MONTESQUİEU
1.12. BİR DEMOKRASİ PRATİĞİ: MAXIMILIEN ROBESPIERRE
O Estatuto da Diversidade Sexual nasceu a partir da iniciativa das várias Comissões da Diversidade Sexual criadas nas seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, que juntas geraram uma Comissão em âmbito nacional, que assumiu a empreitada de “elaborar uma legislação ampla, inclusiva, na qual se previssem todos os direitos para todos esses segmentos da diversidade sexual.”104 Além da participação dos advogados membros das comissões estaduais, dos movimentos sociais LGBTT, grandes estudiosos do Direito deram grande contribuição para a formação do texto do estatuto, tais como Daniel Sarmento e Luiz Roberto Barroso, entre muitos outros de notório conhecimento jurídico.
A justificativa do anteprojeto de lei denominado Estatuto da Diversidade Sexual foi !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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No artigo 87, o projeto do novo Estatuto das Famílias dispõe apenas que as questões envolvendo a adoção serão regidas por lei própria.
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DIAS, Maria Berenice. O estatuto da diversidade sexual e as políticas inclusivas. Disponível em: <http://www.ibdfam.org.br/videos/2/O%20Estatuto%20da%20Diversidade%20Sexual%20e%20as%20pol%C3 %ADticas%20inclusivas%20-%20Maria%20Berenice%20Dias%20(RS)%20-%20Parte%201#.UweQBxY1e- 8>. Acesso em: 24 fev. 2014.
elaborada pela advogada Maria Berenice Dias,105 que descreve o seu processo de criação, movido pela necessidade de garantir direitos já assegurados pelo Poder Judiciário e no âmbito administrativo, mas que careciam de uma revisão e consequente adaptação da legislação infraconstitucional para atingir os seus objetivos:
Em audiência pública realizada dia 22 de março de 2011, foi aprovada a criação da Comissão Especial da Diversidade Sexual, integrada por profissionais que, pelas suas trajetórias de vida, gozam do respeito e do reconhecimento da comunidade científica. A eles foi delegada a difícil tarefa de consolidar um conjunto de normas e regras que servisse para aperfeiçoar o sistema legal, de modo a acolher parcela significativa da população que, injustificavelmente, se encontra alijada dos mais elementares direitos de cidadania.
Destacamos a referência que Dias faz à “parcela significativa da população”, em contraposição ao uso comum da expressão “minorias”, reconhecendo que é um segmento importante da sociedade que cresce rapidamente, sobretudo pelo surgimento de oportunidades que lhe permitem sair do anonimato, tais como a garantia de direitos e a redução do preconceito. Na verdade, nem mesmo a pesquisa realizada pelo IBGE durante o Censo demográfico realizado no ano de 2010 foi capaz de estimar com precisão o número de famílias homoafetivas no Brasil.106 Entre outros fatores que dificultam as pesquisas, muitos ainda têm receio de responder a questionários, ainda que garantido o anonimato.
A elaboração do anteprojeto recebeu a contribuição coletiva das mais de cinquenta Comissões da Diversidade Sexual das Seccionais e Subseções da Ordem dos Advogados do Brasil, assim como sugestões de diversos movimentos sociais:
O Anteprojeto do Estatuto da Diversidade Sexual foi elaborado a muitas mãos. Contou com a efetiva participação das mais de 50 Comissões da Diversidade Sexual das Seccionais e Subseções da OAB, já instaladas, ou em vias de instalação. Além disso, foram ouvidos os movimentos sociais, que encaminharam cerca de duas centenas de propostas e sugestões.
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Disponível em: <http://www.mariaberenice.com.br/uploads/estatuto_da_diversidade_sexual_- _uma_lei_por__iniciativa_popular.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2014.
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Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/515013-censo-2010-uma-famlia-plural-complexa-e- diversa>. Acesso em: 25 fev. 2014. “José Eustáquio Diniz Alves e Suzana Cavenaghi – O Brasil ainda não possui dados suficientes para traçar a evolução destes arranjos. O censo demográfico de 2010, conduzido pelo IBGE, abriu, pela primeira vez, a possibilidade dos casais do mesmo sexo, que moram no mesmo domicilio, serem considerados um núcleo familiar. Os dados indicaram a presença de cerca de 60 mil casais formados por pessoas do mesmo sexo e um deles se declarou como chefe. Mas, se os casais moram em casas diferentes ou nenhum deles se declarou como chefe, não foram identificados pelo censo.”
No âmbito do Conselho Federal da OAB, obteve aprovação nos seguintes termos:
Em 23 de agosto de 2011, o Anteprojeto foi formalmente entregue ao Presidente do Conselho Federal da OAB, que o encaminhou à apreciação do Conselho Federal, sob a relatoria do Conselheiro Federal Carlos Roberto Siqueira Castro. O Relator levou-o a julgamento no dia 19 de setembro, apresentando minucioso parecer pela sua aprovação. Conclui o voto: apoiar a proposta de Emenda Constitucional e o Anteprojeto do Estatuto da Diversidade Sexual elaborado pela ilustrada Comissão Especial de Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB, significa contribuir em nosso País para uma histórica sublimação na disciplina jurídica aplicável às igualdades e à rejeição dos preconceitos e discriminações que infelicitam o espírito humano. Por estar convencido da oportunidade, da necessidade e da excelência do trabalho apresentado, com as mínimas ponderações de início aduzidas, voto no sentido da sua aprovação, a fim de que o mesmo, por iniciativa de nossa augusta Casa dos Advogados, possa seguir o curso da aprovação que considero justo e desejável mediante a tramitação devida junto ao Congresso Nacional.
Concedido prazo para emendas, foram apresentados quatro destaques, nenhum deles contrário à sua aprovação. Assim, tão logo votado, deverá ser encaminhado à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, pois o Conselho Federal da OAB dispõe de legitimação ativa universal, dispensada comprovação da pertinência temática.
Deste modo, a Ordem dos Advogados do Brasil, ao elaborar o Estatuto da Diversidade Sexual – o mais arrojado anteprojeto deste século, quer pela sua abrangência, quer pelo seu significado e alcance –, mais uma vez assume o destacado compromisso que desempenhou no processo de democratização do país e em todas as demais lutas que
enfrentou em defesa do Estado e do direito dos cidadãos.
Desse trabalho concentrado, resultaram propostas para a mudança de 7 (sete) artigos da Constituição, que por sua vez se materializaram em três PECs – Propostas de Emendas à Constituição, acerca das seguintes matérias:
Na mesma oportunidade foram entregues ao Congresso Nacional a proposta de alteração de sete dispositivos da Constituição Federal, que deram origem a três Propostas de Emenda Constitucional.
Duas delas, sob a relatoria da Sen. Marta Suplicy, já se encontram em tramitação no Senado Federal. Uma proíbe discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, inclusive nas relações de trabalho. Outra substitui a licença-maternidade e a licença-paternidade pela licença- natalidade, a ser concedida indistintamente a qualquer dos pais. A terceira, que assegura acesso ao casamento igualitário será apresentada pelo Deputado Jean Wyllys à Câmara dos Deputados tão logo alcance o número de adesões necessárias.
A opção pela proposta por iniciativa popular foi espelhada pelo sucesso obtido com a Lei da Ficha Limpa – Lei Complementar n. 135/2010. A escolha também conta com a vantagem, caso venha a arrecadar as assinaturas necessárias, chegará à Câmara dos Deputados já com uma representação popular numerosa, pois requer a assinatura de um milhão e meio de eleitores: 107
Em face da enorme repercussão alcançada pela Lei da Ficha Limpa, por ter sido encaminhada por iniciativa popular, as Comissões da Diversidade Sexual do país desencadearam o movimento para angariar adesões para que o Estatuto fosse levado à Câmara Federal referendado pela assinatura de cerca de um milhão e meio de cidadãos.
A campanha foi lançada, em âmbito nacional, no dia 17 de maio de 2012 – Dia Mundial de Combate à Homofobia. Simultaneamente as Comissões realizaram eventos de coleta de assinaturas, iniciativa que se repetiu em todas as comemorações alusivas ao Dia do Orgulho Gay realizadas Brasil afora.
Até a data de hoje, o projeto do Estatuto da Diversidade Sexual conta com 21.286 assinaturas 108
O texto do Estatuto da Diversidade Sexual abrange as seguintes matérias: i) disposições gerais; ii) princípios fundamentais; iii) direito à livre orientação sexual; iv) direito à igualdade e à não discriminação; v) direito à convivência familiar; vi) direito e dever à filiação, à guarda e à adoção; vii) direito à entidade de gênero; viii) direito à saúde; ix) direitos previdenciários; x) direito à educação; xi) direito ao trabalho; xii) direito à moradia; xiii) direito de acesso à justiça e à segurança; xv) dos meios de comunicação; xvi) das relações de consumo; xvii) dos crimes; xviii) das políticas públicas; xiv) das disposições finais e transitórias.
Da mesma forma que o Estatuto das Famílias, o presente estatuto adota a mesma dinâmica de estabelecimento de princípios fundamentais para a sua interpretação e aplicação:
Art. 4o Constituem princípios fundamentais para a interpretação e aplicação deste Estatuto:
I – dignidade da pessoa humana; II – igualdade e respeito à diferença; III – direito à livre orientação sexual;
IV – reconhecimento da personalidade de acordo com a identidade de gênero;
V – direito à convivência comunitária e familiar; !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Art. 61, § 2º, da Constituição Federal: A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
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VI – liberdade de constituição de família e de vínculos parentais; VII – respeito à intimidade, à privacidade e à autodeterminação; VIII – direito fundamental à felicidade.
Entre os princípios fundamentais adotados no Estatuto da Diversidade Sexual e os perfilhados no Estatuto das Famílias, são comuns a ambos os textos o princípio da dignidade da pessoa humana, o princípio da igualdade, o direito à convivência familiar e o direito fundamental à felicidade, conferindo-lhes plena harmonia. Quanto aos demais, tanto os do estatuto em comento, quanto os do Estatuto das Famílias, eles se complementam entre si, criando um amplo universo de proteção às famílias homoafetivas.
Diferentemente das disposições do Estatuto das Famílias, o Estatuto da Diversidade Sexual dispõe expressamente sobre a família homoafetiva e seus direitos, especificando quais são: