3. GİRİŞİMCİLİK VE TURİZM GİRİŞİMCİLİĞİ
3.3. Dünya’da ve Türkiye’de Girişimciliğin Tarihsel Gelişimi
Com base nos pressupostos abordados anteriormente, foi organizado o Grupo de Pesquisas em Epistemologia da Biologia (GPEB). Segundo Brando (2010), a escolha da filosofia da Biologia para subsidiar discussões do grupo contribui para: a discussão de conceitos fundamentais da Biologia como conceitos de ser vivo, ecossistema e gene; a integração de ampla gama de conceitos biológicos; a inserção de alunos em um contexto de pesquisa científica que não é comumente tratado nos cursos de Biologia e que não está relacionada com a visão tradicional de cientista. Ainda segundo Brando (2010):
[...] a fundamentação teórica do Grupo de Pesquisas em Epistemologia da Biologia são os aspectos filosóficos da Biologia, centrada na discussão sobre a natureza do conhecimento científico. Nas atividades do grupo são discutidas questões como: a caracterização da Biologia como área científica específica; conceitos centrais e unificadores do conhecimento biológico e a contribuição das discussões em Epistemologia da Biologia para o ensino de Biologia (BRANDO, 2010, f.65).
O GPEB, que iniciou suas atividades no final de 2006 (com auxílio do CNPq - Processo n. 481790/2007-1) e é atuante até o momento, é constituído por diferentes níveis de formação acadêmica - graduandos, pós-graduandos e professores universitários - e possui sua fundamentação teórica pautada na discussão de conceitos que estruturam o conhecimento biológico e que lhe conferem especificidade. No período de implementação e desenvolvimento desse projeto GPEB, os graduandos de Ciências Biológicas desenvolveram subprojetos de pesquisas que relacionavam as discussões teóricas da Epistemologia da Ciência e Biologia com o contexto do ensino e aprendizagem da Biologia na Educação Básica e Superior. O processo de discussão teórica e a construção e aplicação dos subprojetos foram analisados por meio de três eixos temáticos: 1) conceito de ciência e cientista; 2) conceito de vida como estruturador do conhecimento biológico; 3) integração de diferentes níveis hierárquicos de complexidade, com base no estruturalismo hierárquico escalar (CALDEIRA, 2011).
A heterogeneidade de integrantes do GPEB permite um processo de ensino-aprendizagem mais eficiente e abrangente para todos os participantes. Dessa maneira, os integrantes do grupo são, ao mesmo tempo, sujeitos de pesquisa e pesquisadores (BRANDO, 2010).
As atividades desenvolvidas são organizadas em diferentes etapas que comportam: fundamentação teórica, com discussões sobre a natureza da ciência biológica, conceitos estruturantes da Biologia, teorias da complexidade e auto-organização, teoria hierárquica3 ressaltando os diferentes
níveis de organização
Destacamos que a pesquisadora autora desta tese participou, tanto em sua formação inicial, quanto durante a realização de sua pós graduação, das reuniões GPEB; e classifica essa participação como extremamente benéfica, tanto no que concerne à mudança de um pensamento predominantemente
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Para um melhor entendimento sobre a formação do Grupo de Pesquisas em Epistemologia da Biologia e seus
pressupostos, consultar trabalhos:ANDRADE, M. A. B. S.; BRANDO, F. R.; MEGLHIORATTI, F. A.; JUSTINA, L. A. D.; CALDEIRA, A. M. A. Epistemologia da Biologia: uma proposta didática para o ensino de Biologia. In: ARAÚJO, E. S. N. N.; CALUZI, J. J.; CALDEIRA, A. M. A. (orgs). Práticas integradas para o ensino de Biologia. São Paulo: Escrituras, 2008. (Educação para a ciência; 8).
BRANDO, Fernanda da Rocha. Proposta didática para o ensino médio de Biologia: as relações ecológicas no cerrado. 2010. 221 f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) – UNESP, Faculdade de Ciências, Bauru, 2010.
MEGLHIORATTI, F. A; ANDRADE, M. A. B. S.; BRANDO; CALDEIRA, A. M. A. A formação de pesquisadores em epistemologia da Biologia. In: MORTIMER, E. F. Anais do VI Encontro Nacional de
Pesquisa em Educação em Ciências, 2007, Florianópolis: ABRAPEC, 2007.
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unidirecional para um pensamento mais integrador, como para sua formação como pesquisadora crítica e investigadora.
Caldeira (2011, p.06) resume o modelo de organização do conhecimento biológico que subsidiou as discussões do grupo proposto nos anos de 2007, 2008 e 2009:
Na busca por um modelo de discussão que possibilitasse a compreensão dos fenômenos biológicos em sua totalidade, Meglhioratti (2009) propôs uma estrutura triádica escalar do conhecimento biológico - baseada no modelo triádico apresentado por Salthe (1985, 2001). Na proposta, os diferentes níveis de organização dos organismos vivos são compreendidos por meio de uma rede complexa de interações. Para a utilização do modelo triádico proposto por Salthe (1985, 2001), é necessário estipular – a partir do contexto pragmático de um programa de pesquisa – um nível focal (no qual ocorre o fenômeno de interesse), bem como níveis superior e inferior. O nível superior estabelece condições de contorno para os processos no nível focal, enquanto o nível inferior estabelece condições iniciadoras potenciais para os processos focais. Meglhioratti (2009) determinou, no modelo triádico proposto para representar a organização dos seres vivos, que os níveis do ambiente externo, o organismo e o ambiente interno comporiam o modelo na seguinte organização: [Ambiente Externo [Organismo [Ambiente Interno]]], sendo o organismo o nível focal. A partir desta estrutura, os trabalhos de doutorado discutiram como diferentes conhecimentos do mundo vivo podem ser compreendidos em sua totalidade e, também quais as implicações desta estrutura para o Ensino de Biologia.
Nas discussões realizadas no grupo, por meio da descrição hierárquica do conhecimento biológico, considera-se o ser vivo como ponto central e nível focal da discussão biológica, assumindo sua unidade e autonomia por meio das relações engendradas pelos seguintes níveis: ambiente externo (ecológico evolutivo), organismo, ambiente interno (genético molecular). Desse modo, ressalta-se a autonomia da Biologia em relação às outras áreas do conhecimento científico, enfatizando-a como uma Ciência do organismo. Ressalta-se ainda que a relação entre os níveis pode sofrer modificações ao longo do tempo, sendo que a ideia de interação entre ambiente externo, organismo e ambiente interno propõe a ação modificadora constante de um nível em relação ao outro. (ANDRADE, et. al, 2008).
Durante o ano de 2007 o nível focal das discussões biológicas do GPEB compreendeu o organismo, ressaltando a autonomia da Biologia em relação às outras áreas do conhecimento científico. Discussões teóricas relativas ao conceito de organismos foram realizadas com o objetivo de investigar as contribuições desse aporte teórico para a formação de alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas na área de Epistemologia da Biologia e Ensino de Ciências e na formação dos mesmos como pesquisadores. A avaliação do desenvolvimento do grupo neste ano apontou para a construção de uma visão mais sistêmica do conceito de organismo e uma visão mais integrada do conhecimento biológico pelos graduandos de Biologia participantes do grupo, bem como, para a importância do grupo na formação de pesquisadores (CALDEIRA, 2011).
Ao longo do ano de 2008, as atividades de estudo e pesquisa do GPEB discutiram o nível inferior do modelo proposto, ou seja, o genético molecular por meio de estudos sobre o conceito de gene, expressão e interação do material genético. A análise dos dados coletados neste período evidenciou a
ruptura de uma visão determinista e linear do gene e também do DNA para uma visão sistêmica (ANDRADE, 2011).
Durante o ano de 2009, discutiu-se no GPEB o nível superior do modelo tríadico proposto para a representação da organização dos seres vivos, envolvendo as discussões oriundas da ciência ecológica. Desse modo, problematizou-se a questão do ensino de Biologia que ocorre de modo fragmentado e descontextualizado, sinalizando o uso do enfoque ecológico como estratégia didática para minimizar essa forma de tratamento do conhecimento biológico. Mediante as leituras e discussões críticas de textos sobre história e epistemologia da ecologia, Brando (2010) afirma que foi possível investigar como os integrantes do GPEB entendiam a ciência ecológica e como essas atividades os auxiliaram no desenvolvimento de metodologias para o seu ensino.
No que concerne ao nível ecológico, foram abordados principalmente os níveis de organizações dos seres vivos compreendidos desde indivíduo até os ecossistemas e biosfera. Enfatiza-se, tendo-se como base a Ciência Ecologia, o conceito de interação, que ocorre tanto entre indivíduos da mesma espécie, quanto entre indivíduos de espécies diferentes e destes com o ambiente (ANDRADE, et. al, 2008).
Os aspectos epistemológicos da Ecologia, mais especificamente as relações e interações ecológicas presentes em comunidades vegetais do cerrado, foram trabalhados no GPEB por Brando (2010). A pesquisadora concluiu que o processo do estudo auxiliou os participantes na compreensão dos diferentes campos da Ecologia Teórica, das características de pesquisa nessa área, além do desenvolvimento de relações entre a construção da ciência ecológica e seu objeto de estudo. Esse estudo aplicado e contextualizado de conceitos ecológicos, mais precisamente o de sucessão e interações ecológicas foi muito importante para a construção de conceitos em uma rede conceitual integrada do conhecimento biológico.
Sobre as atividades do Grupo de Pesquisa, Andrade e colaboradoras (2008) consideraram pelas falas dos participantes, que as propostas proporcionaram momentos de discussões não comuns à grade curricular do curso de graduação e que o “modelo” das atividades do GPEB poderia ser utilizado por disciplinas de História e Filosofia da Biologia. Foi também possível avaliar que as atividades do grupo geraram reflexões sobre o papel dos sujeitos como professores conduzindo a uma postura crítica sobre o conhecimento ensinado.
A experiência desenvolvida durante os anos de reuniões do GPEB evidenciou que:
[...] o entendimento da relação de conceitos biológicos em diferentes níveis de organização hierárquica é importante para propiciar a compreensão deste conhecimento de forma integrada. Entende-se que organizar o conhecimento biológico a partir de ideias centrais faz-se necessário para o desenvolvimento das atividades escolares, uma vez que a Biologia aborda uma grande quantidade de conceitos, tais como célula, metabolismo, vida, populações e ecossistemas. Dessa maneira, o entendimento de processos interativos que ocorrem nos e entre os diferentes níveis de organização dos seres vivos é central para o Ensino de Biologia (CALDEIRA, 2011, p.07).
Como ficou evidente, as pesquisadoras do GPEB defendem a apresentação do conhecimento biológico pautado em um sistema triádico de hierarquia como proposta didática para discutir os conceitos referentes à Biologia de maneira mais integrada. Segundo essas pesquisadoras, “a noção de interação – fenômeno presente nos e entre os diferentes níveis de organização dos seres vivos abordados pela Biologia – evidencia-se como conceito central para a integração dos diferentes níveis de organização biológica abordados no Ensino” (ANDRADE, et. al, 2008, p.32).
Em virtude do conhecimento biológico apresentar uma ampla gama de conceitos cuja abordagem conjunta se torna inviável, principalmente quando nos referimos aos diferentes níveis de Ensino, faz-se necessária a articulação de uma metodologia na qual tais conceitos possam ser entendidos de maneira mais sistêmica. Com base nas experiências compartilhadas no Grupo de Pesquisa em Epistemologia da Biologia foi possível perceber que a ideia de interação perpassa por todos os conceitos biológicos e se evidencia como principal articuladora dos mesmos (ANDRADE, et. al, 2008).
O desenvolvimento de uma proposta triádica de Ensino e pesquisa no grupo de pesquisas em Epistemologia da Biologia por meio de discussão de temas como auto- organização, emergência e sistemas complexos permitiu aos participantes do grupo um olhar diferenciado para o conhecimento biológico e seus fundamentos. Inferimos que a tais participantes é oferecida uma oportunidade de confronto de opiniões sobre a natureza do conhecimento em Biologia, objetivando desenvolver um olhar investigativo e crítico sobre as disciplinas que o compõe, permitindo-lhes uma visão integrada do todo complexo no qual a disciplina está inserida (ANDRADE, et. al, 2008, p.32).
Diversas pesquisas e os anos de discussões do GPEB mostraram que o conceito de interação se evidencia como conceito central para a integração dos diferentes níveis de organização biológica abordados no ensino. Diante disso faz-se imprescindível a articulação de uma metodologia a qual os conceitos ecológicos, considerados estruturantes, possam servir como auxiliadores da construção de um pensamento sistêmico.