2.2. Özdüzenleme
2.2.4. Özdüzenlemenin Değerlendirilmesi
Muitos estudos têm documentado o intenso e generalizado aumento da participação feminina no mercado de trabalho brasileiro nos anos de 1970 e 1980 e, nos anos de 1990, a continuidade desse processo, embora em ritmo mais moderado (Costa, 1990; Rios-Neto & Wajnman, 1994; Wajnman, Queiroz & Liberato, 1998; Wajnman & Rios-Neto, 2000). Também nos anos de 2000, essa tendência continua. De acordo com dados do IBGE, a proporção de mulheres de 10 anos ou mais de idade economicamente aumentou de 47.17% em 1997, para 50.27% em 2002 e 52.35% em 2007.
Com o objetivo de fornecer um panorama de como se deu o crescimento da PEA feminina segundo as variáveis sócio-demográficas, as informações contidas nesse capítulo se baseiam nos dados das Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 20073. A variável de participação feminina no mercado de trabalho analisada representa a proporção de mulheres ocupadas e desocupadas (População
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Análise similar foi realizada por Scorzafave (2001) também utilizando as Pnads dos anos qüinqüenais compreendidos no período de 1982 a 1997.
Economicamente Ativa – PEA feminina) em relação ao total de mulheres em idade de trabalhar4 (População em Idade Ativa – PIA feminina). Além disso, ressaltamos que, a partir das Pnads da década de 1990, a definição de PEA utilizada pelo IBGE mudou, passando a considerar como ativos os trabalhadores no consumo e construção próprios e aqueles não remunerados que trabalharam menos de 16 horas semanais (Wajnman, Queiroz & Liberato, 1998; Bruschini & Lombardi, 1996). Dessa forma, realizamos os ajustes necessários à compatibilização das Pnads anteriores à década de 1990 aos posteriores a essa data. Para tanto, nas Pnads de 1992 a 2007, mantivemos o antigo conceito da PEA, ou seja, consideramos como não economicamente ativas as trabalhadoras na produção para consumo próprio, na construção para utilização própria e aquelas não remuneradas que trabalharam de 1 a 15 horas semanais.
Sob uma perspectiva microeconômica, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho parece ter se dado de forma generalizada, sem distinção de idade, raça/cor, status marital, nível socioeconômico, região de residência, etc (Rios-Neto & Batista, 1998). Assim, a fim de apresentar como se deu a evolução das taxas de atividade femininas no Brasil, utilizamos algumas variáveis socioeconômicas e demográficas de forma a descrever esse movimento.
Idade
O GRÁF. 2.1 apresenta as taxas de atividade das mulheres brasileiras no período de 1982 a 2007, por grupos etários, em anos qüinqüenais. Esse gráfico nos permite analisar o comportamento dessas taxas em uma perspectiva entre- coortes e, assim como Scorzafave (2001), definimos arbitrariamente como coorte, um grupo de indivíduos nascidos em cada um dos intervalos de anos qüinqüenais considerados.
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GRÁFICO 2.1
Taxas de atividade feminina específicas por idade (%) - Brasil - 1982 a 2007
10 20 30 40 50 60 70 80 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Anos T axa ( % ) 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007.
Pelo gráfico 2.1, observamos que quanto mais nova a coorte, maior a sua participação no mercado de trabalho, ou seja, o aumento das taxas de atividade femininas ocorreu em quase todas as faixas etárias, ao longo do período analisado. Tal comportamento, só não é verdade para as mulheres nas primeiras idades. Na faixa dos 15 aos 19 anos, a proporção de mulheres economicamente ativas, aumentou até o ano 1992, quando começou a declinar, voltando, em 2007, aos patamares de 1982. Por trás desse fato, pode estar o adiamento da entrada no mercado de trabalho, devido a um maior investimento em educação por parte das mulheres.
Já, o GRÁF. 2.2 destaca a análise das taxas de atividade femininas sob uma perspectiva intra-coorte, de forma que cada linha desse gráfico mostra a evolução dessas taxas para uma coorte ao longo do tempo. A coorte de mulheres nascidas entre 1958 e 1962 (e que, portanto, tinham entre 20 e 24 anos no período 1982- 1987, 25 a 29 anos entre 1987 e 1992 e, assim por diante), por exemplo, aumentou sua taxa de atividade de 47% em 1982 para quase 65% em 2007.
GRÁFICO 2.2
Taxas de atividade feminina específicas por coorte (%) - Brasil - 1982 a 2007
15 25 35 45 55 65 75 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 Grupo etário T axa ( % ) Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007.
Ao considerarmos também uma análise transversal do GRÁF. 2.2 (ou seja, se analisamos esse gráfico sob uma perspectiva entre-coortes), vemos que para uma mesma idade, quanto mais nova a coorte, maior é a sua taxa de atividade (assim como verificado no GRÁF. 2.1). Segundo Gonzaga, Machado & Machado (2003), essa maior participação laboral das coortes mais recentes se deve ao fato de que estas estão mais sujeitas aos impactos da emancipação feminina e à universalização do ensino fundamental brasileiro.
Escolaridade
Também em relação aos anos de estudo, observamos (GRÁF. 2.3) que o aumento da participação feminina no mercado de trabalho se deu de forma generalizada: tanto, entre as mais escolarizadas quanto entre as menos escolarizadas. Vemos que quanto mais alto o nível de escolaridade, maior a proporção de mulheres daquele grupo, trabalhando. Para citar um exemplo, comparando-se as mulheres com 0 anos de estudo, com aquelas com, no mínimo, 12 anos, temos que, menos de 45% das primeiras constituíam a PEA feminina em 2007, enquanto, para as mais escolarizadas essa cifra chega a 83.5%. Com base nesses números, vemos o impacto considerável da escolaridade alta sobre o trabalho feminino, já que as taxas de atividade das mais instruídas são muito superiores às daquelas menos instruídas (especialmente,
quando se compara as mulheres com 12 anos ou mais de estudo às mulheres de até 8 anos de estudo) em todos os anos.
GRÁFICO 2.3
Taxas de atividade feminina específicas por grupos de escolaridade (%) – Mulheres de 15 a 64 anos – Brasil – 1982 a 2007
30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano T axa ( % ) 0 1-3 4-8 9-11 12+ Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007. Raça/cor
Quando consideramos as taxas de atividade específicas de acordo com a raça/cor reportada pela mulher (GRÁF. 2.4), verificamos um aumento em todas as categorias: branca, preta, parda e amarela5. Havendo, inclusive, uma tendência à convergência das taxas de atividade femininas entre as raças/cores ao longo do período de 1982 a 2007.
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As flutuações observadas na curva das mulheres de raça/cor amarela se devem, provavelmente, ao seu reduzido tamanho amostral.
GRÁFICO 2.4
Taxas de atividade feminina específicas por raça/cor (%) – Mulheres de 15 a 64 anos – Brasil – 1982 a 2007 35 40 45 50 55 60 65 70 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano Ta x a ( % )
Branca Preta Parda Amarela
Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007.
Local de residência
No GRÁF. 2.5, plotamos as taxas de atividade femininas específicas por área de residência (se urbana ou rural – GRÁF. 2.5.1) e por região macroeconômica de residência (se região Norte, Nordeste, Sul, Sudeste ou Centro-Oeste do país – GRÁF. 2.5.2). De acordo com a área de residência, verificamos que, entre 1982 e 2007, as taxas de atividade se elevaram tanto entre as mulheres residentes na área rural quanto entre aquelas residentes em áreas urbanas. Com relação à região de residência, em todas as regiões brasileiras, houve um aumento na participação feminina no mercado de trabalho ao longo do período analisado.
GRÁFICO 2.5
Taxas de atividade feminina segundo o local de residência (%) – Mulheres de 15 a 64 anos – Brasil – 1982 a 2007 2.5.1 Área de residência 35 40 45 50 55 60 65 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano T axa ( % ) Rural Urbano Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007. 2.5.2 Região de residência 35 40 45 50 55 60 65 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano T axa ( % ) N NE SE S CO Status marital
O GRÁF. 2.6 mostra as taxas de atividade específicas por status marital. Para a construção desse gráfico, as mulheres de 15 a 64 anos, classificadas como chefes ou cônjuges6, foram desagregadas em unidas (se viviam em companhia de um cônjuge, o que inclui casadas ou em união consensual) e não unidas (se não viviam em companhia de um cônjuge, o que inclui: solteiras, desquitadas/separadas e viúvas). Pelo GRÁF. 2.6, vemos que no período de 1982 a 2007, as taxas de atividade feminina aumentaram tanto entre as não-unidas, quanto entre as unidas. A análise do gráfico nos permite ainda verificar a maior aceleração das taxas de atividade feminina entre as unidas em relação às não- unidas, ao longo do tempo. Enquanto em 1982, apenas cerca de 31% das mulheres unidas compunham a PEA feminina, em 2007, esse percentual subiu para 58%. No caso das mulheres não-unidas, em 1982, 60% delas participavam do mercado de trabalho brasileiro, ao passo que, em 2007, 68% participavam. Outros estudos também evidenciam essa “revolução” das mulheres casadas no Brasil (Rios-Neto & Wajnman, 1994; Rios-Neto & Batista, 1998; Bruschini, 1998).
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Já que apenas para essas duas categorias de mulheres podemos identificar se têm cônjuge ou não.
GRÁFICO 2.6
Taxas de atividade feminina específicas por status marital (%) – Mulheres chefes ou cônjuges de 15 a 64 anos – Brasil – 1982 a 2007
30 35 40 45 50 55 60 65 70 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano Ta x a ( % ) Não-unidas Unidas Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007. Filhos
Desde as primeiras evidências da concomitância entre o declínio da fecundidade e a maior participação feminina no mercado de trabalho, diversos estudos tentam entender a relação entre esses eventos (Dias-Júnior, 2007). De acordo com Bruschini (1998), apesar do aumento na oferta de trabalho feminina, elas ainda são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pelo cuidado com os filhos, o que dificulta a dedicação das mulheres ao trabalho e as coloca sempre em posição de desvantagem no mercado.
Isto acontece porque enquanto a participação do homem no mercado de trabalho depende, grosso modo, das suas características individuais, como idade e escolaridade, a inserção feminina no mercado de trabalho depende não apenas desses atributos, mas também das suas características familiares, como renda de outros membros, sua posição na hierarquia familiar e número e idade dos filhos (Scorzafave, 2001).
Assim, diante do fato de que, em se tratando de mulheres, a experiência laboral implica sempre na combinação entre trabalho e família (Bruschini, 2007), construímos os GRÁFs. 2.7 e 2.8. No primeiro, mostramos as taxas de atividade
das mulheres de acordo com o número de filhos tidos (mulheres sem filhos ou com 1, 2, 3 ou a partir de 4 filhos) ao passo que no último apresentamos as taxas de atividade feminina para mulheres que tenham filhos pequenos ou não (mulheres com filhos de até 10 anos, mulheres com filhos de até 10 anos e com filhos de 11 a 17 anos, e mulheres com filhos de 11 a 17 anos).
Por meio do GRÁF. 2.7, observamos o comportamento das taxas específicas de atividade feminina segundo a parturição: mulheres sem filhos, com um filho, com 2 filhos, com 3 filhos e mulheres com 4 ou mais filhos. Novamente, utilizamos apenas as mulheres de 15 a 64 anos classificadas como chefe ou cônjuge; únicas categorias que nos permitem associar os filhos às mães7. Em todas as parturições, verificamos o aumento das taxas de atividade feminina no período analisado. Esse fato tem despertado o interesse de muitos estudiosos, já que os filhos são considerados como elemento importante no processo decisório de participação no mercado de trabalho por parte das mães (Soares, 2002). No GRÁF. 2.7, destaca-se ainda o fato de que, em 2007, as taxas de atividade das mães de 1 ou 2 filhos chegam a ser superiores àquelas das mulheres sem filhos. Esse acontecimento sugere um declínio da incompatibilidade entre filhos e trabalho feminino já constatado em outros estudos (Rios-Neto & Wajnman, 1994).
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Embora, caiba aqui uma ressalva: pode ser, por exemplo, que os filhos associados à uma determinada mãe, não sejam, de fato, dela; podendo ser apenas do seu cônjuge. Além disso, pode ser também que algum filho não resida com a mãe e, nesse caso, não contabilizamos esse filho. Para o uso dessa informação de filhos, partimos do pressuposto de que a freqüência de casos como estes não compromete a nossa análise.
GRÁFICO 2.7
Taxas de atividade feminina específicas por parturição (%) – Mulheres chefes ou cônjuges de 15 a 64 anos – Brasil – 1982 a 2007
30 35 40 45 50 55 60 65 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano T axa ( % ) 0 1 2 3 4+ Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007.
Diante dessa estreita relação maternidade-trabalho e com base no fato de que a presença de filhos pequenos possa constituir um fator ainda mais limitante da presença da mulher no mercado de trabalho (Scorzafave, 2001), analisemos o GRÁF. 2.8. Diferentemente dos outros gráficos, consideramos aqui apenas as mulheres de 30 a 45 anos de idade em cada ano. Selecionamos esse intervalo etário porque, segundo Dias-Júnior (2007), essa é uma idade na qual, em geral, tanto o ciclo reprodutivo das mulheres, quanto o seu processo de formação e estabilização profissional está completo. Isso é desejável especialmente nesse caso porque a idade do filho está muito relacionada à idade da mãe, ou seja, espera-se que filhos mais novos tenham mães também mais novas e que, além disso, mulheres mais novas tenham menos filhos em relação às mais velhas. Assim, selecionamos apenas mulheres de 30 a 45 anos de idade para controlarmos por esses efeitos. Com relação à idade dos filhos, consideramos como “filhos pequenos” aqueles que tinham entre 0 e 10 anos de idade e “filhos maiores” aqueles de 11 a 17 anos8.
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Baseamos essas definições no trabalho de Scorzafave (2001). O autor verificou que quanto maior o número de filhos de 0 a 10 anos, menor a probabilidade de a mulher estar inserida no mercado de trabalho, enquanto que ocorre o inverso com os filhos de 11 a 17 anos.
Feitas essas considerações, pela análise do GRÁF. 2.8, constatamos um aumento das taxas de atividade feminina ao longo do período de 1982 a 2007, tanto entre as mães de filhos pequenos, como entre as mães de filhos maiores, sendo que, como esperado, as últimas sempre apresentaram taxas de participação no mercado de trabalho superiores às anteriores. De fato, segundo Bruschini (2006), a despeito do considerável tempo despendido no cuidado com os filhos pequenos, essas mães têm entrado consistentemente no mercado de trabalho ao longo dos anos.
GRÁFICO 2.8
Taxas de atividade feminina segundo a presença de filhos em idades específicas (%) – Mulheres chefes ou cônjuges de 30 a 45 anos – Brasil –
1982 a 2007 35 40 45 50 55 60 65 70 75 1982 1987 1992 1997 2002 2007 Ano T a xa ( % ) 0-10 0-10 e 11-17 11-17 Fonte: IBGE/Pnads 1982, 1987, 1992, 1997, 2002 e 2007.
Nesse capítulo, tentamos fornecer um panorama de como a maior inserção feminina no mercado de trabalho se deu de forma generalizada. De fato, mulheres com características distintas apresentaram um comportamento ascendente das suas taxas de atividade no período de 1982 a 2007. Esse aumento foi observado entre as mais novas e as mais velhas, as menos escolarizadas e as mais escolarizadas, entre as brancas, pretas, amarelas e pardas, as urbanas e as rurais, entre as residentes em todas as regiões do país, entre as unidas ou não, entre as mães ou não e entre as mães de filhos pequenos e de filhos maiores.
Essa intensa e constante elevação da PEA feminina, que vem ocorrendo no Brasil desde os anos de 1970, tem sido amplamente investigada e diversos autores procuram argumentos que sustentem tal evolução e, mais que isso, que identifiquem os grupos de mulheres que tiveram maior destaque no aumento da PEA feminina. Nesse sentido, os dados apresentados nesse capítulo, funcionam como um incentivo para a discussão teórica e os exercícios empíricos já realizados no que tange, especialmente, à associação entre a queda da fecundidade e ao aumento da PEA feminina.
3 A RELAÇÃO ENTRE MATERNIDADE E PARTICIPAÇÃO
FEMININA NO MERCADO DE TRABALHO
Nesse capítulo, fazemos uma breve exposição dos estudos que analisam a associação entre o aumento da participação feminina na PEA e a redução no número de filhos tidos, enfatizando, assim, o aumento da participação no mercado de trabalho das mulheres-mães, já que reflete o surgimento de uma nova identidade feminina, não mais apenas associada aos afazeres domésticos e ao cuidado com os filhos, mas também voltada para o mercado de trabalho (Bruschini, 1998).