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İş Gücü Piyasasına ve Sosyal Hayata Engelli Bireylerin Dâhil Olması ile İlgili Örnekler:

AVRUPA BİRLİĞİ’NDE ENGELLİ HAKLAR

3. Ürün ve hizmetlere ulaşılabilirlik

2.1.5.1 Uygulamada Engellilik İle İlintili Konuların Yönlendirilmesi 1 Eşitliği Teşvik Edici Bir Araç ve Hedef Olarak Yönlendirme

2.1.5.1.3 İş Gücü Piyasasına ve Sosyal Hayata Engelli Bireylerin Dâhil Olması ile İlgili Örnekler:

Visando abranger os elementos disciplinares norteadores da Documentação, abordaremos, neste momento, as questões relativas ao seu objeto de estudo. Nesta perspectiva, Meyriat (1981, p.58) salientou que o principal objeto investigado nessa disciplina é o documento, que serve como suporte da informação, a qual se encontra, por sua vez, nos conteúdos documentais.

Sob o prisma de análise de Meyriat (1981, p.58), os documentos são os objetos de análise e de pesquisa da Documentação por possuírem função informativa. Na disciplina, a noção de conjuntos documentais traz consigo a idéia de que a informação não está separada de seu suporte, pois as condições nas quais o suporte é produzido, organizado e distribuído nos remetem a sua eminente capacidade informativa. O universo que envolve essas condições e as propriedades informativas dos documentos constituem os elementos que os caracterizam como objetos de estudo da Documentação.

São importantes, outrossim, os estudos da forma e da estrutura dos documentos,167 bem como o estudo dos meios e das técnicas que são utilizadas para a extração dos conteúdos temáticos para fins de organização e recuperação da informação. Nesse sentido, a

167 Como vimos no capítulo 2, a disciplina que em grande medida se ocupa de estudar a forma e a estrutura do

documento é a Diplomática, a qual auxilia as investigações e as práticas profissionais no campo da História, Arquivística, Direito, etc. no que diz respeito à relevância, para essas disciplinas, da comprovação dos elementos documentais de autenticidade e de fidedignidade.

Documentação se interessa, igualmente, pelo estudo das motivações e dos comportamentos que intervêm nos processos documentais, ou seja, no processamento técnico e nas funções auxiliares e intermediárias que geram produtos e serviços informacionais e que influenciam durante a utilização da informação. Mas, afinal, qual a concepção de documento para Otlet, e em que medida esse conceito pode ser estendido à Documentação hodierna?

Como vimos, foi a partir da década de 1930 que o enfoque da Bibliografia se modificou, justamente quando Otlet passou a priorizar o documento168 como o principal objeto de estudo e buscou justificar teoricamente a Documentação ao constatar a premência de se criar uma disciplina que o contemplasse em sua amplitude conceitual. Desse modo, objetivando formalizar disciplinarmente a Documentação, Otlet ampliou, no Traité, o conceito de documento,169 passando a considerar como tal qualquer documento e não somente aqueles na forma escrita e/ou impressa.

Essa nova percepção do objeto de estudo da Documentação respaldou teoricamente e possibilitou o trabalho de documentalistas que se defrontavam, em seu trabalho, com documentos complexos como, por exemplo, os periódicos. Assim, com a Documentação objetivou-se explorar o máximo possível do conteúdo informacional dos documentos, permitindo inter-relacionar conteúdos múltiplos entre documentos em formatos e suportes diversos. Ademais, tal ampliação conceitual foi ao encontro das necessidades informacionais dos usuários mediante a criação de novas técnicas que vieram a incrementar o trabalho documental, como a “reprografia” e a “microfotografia” (MEYRIAT, 1993, p.194).

Nessa direção, Otlet explanou acerca da mudança do termo “Bibliografia” para “Documentação”, justificando ainda a mudança de concepção de livro e de documento. Tal mudança ocorreu com o desenvolvimento de uma

[...] terminologia a partir da palavra “documento”, com maior incidência que com os termos “livro” ou “biblion”; esta mudança de radical está justificada:

168 Como afirmou Hellemans (2006, p.6), já no início do século, precisamente em 1903, Otlet se interessou em

estudar o conceito de documento, que até então era concebido somente como aquele que se apresentava na forma escrita. Otlet estendeu o seu entendimento a todo suporte portador de informação (considerando, por exemplo, cartazes, fotografias etc.), no sentido de ampliar e completar o RBU com o maior número de objetos possível.

169 Segundo mostrou Buckland (1997b), as mudanças de percepções do documento, em termos históricos, se

deram principalmente em decorrência do aumento da produção documentária (literatura científica e técnica) no final do século XIX, das necessidades de se criar novas técnicas para a recuperação do conhecimento arquivado ou armazenado e da mudança do termo “Bibliografia” para “Documentação” no processo administrativo documental no início do século XX. Na perspectiva da Documentação (que buscou lidar com o conteúdo dos documentos), em especial, com o desenvolvimento teórico-conceitual de Paul Otlet e de Suzanne Briet, o documento tem se relacionado às formas físicas da informação e à materialidade da informação como insumo dos Sistemas de Informação.

1º, pelos motivos que têm feito admitir a palavra documento, documentação; 2º, pelo atraso das práticas do mundo do livro, que, não havendo evolucionado com suficiente rapidez, tem deixado de criar toda uma nomenclatura, em parte para objetos e noções dos quais havia se desinteressado no princípio. (OTLET, 1934, p.45-46).

Além disso, Otlet acrescentou que:

Os novos ramos que a palavra livro [em uma concepção convencional] não tem coberto são: a) os documentos propriamente ditos: gravuras, peças de arquivo, documentos administrativos, discos, fotografias, filmes, diapositivos; b) as coleções constituídas de documentos: cartitecas, hemerotecas, perioditecas, discotecas, filmotecas; c) materiais especiais: fichas, estantes, [...] dossiês, arquivos, repertórios. (OTLET, 1934, p.13, tradução livre).

Como vimos, Otlet concebeu o documento de forma ampla, pois ele o relacionava diretamente ao objeto levando em consideração o seu valor informacional e, ainda, o seu valor evidencial, presente em elementos tais como gráficos ou outras representações de objetos e de idéias. Sob esse prisma teórico, Otlet delineou a Documentação como um campo de estudo e pesquisa que se constituiu com o intuito de manter um elo entre diferentes instituições (bibliotecas, arquivos, museus, entre outras que prestam serviços bibliográficos e informacionais) as quais representavam, em suas respectivas funções, uma única necessidade social (a da busca por informação), que o documento ficaria incumbido de tentar satisfazer. Na interpretação de Rayward (1991), o documento, para Otlet, “[...] é o centro de um complexo processo de comunicação, da acumulação e transmissão de conhecimento, da criação e evolução de instituições.”

Com a Documentação, observou-se a necessidade de compreender que os problemas existentes para a recuperação do conteúdo documental necessitariam de uma reflexão teórica voltada para o desenvolvimento de métodos e técnicas. Nesse contexto, o conceito de documento deixou de ser restrito somente aos documentos textuais e impressos, passando-se a considerar novos suportes e novos tipos de documentos (ou seja, passou a ter importância a materialização de qualquer forma do pensamento humano);170 e o livro passou e ser concebido não mais como uma totalidade, e sim como fragmentos, considerando-se os diferentes conteúdos nele presentes. Foi igualmente com essa mudança que as necessidades dos usuários

170 Etimologicamente, como já dissemos, o conceito de documento apresenta ampla definição: prefixo Docere

(aprender ou informar) e o sufixo – ment (significado). Porém, por um longo tempo o sentido desse termo sofreu uma restrição por passar a ser concebido como simplesmente “objeto-texto”. Por outro lado, foi com a Documentação que a sua concepção passado a ser novamente ampliada. Segundo explica Buckland (1991), esse foi o principal motivo para que a CI resgatasse na Documentação a compreensão conceitual de documento.

do sistema de informação passaram a ser levadas em consideração, ou seja, para usuários potenciais, objetivou-se a disponibilização de diversos conteúdos específicos.

Buckland (1997b) suscitou as idéias de Otlet (1934) e argumentou que com a expansão do significado do documento, este passou a ser compreendido como todos os “[...] registros gráficos e escritos [que] são representações de idéias ou de objetos”, chegando a concluir, de forma exagerada (ver item 4.4), que “[...] os objetos em si mesmos podem ser considerados documentos.” Dessa forma, podem ser entendidos como documento: objetos manufaturados, manuais explicativos, jogos educacionais, trabalhos artísticos, etc., isto é, a “[...] materialização de qualquer forma do pensamento humano”, “fonte de informação” ou “forma material”. Portanto, Otlet entendeu que todos os objetos produzidos pelo homem podem vir a se tornar documentos.

Ainda sobre a ampliação do conceito de documento, Otlet (1934, p.373) mostrou que este pode apresentar-se como “objeto em si mesmo”; como a “menção do objeto na classificação”; e como o “[...] catálogo geral que faz o inventário dos objetos em si mesmos ou como parte de coleções determinadas.” Diante disso, a relação autor/documento passaria a ser entendida sob dois aspectos: o “autor do original” e o “autor da reprodução”. Não obstante, para Otlet, todos os documentos deveriam ser considerados em elementos de três ordens: 1) elementos materiais (substância, forma e acabamento); 2) elementos gráficos (textos, imagens, notações); e o mais importante, 3) os elementos intelectuais (ou seja, o seu conteúdo propriamente dito).

De forma mais específica, Otlet (1937) mostrou, ainda, que o documento pode apresentar-se em diferentes formatos, tais como: “[...] o livro, a revista, o jornal; é a peça de arquivo, a estampa, a fotografia, a medalha, a música; é, também, atualmente, o filme, o disco e toda a parte documental que precede ou sucede a emissão radiofônica.”

É importante observar que Otlet estabeleceu uma relação sinonímica entre “livro” e “documento” em seu Traité, principalmente, quando considerou certa horizontalidade terminológica para a apreensão da própria disciplina, que, por vezes, foi referida como “Bibliologia” (ciência do livro) e “Documentação”/“Documentalogia” (ciência do documento).171 Segundo apontou López Yepes (1990, p.40), “[...] Bibliologia,

171 Tal como afirmou Santos (2006, p.75), Otlet “[...] recupera e revitaliza a Bibliologia, ‘ciência do livro’, criada

por Gabriel Peignot no início do Século XIX. Segundo Robert Estivals, bibliólogo e professor da Université de Bordeaux III, a Bibliologia era uma ciência descritiva e histórica que Otlet retoma, estabelecendo novos parâmetros para inseri-la nas perspectivas científicas do século XX. Desse modo, toma a Bibliologia como ponto de partida de suas reflexões, aproveitando seu objeto de estudo e metodologia. Amplia, porém, o objeto de estudo – do livro para o documento – formula novas metodologias de investigação do objeto e cria uma nova terminologia para a área.”

Documentalogia e Documentação são três denominações propostas por Otlet para a Ciência geral do documento”. (tradução livre). Essa paridade terminológica refletir-se-ia na própria concepção de objeto da disciplina, já que Otlet concebeu o termo “livro” representando genericamente todo o tipo de documento, apresentando-se como seu sinônimo. Para Otlet (1934, p.43):

A definição mais geral que se pode fazer do livro e do documento é esta: um suporte de uma certa matéria e dimensão, eventualmente de um certo dobrado ou enrolado onde se incluem signos representativos de certos dados intelectuais. (tradução livre).

Conforme salientou Day (1997, p.311), a concepção de livro na cultura ocidental nos remete, diante do seu secular aperfeiçoamento, a uma completude estrutural do próprio objeto, o que nos leva a supor uma “[...] noção de fechamento, identidade individual e verdade representacional.” (tradução livre). Nesse sentido, poderíamos supor que o livro pode ser caracterizado enquanto todos os formatos que trazem essas propriedades e não somente pelo formato livro em si. Podemos dizer, ainda, que tais propriedades podem manifestar-se, por exemplo, em um rolo de pergaminho, em um periódico científico, em uma revista, etc., suportes estes que remetem à concepção antiga de biblos.172

Segundo esclareceu Santos (2006, p.77), o livro para Otlet “[...] é um instrumento de abstração que funciona como extensão do cérebro.” Nessa direção, a autora teceu o seguinte comentário:

Otlet manifesta uma profunda crença no papel social e na função educativa do livro uma vez que ele representa o mundo, porque contém dados observados da realidade e enfeixa a síntese do progresso da humanidade. Recorrendo a um sistema de signos desenvolvidos pelo homem, no decorrer dos séculos, inscrito sobre suportes práticos e portáveis com o emprego das tecnologias características de cada época, dando lugar a anotações [possíveis de] ser conservadas, comunicadas e difundidas, o livro é veículo de comunicação. (SANTOS, 2006, p.79).

No interior de seu horizonte positivista, Otlet cogitou a criação de uma forma mais abrangente e abstrata de livro (o “Livro Universal”), na qual estaria depositado e organizado o

conhecimento produzido pela humanidade. Para Otlet, esse sonho só poderia se concretizar por meio dos já comentados Repertórios Universais.173

Tal conjetura, que pende para a representação universalizante das coisas, pode ser considerada um aspecto importante para entendermos a horizontalidade conceitual entre Bibliologia e Documentação e seus respectivos objetos (livro e documento). Nesses termos, para Otlet (1934), o estudo do livro (ou do documento) em sua materialidade e complexidade apresenta duplo aspecto: 1) é obra do homem, ou seja, o resultado do seu trabalho intelectual; 2) é produto de múltiplos objetos criados pela civilização. (p.9). Nesse sentido, o objeto de estudo da Documentação é o ser documentado (p.11) ou a materialização do pensamento humano em todas as formas possíveis. (p.425).174

Nessa perspectiva, Otlet (1934, p.10) fez a distinção entre a “unidade física” e a “unidade intelectual” do documento, considerando os seus desdobramentos (p.45-46) e, ainda, entendeu que o documento se constitui em “[...] signos visíveis fixados sobre um suporte material.”

É interessante observar que a horizontalidade atribuída por Otlet à comparação entre livro (objeto secularmente produzido para a difusão de idéias) e documento (objeto interpretado como portador de conteúdo informativo) representa uma de suas mais importantes contribuições para o entendimento conceitual de documento. Uma das principais premissas que permitiram a ampliação conceitual é a de que o documento poderia se constituir valorativamente em qualquer objeto produzido pelo homem. Otlet desconsiderou, por sua vez, os objetos naturais (não manufaturados ou industrializados).

Em outras palavras, embora Otlet tivesse ampliado o conceito documento, por considerar todos os tipos de objetos produzidos pelo homem (portadores, nesse sentido, de uma “objetividade”), ou seja, confeccionados com uma intencionalidade para um determinado uso (para suprir certas necessidades práticas ou intelectuais) ou mesmo para suprir

173 Além dos visionários Repertórios Universais, vale recordar que Otlet alimentava sua utopia de pensar que, no

cerne do sistema capitalista (contraditório em sua essência), seria possível chegar à “paz mundial”, num período entre guerras, simplesmente por meio do acesso ao conhecimento. Essa sua visão ingênua não diminui a importância de sua teoria para o processo de institucionalização acadêmica da Documentação. Para autores como Rayward (1994; 1995) e López Yepes (1995), entre outros, a Documentação, proposta em seu Traité, foi a precursora de relevantes teorias, métodos e técnicas para a criação, por exemplo, da atual concepção de hyperlink que conhecemos hoje; e ainda chegam a argumentar sobre sua importância para a criação da Internet. Entretanto, uma das discussões mais polêmicas é aquela que relaciona a Documentação como a disciplina que lançou as bases epistemológicas para a proposição da CI.

174 Interpretando a sinonímica relação entre livro e documento, Santos (2006, p.81) observou que Otlet priorizou

o exame da forma e da substância do livro/documento “[...] com o objetivo de apreender a evolução do pensamento registrado.”

necessidades meramente estéticas (manifestações artísticas), ele não explorou o conceito em sua totalidade, visto que não considerou os objetos naturais. Entendemos que tais objetos naturais também podem trazer importantes conteúdos informativos por registrarem ou evidenciarem, por exemplo, os rastros (ou signos) evidenciados pela natureza que ajudam a explicar os fenômenos naturais, biológicos, antropológicos e sociais.

Se não considerássemos os objetos naturais como documentos/monumentos − expressão empregada por Le Goff (1994) −, como poderíamos pensar e/ou classificar, por exemplo, os objetos presentes em um museu arqueológico? Um fóssil não seria uma fonte documental?

Embora Otlet não tivesse considerado a relevância documental dos objetos naturais, sua teoria serviu de base para que outros teóricos da Documentação os considerassem, aproximando disciplinarmente a Documentação aos pressupostos apresentados no âmbito da História (por exemplo, por meio dos teóricos do movimento dos Annales) e da Museologia.

Portanto, a contribuição de Otlet para a acepção de documento foi imensurável. Ademais, o desenvolvimento da teoria otletiana culminou na proposição disciplinar da Documentação e essa, por sua vez, foi essencial para a reflexão sobre elementos teórico- práticos que posteriormente contribuiriam para a proposição da CI (ver capítulo 4).

Ao interpretar o conceito de documento sob a perspectiva otletiana, Rodríguez Bravo (2002) mostrou que o documento pode ser caracterizado pela relação entre “suporte”/ “signos fixados”, particularmente com a fixação de tais signos em um suporte material, artificial e de utilidade intelectual, constituindo-se como o registro dos feitos, das idéias, das ações e dos sentimentos do homem, ou seja, representando materialmente as suas impressões e manifestações racionais.

A essência do documento para Otlet se manifestaria com a representação de uma atividade intelectual (conteúdo) registrada em um suporte para a comunicação de qualquer tipo de informação, codificada lingüisticamente ou não. Nesses termos, os documentos “[...] constituem, em seu conjunto, a memória materializada da humanidade.” (RODRÍGUEZ BRAVO, 2002, tradução livre).

Nessa mesma direção, López Yepes (1997, p.16) mostrou a contribuição de Otlet ao evidenciar o caráter essencialmente informativo do documento como instrumento de comunicação em um processo documental. Sob esse prisma conceitual, um mesmo documento pode servir para

[...] uma contemplação estética ou uma contemplação documental quando [por exemplo] um quadro se converte em fonte de informação para conhecer como se vestiam ou como se armavam os soldados de uma época. Desde essa situação o museu poderá atuar alternativamente como um centro de gozo estético ou um centro de documentação. Esta última é a verdadeira concepção de documento. Em definitivo, dita concepção essencialmente informativa de documento resulta, em conseqüência, de considerar o documento como um suporte que contêm uma informação potencialmente transmissível no espaço e no tempo e [que é] atualizável para alcançar um novo conhecimento ou para tomar uma decisão correta. O documento como fonte de informação parece, assim, dormir placidamente, até que em um momento ou lugar determinado nos resolve uma dúvida. (LÓPEZ YEPES, 1997, p.16, tradução livre).

Seguindo esse horizonte interpretativo, Bachimont (2005, p.6) dissertou que o documento pode ser considerado como “[...] toda base de conhecimento, fixada materialmente, susceptível de ser utilizada para consulta, estudo ou prova.” Seriam documentos, por exemplo, os “[...] manuscritos, impressos, representações gráficas ou figuras, objetos de coleções, etc.” (tradudção livre). Portanto, o documento para Bachimont se caracteriza por ser:

9 Delimitado no tempo e no espaço: tem um começo e um fim;

9 Permanente: conserva o seu conteúdo; é o testemunho de uma expressão e o suporte de uma transmissão;

9 Inteligível: permite restituir a expressão da qual é testemunho a interpretar seu conteúdo a partir do traço que o constitui.

Sob esse prisma, o documento seria aquele objeto que apresenta uma intencionalidade, ou seja, um traço de uma expressão, instituído por um ponto de vista intencional. Assim, o documento se constituiria através de uma atribuição de valores, podendo-se observar a priori o traço de um conteúdo e a posteriori um objeto material considerado como indício de uma atividade que pode ser compreendida a partir da interpretação do objeto. O documento seria, portanto, uma evidência ou testemunho que deriva da interpretação que pode ensinar sobre a atividade que a originou, ou seja, seria o resultado de um ato de publicação (exteriorização, ou seja, ato de tornar disponível, público, etc.) que lhe confere uma intencionalidade/inteligibilidade, uma permanência e uma delimitação.

É importante observar que Bachimont considerou a relação ativa do sujeito no processo interpretativo do objeto visando identificar os conteúdos informativos que poderão conduzir ao processo valorativo para converter o objeto (“matéria-prima”) em documento. Nessa perspectiva, o referido autor enfatizou somente os objetos produzidos pelo homem, sendo fiel à concepção otletiana de documento a qual compreende que o objeto, após passar

por um processo de objetivação,175 constitui-se em um documento dotado de objetividade. Seguindo essa linha de raciocínio, para López Yepes (1981a, p.117), a

[...] objetivação do conhecimento a um suporte e a possibilidade de comunicação ou acessibilidade do mesmo são as duas linhas que configuram o conceito de documento. A objetivação do conhecimento implica uma carga informativa [e indica] que todo documento é portador de informação, de fonte − portanto, estas, como o [próprio] suporte, devem ser permanentes −, [sugerindo, também] que a comunicação e a transmissão da informação, que o documento porta, definem a acessibilidade do mesmo. (tradução livre).

Voltando à explanação de Bachimont (2005), vale dizer que embora o autor tenha citado Otlet (1934) e sua “seguidora”, Suzanne Briet (1951), ele não explorou a contribuição desta última para a ampliação conceitual de documento.

Influenciada pelo pensamento de Otlet e pelas mudanças decorrentes das inovações tecnológicas do pós-guerra, a bibliotecária francesa Suzanne Briet (1951) defendeu que todo documento é a evidência física que sustenta um fato, abrindo margem, sobretudo, para a consolidação do conceito de “evidência/prova” sustentado pelo Direito e pela Arquivística.

Com base na concepção da UFOD (Union Française des Organismes de Documentation) de 1935, que delineava que documento seria “[...] toda base de conhecimento expresso num suporte material e suscetível de ser utilizada para consultas, estudos ou provas”, Briet (1951, p.7) enunciou documento, na metade do século passado, da seguinte maneira: “[é um] indício concreto ou simbólico, conservado ou registrado com o fim de representar, reconstruir ou provar um fenômeno físico ou intelectual.” (tradução livre). Vejamos, a seguir, o esquema de Briet (1951), que buscou esclarecer, de forma simples, a questão ontológica do documento:

Relação objeto/documento

Objeto É documento?

A estrela no céu... Não Uma foto da estrela... Sim Uma pedra no rio... Não Uma pedra num museu... Sim Um animal na selva... Não