3. GİRİŞİMCİLİK VE TURİZM GİRİŞİMCİLİĞİ
3.11. Bölgesel Kalkınma ve Girişimcilik
Shook (2002) apresenta os quatro princípios básicos do empirismo peirceano encontrados na obra “Some consequences of four incapacities claimed for man” de 1978:
1. Não temos o poder da introspecção, mas todo conhecimento sobre o mundo externo deriva, por raciocínio hipotético, de nosso conhecimento acerca de fatos externos.
2. Não temos o poder da intuição, mas todo ato de cognição é determinado logicamente por atos de cognição anteriores.
3. Não temos o poder de pensar sem o uso de signos.
4. Não podemos conceber o absolutamente incogniscível (CP, v.5, § 265).
O primeiro princípio afirma que nosso conhecimento deriva de nossa experiência imediata do mundo, sendo que não se inicia com nossa própria mente ou em nossa própria experiência psíquica. Segundo o segundo princípio, todo conhecimento adquirido necessita da contribuição de outros tipos de conhecimentos adquiridos. A filosofia de Peirce afirma a existência de graus de cognição sendo que o conhecimento surge gradualmente com base em hábitos mais simples de ação em nossa infância. O terceiro princípio relaciona pensamento e símbolos de sentido, sendo que nossa capacidade de agir conforma signos em nossa experiência de mundo e denominado por Peirce de conhecimento. Sem os signos não haveria pensamento. No quarto princípio Peirce quer opor-se a qualquer filosofia que como a kantiana, divide a realidade em partes, uma com significado e outra sem (SHOOK, 2002).
Unidos, esses princípios implicam que todo pensamento é um processo de interações entre signos e deve estar relacionado à ação humana no mundo. Como todo conhecimento é o resultado de uma cadeia de atividades psíquicas, deve-se avaliar o pensamento com base nos resultados dessas atividades (SHOOK, 2002).
Os pragmatistas defendem que os processos do pensamento devem ser avaliados tendo como critério sua capacidade de ajudar os seres humanos em suas atividades no mundo. Tratam o pensamento como um processo natural que devem ser parte das atividades humanas naturais na tentativa de sobreviver e prosperar em nosso ambiente (SHOOK, 2002).
Muitos empiristas na história da filosofia acreditavam que a experiência é sempre um processo passivo. Outros empiristas, entre eles os pragmatistas, não concordavam que a experiência fosse passiva. Em vez disso sustentavam que a experiência é um processo de interação do organismo com o mundo, produzindo uma resposta remetida de volta aos órgãos dos sentidos. Desse modo, a experiência do organismo ocorre quando o mesmo faz algum tipo de alteração no ambiente. Quando o empirismo se une ao naturalismo darwiniano, o resultado é o pragmatismo. No final de sua vida, quando muitos filósofos já haviam criado suas próprias versões do pragmatismo, Peirce atribuiu à sua filosofia um novo nome: “pragmaticismo” (SHOOK, 2002).
Shook (2002) fala da teoria da crença e do pensamento de Peirce de acordo com seu trabalho de 1878 intitulado “How to make our ideas clear”. De acordo com ele, todo pensamento visa a estabelecer um novo hábito. Peirce definiu a “crença” como o estabelecimento de um hábito. Nossa compreensão dos hábitos é nosso único modo de compreender as crenças. Como as crenças existem dentro das mentes humanas, podemos compreende-as somente indiretamente, visto que somente estudando o modo como conhecemos o mundo externo é que podemos aprender sobre o funcionamento de nossas mentes.
A linguagem não é a melhor maneira de conhecer as reais crenças de uma pessoa. Somente observando o que uma pessoa faz é que podemos compreender em que ela realmente acredita. Muitos filósofos se preocupam exclusivamente com a linguagem efetivamente empregada pelas pessoas. Já para um pragmatista como Peirce, a questão de importância é como as pessoas podem controlar sua linguagem para melhor expressar suas crenças (SHOOK, 2002). “Nossa capacidade de controlar nossa linguagem está profundamente relacionada com nossa própria capacidade de compreender as relações da linguagem com os efeitos de nossa interação com o mundo” (p.55).
O método científico (pragmático) deve ser utilizado para aperfeiçoar nosso conhecimento, ajustando nossas crenças (SHOOK, 2002).
Peirce compreendeu que as crenças não existiam dentro da mente, fora da realidade natural. Diante disso, sustentou que as crenças são apenas modos de agir com relação ao ambiente (SHOOK, 2002).
O pensamento ocorre ao experenciarmos o mundo natural. Às vezes o pensamento ocorre enquanto nossos olhos estão fechados, enquanto sonhamos acordados com coisas imaginárias. Mas podemos sonhar com coisas imaginárias, pois, em algum momento anterior, já pensamos sobre coisas que realmente fizeram parte de nossa experiência enquanto estávamos acordados. Se o pensamento altera crenças, se crenças são hábitos e se hábitos são modos de alterar o ambiente, consequentemente o pensamento é o esforço em modificar os modos de alterar o ambiente ao interagir com ele. O pensamento é o nosso esforço em controlar o modo como formamos novas crenças. Esse esforço em modificar nossos hábitos ocorre enquanto experienciamos o nosso ambiente. Devemos compreender o que ocorre no ambiente para percebermos 68
as consequências de nossas ações e tentarmos diferentes ações. É possível compreender nossa interação com o ambiente porque nossa experiência do mundo ocorre por signos naturais (SHOOK, 2002, p.56).
Signos naturais são relações triádicas na experiência que unem o organismo que interage com um objeto e objeto que responde à ação com consequências observáveis na experiência do organismo. Toda atividade habitual realizada pelos organismos ocorre por meio de signos na experiência desse organismo. Signos são coisas que fazem parte da experiência de um organismo e que são utilizadas por ele de uma maneira habitual para fazer com que algo aconteça (SHOOK, 2002).
Visto que o pensamento controla os hábitos e se os hábitos correspondem ao uso de signos, portanto o pensamento é o controle do uso dos signos. A semiótica peirceana, teoria dos signos, é o ponto de partida para a compreensão do pensamento. Nem todos os signos são pensamentos, mas todo pensamento refere-se a signos. O uso de um signo é um processo da semiose. Qualquer signo deve existir na relação triádica entre signo, objeto e interpretante. Um signo é algo que tem uma relação com seu objeto (aquilo a que ele se refere) e também com seu interpretante (a mente que utiliza o signo). Além disso, o signo deve funcionar de modo que o interpretante se relacione com o objeto do signo, correspondente, de algum modo, à relação entre signo e objeto (SHOOK, 2002).
Existem três tipos de signos ou representâmens: o ícone, o índice e o símbolo. O poder de representação: de um ícone baseia-se na sua mônade qualititiva, de um índice baseia-se em sua participação em uma relação dinâmica, de um símbolo baseia-se em sua participação em uma relação triádica. Um exemplo: de ícone é um desenho de uma maça em uma caixa de maças, de índice é uma seta apontando para alguma direção em seu objeto, de símbolo é o da unidade monetária brasileira real (SHOOK, 2002).
A semiótica é o estudo científico do emprego dos signos, processo denominado semiose. Qualquer ato de pensamento, ou seja, qualquer cognição deve ser um signo em relação semiótica com outro ato de pensamento que é um signo. Nossa consciência acompanha as relações de inferência entre as ideias. Nossas ideias somente podem ter relações de inferência porque são signos e porque um signo pode ter como objeto outro signo (SHOOK, 2002).
Apesar de Peirce argumentar que todo pensamento resulta em uma crença, não se deve confundir um com o outro. O pensamento é um processo consciente e ativo, diferente da crença que é apenas um estágio de preparação para uma ação. Quando ocorrem as condições certas de estímulo, uma crença automaticamente resulta em uma ação, sem que isso envolva qualquer pensamento. É sorte a presença dessas crenças habituais, visto que dificilmente seria possível realizar alguma coisa se tivéssemos que pensar em cada uma das etapas da atividade em questão (SHOOK, 2002).
Um pensamento complexo envolve muitas cadeias longas de ideias (conceitos, pensamentos) relacionadas semioticamente. Segundo Peirce, uma ideia ou pensamento é um signo, portanto, o pensamento é o processo de acompanhamento consciente das relações entre os signos. Semiose é a denominação do processo de como os signos produzem mais signos e estes, por sua vez, produzem ainda
outros signos. Pode acontecer desse processo semiótico ser habitual, não exigindo desse modo controle ou esforço consciente. Entretanto, possuímos a capacidade de controlar refletidamente o processo de semiose. Esse processo controlado de semiose é denominado pensamento (SHOOK, 2002).
Embora todos os pensamentos sejam signos, somente alguns de nossos pensamentos referem-se diretamente aos signos naturais. Pode-se formar uma ideia na cabeça sobre um copo de água, que poderá ter como objeto outra ideia, que se se olhar para o copo, verei o copo. Essa segunda ideia pode ter como objeto uma terceira ideia de que, se se tentar alcançar o copo que está aparecendo, a mão tocará ele. A última ideia utiliza signos naturais, já a primeira e a segunda utiliza signos existentes na mente consciente. Diante disso, todas as crenças devem eventualmente conduzir ao uso de signos naturais (SHOOK, 2002).
A maior parte da interação do ser humano com o mundo é habitual, visto que as crenças cumprem um processo de semiose por meio de diversos signos que não são acompanhados com atenção no pensamento reflexivo (SHOOK, 2002).
Os argumentos são os elementos mais complexos da semiose, sendo que a lógica é o estudo das formas de argumentação. Os argumentos são constituídos de proposições que são constituídas de termos. Existem três tipos básicos de argumentos, sendo que toda argumentação lógica consistirá em uma combinação desses tipos que são: dedução, indução e abdução (SHOOK, 2002).
A teoria da abdução de Peirce é a mais original e mais importante contribuição à lógica e à filosofia da ciência. A abdução é o processo de formar hipóteses e, diante disso, é o único método para postular explicações possíveis de eventos observados. Na abdução se pode adquirir um novo conhecimento, entretanto esse conhecimento não é garantido, visto que a verdade das premissas não pode garantir a verdade da conclusão. Apesar disso, esse método é o único modo de aprender sobre coisas e processos não observados que produzem a realidade observada. Peirce foi um realista científico: “A capacidade que a ciência tem de postular coisas não observadas baseia-se apenas na lógica abdutiva” (SHOOK, 2002, p.64).
Sendo a lógica o estudo dos processos semióticos de inferência de argumentos, e sendo todo argumento um exemplo de pensamento usado para solucionar problemas, devemos perceber que o pensamento lógico é essencial em nossas pesquisas quando tratamos da solução de problemas. Mais que isso, nós investigamos nossas crenças apenas quando estamos em dúvida e solucionamos nossas dúvidas apenas adquirindo uma crença mais satisfatória (SHOOK, 2002, p.64).
Segundo Peirce, sua formação o ensinou que a maioria dos problemas das pessoas é compartilhada entre outras pessoas e que passamos a ter crenças mais satisfatórias se solucionarmos problemas em comum com o intuito de compartilhar nossas crenças. Peirce denominou esse modo comunitário de solucionar problemas de “método científico”. Uma comunidade que utilize o método científico para solucionar problemas passará a ter crenças mais estáveis e úteis do que as que utilizam outro método. Para Peirce, a ciência era mais democrática do que qualquer outro método, pois nela todos participam da criação de novas crenças (SHOOK, 2002).