2.10. İlgili Yayınlar ve Araştırmalar
2.10.1. Yurt İçinde Yapılan İlgili Yayınlar ve Araştırmalar
A percepção, atenção e consciência constituem-se em conceitos básicos quando se analisa o processamento dos insumos e sua posterior incorporação pela memória do aprendiz. Em grosso modo, a percepção relaciona-se à captação dos estímulos do ambiente por meio dos sentidos e sua interpretação pelo indivíduo (Grossberg, 1999); por sua vez, a atenção é um mecanismo de seleção de tais estímulos e a consciência diz respeito ao processo intencional de relação das experiências subjetivas às estruturas cognitivas do indivíduo (Schmidt, 1995).
Vamos conferir um destaque inicial à atenção. A atenção é um recurso mental seletivo, de capacidade limitada e estreitamente ligado ao controle voluntário das ações (Mota & Zimmer, 2005). Para que a atenção entre em ação, é necessária, inicialmente, uma intenção em participar do ato comunicativo. Nesse sentido, Grossberg (1999) postula que o aprendizado passa por um estado de intenção que implica atenção e consciência, noção corroborada por Stevick
(1996). Vale notar que, embora essa argumentação se coloque como uma negação do aprendizado incidental, cuja existência é aceita na literatura da área (Schmidt, 1995), assumimos uma interpretação de que, quando a atenção é direcionada a um foco qualquer, a intenção e consciência sobre o ato de aprender estão presentes e se inter-relacionam agindo como facilitadores.
Essa relação é de importância capital para este trabalho. Para que o estado de consciência elevada que apregoamos se concretize, é necessário, primeiramente, o aprendiz ter sua atenção direcionada a aspectos do seu aprendizado os quais, sem a intervenção pedagógica, poderiam escapar à sua percepção. Esse processo ocorre de forma que a percepção direcionada pela atenção a um estímulo será necessariamente seguida da disponibilidade de tal estímulo, na esfera da consciência, à introspecção e aprendizagem subseqüente (Roessler, 1999).
Em termos do funcionamento do processamento de informações, a relação entre esses conceitos foi explorada por Levelt (1993) para destacar o grau de atenção necessário para a realização de uma tarefa. O autor chegou à dicotomia entre o processamento automático e inconsciente e o processamento controlado e consciente das informações. Para ele (ibid), o processamento automático ocorre sem a intenção ou a consciência do indivíduo. Ele é baseado fundamentalmente na percepção e é caracterizado por ser extremamente rápido e por não partilhar recursos de memória com outros processos cognitivos, os quais podem correr em
paralelo com ele. Isso o torna muito eficiente; por outro lado, por conta da sua agilidade e interiorização no sistema cognitivo, ele se torna inflexível e difícil de alterar em sua constituição. Por sua vez, no processamento controlado e consciente, quando há uma demanda de recursos da atenção para uma determinada tarefa, o indivíduo adquire consciência e controle sobre o que está fazendo. O processamento, nesse caso, é serial (ocorre um a cada vez) e, por isso, mais lento. Isso explica por que os aprendizes não conseguem se expressar com fluência nos estágios iniciais da aprendizagem, pois eles têm que direcionar muitos recursos para a atenção no que estão ouvindo ou dizendo, ou seja, a precisão se sobrepõe à fluência. Por outro lado, o autor (ibid) argumenta que, ao contrário do processamento automático, o processamento controlado ainda não está totalmente fixado na memória, tornando-se, assim, flexível e passível de adaptações de acordo com as demandas da tarefa.
Uma outra linha de estudos relaciona a percepção, a atenção e a consciência ao conceito de memória multicomponencial. Engle (2002) define o potencial da memória de trabalho (MT, doravante) como uma função direta da capacidade de atenção concentrada de um indivíduo; ele menciona, por exemplo, nossa capacidade de bloquear outros insumos quando estamos concentrados em uma atividade, por exemplo, assistindo a uma cena tensa de um filme. Rosen & Engle (1998), na mesma direção, relacionaram a capacidade de suprimir pensamentos ou comportamentos intrusivos, ou seja, de focalizar a atenção à capacidade da MT. Estudos de Conway et alii (2002) reforçam essa ligação apresentando a MT como composta por um componente de armazenamento de informações e a atenção. Na mesma linha, Kane et alii (2001) e Cowan et alii (2005) estabelecem uma relação entre a capacidade da MT e o controle da atenção. Por fim, há estudos que ratificam a importância de se trabalhar com modalidades diferentes de insumo como um suporte para a fixação do insumo na memória, tais como Bird & Williams (2002), que recomendam a exibição do texto de uma passagem na L2 acompanhando o insumo oral.
Já na área da psicologia motivacional, Kane & Engle (2003) estabelecem uma relação entre a atenção e a manutenção de objetivos. Segundo os autores, o controle consciente e a manutenção do foco no objetivo têm uma relação direta com a atenção seletiva, o que indica a importância da conscientização dos alunos a respeito dos objetivos estabelecidos em uma tarefa para que possam enfocar seus esforços e atenção para sua realização.
As discussões levantandas nos parágrafos anteriores confirmam nossa percepção de que, devido à sua relação com o processamento controlado de informações, a MT e a motivação, a atenção do aluno é um fator primordial a ser trabalhado pelos professores. Ela deve ser
enfocada por meio de uma intenção pedagógica que a direcione para os aspectos essenciais do
fenômeno sob estudo, ativando a consciência e possibilitando uma ação voluntária e motivada
no sentido da facilitação do ato de aprender.
A atenção ganha um destaque especial na literatura da aquisição de L2s. Cowan (1997) postula que a atenção torna a percepção do objeto focado mais integrada, completa e semanticamente mais rica do que para os outros componentes do campo perceptivo. Com base nessa noção, Schmidt (1994) condicionou a aprendizagem da L2 à atenção direcionada à forma lingüística que se deseja estudar em sua “Hipótese da Percepção”. Essa relação entre a percepção e a atenção direcionada fundamentou a abordagem de Instrução com Foco na Forma (Doughty, 2001). Na visão de Doughty (ibid), a atenção é o componente cognitivo central da abordagem de Foco na Forma, pois ela direciona o aprendiz a perceber o aspecto que o professor deseja destacar. Schmidt (1995, 2001) postula que um nível maior de atenção leva a uma maior aprendizagem; Leow (1997) argumenta que a atenção favorece a metaconsciência, ou a consciência sobre o processo de aprendizagem, o que proporciona um maior uso de processamento conceitual da informação; Gass, Svetics & Lemelin (2003) postulam que a atenção induzida serve como uma lupa para o aluno perceber lacunas em seu conhecimento; finalmente, Doughty (2003) e Taube-Schiff & Segalowitz (2005) relatam a importância da atenção para o aprendiz evitar que o sistema da L1 interfira no aprendizado da L2.