, figuravam como sujeitos da ação no discurso.

Observa-se este ponto mediante a constituição do ―nós‖ que corresponde à equipe de Veja, e igualmente em relação ao ―eles‖ constituído pelos sujeitos reais produtores de Veja. Isto indica que, mesmo existindo a construção de um ―sujeito Veja‖ como o sujeito da ação no discurso, se faz necessário destacar a coexistência deste com os outros subtipos onde Veja não figurava como sujeito tomando por base o mesmo critério de avaliação, que neste caso foi o sujeito da ação no discurso.

É fundamental observar ainda que, ao analisar esses subtipos, identifiquei que a construção desses sujeitos ocorreu predominantemente através da personificação. Conforme destaquei no quadro anterior, dos três subtipos identificados, dois se constituíram através da personificação. Ao analisar estes elementos percebi duas formas através das quais esta ocorreu. A primeira delas, denominei como ―personificação de tipo 1‖, que consiste em personificar um objeto inanimado – no caso, a revista – atribuindo-lhe faculdades e ações humanas. A segunda, denominei como ―personificação de tipo 2‖, que ocorre mediante o destaque a uma determinada personalidade através da menção a seu nome próprio ou função.

A observação desses fatores aponta para o indício de que a construção dos sujeitos do discurso observados em Veja ocorreu predominantemente

baseada na personificação, que se apresentou de diferentes maneiras mediante as construções discursivas veiculadas na revista.

A relevância em abordar este ponto reside em melhor compreender e identificar as estratégias de constituição discursiva e ideológica utilizadas na revista, bem como identificar os sujeitos reais que representaram em Veja o projeto liberal dos anos 1980.

3 A ELABORAÇÃO DOS SUJEITOS REPRESENTATIVOS EM VEJA

Ao dispensar o corpus documental analisado no capítulo anterior e partir para uma análise que envolveu, mediante critérios e categorias específicas as 520 edições referentes ao período estudado, continuei identificando de maneira veemente a presença de construções discursivas baseadas na personificação.

Nessa direção, observei já na etapa de leitura flutuante206 da íntegra de

cada edição, a predominância de personalidades – ou personagens – específicas relacionadas a algum tema em várias seções da revista. Neste caso, a predominância observada recaiu sobre o que denominei no capítulo anterior como ―personificação de tipo 2‖, que ocorre mediante o destaque a uma determinada personalidade através da ênfase a seu nome próprio, imagem ou função. Identifiquei, portanto, que a credibilidade, e mesmo a visibilidade, acerca de algumas temáticas estava vinculada a esses sujeitos reais que, assim, passavam a representar determinados temas.

Mediante essas observações preliminares, passei a analisar de forma sistemática algumas seções específicas da revista de acordo com a regra de pertinência207 proposta por Laurence Bardin. Nessa direção, seguindo a regra

206 Como ―leitura flutuante‖, refiro-me à primeira etapa da pré-análise para a elaboração de

um corpus documental, conforme propõe Laurence Bardin. Segundo o autor, ―consiste em estabelecer contato com os documentos a analisar e em conhecer o texto deixando-se invadir por expressões e orientações. Esta fase é chamada de leitura ‗flutuante‘, por analogia com a atitude do psicanalista. Pouco a pouco, a leitura vai-se tornando mais precisa, em função de hipóteses emergentes, da projecção de teorias adaptadas sobre o material e da possível aplicação de técnicas utilizadas sobe materiais análogos‖. BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70, 2009. p. 122.

207Conforme Bardin, significa que de acordo com este critério ―os documentos retidos devem

ser adequados, enquanto fonte de informação, de modo a corresponderem ao objetivo que suscita a análise‖. De acordo com a autora, a definição de objetivo é ―a finalidade geral a que nos propomos (ou que é fornecida por uma instância exterior), o quadro teórico e/ou pragmático, no qual os resultados obtidos serão realizados‖. Op. cit. p. 124.

da homogeneidade208, destaquei inicialmente duas seções para verificar se as

observações tomadas através de leitura flutuante iriam se confirmar.

Nesse sentido, analisei primeiramente as capas de cada edição. Esta seção foi escolhida devido à sua relevância. Afinal, a capa de cada edição é a expressão mais forte do sentido do discurso e de suas implicações ideológicas. Isto porque através da manchete principal de capa conhece-se o foco principal de cada edição, bem como o direcionamento conferido a essa temática. Destaca-se, ainda, que através do conjunto de manchetes presentes nas capas, há uma espécie de resumo dos principais assuntos da edição, o que define seu perfil.

Dessa forma, a capa serve como uma espécie de degustação que, quando suficientemente persuasiva, leva o leitor a adquirir ou não o produto jornalístico, o que faz uma significativa diferença em termos mercadológicos, em se tratando das vendas em banca. No entanto, mesmo quando não são consumidas como produto, as capas das edições permanecem relevantes na medida em que, comercializadas ou não, continuam a desempenhar fortemente uma função ideológica pelo simples fato de estarem visíveis em banca, de levarem a marca de uma determinada editora, de serem diagramadas de uma maneira específica, dos temas nelas tratados chamarem atenção do público.

Assim, partindo destes pressupostos, e considerando a hipótese de constituição do tema mediante a personificação, analisei as capas de forma quantitativa. Nessa direção, considerei apenas a manchete principal de capa, devido à sua maior relevância em termos de visibilidade e por ser esta a manchete responsável pela identidade temática de cada edição. Assim, das 520 capas analisadas, obtive o resultado de que 275 possuíam a manchete principal constituída através da personificação mediante a apresentação de um sujeito representativo eleito para representar um determinado tema.

208 Segundo Bardin, conforme esta regra ―os documentos retidos devem ser homogêneos,

isto é, devem obedecer a critérios precisos de escolha e não apresentar demasiada singularidade fora destes critérios de escolha‖. Op. cit. p. 124.

Constatei, portanto, a ocorrência de personificação no correspondente a 53% do material analisado. O numero é significativo, pois é referente somente à manchete principal de capa, sem abranger as manchetes acessórias que também apresentavam essa característica.209 Este tipo de

construção discursiva serviu para chamar atenção para alguma personalidade, e através disso, construir o consenso relativo a um tema específico através da alusão a um sujeito protagonista, ou simplesmente emblemático em relação a um determinado tema.