AVRUPA BİRLİĞİ UYUM SÜRECİNDE TÜRK POLİSİNİN YETKİLERİNDEKİ DEĞİŞİKLİKLER
3.1. TÜRK POLİSİNİN ARAMA, YAKALAMA VE İFADE ALMA YETKİSİ
3.1.1. AB Uyum Sürecinde Türk Polisinin Arama Yetkis
Afro sai da internet, mas não desliga as antenas. Sempre de olho no que acontece na rua, na televisão, angaria temas para pesquisar no Google na próxima vez que se conectar. Em uma palestra sobre violência, Afro desconfiou dos dados e foi ao Google descobrir a “verdade”. A versão contada na televisão sobre a guerra no Rio de Janeiro também não o
convencia e até mesmo a guerra na Tunísia era motivo de desconfiança e somente através da internet pode conhecer a versão da emissora Al Jazeera, do Catar, que questionava o número de mortes anunciado pelas emissoras ocidentais. “Isso tem gente que não sabe, a maior parte das pessoas não tem acesso à internet.
Da mesma forma, todos os jovens entrevistados tinham dificuldade em apontar suas referências na navegação do ciberespaço. Um site de notícias, uma revista eletrônica, ou um blog especializado que estivesse em sua rotina de navegação, um porto onde atracassem suas embarcações sempre que flutuassem pelas águas do mundo virtual. Afro ainda arriscou o R7, site de notícias que gosta muito. Binho lembrou o Game Vício, um site especializado em jogos e o vaga-lume, especializado em letras de músicas, entretanto, garante que muitas vezes chega até lá através do Google.
Para estes jovens, toda navegação começa pelo buscador mais acessado do mundo, o Google. Para eles, na internet, a informação é livre e eles acessam o que quiserem. Não é preciso conhecer um colunista confiável ou um blogueiro bem informado ou mesmo confiar a um editor de telejornal o papel de selecionar as notícias e os enfoques. Não há a necessidade de intermediários, nem é preciso acompanhar a crítica. Basta digitar no Google para ver o que quiser. Afro tem uma explicação para o assunto: “Eu acho que a internet ainda é um meio que a gente deve confiar, mais do que a televisão aberta. Porque televisão só passa o que ela quer”.
E esta é uma ideia corrente entre todos os entrevistados. Durante a pesquisa, pedíamos para os jovens compararem a televisão à internet com a intenção de perceber como entendiam o papel de telespectador em relação às possibilidades do papel do internauta. Ao perguntar, pretendíamos descobrir se compreendiam as possibilidades de produção de conteúdo para a internet em contraponto ao papel de espectador da televisão, que pouco ou quase nada pode interferir na programação.
No entanto, as respostas dos jovens apontavam muito mais para uma necessidade de construir seus próprios pontos de vista, sem a interferência dos donos da mídia, algo que aparece com tanto valor quanto a possibilidade de produzir o próprio conteúdo na rede. O que aparece em algumas falas ao longo das conversas.
Na internet você só pesquisa aquilo que você quer. A diferença da TV pra internet é assim. A TV só passa aquilo que eles querem, e a internet só passa aquilo que você quer. A TV é diferente, você só sabe aquilo que eles querem. Por isso eu acho chato (Binho, 27 anos).
A televisão só passa aquele negócio. A internet, o que você procurar, é só pesquisar (Rafa, 19 anos).
Zezão já teve experiências ruins com a televisão quando participou de uma manifestação em seu local de trabalho. Ele conta que a fala da diretora foi distorcida para prejudicar o lado deles. “Eu vi a farsa que fizeram, tá entendendo? E vi como funciona o processo”. É por isso que hoje Zezão não confia nas notícias que vê pela televisão, atitude compartilhada pelos colegas da Posse, que sabem bem o que é estar do lado mais fraco, do lado escondido pela cobertura midiática. Zezão aconselha
quando você for assistir à televisão, você assista os três programas de três emissoras diferentes. E você vai perceber que cada uma vai apontar um ponto de vista diferente, que cada uma vai querer passar pro seu telespectador a imagens do jeito... ou vai dramatizar demais para sensibilizar o público, ou vai querer afetar o governo [...], ou seja, cada um manipula a informação (Zezão, 36 anos).
Confrontada com a televisão brasileira – oligopolizada, centrada no eixo Rio-Brasília- São Paulo, porta-voz das elites e que ensaia os primeiros diálogos com camadas mais populares (que só agora ampliam seu poder de consumo) – a internet aparece como um espaço de liberdade, onde cada internauta pode interferir de forma aparentemente direta, circular por recantos esquecidos, ouvir vozes ocultadas.
A caixa de pesquisa em branco aponta para um novo mundo potencialmente aberto à exploração. Diante do cursor piscante, o internauta pode tudo, pede tudo e, muitas vezes, acredita alcançar seu objetivo de forma livre. No entanto, no espaço de microssegundos entre o pedido da busca e a exibição de resultados atuam algorítimos construídos a partir de demandas de interesses reais, principalmente, econômicos e financeiros, mas que, em momentos específicos também cedem a pressões políticas e ideológicas. Interesses ocultados por uma espessa camada matemática de números e códigos que escondem o tamanho da indústria que faz girar a rede mundial de computadores e que podem comprometer a liberdade de internautas por todo o planeta, inclusive os jovens do Guarapes. Preto, entretanto, nos ajuda a relativizar a questão apontando como as navegações ao ciberespaço podem, sim constituir espaços de liberdade no contexto dos jovens da Posse de Hip Hop.
Se a televisão é o meu entretenimento, a internet é o meu fortalecimento e meu aprimoramento de informação [...]. Eu não sei muito, eu não sei nada... mas o que eu sei, de alguma forma, eu tento socializar com os outros. Eu tento colaborar com os demais [...]. O mínimo de informação que os telejornais lhe dão é direcionada, diferente da internet... que eu pego um posicionamento aqui, pego um posicionamento acolá, eu tenho como confrontar (Preto, 27 anos).
Para estes jovens, conquistar o ciberespaço, ainda que sob a tutela de grandes empresas internacionais, representa a ampliação dos seus espaços de liberdade, outrora limitados a algumas poucas ruas do bairro, ao elevado custo da passagem do transporte
público, a alguns canais na televisão a difundir pontos de vista dominantes, a limitados fluxos de ideias.