3.3. Veri Toplama Araçları
3.3.1. Bilimin Doğasına Yönelik Görüşler (BDYG) Anketi
A simultaneidade causal presente na relação filhos-trabalho para as mulheres, não permite qualquer inferência de causalidade com base em estimadores convencionais. Em geral, para solucionar esse problema, lança-se mão do uso de experimentos naturais. Na literatura aplicada ao tema, foram utilizados três métodos baseados em experimentos naturais: o nascimento de gêmeos na primeira gestação (Pazello, 2006), a ocorrência de natimortos (Pazello & Fernandes, 2004) e a maior probabilidade de nascimento de outro filho se os anteriores são do mesmo sexo (Angrist & Evans, 1998; Cruces & Galiani, 2003; Campêlo & Silva, 2005)16.
Uma ressalva quanto à utilização de experimentos naturais se encontra no fato de que, em geral, esse tipo de abordagem impõe um trade-off entre a validade interna e a validade externa das estimativas obtidas. A validade interna é garantida quando o experimento acontece aleatoriamente na população e não há contaminação entre os grupos de tratamento (que experimentaram o evento) e controle (grupos com características similares às do grupo de tratamento, mas que não experimentaram o evento). Em Angrist & Evans (1998), por exemplo, a
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Além desses eventos, há estudos que utilizam variáveis institucionais como instrumentos para a fecundidade, tais como: a legalização do aborto (Angrist & Evans, 1996; Boom et. al., 2007) e mudanças na legislação relacionada à pílula, que passou a permitir o acesso ao contraceptivo à menores de 21 anos sem a necessidade de consentimento dos pais (Bailey, 2005).
validade interna é alcançada se, de fato, os pais cujos dois primeiros filhos do mesmo sexo têm características semelhantes aos pais cujos dois primeiros filhos são de sexos diferentes, o que garante a aleatoriedade do experimento. Já, a validade externa é assegurada quando a estimativa pode ser generalizada a uma população maior que aquela sob o efeito do experimento. No caso de Angrist & Evans (1998), as estimativas do efeito de um terceiro ou mais filhos sobre a participação das mães no mercado de trabalho obtidas com base na preferência dos pais por filhos de ambos os sexos, se referem apenas às mães (de dois ou mais filhos) que tiveram, pelo menos, mais um filho após terem tido dois meninos ou duas meninas e, por outro lado, àquelas que não tiveram mais filhos após terem tido um casal de filhos.
Entretanto, quando se considera a preferência dos pais por filhos de ambos os sexos, mesmo havendo o problema da não garantia da validade externa, isso ocorre em menor grau, uma vez que a preferência dos pais por filhos de ambos os sexos é um evento mais comum na população exposta ao risco, especialmente, em comparação aos eventos ‘natimorto’ e ‘gêmeos’. Por isso, em se tratando da estimação do efeito de filhos sobre a participação das mães no mercado de trabalho baseadas nos experimentos relacionados à ocorrência de natimortos e ao nascimento de gêmeos, o trade-off entre a validade interna e a validade externa é mais acentuado. Dado que esses constituem eventos raros, eles representam uma tentativa extrema de maximizar a validade interna – exogeneidade, mas que freqüentemente resulta em uma perda significativa de validade externa – capacidade de generalização (Verona, 2004).
Assim, a ocorrência de natimortos apresenta tanto o problema da validade interna, quanto o da validade externa. O fato de que a ocorrência de natimortos pode estar associada à renda da família, significa que o instrumento não deve ser, de fato, exógeno. Por isso, estudos que utilizem os natimortos como um experimento natural devem controlar pelas características observáveis que determinam a renda (Pazello & Fernandes, 2004). Já, o problema decorrente da impossibilidade de generalização das estimativas além de estar relacionado à raridade do evento17, também se deve ao fato de que a variação na fecundidade
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induzida pelo nascimento de um natimorto pode não ser generalizada a variações na fecundidade provocadas por outras causas ou a mulheres com pouca propensão a ter filhos natimortos (Moffitt, 2003).
A preocupação com a validade externa também surge em experimentos que utilizam dados de gêmeos. Isto porque é sempre necessário retirar uma sub- amostra da população: famílias que tenham casos de gêmeos. Tais famílias podem ter características (muito) diferentes do restante da população e, por isso, mesmo que a validade interna (exogeneidade) seja garantida, os resultados não podem ser generalizados para uma população maior (Moffitt, 2003; Verona, 2004)18.
Nossa estratégia de estimação
Em nosso estudo, tal como já discutido, estamos interessados no efeito que os filhos possam ter sobre a participação das mães no mercado de trabalho e na evolução desse efeito desde os anos de 1990. Para tanto, utilizamos os três eventos aleatórios mencionados anteriormente (ocorrência de natimortos, nascimento de gêmeos e o fato de os dois primeiros filhos terem o mesmo sexo) como experimentos naturais. Isto porque queremos observar esse efeito em mães com diferentes parturições. Melhor dizendo, há motivos para acreditar, por exemplo, que o primeiro filho é aquele com o efeito mais forte sobre as decisões da mãe de entrar no mercado de trabalho ou mesmo de continuar trabalhando (Lérida, 2006). Assim, considerando que cada filho possa apresentar um efeito diferenciado sobre a decisão laboral das mães, realizamos três exercícios, utilizando: 1) a ocorrência de natimortos como uma proxy para estimar o efeito do primeiro filho sobre a participação das mães no mercado de trabalho; 2) o nascimento de gêmeos na primeira gestação como uma proxy para estimar o efeito do segundo filho sobre essa participação e 3) a preferência dos pais por uma prole sexualmente diversificada como um instrumento, para estimar o efeito
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O termo “validade externa” pode se referir também à replicação das estimativas causais em novos conjuntos de dados. Segundo Angrist (2003), ultimamente, a validade externa de modelos causais tem sido estabelecida mais pela replicação em novos contextos e pelo emprego de novos instrumentos, que pelo uso de novos métodos econométricos.
de um filho adicional a partir do terceiro sobre a participação das mães no mercado de trabalho.
Embora esses exercícios forneçam informações relevantes acerca do efeito dos filhos sobre a decisão laboral de suas mães, ainda podem surgir questionamentos em relação à validade externa das estimativas obtidas, especialmente no caso dos natimortos e gêmeos. Isto porque, como dito na seção anterior, embora esses experimentos naturais sejam eficientes e consistentes, pode ser que eles sejam tão raros e, portanto, tão específicos de um determinado grupo de mulheres, que as estimativas que eles fornecem não podem ser generalizadas. Além disso, por estarmos trabalhando com duas proxies para um aumento exógeno na fecundidade, o efeito de filhos estimado inclui o próprio efeito de experimentar o evento. Ou seja, isso significa que, no caso em que estimamos o efeito do segundo filho utilizando como proxy o nascimento de gêmeos, o efeito encontrado capta também o próprio impacto de “ter gêmeos” sobre a participação feminina no mercado de trabalho; o que é diferente de ter dois filhos em períodos distintos.
Assim, os diferenciais entre os efeitos do primeiro, do segundo e do terceiro ou mais filhos podem estar refletindo não apenas o impacto de cada ordem de nascimento do filho sobre a participação laboral feminina, como também, o fato de estarmos utilizando metodologias diferenciadas; o que pode afetar a comparabilidade dos resultados.
Para lidar com esses possíveis questionamentos, precisamos obter ao menos uma variável que possa ser utilizada em todas as transições de maternidade contempladas nessa tese: progressão de 0 para 1 filho, de 1 para 2 filhos e de 2 para 3 ou mais filhos. Entre os eventos já mencionados, uma possibilidade é a ocorrência de natimortos, já que representa o ‘não nascimento’ de um único filho. Isso nos permite comparar mulheres sem filhos que tiveram natimortos a mulheres com um filho que nunca tiveram natimortos (efeito do primeiro filho), mulheres com um filho que tiveram natimortos a mulheres com dois filhos que nunca tiveram natimortos (efeito do segundo filho) e, finalmente, mulheres com dois filhos que tiveram natimortos a mulheres com três ou mais filhos que nunca tiveram natimortos (efeito do terceiro filho). Mas, tal exercício é possível apenas se tivermos alguma informação referente à data em que a mulher teve esse
natimorto. Isto porque, no caso da estimação do efeito do segundo filho, por exemplo, nos interessa comparar as mulheres com dois filhos apenas às mulheres com um filho que tiveram algum natimorto recentemente. Já que, com o passar do tempo, o efeito de ter tido um filho que nasceu morto sobre a inserção laboral feminina tende a se reduzir (Pazello & Fernandes, 2004).
Além do evento natimorto (perda fetal a partir dos 7 meses de gestação), utilizamos outros eventos relacionados ao óbito de um filho como proxies para a fecundidade: o aborto (perda fetal antes dos 7 meses de gestação) e o óbito de, pelo menos, um filho antes deste completar 7 dias de vida (mortalidade neonatal precoce), 28 dias de vida (mortalidade neonatal) e 365 dias de vida (mortalidade infantil). No caso da utilização da ocorrência de aborto espontâneo como proxy para a fecundidade, precisamos da mesma informação necessária ao uso do evento natimorto: a data em que isso ocorreu. Já, para a construção das variáveis relacionadas ao óbito de um filho nascido vivo, necessitamos de uma informação bastante rara nas fontes de dados brasileiras: a idade em que o filho faleceu. Com essas informações, criamos proxies para a fecundidade que também podem ser utilizadas nas amostras de mulheres em todas as parturições. Ao realizarmos esse exercício, estamos, grosso modo, eliminando as diferenças entre os efeitos do primeiro, segundo e terceiro filhos que se devem ao emprego de distintas metodologias.
A seguir, temos uma seção onde realizamos uma breve revisão de trabalhos que, assim como nós, estimaram o efeito da maternidade sobre a participação feminina no mercado de trabalho, lançando mão de experimentos naturais.
3.5.2 Revisão metodológica empírica: estudos que utilizaram