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2.1. Şiirlerinin Tema/Konu Bakımından İncelenmesi

2.1.1. Ölüm

2.1.1.2. Cinayet

O conceito de intuição, como discutido na seção anterior, é muito amplo e possibilita uma variedade de interpretações. Na filosofia, essa noção foi apresentada e percebida de maneiras muito próprias por diferentes escolas. No entanto, é na figura de Henri Bergson que o tema ganha em profundidade e em complexidade. Ao investigar a filosofia do autor, Coelho (1999) afirma que a apreensão do absoluto, em caráter efetivo, não pode ser proporcionada pela inteligência e seus conceitos, antes sim pela intuição. Essa seria um modo de conhecimento incomum e não natural na condição humana capaz de ocorrer nas artes ou, ainda, quando preparado por um percurso analítico.

Bergson, quando se refere ao conhecimento intuitivo, assevera que ele proporcionaria um acesso imediato da natureza a partir de uma identificação entre o Ser que conhece e o Objeto conhecido. O termo simpatia é utilizado pelo filósofo para expressar essa relação (COELHO, 2001). No entanto, Deleuze assegura que a intuição bergsoniana não é um sentimento, nem uma simpatia confusa ou uma inspiração (COELHO, 1999).

A identificação da origem e da existência de certos problemas profundos na filosofia, bem como o caráter ilusório das produções da inteligência são denunciados por Bergson. A intuição, para o filósofo, permite que o conhecimento toque o absoluto, na coincidência com o particular (COELHO, 1999). Esta compreensão corresponderia ao conhecimento não mediado, identificado com o particular, não passível de ser traduzida em conceitos. Nesse sentido, a intuição atuaria como espécie de visão direta de um objeto pelo espírito. Conhecimento que se apresenta como o instinto ampliado e aprimorado pela atuação da inteligência, isto é, capaz de ser reflexivo e consciente de si mesmo. Em torno do pensamento conceitual, não existiria pura inteligência (COELHO 2001).

Todavia, o autor hesitou em usar o termo intuição para expressar este saber. Não queria ser confundido com outros filósofos, especialmente da tradição idealista alemã (Shelling, Schopenhauer, por exemplo), que opuseram, em maior ou menor grau, a intuição à inteligência. Assim, tais filósofos falaram de uma faculdade supra-intelectual (COELHO 1999). Em Schopenhauer, por exemplo, a intuição assume papel primordial na busca do conhecimento. O fundamento para o mundo da reflexão estaria no mundo intuitivo. As representações abstratas teriam sempre a sua origem nas representações intuitivas do Ser. O entendimento seria responsável pela intuição das representações primárias, e a possibilidade de formulação dos conceitos dependeria dessas representações. O conhecimento abstrato apareceria como dependente do entendimento, e o conhecimento intuitivo seria, então, condição a esse conhecimento (SANTOS, 2010).

Seguindo nesse viés, Leal-Toledo (2006), a partir da proposta apresentada por Chalmers, asseguram que mesmo argumentos que objetivem refutar certas intuições primitivas estarão, invariavelmente, baseados em outras intuições primitivas. Assim sendo, as intuições estariam sempre antecedendo aos argumentos.

A intuição, na óptica de Bergson, pressupõe, no ato de conhecer, coincidência entre sujeito cognoscente e objeto. Não haveria mais separação entre eles, restando apenas uma distinção didática e referencial entre ambos. A intuição alcançaria aquilo de mais íntimo e singular do objeto, pois seguiria os contornos moventes de seu interior. Sujeito e objeto comporiam um único e mesmo movimento. O saber essencial só poderia ser atingido a partir de um mergulho na que se deseja conhecer, aprendendo, dessa forma, (ROSSETTI, 2007).

Haveria uma distinção essencial entre o modo de pensar intuitivo e o da inteligência. Enquanto o conhecimento intuitivo não se apoiaria em nenhuma espécie de mediação, tocando o absoluto, o saber proporcionado pela inteligência trabalharia com conceitos, sendo

uma faculdade analítica (COELHO, 1999). A inteligência se fixaria em moldes da matéria, isto é, resumiria-se na capacidade de compreensão ao que é exterior ao objeto. Não obstante, a intuição seguiria o movimento do pensamento em sua interioridade (ROSSETTI, 2007). Mesmo assim, a intuição estaria relacionada ao conhecimento intelectivo, diferindo desse ao substituir seus conceitos por uma única expressão da essência íntima do objeto (COELHO, 1999).

Na formulação de todo o pensamento metafísico, apresentam-se como indispensáveis os conceitos. Contudo, essa enunciação deveria abandonar as ideias já prontas e disponíveis no campo semântico da filosofia para a (re)construção de novos significados e novos entendimentos. Bergson, no intuito de promover este processo, apresenta o método intuitivo: regras metódicas, verdadeiramente um conjunto de procedimentos intelectuais, cuja função precípua atenderia à possibilidade do sujeito propiciar a intuição em si e para os outros, com o propósito também de legitimá-la. Mesmo assim, a intuição não se reduziria ao método intuitivo (COELHO, 1999).

Esse método intuitivo consistiria em um exercício intelectual do sujeito no qual a inteligência, dobrando-se sobre si mesma, não mais se apresentaria como um impedimento à manifestação da intuição, sendo antes uma distração necessária ao seu aparecimento.

Um problema aparece da proposta de se conhecer pela intuição: como formular o que se conhece intuitivamente, inexprimível pelo conceito e pelo espaço, sem a mediação da linguagem, visto que ela ajudaria na sustentação do conhecimento analítico? Os significados, fluidos e fugidios para as possibilidades da língua, não poderiam ser expressos pelas ideias tradicionalmente acionadas pela inteligência. Bergson remeteu a um modo mais fecundo da manifestação do pensamento intuitivo, a imagem4 (COELHO, 2001). Essas imagens seriam indispensáveis para a apreensão de uma ideia nascida da intuição, necessárias para a obtenção do signo decisivo, uma vez que nem todas serviriam para o entendimento de um objeto específico (COELHO, 1999). A imagem, porque intermediando o pensamento e a matéria, seria capaz de sugerir a intuição que a originou (ROSSETTI, 2007).

Conquanto necessária ao estímulo para a compreensão de um pressuposto apresentado intuitivamente, a tentativa de expressar a intuição da essência de algo se revelaria impossível por meios simbólicos, visto ser o símbolo sempre exterior e relativo ao objeto que se desejaria conhecer. A essência, única e própria para cada Ser, não poderia ser fixada em uma concepção (ROSSETTI, 2007).

4 Um dos procedimentos do método intuitivo faria uso de imagens que poderiam contribuir para a sugestão da

Como destacou Coelho (1999), Bergson se referiu à intuição a partir de duas interpretações básicas: como modo de conhecimento, em oposição ao da inteligência, e como uma faculdade humana. Traçando paralelo entre as concepções bergsonianas sobre o tema e as ideias apresentadas por Kant, caberia destacar que Bergson corrobora a caracterização feita pelo filósofo alemão sobre a inteligência, no que se refere ao seu modo de operação, seu campo de aplicação e seus limites. Apesar disso, diverge na questão da impossibilidade de uma metafísica intuitiva, pois, para o filósofo francês, haveria uma faculdade capaz de promover - .

Assim, na proposta bergsoniana, a intuição assumiria um papel fundamental para a (re)construção dos conhecimentos, quer sejam saberes científicos, quer sejam saberes gerais. A possibilidade do conhecimento direto, sem mediações, obtido de forma imediata e resultante da coincidência entre o Sujeito e o Objeto seria atributo exclusivo dessa intuição. O sujeito adentraria a fortaleza conceitual na qual aquartelaria o Objeto e, então, teria acesso a sua essência interior (ROSSETTI, 2007).