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Ayırt Edicilik Kavramı ve Ayırt Edicilik Kazandırmaya Yetecek Miktarda Bir

4. BELLĠ BĠR BĠLĠNĠRLĠĞE (TANINIRLIĞA) SAHĠP OLMA

4.2. Bilinirliğin Derecesi

4.2.2. Ayırt Edicilik Kavramı ve Ayırt Edicilik Kazandırmaya Yetecek Miktarda Bir

A cafeicultura se instala no Brasil como uma economia monetária, isto é, uma cultura comercial, ditada principalmente, em virtude da demanda internacional de café. De acordo com Ianni (1984), em seus estudos sobre as origens agrárias do estado brasileiro, o autor discorre acerca da lavoura cafeeira de modo a explorar a característica da cultura cuja finalidade, no país, era comercial.

A organização dos negócios do café, desde a apropriação das terras devolutas à venda do produto nos mercados externos, envolvia colonos, fazendeiros, comissários, exportadores e outras categorias sociais. Desse modo, desde o princípio, essa cafeicultura liga de alguma forma a economia local à economia do país e do exterior (Ianni, 1984, p. 17).

O ciclo do café predominou no Brasil entre os anos de 1800 e 1930, com destaque, principalmente, no século XX na região do Vale do Paraíba que engloba a região do estado de São Paulo e Rio de Janeiro. A região de Minas Gerais também teve um importante papel na economia com o cultivo de café.

Ianni (1984) salienta, em seus estudos acerca das origens agrárias do país, principalmente na região oeste paulista, que a cafeicultura teve uma expansão acelerada, em virtude do declínio final do regime de trabalho escravo, a valorização positiva do regime de trabalho livre, a imigração de trabalhadores europeus, com destaque aos italianos, para trabalhar nos cafezais.

À medida que a formação social capitalista se constituía e generalizava, com base na forma de trabalho fornecida pelo trabalhador livre, extinguia-se a escravatura, intensificava-se a imigração de trabalhadores e expandiam-se os cafezais. E exprimiu bastante bem o caráter da economia e sociedade construídas pela cafeicultura no Oeste paulista (Ianni, 1984, p. 10).

Ainda sobre o estudo de Ianni (1984), o Oeste Paulista16 a que o autor se refere é a região de Ribeirão Preto, onde a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro chegou em 1883. Essa estrada ligava o estado de São Paulo e Minas Gerais. A história dessa ferrovia culmina com a expansão da cultura do café.

Sobre o segundo Oeste Paulista, Ianni (1984) destaca que,

Esta nova região cafeeira já é beneficiária da extinção da escravatura, da proclamação da República, da expansão ferroviária e da migração européia estimulada e orientada em grande parte pela burguesia que se havia organizado econômica e politicamente com base no primeiro Oeste paulista (Ianni, 1984, p. 12).

Dessa forma, a expansão do café no Oeste e Norte paulistas possibilitou o surgimento de fazendas e cafezais, colônias e casas-grandes, vilas e cidades. Nesta região, toda uma sociedade agrária de base capitalista estava sendo formada (Ianni, 1984).

Na cafeicultura do Oeste paulista, as relações de produção eram baseadas no colonato. “[...] a cafeicultura baseou-se amplamente nesse regime, que é uma forma de trabalho livre” (Ianni, 1984, p. 24). No regime de colonato, a família se engaja no trabalho produtivo. O contrato de trabalho envolvia o fazendeiro e o chefe da família que chegava para trabalhar na lavoura.

O autor ainda destaca que as atividades na cafeicultura exigiam numerosa mão de obra, inclusive, diferenciada. Os trabalhadores realizavam as seguintes atividades: desmatamento das terras virgens, preparo das terras, plantio das mudas de café entre outras.

Eram muitos os trabalhadores que chegaram para trabalhar na lavoura cafeeira, nas fazendas, entre eles adultos, adolescentes, crianças e velhos. Ianni (1984) não deixou de relatar, em seus estudos, as precárias condições de trabalho em que já se encontrava esses trabalhadores do café. “As condições sob as quais os imigrantes eram levados à fazenda e contratados os colocavam numa situação subalterna e espoliativa” (p. 25).

Foi um período também marcado por conflitos sociais em virtude das más condições de trabalho, pois os colonos e seus familiares estavam submetidos ao autoritarismo do fazendeiro. Os colonos queixavam-se da exclusão social, pois seus filhos não frequentavam as escolas, ficando apartados da sociedade; das multas que lhes eram impostas; protestavam contra os preços abusivos dos produtos dos armazéns. Os colonos se viram diante da negação de seus direitos como a educação, a saúde e isso provocou revoltas, e marcou um período de tensões

16 O primeiro Oeste Paulista, que o autor se refere, é a região de Campinas. E o segundo Oeste Paulista seria a

entre fazendeiros e colonos. “Inclusive interrupções nos fluxos migratórios, devido aos maus- tratos a que foram submetidos os imigrantes das primeiras épocas, à escravidão disfarçada ou aberta que lhes impunham” (Ianni, 1984, p. 28). As tensões e as lutas foram tantas que o sindicalismo surge nessa época no Brasil.

A cultura cafeeira predominou no país até meados do século XX, e por volta dos anos de 1932, o café foi abalado pela crise dos anos de 1929. As alterações de preços dessa cultura provocam crises periódicas durante o início do século XX, culminando em 1932, ano em que se dá o auge dos reflexos da crise de 29 sobre o setor cafeeiro (J.G. Silva, 1980, p. 26).

O período entre 1933 a 1955 marca uma nova fase de transição da economia brasileira. O setor industrial vai se expandindo e se consolidando, o que faz com que as atividades econômicas começam a se deslocar do setor cafeeiro. J.G. Silva (1980) ainda continua destacando que a indústria vai assumindo o comando do processo de acumulação de capital e, “o país vai deixando de ser ‘eminentemente agrícola’ (como alguns ainda crêem ser a sua ‘vocação histórica’)” (p. 27).

A crise da monocultura cafeeira também se começa a romper em virtude da superprodução17. Ianni (1984) discorre sobre isso, ao destacar que com “[...] a rentabilidade da cafeicultura gerava o boom cafeeiro que gerava a superprodução que gerava o abandono de cafezais e a diversificação das atividades produtivas” (p. 32).

Em decorrência disso, alternativas surgem para superar a crise do café. É nessas condições que se desenvolvem outras culturas, como a algodoeira, a cítrica, a da cana-de- açúcar, etc. E também se desenvolvem as unidades artesanais e fabris, acelerando a urbanização. Sobre isso Ianni (1984, p. 36) afirma,

Ao romper-se a monocultura cafeeira, desenvolveram-se as culturas algodoeira e da cana-de-açúcar, além de outras. Rompia-se a estrutura fundiária, cuja concentração a cafeicultura havia intensificado. Ao mesmo tempo, surgiam ou desenvolviam-se outras atividades produtoras, no campo e na cidade. As crises da cafeicultura provocavam o desenvolvimento das forças produtivas.

A cana-de-açúcar entra em cena nesse período, pelo fato de se expandir pelo Brasil, principalmente, no Nordeste e mais tarde no estado de São Paulo. Por isso, faremos um breve

17 Ianni (1984) afirma ser inevitável considerar a grande crise econômica de 1929 como um evento crucial no

processo de diversificação das atividades produtivas no campo, porém é também importante reconhecer que essa crise correspondeu a um momento de uma série de crises provocadas pela superprodução, a geada, a seca e o empobrecimento das terras. 

histórico também da expansão da lavoura canavieira no Brasil e, mais especificamente no interior do estado de São Paulo.

Benzer Belgeler