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BİLGE KARASU’NUN HAYATI-YAZIN YAŞAMI-ESERLERİ

Belgede Bilge Karasu - insan ve eser (sayfa 23-47)

Quanto aos atores individuais, destacamos inicialmente a atuação de Cláudio de Mauro. Apesar de ser professor da UNESP em Rio Claro, Cláudio teve inserção nesse processo inicialmente através de uma ONG. Foi presidente da SORIDEMA (Sociedade Rioclarense de Defesa do Meio Ambiente), que é uma das ONGs mais antigas da região das bacias PCJ, tendo completado 25 anos em março de 2003 (ECOFLASH, 2006).

Segundo Lahóz, Cláudio de Mauro, representando a SORIDEMA, através da Câmara de Vereadores de Rio Claro, sempre procurou fazer o alinhavo da universidade com as ONGs e com o poder legislativo, desde a fundação do Consórcio em 1989. Ainda segundo esta entrevista, Cláudio de Mauro sempre teve livre trânsito na Câmara Municipal, não só de Rio Claro, mas também em outras da região, de modo que ele sempre foi uma liderança capaz de envolver vereadores e prefeitos nesse processo. Por somar o fato de ser professor universitário, por já ter trabalhado em projetos de pesquisas nacionais, e por ter sido presidente de uma ONG atuante, Cláudio seria “uma pessoa ímpar nesse aspecto” (entrevista pessoal, Francisco Lahóz, agosto de 2006).

Cláudio de Mauro teria sido uma pessoa que “foi surgindo aos poucos” no processo de gestão dos recursos hídricos regionais. Quando assumiu a prefeitura de Rio Claro, em 1997 – cargo que ocupou durante dois mandatos – foi procurado por representantes do Consórcio PCJ, porque estes entendiam que ele seria a grande liderança para os recursos hídricos da região. Naquele momento, Cláudio de Mauro colocou que poderia estar presente através do professor Jaime Campos, então seu Secretário Adjunto, e de outros assessores, mas pediu que lhe dessem dois anos de tempo para uma participação pessoal mais efetiva, pois precisava nesse período dedicar-se mais à prefeitura de Rio Claro, recém-assumida. Passados esses dois anos, em 1999, Cláudio de Mauro assumiu a Presidência do Comitê PCJ, já com o apoio do Humberto de Campos, que era então o Presidente do Consórcio, e que trabalhou ao lado de Cláudio de Mauro no sentido de facilitar seu engajamento nesse trabalho.

Cláudio de Mauro permaneceu na presidência do Comitê PCJ até terminar seu segundo mandato como prefeito de Rio Claro, em 2004. Em 2005, continuou contribuindo com o processo, uma vez que foi contratado pela UNESCO como Consultor da Agência Nacional de Águas39, além de ter participado de todo o processo de discussão para a implantação da

cobrança pelo uso da água nas bacias PCJ, sendo um grande pivô desse processo.

A fala de Lahóz, comentando a história de Cláudio de Mauro no processo de gestão dos recursos hídricos regionais, ilustra bem o caráter dos atores e das formas de articulação que aí se desenrolaram:

[...] Essa é resumidamente a participação do Cláudio, então não se deu por acaso, foi um processo de construção e de participação. Quase todas essas pessoas que estão no processo, se você pesquisar, sempre tem um aspecto...um dia foi ONG, um dia esteve na universidade... e esse “mix” foi que nos levou a estar hoje em cargos à frente do sistema de gestão (entrevista pessoal, Francisco Lahóz, agosto de 2006).

Outro ator importante nesse processo foi Humberto de Campos, professor da USP de Piracicaba (ESALQ), “que sempre acreditou muito nesses processos de organização da sociedade; de integração da universidade com a sociedade, visando a recuperação ambiental” (entrevista pessoal, Francisco Lahóz, agosto de 2006). Quando foi eleito prefeito de Piracicaba em 1996 (cargo que assumiu em 1997), Humberto de Campos já assumiu uma vice-presidência no Consórcio, função que desempenhou em 1997 e 1998.

Em 1999, assumiu a presidência do Consórcio, e como presidente lançou o embrião da Agência de Águas PCJ. Isto se deu através da proposta, para toda a bacia hidrográfica, de que o Consórcio alugasse uma sala, e deslocasse alguns técnicos com a finalidade de fazer a atualização no cadastramento de usuários, como uma experiência para a futura Agência, e já preparando a organização da região para a cobrança - pois, para a implementação da cobrança, seria necessário o cadastramento dos usuários.

39 Segundo entrevista concedida por Cláudio de Mauro ao Canal Rio Claro em 2005 (CANAL RIO CLARO, 2005).

Embora por um lado a idéia tenha sido muito bem aceita na bacia, com apoio do próprio Cláudio de Mauro - então presidente do Comitê PCJ – por outro lado, os atores regionais consideraram que estava um pouco prematura, em função da grande dúvida que ainda existia nessas bacias, relativa à volta do dinheiro da cobrança para a região. Assim, os atores regionais agradeceram a iniciativa, mas consideraram que primeiro teriam que equacionar o problema da legislação, para garantir que o dinheiro retornasse à região.

Humberto de Campos, porém, não se conformou com isso. Percebendo que a cobrança formal seria muito difícil e demorada, resgatou uma discussão que já havia tido início em 1997 em uma reunião plenária do Consórcio, e criou a cobrança informal no Consórcio, em dezembro de 1999 (entrevista pessoal, Francisco Lahóz, agosto de 2006).

Outro ator com papel de extrema relevância para os recursos hídricos regionais foi Francisco Lahóz, atualmente Coordenador Geral da Agência de Águas PCJ. Desde 1978, quando era estudante, este já participava dos grupos que estavam estudando o Sistema Cantareira e os impasses que este estava provocando na região das bacias PCJ, além de participar de movimentos de base, através de ONGs. Segundo este entrevistado, no início dos anos 70, quando se anunciou a construção do Sistema Cantareira, as universidades acabaram se envolvendo para dar contribuições, e muitos dos estudantes da época que se envolveram nesse processo - como Luiz Roberto Moretti e o próprio Francisco Lahóz - hoje estão dentre os atores que estão à frente da gestão dos recursos hídricos na região. Nesse aspecto, Lahóz fez a seguinte observação: “Esse foi um fruto muito bom, então temos que atribuir ao Cantareira esse tributo de gerar as lideranças, os agentes multiplicadores”.

A partir de 1983, época em que se iniciaram as discussões em torno da Campanha Ano 2000, Lahóz começou a atuar nessa mobilização através da AEAP. Seu maior envolvimento direto iniciou-se em 1985, quando foi designado para coordenar a equipe criada a partir do convênio firmado entre a Escola de Engenharia de Piracicaba e o recém-instalado escritório do DAEE em Piracicaba.

Posteriormente, em 1988-1989, época em que ocorriam as articulações para a fundação do Consórcio, participou do processo como sociedade civil e como universidade, embora não tenha participado diretamente da criação do Consórcio. Sua participação direta neste organismo acabou ocorrendo em setembro de 1991, quando foi contratado como funcionário do Consórcio, através de processo seletivo público. Esse foi o momento em que o Consórcio passou a constituir uma equipe técnica, para dar conta da elaboração de planos diretores e projetos executivos de tratamento de esgotos, e começar a implementar realmente a gestão de recursos hídricos. Antes disso, o Consórcio não tinha funcionários próprios; trabalhava com pessoas cedidas pela CESP e pelo serviço de água. Dessa forma, Lahóz, que já acumulava 8 anos da experiência em gestão de recursos hídricos, em função de sua atuação junto ao DAEE e de trabalhos junto à comunidade, foi o primeiro funcionário contratado do Consórcio. Até então, o Consórcio tinha muito o estilo administrativo do saneamento, porque a premência era tratar esgotos. Quando foi contratado, criou uma coordenação de gestão dos recursos hídricos (assumindo-a como coordenador), ampliando o foco de atuação deste organismo para uma maior ênfase também na gestão. Em 1999 assumiu a Coordenação Geral do Consórcio - que depois passou a se chamar Secretaria Executiva - e ficou nesse cargo até fins de 2005, quando passou a ser o Coordenador Geral da Agência de águas PCJ.

É também ator de destaque nesse processo Luiz Roberto Moretti, que se envolveu com a questão dos recursos hídricos regionais inicialmente como estudante, através da Campanha Ano 2000; depois como funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de Piracicaba - cargo através do qual assumiu a Secretaria Executiva do Comitê PCJ em 1999. Continua desempenhando essa função até hoje, porém desde 2003 através da Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento (SERHS) (CBH-PCJ, 2006a).

É impossível também deixar de citar aqui José Machado, atualmente Presidente da Agência Nacional de Águas, que, tendo se envolvido com a questão dos recursos hídricos inicialmente como professor da ESALQ, foi Deputado Estadual, e posteriormente (em

1989) Prefeito de Piracicaba, cargo no qual teve importante papel na mobilização da fundação do Consórcio40.

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