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2.7. Eleştirel Düşünme

2.7.4. Eleştirel Düşünme Süreci ve Aşamaları

As autoras apresentam sua proposta no livro Pronunciation (1994). Segundo elas, ao invés de tentar oferecer uma abordagem, o objetivo da obra é “engajar os professores de línguas em um processo de desenvolvimento profissional contínuo, a fim de capacitá-los a uma avaliação crítica e aplicação informada das idéias” a respeito do ensino de pronúncia (Dalton & Seidlhofer: x).

Elas partem das seguintes premissas:

a) a escolha de modelos de pronúncia para se seguir na prática de sala de aula é mais importante do que a adoção integral de uma norma18;

b) os itens de pronúncia que são mais relevantes na LE e que os alunos conseguiriam dominar são mais importantes para a pronúncia do que a correção e a precisão;

Tais premissas apresentam como corolário o fato de que há um deslocamento do foco daquilo que é considerado desejável e viável como objetivo do ensino de pronúncia: não mais a norma do falante nativo, mas sim um nível adequado de inteligibilidade, posição que defendemos neste trabalho.

Na definição do objeto de estudo, a pronúncia é entendida como a produção de sons significativos. Os sons seriam significativos por dois motivos: a) no aspecto de produção e

18 As autoras fazem uma distinção entre modelo e norma. Uma variedade de um idioma é adotada como modelo

quando não se procura seguir suas regras integralmente, adaptando-as à realidade dos alunos e sua LM. Uma variedade é adotada como norma quando ocorre a adoção integral de suas regras de pronúncia.

recepção de sons da fala, são partes de um código de uma língua específica; b) no aspecto dos atos da fala, são empregados para produzir sentido em contextos de uso. Elas destacam o aspecto discursivo do ensino de pronúncia, ao afirmar que ele não tem um fim em si mesmo, mas deve estar a serviço da negociação de sentido.

Em seguida, vem a proposta de aplicação prática. Segundo as autoras, é fundamental que se trabalhe explicitamente com a pronúncia em sala de aula, pois a maioria dos alunos não consegue identificar o que deve ser feito para se desenvolver. As autoras seguem com a argumentação de que, se o ensino de pronúncia deve ser explícito, faz-se necessário estabelecer qual abordagem será utilizada para tal empreitada e delimitar o conteúdo a ser trabalhado.

Para Dalton & Seidlhofer, há duas dimensões que estabelecem os princípios básicos para o ensino de pronúncia: o modo como o conteúdo é selecionado e apresentado (a prioridade ao estudo de segmentos, ou abordagem ascendente, ou aquela que prioriza os sons no contexto, a abordagem descendente). A segunda dimensão refere-se a uma distinção existente no foco do curso: se na origem dos alunos ou onde se deseja chegar com eles. No primeiro caso, a L1 dos aprendizes assume um papel fundamental na determinação da seleção do conteúdo, já que, como já vimos anteriormente, a transferência da L1 exerce uma forte influência no aprendizado da L2, principalmente na área de pronúncia. Assim, o enfoque ocorrerá em aspectos que se mostrarem mais difíceis para os aprendizes da L1 específica. No segundo caso, enfocam-se os aspectos mais importantes para o uso comunicativo da L2, elegendo-se, como também já foi exposto, um modelo para se aproximar e não uma norma a se seguir.

Em termos de prioridades curriculares, as autoras sugerem a acentuação (stress) como o ponto ótimo entre os itens que podem ser ensinados/aprendidos e aqueles que possuem importância comunicativa, sendo, portanto, o item que deveria receber prioridade em qualquer curso de pronúncia, argumento corroborado por Cruz (2001). A entonação recebe um tratamento secundário devido às dificuldades inerentes à sua aprendizagem, chegando a ser excluída do programa por Jenkins (2000).

Em nossa concepção, a proposta de Dalton & Seidlhofer prima pelo suporte didático e pedagógico. O livro atinge seu intento de fornecer subsídios para uma reflexão crítica e uma prática informada dos professores a respeito dos aspectos que devem ser levados em consideração ao se elaborar e aplicar uma aula, uma unidade ou até mesmo um programa de pronúncia. Fica claro que, ao invés de seguir receitas e normas rígidas, o professor deve ser capaz de analisar sua

realidade e compor uma situação de ensino que seja a melhor possível para o desenvolvimento de seus alunos. Nesse sentido, a obra é muito mais uma orientação global sobre o ensino de pronúncia do que apenas uma proposta de ensino.

Também destacamos o enfoque explícito na pronúncia em sala de aula, pela própria razão levantada pelas autoras de que os alunos não têm condições de, sozinhos, detectarem seus problemas e agirem sobre eles.

Por outro lado, como defendemos que o ensino de pronúncia seja estruturado e sistematizado, sentimos que o professor, principalmente o iniciante, fica carente de orientações mais palpáveis sobre como proceder concretamente, embora, como já tenha sido enfatizado, não seja essa a intenção das autoras. Assim, não são abordados, por exemplo, os possíveis critérios para se eleger um modelo de pronúncia a ser seguido ou detalhes de como realizar um diagnóstico das necessidades dos alunos para se elaborar um programa adequado a eles. Outro aspecto da obra é a omissão a respeito da avaliação, que sequer é mencionada. Entendemos que seria desejável que o professor tivesse acesso a diretrizes sobre como obter um retorno qualquer do progresso do desempenho de seus alunos para melhor orientá-los a respeito de maneiras de modificar ou incrementar sua aprendizagem.