2.10. İlgili Yayınlar ve Araştırmalar
2.10.2. Yurt Dışında Yapılan İlgili Yayınlar ve Araştırmalar
Os estudos sobre a estrutura da memória têm assumido um papel fundamental na área da psicologia cognitiva nos últimos trinta anos (Baddeley, 1998). A área de aquisição em L2 acompanhou esse movimento um pouco mais tarde, mais precisamente desde o início dos anos 90 (Robinson, 2001). Esse interesse não é difícil de se explicar, dado que uma compreensão acerca do funcionamento da memória poderia levar, em última instância, ao conhecimento de como as informações são decodificadas, armazenadas e recuperadas pelas pessoas (Baddeley, 1998). Especificamente em nossa área, poderíamos entender como uma língua é adquirida.
Três conceitos são utilizados na representação da composição da memória na TPI: a memória de trabalho (MT), a memória de curto prazo (MCP) e a memória de longo prazo (MLP) (Robinson, 2003). Eles são metáforas que tentam explicar como aprendemos, retemos e recuperamos informações. Não existe no paradigma simbólico, todavia, um consenso a respeito da estruturação da memória humana, especialmente em relação à separação ou não entre a MCP e a MT. É desse dilema e sua relação com a MLP de que as próximas seções se ocuparão.
a) A Memória de Longo Prazo
Comparado aos conceitos de MCP e MT, o conceito da memória de longo prazo (MLP) produziu bem menos polêmica na literatura especializada. De acordo com Mota & Zimmer (2005), ela tem sido classificada de acordo com dicotomias do tipo memória episódica (experiências autobiográficas) vs. semântica (informação enciclopédica) ou declarativa (factual, explícita, de acesso à consciência e passível de verbalização) vs. procedimental (implícita, não acessível à consciência e não passível de verbalização). Stevick (1996:29), por sua vez, apresenta uma definição baseada no aspecto temporal da MLP e a define como “tudo que permanece na memória por mais de 20 segundos”. Já Robinson (2003:631) destaca o seu aspecto funcional e sugere que a MLP “é [o local] onde porções de insumo decodificado são armazenadas e assumem o contorno de representações que os processos de reconhecimento relacionam a novas porções de insumo na MT durante o processamento e a compreensão”. Como podemos perceber nesta definição, a MLP é uma metáfora que representa o conjunto de informações armazenadas pelos indivíduos e interpretadas por eles de maneira idiossincrática, ou seja, cada pessoa tem sua forma de representar o resultado da aquisição, do processamento e da recuperação das informações por meio do trabalho conjunto da MLP, a MT e a MCP. Stevick (1996) destaca que, se por um lado a MLP permite a retenção de uma quantidade imensa de informações, por outro lado ela não pode ser explorada ou modificada diretamente, necessitando da interface da MCP e da MT para ser ativada.
Em uma outra interpretação da MLP, os aprendizes interpretam novas informações a partir de estruturas de conhecimento chamadas de esquemas, as quais são construídas a partir de nossas experiências e são utilizadas sempre que a atividade executada envolve aspectos relacionados aos esquemas específicos; como exemplo, quando alguém nos pede que paguemos
uma conta no banco, ativamos imediatamente os conhecimentos e procedimentos que acumulamos e que estão relacionados a essa atividade (Murcia, Brinton & Goodwin, 1997). A TPI prevê que, durante a aquisição fonológica de uma L2, os alunos interpretam os sons de acordo com o sistema (esquemas) de sons de sua L1. Além disso, eles processariam os novos sons de maneira automática, o que explicaria, em parte, os processos de fossilização da pronúncia prevalente nos adultos, pois sua capacidade de percepção estaria comprometida pela idade e eles já não conseguiriam identificar alguns sons da L2 (ibid).
Em ambos os casos, a MLP é reconhecida como a porção da memória por meio da qual o conhecimento é arquivado. Quando o assunto é o processamento da informação, a TPI recorre aos conceitos da MT e MCP.
b) O conjunto Memória de Curto Prazo / Memória de Trabalho
Os conceitos de MCP e MT aparecem na literatura de três formas distintas: distintamente separados, mesclados em uma só entidade ou admitindo a existência da MT acumulando as funções geralmente atribuídas à MCP.
Na primeira linha, pesquisadores, como Stevick (1996), Engle et alii (1999) ou Engle (2002), propõem a separação entre os dois conceitos, definindo a MCP como um local de passagem de informações retidas por um tempo limitado, enquanto que a MT estaria ligada ao processamento de informações com uma capacidade limitada. Majerus et alii (2004), por exemplo, associam a aprendizagem de novos princípios fonológicos sublexicais a um melhor desempenho no trabalho conjunto entre a MCP e a MLP na recuperação de itens lexicais. Outra linha de estudiosos, na qual está Robinson (2003), apresenta esses dois tipos de memória como um conjunto único, o qual funciona como uma seção da MLP que se encontra em um estado de ativação elevada em um determinado momento. Uma terceira linha, dentre eles Baddeley (1998), praticamente abandona o termo MCP e descreve a MT como responsável tanto pela retenção temporária quanto pelo processamento das informações.
Os estudos que abandonaram a noção de MCP analisam a MT sob vários aspectos. De interesse para este trabalho, veremos que o conceito de atenção apresenta uma conexão íntima com a MT. Em termos de instrução, Kane & Engle (2003) relacionam a capacidade da MT a habilidades cognitivas e metacognitivas, tais como a compreensão da linguagem, o aprendizado
e o raciocínio. Por sua vez, Fedorenko, Gibson & Rohde (2006) argumentam que, por natureza, os recursos da MT ligados a um domínio específico podem ser transferidos a outros domínios, o que dá suporte à nossa crença acerca da possibilidade de transferência das habilidades de pensamento entre domínios diversos de conhecimento.
Já os estudos que assumem a possibilidade da existência conjunta das duas entidades sugerem, por exemplo, que a MT pode desenvolver-se em conjunto com a MCP ao facilitar o armazenamento de informações por meio da repetição oral dos itens (Levelt, 1993; Doughty, 2001). Essa idéia é corroborada por Jensen & Vinther (2003), que obtiveram resultados positivos na retenção de fragmentos orais por meio da repetição, principalmente quando não houve sobrecarga da capacidade de atenção da MT por direcionamento simultâneo à forma e ao sentido. Os autores (ibid) destacam, por esse motivo, que textos orais autênticos são inviáveis para se prestar atenção à forma desejada33. Similarmente, a repetição é realizada por meio do tipo de processamento ascendente de informações (bottom-up), cujo aperfeiçoamento é recomendado por Jenkins (2000) e Tyler (2001) e referendado por nós, também, neste trabalho.
Assumiremos como verdade que o conjunto MCP/MT realiza a interface entre o insumo e a MLP, ou seja, relaciona o mundo exterior aos conhecimentos já adquiridos e que a capacidade desse conjunto pode ser operacionalizada como a capacidade de sustentar a atenção. Por esse motivo, adotaremos, neste trabalho, a interpretação da existência conjunta da MCP/MT representando um estado de ativação de uma porção da MLP referente ao assunto que está sendo estudado, conforme proposta de Robinson (2003).
Resumindo, o paradigma simbólico, representado pela TPI, baseia-se em uma concepção computacional metafórica da aprendizagem, a qual reconhece a importância da percepção, atenção e consciência como mediadores do insumo a ser processado por um sistema múltiplo de memória. O produto desse processamento é um sistema de símbolos, os quais atuam como uma interface entre a mente e o mundo exterior.
33 Esse fato dá sustentação empírica aos famosos exercícios de repetição (drills), propostos pelo método