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3. VEDA HUTBESİ TABİRİNİN ORTAYA ÇIKIŞI VE KULLANIMI

1.1.2. Arefe Günü (9 Zilhicce) Hutbesi

1.1.2.3. Abdullah b Abbȃs Rivȃyeti

A legislação brasileira, consoante com um cenário internacional de debates17, constitui jurisprudências: a Lei 9.459, de 13 de maio de 1997 que altera a Lei nº 7.716, de 5 de

16 Aqui, o autor toma as “condições objetivas” como a estrutura escolar de forma macro (governo, reivindicações de melhores condições de trabalho, instituições, legislação) e micro (os rituais da escola: planejamento, trabalho coletivo, análise da condução do processo de ensino-aprendizagem de maneira a exigir um replanejamento da prática pedagógica). Isso somado a discursos reconhecidos sobre, por exemplo, a necessidade de formação continuada do professor, a importância do diálogo escola-família ou, ainda, sobre a violência escolar ou as possíveis razões para o fracasso escolar, entre outros. Segundo Vasconcellos (2003), não há determinismo entre condições objetivas e subjetivas que envolvem a educação escolar, mas uma tomada de posição por parte do professor que desencadeia um processo de negociação pautado, principalmente, na autonomia.

17

Um exemplo disso foi a criação, pela ONU, em 2010, do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial: o dia 21 de março, em memória do Massacre de Shaperville, na África do Sul. Tal massacre aconteceu em 1960, quando vinte mil negros protestavam contra a “Lei do Passe”, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam se movimentar no

janeiro de 1989, que define os crimes resultantes do preconceito de raça ou de cor; a Lei nº 10.678/03, que cria a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR); a Lei 12.288/10 que institui o Estatuto da Igualdade Racial e altera as Leis nos 7.716 (de 5 de janeiro de 1989), 9.029 (de 13 de abril de 1995), 7.347 (de 24 de julho de 1985) e 10.778 (de 24 de novembro de 2003). Entre outros norteadores especificamente no âmbito educacional, temos a Lei nº 10.639/03, a Lei nº 11.645/08, o Parecer CNE/CP 003/200418, a Resolução do CNE/CP 01/200419 e as Orientações e ações para a educação das relações étnico-raciais20.

Os documentos acima mencionados que se direcionam para o cenário educacional merecem atenção especial, por constituírem, dentre outras contribuições, bases para a elaboração de material para professores e alunos e de ações institucionais, como a da Prefeitura de Belo Horizonte, ao criar kits de literatura afro-brasileira e distribuí-los às escolas.

A Lei nº 10.639/03 entrou em vigor em 9 de janeiro de 2003, alterando a Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. A nova redação determina, a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio (tanto oficiais, quanto particulares). Estabelece que o conteúdo programático da disciplina inclua o negro, sua cultura, sua participação nas áreas social, econômica e política, sua História (da África e dos Africanos) na formação da sociedade nacional. Indica também que tais conteúdos devem, preferencialmente, ser trabalhados em duas áreas do conhecimento: 1) Educação Artística; 2) Literatura e História Brasileiras. A legislação também altera o calendário país. Apesar de a mobilização dos negros ter ocorrido de forma pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foi de 69 mortos e 186 feridos.

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Parecer publicado no Diário Oficial da União (19/5/2004), que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana.

19

Resolução do Conselho Nacional de Educação, publicada no Diário Oficial da União (22/6/2004), que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

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Publicação do Ministério da Educação, em especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), que apresenta para professores (seu público principal) orientações para práticas pedagógicas (direcionadas para a Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos, Licenciaturas, Educação Quilombola), glossário de termos e expressões antirracistas, legislação sobre o tema e sugestões de atividades.

escolar, ao incluir o dia 20 de novembro como o “Dia da Consciência Negra”. Podemos constatar que tal Lei é o resultado de uma agenda política de reivindicações de inúmeros grupos organizados, de debates e participações sociais. Cabe pontuar que o vocabulário utilizado não associa o termo raça ao termo negro. Os temas abordados remetem a questões como a presença, a historicidade, a cultura e o reconhecimento da contribuição do povo negro para história do Brasil, ou seja, há um tom de harmonia, de valorização do percurso histórico e cultural do negro para a formação da sociedade nacional. Tal reflexão sobre a legislação faz-se importante porque não se abordam diferenças biológicas, mas, antes, enfatizam-se aspectos culturais, o que é reforçado pela Lei nº

11.645/08, em que se usa a expressão “grupos étnicos” para negros e índios. Não

obstante esse avanço, constatamos, como já foi dito, incômodas inquietações.

Alterações importantes podem ser apontadas com a Lei nº 11.645/08, que entrou em vigor em 10 de março de 2008, tais como: o reconhecimento do outro grupo étnico que constitui a população brasileira – o indígena e a substituição do termo ensino, presente na Lei nº 10.639/03 por estudo. Nesse ponto, consideramos pertinente tecer considerações sobre algumas características do discurso pedagógico e da prática docente quanto ao significado desses dois termos. O termo ensino evidencia uma certa pré- disposição: a de que se ensina o que há para se ensinar, assumindo, assim, um caráter prescritivo. Nas palavras de Orlandi (2009), o discurso pedagógico mostraria todo o seu autoritarismo, na medida em que desconsidera a historicidade do objeto e a presença do referente/interlocutor. Desse modo, não se abre um espaço de diálogo e não se estabelece a dinâmica de oposição, como no discurso polêmico. Nessa linha de

raciocínio, poderíamos recuperar o papel do professor como “conhecedor absoluto” e

reprodutor de informações que lhe são passadas, no caso desta pesquisa, pelo manual a ele direcionado. Já com o termo estudo, pode-se esperar uma postura de investigação, de criticidade, de estabelecimento de um discurso polêmico, de discussão/negociação de diferentes versões de fontes históricas em contraposição a um discurso oficial.

Em suma: a partir das configurações do discurso pedagógico, definidas por Orlandi (2009), por Vasconcellos (2003) e por algumas legislações, rapidamente apresentadas acima, constatamos que a dinâmica escolar, tanto numa perspectiva global quanto local, sofre pressões para mudanças, assim como demanda conhecimentos e reconhecimentos de outras esferas públicas, movimentos e grupos sociais, contextos internacionais etc.

Dito de outra forma: o intradiscurso pedagógico está intrinsecamente articulado e se vale explicitamente de outros discursos pertencentes a outros domínios, no âmbito do interdiscurso. Tal articulação também pode ser comprovada, com a presença de documentos jurídicos que constituem a principal “materialidade” de mobilizações sociais que culminaram em políticas públicas. A escola, portanto, se constitui e se