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Eleştirel Düşünen ile Eleştirel Düşünmeyen Birey ve Özellikleri

2.7. Eleştirel Düşünme

2.7.12. Eleştirel Düşünen ile Eleştirel Düşünmeyen Birey ve Özellikleri

A proposta de Fraser está concretizada em seu livro Teaching pronunciation: a handbook for teachers and trainers. O material, como o próprio nome sugere, pretende ser um guia para professores na área do ensino de pronúncia de L2.

Fraser destaca que o seu trabalho não se constitui em um método de ensino, mas em um conjunto de princípios que foram adaptados à abordagem comunicativa de ensino. Ela enfoca o uso de materiais que sejam úteis para a comunicação real e a comunicação metalingüística a respeito de pronúncia. Percebe-se, também, uma preocupação com a aplicação prática do que é feito em sala de aula. O critério fundamental da sua proposta é (Fraser, 2001:12): “Tudo deve ser julgado pela pergunta: ‘Isso conduz diretamente a melhorias observáveis na pronúncia dos alunos?’”. O problema que enxergamos nessa pergunta é o seu viés comportamentalista representado na expressão “comportamentos observáveis”. Nem sempre os progressos obtidos pelos alunos serão observáveis, principalmente aqueles que não acarretarão mudança de comportamento, no caso, desempenho oral na L2. A autora ignora, similarmente, os estudos sobre interlíngua, que propõem que, para chegar em um nível de domínio fluente na L2, o aluno passa por diversos estágios, os quais compõem a sua interlíngua, atravessando, inclusive, momentos de queda no desempenho (Nunan, 1999).

Fraser procurou identificar algumas práticas que, de acordo com ela, se tornaram aceitas na literatura como fatores chave no ensino efetivo de pronúncia. Ela as apresenta e justifica sua efetividade, a seguir, através do desenvolvimento de conceitos que as norteariam. Tais práticas são (Fraser, 2001:17-18):

1- O enfoque na prosódia, ou seja, nos aspectos intersegmentais (nível da palavra) ou supra- segmentais (nível da sentença);

2- A oportunidade de prática de fala ao invés da aprendizagem de regras ou fatos a respeito de pronúncia, mais intensamente nos estágios iniciais;

3- O ensino de pronúncia requer um trabalho abrangente na percepção e análise contrastiva dos sons e a formação de conceitos fonológicos.

A autora afirma que o maior problema na empreitada de se aprender a pronúncia de uma L2 é a re-conceituação dos sons no sistema dessa língua. Para Fraser, as dificuldades dos alunos residem no âmbito cognitivo (cf. Fraser, 1999; Jenkins, 2000) e não no físico, já que os alunos estão biologicamente habilitados a perceber e produzir quaisquer sons produzidos pela fala humana.

Ela define a conceituação como a “formação de estruturas mentais que realizam a

mediação entre a realidade externa e a nossa compreensão dessa realidade” (Fraser, 2001:21). Fraser afirma que, basicamente, saber um assunto envolve aplicar um conceito, ou uma estrutura mental, a ele. O problema para os aprendizes de uma L2 é que as línguas formam conceitos de maneiras diversas, o que causa dificuldades de compreensão mútua entre os falantes de L1s diferentes. Dessa forma, o processo cognitivo interno que os alunos devem realizar é de uma re- conceituação, ou seja, uma nova conceituação a partir dos parâmetros da L2. Esse processo

também é denominado de reformulação na literatura e, de acordo com autores como Tocalli-

Beller & Swain (2005), envolve um conflito cognitivo que, ao ser resolvido por meio da metalinguagem, é fundamental para o aprendizado da L2.

Um outro aspecto levantado pela autora a respeito dos conceitos é que eles podem ser formados em dois níveis: do consciente e do inconsciente. Para Fraser, os conceitos inconscientes seriam os responsáveis pelo nosso comportamento e compreensão do mundo, o que se aplica também aos conceitos fonológicos que guiam nossa pronúncia24. A autora sugere que, pelo fato de que os conceitos aprendidos em sala de aula serem retidos apenas no nível do

consciente, eles não causam mudanças no nosso desempenho fonológico. Dessa forma, para ser eficiente, o ensino de pronúncia deve ajudar o aluno a re-conceituar a pronúncia da L2 no nível do inconsciente, o que poderia ser alcançado, segundo a autora, através da comunicação metalingüística e da experiência e prática intensa dos conceitos aprendidos25. A comunicação metalingüística atuaria na construção de novos conceitos na L2 a partir daqueles existentes na L1, enquanto que a experiência e a prática possibilitariam a alteração e introjeção dos conceitos novos no nível do insconsciente. Fraser preconiza que o professor só pode ser um facilitador desse processo, pois o ensino explícito só pode afetar os conceitos no nível do consciente, ficando o processo interno a cargo exclusivo do aluno.

Estes fundamentos foram utilizados por Fraser para elaborar os princípios que regem as atividades realizadas em sala de aula. Eles são os seguintes:

a) Um currículo apropriado: a autora argumenta que, quando se ensina um assunto qualquer,

deve-se partir de conceitos básicos, os quais formarão a base para conceitos mais complexos;

b) O aluno como centro do processo: a autora destaca alguns pontos que colocariam o aluno no

centro do processo educativo: a) é essencial que os professores entendam que os alunos estão passando por um processo de re-conceituação da fala. Assim, não basta apenas fornecer um bom modelo de desempenho oral, pois isso significaria deixar os alunos conceituando o que eles ouvem em termos de sua L1; b) é importante que as informações metalingüísticas favoreçam a aplicação prática dos conceitos; c) o ponto de partida deve ser o conhecimento atual dos alunos

(um teste diagnóstico se torna extremamente importante no início do curso); d) a autonomia dos alunos deve ser desenvolvida desde o início; a oportunidade de praticar é colocada como fundamental; os alunos devem ser conscientizados sobre o que e como eles devem aprender.

Após estabelecer os princípios derivados dos fundamentos, a autora parte para as sugestões de como a prática de sala de aula deve incorporá-los. Dentre elas, destacamos: