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Deney Grubunda Araştırmanın Uygulama Basamakları

BÖLÜM III YÖNTEM

3.8. Araştırmanın Uygulama Basamakları

3.8.1. Deney Grubunda Araştırmanın Uygulama Basamakları

O paradigma conexionista, contudo, desafia algumas dessas concepções básicas. Ele aparece como uma oposição à visão simbólica da arquitetura da mente como um sistema de compartimentos responsáveis por funções distintas, tais como armazenar ou processar informações. O conexionismo assume uma visão que interpreta os processos cognitivos em função da interação entre o cérebro e o ambiente (Mota & Zimmer, 2005).

Segundo as autoras (ibid), o aprendizado dar-se-ia por meio da estimulação de redes neuronais, as quais gerariam sinapses com padrões de atividade elétrica mais fortes do que outros; tais padrões formariam trilhas de processamento e incorporação de informação. Esse processamento aconteceria simultaneamente em regiões distintas do cérebro, daí seu nome, Processamento de Distribuição em Paralelo.

Uma vertente do conexionismo, o emergentismo, critica as teorias inatistas da aquisição de conhecimentos e tenta explicar a cognição como fruto de interações entre componentes biológicos, como os genes, e o ambiente; nessa visão, a epigênese da linguagem é explicada como um acúmulo de experiências e exposição a insumos, o que conduz à criação de um sistema emergente complexo, dinâmico e não-linear de representações lingüísticas baseado em restrições derivadas da interpretação dos dados (N. Ellis, 1998).

Os pesquisadores conexionistas procuram por princípios gerais que regeriam o funcionamento da cognição. Eles não negam a existência de sistemas simbólicos, mas questionam sua relevância ou necessidade para explicar a cognição humana (Mota & Zimmer, 2005).

Na concepção de memória do conexionismo, as representações espaciais de compartimentos da memória do paradigma simbólico são rejeitadas em favor de uma visão temporal de ativação de padrões elétricos durante a estimulação de um insumo específico. Nessa concepção, a própria distinção entre conhecimento e processamento fica diluída, pois o conhecimento ativado por padrões elétricos só se manifesta durante o processamento.

O paradigma conexionista possui o HipoCort (McClelland, McNaughton & O’Reilly, 1995) como modelo que explica o funcionamento do processo de aquisição de conhecimento via rede neuronal. Assim como o paradigma simbólico, os autores (ibid) utilizaram-se de um mecanismo computacional para representar as inter-relações entre as redes neuroniais, postulando

que a memória e a aprendizagem ocorrem por meio de reestruturações sinápticas no sistema do hipocampo, um sistema de processamento veloz de informações. Tais mudanças, quando realizadas pelo aprendiz, são incorporadas pelo neocórtex de maneira lenta e gradual. A aprendizagem, dessa forma, resultaria da atuação integrada dessas duas áreas cerebrais e formaria trilhas elétricas de memória que poderiam ser reativadas por insumos semelhantes ao que as originou (ibid). A incorporação da informação, todavia, seria efetivada no neocórtex, e seria caracterizada como lenta e implícita, já que as mudanças sinápticas resultantes seriam sutis demais para serem ativadas via conhecimento explícito.

O modelo HipoCort interessa para a área de pesquisa em L2, pois ele pode oferecer uma explicação biológica para o processo de transferência da L1 para a L2 e a aquisição da L2. No início da aprendizagem, o aprendiz traz um sistema neurolingüístico bastante organizado, o qual representa uma estrutura emergente (da L1) que entra em contato com outra, o sistema da L2 (MacWhinney, 2001). Nessa fase, o sistema da L2 é extremamente dependente da L1 e a transferência da L1 para a L2 é praticamente automática (ibid). À medida que o aprendiz desenvolve seu sistema da L2 via transformações lentas no neocórtex, o aprendiz constrói novas trilhas sinápticas que representam os novos conceitos apreendidos. Dessa forma, ao utilizar a L2, o aprendiz processará a informação por meio das novas trilhas formadas, as quais atuariam como uma barreira contra a influência do sistema da L1 (ibid). A reestruturação sináptica seria responsável pela separação dos dois sistemas, embora alguma transferência sempre esteja presente.

Um exemplo da resiliência da transferência é a fossilização de aspectos fonológicos. Mota & Zimmer (2005) destacam a proposição de que os mecanismos de modificação sináptica tendem a reforçar o padrão que um determinado insumo tenha ativado. O problema é que, se um insumo na L2 for muito semelhante a um insumo na L1 (como o caso dos fonemas /4/ do inglês e /(/ do português), o cérebro tende a interpretar ambos como um único insumo, ativando, assim, os mesmos padrões sinápticos em resposta a eles.

Finalmente, a alteração dos padrões sinápticos desejáveis para a aquisição da L2 ocorreria por meio da repetição intensa de informação no hipocampo para que as associações desviantes da L1 no neocórtex fossem superadas (ibid). Dessa maneira, justificam-se a instrução explícita e a utilização de repetidas exposições à forma alvo como pré-requisitos para o monitoramento e efetivação da aprendizagem da L2.

Concluindo, tanto o paradigma simbólico quanto o conexionista são convergentes no que diz respeito ao valor da instrução explícita e da repetição para que o aprendiz possa monitorar a sua aprendizagem da L2, como forma de superar a barreira imposta pela influência da L1. Suas diferenças mais latentes referem-se às representações do conhecimento e do processo de aprendizagem, com o paradigma simbólico destacando a formação de sistemas de símbolos em uma arquitetura determinada e um modelo multicomponencial de memória; e o paradigma conexionista, por outro lado, assumindo uma visão ecológica dos processos cognitivos, apregoando uma interação íntima entre o cérebro e o ambiente na formação de sistemas emergentes de padrões sinápticos, os quais seriam responsáveis pelo conhecimento, a memória e a aprendizagem.

Em nossa concepção, os dois paradigmas referem-se basicamente a processos semelhantes. O conjunto MCP/MT pode ser comparado ao hipocampo, pois ambos são ágeis no processamento da informação e atuam como mediadores ativados em complementação a um sistema mais lento e inflexível de armazenamento de informação perene, a MLP e o neocórtex, respectivamente. A grande diferença está na representação dos processos cognitivos: metafórica no paradigma simbólico, e biológica no paradigma conexionista.

Neste trabalho, adotaremos o paradigma simbólico como o sistema para explicar a aquisição de conhecimentos, pelo destaque conferido à percepção, à atenção e à consciência e à sua relação com o modelo múltiplo de memória, principalmente o conjunto MCP/MT, pelo seu papel fundamental no processamento e a possibilidade de modificação via instrução explícita. Reconhecemos as críticas conexionistas às concepções simbólicas, principalmente ao conceito de memória como formada por compartimentos físicos responsáveis por funções diferentes; essas observações, contudo, não anulam, em nosso entendimento, a validade das proposições simbólicas, pois, repetimos, trata-se de uma visão metafórica em confronto com uma visão neurológica de interpretações semelhantes sobre o mesmo fenômeno.

Do paradigma conexionista, destacamos a tentativa de relacionar o sistema biológico ao mental, com a conseqüente quebra da dicotomia essência versus existência, rutpura a qual Husserl defendeu ao final de sua carreira nos estudos fenomenológicos. É exatamente essa visão que advogamos em relação à estreita relação entre o sujeito como ser existente em um contexto real e a mente e suas representações de conceitos.

Parece-nos que uma união entre os dois paradigmas não só é possível como útil para uma visão mais abrangente sobre o conhecimento e a aprendizagem, a qual compreenda tanto as metáforas que o indivíduo constrói em sua tentativa de entender o mundo quanto os processos biológicos envolvidos na evolução cognitiva humana. Esta visão é a nossa concepção sobre a aquisição de conhecimentos e também a base de nossa concepção de educação formal, para a qual nos dirigimos agora.