• Sonuç bulunamadı

Öğretmenlerin Öğrenci Ürün Dosyası Boyutuna İlişkin Görüşleri…. 86

Belgede YÜKSEK LİSANS TEZİ (sayfa 101-108)

4. BÖLÜM: BULGULAR

4.1.4. Öğretmenlerin Öğrenci Ürün Dosyası Boyutuna İlişkin Görüşleri…. 86

O caput do art. 7º da Constituição Federal estabelece um rol de direitos mínimos destinados aos trabalhadores urbanos e rurais, abrindo as portas para outros mais que porventura venham a melhorar sua condição social.

Isso significa dizer que a Constituição admite a soma de direitos decorrentes de tratados e convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, bem como da legislação interna ordinária, de regulamentos empresariais, de instrumentos coletivos pactuados com sindicatos, de contratos individuais de trabalho e outros que derivem dos princípios gerais do direito, dos princípios de direito do trabalho, da analogia, dos costumes e da equidade, tal como previsto nos artigos 4º e 5º da LIBD, 8º da CLT e 7º do CDC44, este desde já invocado por analogia e compatibilidade com o modelo trabalhista nacional.

Ao assim dispor, o texto constitucional acima referido contempla um mandamento que assegura não só os direitos que oferece à classe trabalhadora, como também impede o retrocesso social nesse campo e inibe a criação de deveres ou limites ao exercício desses mesmos direitos, o que induz o legislador e o intérprete à fixação do mínimo de restrições possível a cada um deles.

Não bastasse isso, o art. 7º, caput, da CF mostra-se como norma que ordena e atrai direitos à classe trabalhadora que vão além daqueles típicos relacionados ao contrato individual de trabalho, diga-se, à relação de emprego, tais como o aviso prévio, as férias e o 13º salário, por exemplo. Seus efeitos

44 Justifica-se o uso do CDC em razão de se tratar de uma lei com nítida função social, de ordem

pública, por servir para proteger a sociedade, com origem constitucional e destinada à proteção de um grupo vulnerável em razão da posição jurídica que ostenta. Ou seja, seus vários pontos de contato com o direito do trabalho autorizam a analogia retratada pelo art. 8º da CLT.

irradiam-se para além e atraem a aplicação de preceitos contidos em outros ramos do Direito, tais como o direito civil e o direito consumerista, sempre dentro de um contexto de ampliação da proteção destinada à parte mais vulnerável da relação, ou seja, o trabalhador subordinado.

Dentro dessa conjuntura de plurinormatividade imposta pela ordem constitucional junto à seara trabalhista, mostra-se oportuna a sistematização da interpretação e aplicação do Direito, como forma de maximizar a proteção do trabalhador e dar efetividade ao art. 7º, caput, da CF. Diante de duas fontes normativas infraconstitucionais, exige-se do intérprete a coordenação sistemática de ambas de forma coerente e simultânea, a fim de que as múltiplas regras não totalmente coincidentes convirjam para a proteção do trabalhador, evitando-se as antinomias e resguardando-se a unidade do ordenamento jurídico. Isso só é obtido por meio da recondução de todas as normas a um princípio comum, que para a Constituição é a dignidade da pessoa humana, tal como previsto no art. 1º, III. É daí que se devem originar as linhas valorativas e de conformação previstas na Carta Magna45.

É nesse ambiente que se revela útil a teoria do diálogo das fontes de Erik Jayme, mestre de Heidelberg, que na lição de Cláudia Lima Marques, que a trouxe para o Brasil, representa a superação da antiga forma de solução de conflito de leis por meio de critérios como a especialidade, anterioridade e hierarquia e a passagem para um modelo de influências recíprocas e aplicação conjunta das normas, ao mesmo tempo e ao mesmo caso, agora iluminada pelos valores constitucionais e os direitos humanos ou fundamentais46. É assim que a

45 Marcelo Schenk Duque, O transporte da teoria do diálogo das fontes para a teoria da Constituição.

In: Diálogo das fontes: do conflito à coordenação de normas do direito brasileiro, p. 130.

46O “diálogo das fontes” como método da nova teoria geral do direito: um tributo a Erik Jayme. In: Diálogo das fontes: do conflito à coordenação de normas do direito brasileiro, p. 27-28.

ilustre jurista, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conceitua e explica a aplicação da nova teoria47:

A complexidade do sistema brasileiro de direito privado é inegável. O método do diálogo das fontes é um instrumento novo de coordenação dessas fontes, de forma a restaurar a coerência do sistema, reduzir a sua complexidade e realizar os valores ideais da Constituição ou da modernidade, de igualdade, liberdade e solidariedade na sociedade. Como os critérios da escolástica eram três – hierarquia, especialidade e anterioridade –, esta nova visão deve ter “diálogos: a nova hierarquia, que é a coerência dada pelos valores constitucionais e a prevalência dos direitos humanos; a nova especialidade, que é a ideia de complementação ou aplicação subsidiária das normas especiais, entre elas, com tempo e ordem nesta aplicação, primeiro a mais valorativa, depois, no que couberem, as outras; e a nova anterioridade, que não vem do tempo de promulgação da lei, mas sim da necessidade de adaptar o sistema cada vez que uma nova lei nele é inserida pelo legislador. Influências recíprocas guiadas pelos valores constitucionais vão guiar este diálogo de adaptação sistemático.

... (...) o método do diálogo das fontes é valorativo e inovador: promove sempre os direitos do sujeito mais fraco e seus direitos fundamentais! Como ensina a jurisprudência do STJ, é um instrumento de superação das antinomias a favor dos mais fracos: “Com efeito, consoante a teoria do diálogo das fontes, as normas gerais mais benéficas supervenientes preferem à norma especial (concebida para conferir tratamento privilegiado a determinada categoria), a fim de preservar a coerência do sistema normativo”.

Resulta daí, para o direito do trabalho, que a CLT deve ser lida de maneira coerente e coordenada com outras fontes do Direito, tendo particular

importância para o presente estudo o Código Civil de 200248 e assuntos relacionados à capacidade civil, aos direitos da personalidade, aos negócios jurídicos e aos contratos em geral.

No sentido de aplicação da teoria do diálogo das fontes no âmbito do direito do trabalho, o TST assim se manifestou em julgado revelador da utilidade desse novo modelo para a coordenação e construção de um sistema normativo protetivo dos direitos fundamentais da classe trabalhadora49:

RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE.

RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO DIRETÓRIO NACIONAL POR DÍVIDAS TRABALHISTAS DO DIRETÓRIO MUNICIPAL. Apesar do art. 15-A da Lei nº 9.096/1995, com a redação dada pela Lei nº 12.034/2009, conferir responsabilidade trabalhista exclusivamente ao órgão partidário que tiver dado causa ao não cumprimento da obrigação, o art. 17, I, da CF estabelece que os partidos políticos terão caráter nacional. Do mesmo modo, verifica-se que a personalidade jurídica é conferida aos partidos políticos e não aos seus diretórios. Sendo assim, os diretórios mais se assemelham à figura do órgão prevista no direito administrativo ou, então, à filial de uma empresa, fazendo-se necessário promover um diálogo das fontes

48 O art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro dispõe que “a lei nova, que

estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”, o que maximiza a importância do estudo das antinomias à luz da teoria do diálogo das

fontes.

49 No contexto do direito processual do trabalho, destaca-se a seguinte ementa de julgado que houve

por bem se valer da teoria do diálogo das fontes como ferramenta útil à otimização da execução em face das novas regras do CPC e da antiga redação do art. 880 da CLT: APLICAÇÃO NO ART.

475-O DO CPC NO ÂMBITO DO DIREITO DO TRABALHO - É cabível a aplicação do artigo

475-O do CPC no processo do trabalho, não só por força do disposto no art. 769 da CLT, mas principalmente porque a natureza do crédito trabalhista se harmoniza com normas de índole protetiva que visem à otimização do princípio da efetividade da prestação jurisdicional. Assim, sempre que o processo civil, em razão das recentes reformas legislativas, visar o aperfeiçoamento dos procedimentos executivos, com o objetivo de se alcançar de forma efetiva a satisfação dos créditos reconhecidos judicialmente deve-se estabelecer a heterointegração do sistema mediante o diálogo das fontes normativas (TRT-3, 6ª Turma, AP, Processo n. 01067-2006-043-03-00-7, Rel. Jorge Berg de Mendonça, DO 13-10-2009, v.u.).

entre os diversos ramos do direito para considerar que é o partido político o verdadeiro responsável por obrigações trabalhistas de seus diretórios. Recurso de Revista conhecido e provido (TST, 4ª Turma, RR, Processo n. 166800-41.2008.5.06.0003, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, DEJT 25-3-2011, p.m.).

O que decorre da aplicação da teoria do diálogo das fontes ao direito do trabalho é, pois, um diálogo entre valores constitucionais de proteção ao trabalhador, sujeito hipossuficiente e vulnerável dentro da relação que mantém com seu empregador, o que leva à eficácia horizontal dos direitos fundamentais e, assim, humaniza o direito privado, no caso, o próprio direito trabalhista.

Em outras palavras, descortina-se um direito privado infraconstitucional que passa a ser mais do que um mero direito que se encontra sob a Constituição. Em certo sentido, ele se transforma em parte do próprio texto constitucional, viabilizando sua aplicação prática notadamente, mas não exclusivamente, no tocante àqueles direitos fundamentais que não gozam de aplicação imediata por faltar-lhes instrumentalidade50.

Esse diálogo poderá ocorrer de três diferentes maneiras. Ele poderá ser sistemático de coerência, quando duas leis são aplicadas simultaneamente, mas uma serve de base conceitual para outra; de complementaridade ou

subsidiariedade, na hipótese de ocorrer a aplicação coordenada direta ou

50 Marcelo Schenk Duque, em denso estudo intitulado “O transporte da teoria do diálogo das fontes

para a teoria da constituição”, sugere a incorporação da teoria do diálogo das fontes à teoria da

constituição, por meio do seguinte mecanismo: “à medida que os valores constitucionais abstratos

depuram o direito, eles elevam o nível jurídico das normas de direito ordinário e da jurisprudência. Com o tempo, vai surgindo um direito mais justo que, por sua vez, depura os valores da constituição, em um ciclo contínuo de aperfeiçoamento. Em suma, a influência do direito constitucional sobre o direito ordinário encontra-se, sobretudo, no plano do seu aperfeiçoamento e desenvolvimento” (Diálogo das fontes: do conflito à coordenação de normas do direito

brasileiro, p. 142-143). A questão, apesar de palpitante, não comporta maior aprofundamento neste

indireta de duas leis, respectivamente; e, ainda, de influências recíprocas

sistemáticas, quando os conceitos estruturais de determinada lei sofrem influência de outra (diálogo de coordenação e adaptação sistemática)51.

Importa agora estudar os reflexos da hermenêutica constitucional retratada no subitem 1.6 e da teoria do diálogo das fontes na interpretação e aplicação dos elementos caracterizadores da relação de emprego.

1.8 Reflexos do princípio da interpretação conforme a CF e da

Belgede YÜKSEK LİSANS TEZİ (sayfa 101-108)