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Dinin Toplumları Etkileme Gücü ve Çözüme Dirençli Çatışmalarda

1. BÖLÜM

4.6. ÇATIŞMA YÖNETİM VE ÇATIŞMA ÇÖZÜM SÜRECİNDE DİN FAKTÖRÜ

4.6.1. Dinin Toplumları Etkileme Gücü ve Çözüme Dirençli Çatışmalarda

Michel de Certeau afiança que nenhuma pesquisa sobre o passado está livre de condições socioeconómicas, políticas ou culturais e que o trabalho histórico deve inscrever- -se no interior (e não fora) das lutas socioeconómicas e ideológicas. Contrariamente ao Modernismo, o Pós-modernismo frisa, abertamente, o reconhecimento da existência do passado, mas expõe a sua relativa (in)acessibilidade, pelas razões supra mencionadas. Não podemos olvidar que o objecto histórico é construído, historicamente. Livros como A

História da Loucura permitiram ou anunciaram, de certo modo, esta «exploração da

História» rumo a novos terrenos, rumo às margens da sociedade – a festa, a morte, a feitiçaria, a sexualidade tornaram-se objectos de História, foram tomados em consideração para clarificar o funcionamento de uma sociedade.» (apud Le Goff et alii, 1986: 29).

Jacques Le Goff atesta a pertinência do papel dos historiadores, na escolha dos documentos, preferindo uns e relegando outros, atribuindo-lhes um valor de testemunho que «depende da própria posição na sociedade da sua época e da sua organização mental. Refere, também, que um documento nunca é inócuo, porque se revela como o resultado de uma montagem, «consciente ou inconsciente, da história, da época, da sociedade que o produziu, mas também de épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, também pelo silêncio» (in Le Goff, 2000b: 114). Desta feita, o documento é algo que perdura, é um «monumento». Assevera, posteriormente que, no limite, «não existe um documento-verdade. Todo o documento é mentira», cabendo, em última instância, ao historiador, compreender este facto e não passar por ingénuo» (ibidem).

Nos seus estudos sobre o fenómeno histórico, Edward Carr aprofunda a noção de que a História – e, por consequência, o seu conhecimento e a sua investigação – revelam, ainda que subtilmente, uma subjectividade que não pode ser negada. Invoca a máxima de Heraclito e reconhece que «Se o filósofo tem razão quando nos diz que não podemos tomar banho duas vezes no mesmo rio, é talvez igualmente verdade, pela mesma razão, dizer-se que dois livros não podem ser escritos pelo mesmo historiador.» (Carr, s/d: 36). Segundo os preceitos caucionados por Amy Cook (2007), no proceso historiográfico há, ainda, a considerar a chamada Historiografia irónica. Nesta perspectiva, as suas declarações vão ao encontro do que afiançava Carr, ao aludir que, para Carlyle, não há duas testemunhas que relatem um mesmo evento exactamente da mesma forma:

«(…) even honest records, where the reporters were unbiased by personal regard” will necessarily be colored by the values and prejudices of the time period (59). Furthermore, we can never get past our

own perspective; even if we were able to gain complete insight into the experience of others, the “most gifted man can observe, still more can record, only the series of his own impressions” (Cook, 2007: 59)

Em situações extremas e radicais, o enfoque da História incorre no perigo de se converter naquilo que Kurt Spang considera ser uma «palestra de caprichosas interpretações»:

«Como siempre, la verdad se sitúa en el medio, los acontecimientos históricos no son íntegramente arbitrarios, ni el hombre es completamente incapaz de aproximarse a la objetividad. Por consiguiente, la historiografía verdaderamente útil ni debe ser mera reduplicación acumulativa ni completamente arbitraria y subjetiva. Lo difícil es encontrar el equilibrio entre la erudición restauradora imprescindible y la necesaria intervención interpretativa. En ello están los historiadores; vacilando entre posturas extremas todavía no han encontrado una solución satisfactoria.» (1998: 61-62)

Linda Hutcheon menciona que a metaficção historiográfica pós-moderna está cônscia da relatividade do conhecimento epistemológico da História e, por conseguinte, declara, abertamente, que apenas existem verdades no Plural. Sublinha, de igual forma, que na redacção pós-moderna da História e da Ficção existe uma deliberada contaminação do histórico pelos elementos discursivos didácticos e situacionais, contestando-se, frequentemente, os pressupostos implícitos das afirmações históricas de objectividade, neutralidade, impessoalidade ou transparência da representação. A crítica defende, ainda, que a relativização do conhecimento histórico é facilmente analisável na chamada literatura pós-moderna, que sugere que «reescrever ou reapresentar o passado na ficção e na história é – em ambos os casos – revelá-lo ao presente, impedi-lo de ser conclusivo e teleológico» (Hutcheon, 1991: 145-147). A investigadora acrescenta que, na contemporaneidade, a ligação ontológica entre a História (o passado histórico) e a Literatura não é eliminada, mas enfatizada. Menciona, ulteriormente, que acedemos ao passado apenas por intermédio dos textos, e aí é que reside o vínculo do histórico com o literário – «O passado realmente existiu. A questão é: como podemos conhecer esse passado hoje – e o que podemos conhecer a seu respeito?» (ibidem: 126)1.

1 Não nos parece despiciendo invocar um outro excerto, em que, pela boca dos seus protagonistas, Miguel de

Cervantes resgata a questão dicotómica aristotélica entre história/ verdade versus fábula/ mentira:

« – Com tudo isso – respondeu o bacharel – dizem alguns dos que leram a história que folgariam se os seus autores se tivessem esquecido de algumas das infinitas pauladas que nos diferentes recontros deram no senhor dom Quixote.

O historiador Michel de Certeau lembra aos historiógrafos que nenhuma pesquisa efectuada sobre o passado está livre das condições socioeconómicas, políticas e culturais (1975, 65). Nesta linha idiossincrática evocamos, igualmente, Frederic Jameson e Hayden White, porque ambos concordam que o passado existiu, mas contestam a nossa capacidade de reconhecer esse mesmo passado por quaisquer outros meios que não sejam os «relatos» textualizados e interpretados. White (1987) afirma que a nossa aceitação do passado (factual) deriva da sua narrativização e que, para além de um posicionamento de índole moral, a utilização da linguagem acarreta um posicionamento político, referindo que a linguagem pode instaurar-se como «politicamente contaminada» (White, 1980: 35; apud Hutcheon, 1991: 244). Esclarecem-se, deste modo, a perspectiva política e a histórica atinentes ao pensar pós-moderno, que muitos teóricos contemporâneos consideram ser essencialmente de cariz a-histórico e apolítico. Pulgarín sublinha, neste contexto, que a metaficção historiográfica/ romance histórico contemporâneo desmente as críticas feitas ao chamado pós-modernismo como tratando-se de uma corrente literária predominantemente a-histórica e desistoricizada, atendendo a várias características atinentes aos próprios romances, como a auto-reflexividade discursiva que neles se encontra bem patente.