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Hükmün İlanı

B. Kararın Sonuçları

8. Hükmün İlanı

O conceito de minoria social não é universalmente aceito, havendo divergência até

sobre a inserção do fator numérico como um seu elemento344. As minorias sociais podem

corresponder numericamente até mesmo à maioria da população de um país ou região.345

São chamadas minorias sociais parcelas da população que, por se situarem em algum fator de desigualdade, sofrem discriminação que aprofunda essa mesma desigualdade. O estabelecimento de uma minoria social corresponde, pois, a um círculo que se retroalimenta de desigualdade e discriminação. Quanto mais se discrimina, mais os indivíduos se desigualam e quanto mais se desigualam, mais são discriminados e excluídos, e tidos como inferiores aos demais.

Duas concepções de minorias envolver-se-iam na definição do conceito: uma

sociológica e uma antropológica.346 A sociológica corresponderia à feição quantitativa e a

antropológica à feição qualitativa do conceito, que diz respeito aos grupos marginalizados, embora possam ser maioria quantitativa.

Nesse sentido, muitos seriam os fatores do estabelecimento das minorias sociais, construídas historicamente. As minorias tradicionais são consideradas como étnicas, religiosas e linguísticas que, presentes em um país, diferenciam-se da maior parte dos membros de sua

população por um daqueles fatores.347 Porém, as mudanças sociais têm demonstrado a

existência de inúmeros grupos populacionais minorizados pelas suas diferenças em relação à normatividade social, como é o caso de deficientes e homossexuais.

       

344 Cf. MORENO, Jamile Coelho. Conceito de Minorias e Discriminação. Revista USCS – Direito. Ano X, n.

17, p. 151, jul./dez. 2009. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/103830366/740>. Acesso em: 22 ago. 2014. 

345

Levy afirma que a questão das minorias começou com a questão religiosa decorrente da reforma protestante. A liberdade religiosa foi inserida numa liberdade de consciência da qual decorrem os movimentos nacionais, evoluindo para o princípio da nacionalidade e a proteção de comunidades que seriam minorias religiosas. A consolidação das minorias religiosas como minorias nacionais consolidou-se com o Tratado de Versalhes. Também na questão das minorias inserem-se as comunidades autóctones. Para a autora, a categoria jurídica de minorias deveria incluir populações de todos os tamanhos, sendo incongruente o conceito numérico usado pela ONU (LEVY, Maria Stella Ferreira. O Direito das minorias e as nações indígenas no Brasil. Cad. CRH. Salvador, v. 22, n. 57, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 49792009000300005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 22 ago. 2014.  

346 Cf. MORENO, Jamile Coelho. op. cit., p. 152.  

347 Essas minorias são mencionadas no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e políticos, ao qual o Brasil

aderiu, conforme o Decreto nº. 592. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990- 1994/D0592.htm>. Acesso em: 22 ago. 2014.  

No Brasil, atualmente, muitas parcelas da coletividade constituem minorias sociais, como negros, mulheres, indígenas, idosos, deficientes, entre outros grupos, os quais experimentam algum tipo de exclusão social.

Construídas historicamente, muitas das exclusões das minorias sociais têm sido combatidas pelas já mencionadas ações afirmativas, que são uma maneira de equilibrar, no mercado de trabalho e na possibilidade de ascensão social, as chances das pessoas excluídas. As ações afirmativas, diz-se, seriam políticas, tanto públicas quanto privadas, de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, destinadas a diminuir ou erradicar as desigualdades sociais que alijam parcelas da população do acesso a bens fundamentais, incluindo a correção

de discriminações praticadas no passado.348

A legislação brasileira implementou algumas dessas políticas públicas, sendo exemplos de ações afirmativas em leis federais as cotas para egressos de escolas públicas nas instituições federais de ensino superior, a serem preenchidas por autodeclarados pretos, pardos e indígenas em proporção no mínimo igual à desses grupos na população da unidade da federação, onde se situa a instituição (Lei nº. 12.711); cotas para deficientes no mercado de trabalho (Lei nº. 8.213); cotas para deficientes em concursos públicos (Leis nº.s 7.853, 8.112); cotas para candidaturas de mulheres em partidos políticos (Lei nº. 9.100).

Os homossexuais não são uma minoria social, quando se considera apenas as minorias tradicionais: étnicas, culturais ou religiosas. Porém, homossexuais são considerados grupos

vulneráveis, tendo em vista sua discriminação histórica349na sociedade. A inserção de direitos

fundamentais nos ordenamentos jurídicos tem sido vista como uma forma de neutralizar

desigualdades.350 Nesse sentido, caberia aos direitos fundamentais, assegurar a defesa dos

direitos das minorias (étnicas, religiosas e culturais, sejam “autóctones” ou imigradas) e dos direitos às diferenças (muitas outras, incluindo as da “orientação sexual”); além da coesão social e igualdade de tratamento. Isso se dirige ao desejado equilíbrio entre a unidade e a diversidade, difícil de se forjar.

       

348 Cf. GOMES, Joaquim Benedito Barbosa. Ação afirmativa e principio da igualdade: O direito como

instrumento de transformação social: a experiência dos EUA. Rio de Janeiro: Renovar. 2001. p. 143.  

349

Muitos estudos sobre o assunto já foram publicados, entre os quais os de CANABARRO, Ronaldo. op. cit. MAC RAE, Edward. op. cit. MOTT, Luiz. op. cit. MOTA, Murilo Peixoto da. op. cit. VICENTE, Laila Maria Domith; RIBEIRO, Victor Oliveira. op. cit. MISKOLCI, Richard. op. cit. SOUSA FILHO, Alípio. op. cit. RIOS, Roger Raupp. op. cit. TORRÃO FILHO, Amílcar. op. cit. RICHARDS, Jeffrey. op. cit. FAINFAS, Ronaldo. op. cit. FOUCAULT, Michel. op. cit. GUIMARÃES, Aníbal. op. cit. RODRIGUES, Rita de Cássia Colaço. op. cit. SIMÕES, Júlio Assis; FACCHINNI, Regina. op. cit. além do documentário Stonewall Uprising, de Kate Davis e David Heilbroner e do filme Milk, de Gus Van Sant, citados sob. 2.3 supra.  

350

Cf. ANDRADE, José Carlos Vieira de. Os Direitos fundamentais na Constituição Portuguesa de 1976. 3. ed. Lisboa: Almedina, 2006. p. 68. 

4.1.1.4 O Direito à Não Discriminação e a previsão do instituto da união estável entre homem