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Babil Sürgününden Kudüs’e Dönüş

B. BABİL SÜRGÜNÜNDEN ROMA DÖNEMİNE KADAR MABED

1. Babil Sürgününden Kudüs’e Dönüş

Há um consenso entre os pesquisadores entrevistados de que a divulgação da Astronomia na mídia é deficitária. Para S1, não existe um programa específico da área na televisão brasileira e que exibições dessa natureza estão presentes apenas em canais fechados. Além disso, em sua observação, a comunicação, no âmbito da mídia, é falha, sensacionalista e que privilegia pautas do exterior, e, não raro, distorcida, ocasionando erros conceituais e consequente mal-estar entre os colegas.

“[...] não temos nenhum documentário de Astronomia próprio. Se nós temos é na TV fechada e não na TV aberta. As notícias que nós vemos nos jornais de Astronomia são quase todas do exterior, sendo que temos grandes astrônomos brasileiros. Parece que as notícias são sempre para espetacularizar; são notícias sensacionalistas, quando se fala em Astronomia, não para despertar o interesse propriamente dito, para saber, para conhecer mais. [...] Falha comunicação, falha a comunicação. Muitas vezes, quando a gente dá entrevista para jornalistas da mídia, existe a distorção. A gente sabe que eles têm que cortar textos muitos longos; eles têm espaço reduzido. Mas, às vezes, nesses cortes, introduzem erros conceituais. Eu posso citar como exemplo, só para ilustrar; alguns meses atrás, aconteceu um meteoro na região aqui do oeste do Estado de São Paulo, apareceu um meteoro no céu, e, imediatamente, a mídia contatou-nos aqui no observatório. Aí eles vieram, demos uma porção de entrevistas e aí eu afirmei que esse fenômeno não é raro; mas apareceu na notícia que eu disse: “conforme o pesquisador [o nome do pesquisador] esse fenômeno é raro”. Então, por falta de uma única palavrinha, não, então, introduz a um erro conceitual gravíssimo, além de produzir uma imagem deturpada para o próprio pesquisador, e isso pode trazer sérios problemas entre os colegas. Então, eu apontaria como a principal falha aí a comunicação” (S1).

Na avaliação de S2, é muito pouca a inserção da Astronomia na mídia e que ela (a mídia) cumpre sua função, quando os materiais veiculados passam por um crivo profissional.

“A mídia divulga muito pouco. Novamente, eu volto para a questão da cultura. No caso da Astronomia, deveria ser uma coisa tão cultural como olhar para o céu à noite. Assim, eu não preciso da mídia, eu não precisaria de uma mídia efetiva, se na cultura das pessoas, olhar para o céu fosse algo de certa forma corriqueiro. [...] Acho que a mídia cumpre a sua função no sentido de os materiais terem um certo crivo, uma certa qualidade quando são apoiados, quando tem essa... digamos, essa assistência mais profissional” (S2).

S3 também questiona sobre a possível distorção da fala do pesquisador e a qualidade das matérias veiculadas na mídia, que, na sua avaliação, não são bem elaboradas. De acordo com ele, não existe uma periodicidade de notícias da Astronomia, sendo que essa divulgação é feita quando surge algum fenômeno pontual de interesse da mídia. E que, por outro lado, nesse âmbito, há uma dedicação maior a temas mitológicos ou religiosos.

“A mídia faz a divulgação de Astronomia, quando há algum um fenômeno que interessa. Fora isso, não existe, aquilo que eu disse, uma periodicidade em manter essa divulgação. Quando, no ano passado, a colisão do asteroide desceu na Rússia, aí de repente você empolga na mídia por vários dias falando sobre aquilo. Passa aquilo e nada mais. Eles se dedicam muito mais, às vezes, a uma divulgação não de Astronomia, mas muito mais de questões mitológicas ou religiosas, estão mais preocupados com horóscopo, com coisas dessas do que uma divulgação propriamente de Astronomia [...] Geralmente, você escuta os pesquisadores, pessoas dando entrevistas, que dizem ‘não vou dar mais entrevista, porque eu falo uma coisa e o jornalista escreve outra’ [...] Nós não temos nada assim bem elaborado sobre esta divulgação aqui” (S3).

A intervenção política na mídia também é percebida por esse pesquisador, quando afirma que:

“[...] nós tivemos a inauguração há um mês e meio de um planetário na cidade de [nome da cidade], à 50km daqui de [nome da cidade]. É um planetário a que nós demos todo apoio e suporte para começar a funcionar, e aí um turista veio e nós fomos conversar sobre a Educação da Astronomia no estado de [nome do estado]. E eu tive mais de meia página do jornal, com fotos, e tudo; mas isso volta em momentos pontuais, por quê? O prefeito dessa cidade é pré candidato a governo do estado, então ele conseguiu, buscou a mídia para fazer isso aí. Infelizmente, é por aí, os interesses não são geralmente...,talvez, pela falta de uma formação jornalística na área científica, que você não tem nos jornais também esse conhecimento” (S3).

S4 aponta a preocupação com os possíveis erros conceituais produzidos na mídia que são repassados para o público leigo. No mesmo entendimento de S1, ele também detecta que as pautas da imprensa brasileira, em geral, são orientadas pelas notícias do exterior.

“Na grande mídia em geral o que é divulgado aparece na mídia internacional. Quando aparece uma notícia, ela vem de uma agência de notícias do exterior, então, o que se faz no Brasil, pelo que eu tenho visto, são matérias apenas reproduzidas e, de vez em quando, eles consultam algum pesquisador mais ou menos na área, para ter outro parecer, digamos assim, outra opinião. Eu acho que falta muita coisa para a mídia [...], ou seja, não apenas replicar coisas que vêm da mídia global, da mídia internacional.

Então, a gente percebe várias revistas por aí, que tem coisas que estão erradas, seja na fala que eles colocam entre aspas do pesquisador, ou na redação que eles colocam no artigo; a gente percebe, quando a gente lê de outras áreas da ciência, a gente acha que está adquirindo conhecimento, mas, quando a gente lê da nossa própria área, a gente vê: poxa, cada coisa errada aqui! Então, é complicado a gente pensa que está fazendo o bem, e está provocando um ruído na comunicação. Pode existir ruído na comunicação, e esse ruído chega a seguir em frente para o público leigo [...] na área de Astronomia, é como eu falei, acho que tem muita tradução e replicação de notícias que vêm de fora. Poucos exemplos são de notícias que são produzidas realmente aqui no Brasil” (S4).

Para S5, embora haja exceções, em que grandes jornais já contam com profissionais com formação, geralmente, os jornalistas não estão preparados para cobrir ciência.

“Às vezes, com conceitos corretos e, às vezes, com incorretos. Já peguei inclusive no Jornal Nacional, não sei se vocês já viram um vídeo, falando nome errado; já notei que repórteres famosos, assim, falando besteira na TV; então, jornalista não está preparado. Uma vez, conversei com um jornalista e ele falava que o início de carreira do jornalista é a parte científica, e quando ele cresce na carreira ele fica com a parte de política e esporte. Então, eles colocam as pessoas mais despreparadas, normalmente, pra cobrir ciências. Com exceção de grandes jornais, como a Folha etc, que tem pessoas com o preparo. Mas, em geral, normalmente, é o jornalista que inicia carreira” (S5).

O ruído na comunicação detectado pelos pesquisadores é também mencionado por S6, que mostra ter certo temor para com a mídia e faz uma espécie de alerta aos colegas:

“[...] a gente tem que tomar muito cuidado, muito cuidado com que fala, porque, dependendo de como você fala, a coisa pode tomar um rumo. Então, algumas pessoas aqui da área de comunicação me orientaram que, antes de dar determinadas entrevistas, eles me orientaram assim: olha, o jornalista vai procurar coisas que impressionem muito a população e, talvez, em algum momento, ele não vai poder colocar toda a sua fala. Então, às vezes, eles vão cortar o que você está falando. Para dar uma entrevista, por exemplo, na televisão, você tem que tomar muito cuidado; tem que ser insistente com aquilo que você objetiva, falar várias vezes aquilo que você quer deixar claro sobre o que está acontecendo. Por exemplo, quando eu dei a entrevista sobre tempestades solares, a repórter queria, o tempo todo, que eu falasse que alguma coisa ia explodir, que estava ameaçando a vida na Terra, as coisas desse tipo. Então, eu fiquei muito assustado, eu fiquei com medo daquilo que eu estava falando. Então, isso me inibiu um pouco, e eu acabei deixando um pouco as técnicas de divulgação científica e falando um pouco em jargão. É uma defesa que a gente tem para não falar alguma bobagem, não colocar alguma coisa errada” (S6).

Os desabafos dos pesquisadores denotam a influência e o papel da mídia na divulgação científica. Verifica-se que os pesquisadores comungam a mesma representação de que a divulgação científica da Astronomia, na mídia, apresenta-se de forma frágil. Esse resultado, somado às discussões teóricas sobre a divulgação da ciência em geral, apresentadas nesta pesquisa, leva a pensar que, apesar da ampliação de espaços dedicados à área (CALDAS, 2011; MASSARANI, 2012), a mídia brasileira tem muito a avançar no processo de divulgação científica.