BÖLÜM IV: 2. DÜNYA SAVAŞI SONRASINDA YUNANİSTAN’DAKİ İÇ
4.2 Yunan İç Savaşı Sonrası Siyasi İstikrar Arayışları (1950-1960)
Segundo Eric Hobsbawm (2011a), até 1913 a população universitária compunha uma classe numericamente pequena na Europa. Havia 14 mil estudantes universitários na Bélgica e na Holanda, para uma população total de 13-14 milhões de habitantes;
157 Livro de Registro Médicos Visitantes (Gästebuch) do Departamento de Anatomia Cerebral.
MPIFP/DFA.4. Ver também os relatórios da DFA, publicanos no periódico Zeitschrift für die gesamte
142 11.400 na Escandinávia (fora a Finlândia) para quase dois milhões; e na estudiosa Alemanha, apenas 77 mil para 65 milhões (Hobsbawm, 2011). No interior das universidades alemãs, Fritz Ringer (2000) identificou alguns grupos predominantes desde o século XIX: uma ala de intelectuais de esquerda, outra neokantista e o grupo dos mandarins (neoclassicistas e idealistas).158
Segundo Michael Grüttner (2003), o modelo universitário alemão manteve na República de Weimar uma estrutura similar ao do Kaiserreich, calcada na autonomia acadêmica e na liberdade de ensino, cujas aulas eram ministradas, grosso modo, pelos professores catedráticos (ordentliche Professoren) e pelos professores-instrutores (Privatdozenten).159 Ringer (2000) descreve que o sistema professoral permanecia relativamente pequeno até 1933, com 500 pessoas, em sua maioria homens.
No pós-guerra, as universidades da Alemanha foram diretamente afetadas pela deteriorização da moeda alemã. Os livros e outros objetos de estudo tornaram-se artigos de luxo. Os institutos de pesquisa foram afetados, e quando não fecharam as suas portas, tiveram suas atividades, muitas vezes, reduzidas ao indispensável para o funcionamento. As viagens de estudo no exterior se tornaram difíceis, mesmo para os catedráticos. O salário dos catedráticos se desvalorizou e se tornou menor do que o dos administradores não-acadêmicos. Entre 1920 e 1927, a Corporação das Universidades Alemãs160 expressou continuamente sua profunda insatisfação com os salários (Ringer, 2000).
A situação dos estudantes e dos professores-instrutores (Privatdozenten) era dramática. Ainda que as estatísticas mostrem que o número de matrículas aumentara, muitos estudantes passavam por dificuldades financeiras durante e depois da graduação, tornando-se “proletários acadêmicos”. Alguns professores-instrutores, quando recebiam pelas aulas dadas, sua remuneração estava bem abaixo da inflação (Ringer, 2000).
Apesar das dificuldades nas instituições de ensino superior, durante a República de Weimar, novas universidades urbanas foram expandidas ou mesmo foram fundadas: Universidade de Frankfurt (1914), Colônia (1919) e Hamburgo (1919). Apesar da crise financeira, essas cidades detinham características particulares que permitiram tais empreendimentos (Ringer, 2000, p.85).
158Enquanto os neokantistas defendiam o modelo de ciência da natureza, pura e aplicada, os mandarins
eram críticos do utilitarismo (Ringer, 2000). Foram protagonistas do modelo da Bildung e de sua importância para a vida acadêmica e para a Kultur alemã (Elias, 1994, Ringer, 2000). Em geral, ambos carregavam um forte nacionalismo (Ringer, 2000).
159 Para mais detalhes, ver capítulo 1 desta tese.
143 Um relato de época sobre a criação e funcionamento da Universidade de Hamburgo foi escrito pelo psiquiatria Wilhelm Weygandt (1870-1939)161 – ex- colaborador de Kraepelin, em Heidelberg.162 Segundo Weygandt (1927), a cidade de Hamburg era a segunda maior cidade da Alemanha, com 1 milhão e 100 mil habitantes e o maior porto da Europa Continental (Weygandt, 1927, p. 07). Seu forte desenvolvimento começou no século 18 e cresceu de forma constante com o transporte no exterior. Surgiu uma cidade moderna de negócios a beira do rio Elba, de magníficas moradias e áreas residenciais, tendo se constituído em sua periferia boa parte da atividade industrial. O rio Elba forneceu, então, uma imagem do tráfego de vapores que novamente floresceu no pós-guerra, com os locais de trabalho de grandes estaleiros e numerosas companhias de navegação: a Linha Hamburgo-América (Hamburg-Amerika-
Linie) – de 900.000 toneladas de capacidade de transporte e que ligava a Europa à América do Norte –; a Linha Hamburgo-América do Sul (Hamburg-Südamerika-Linie), de 200.000 toneladas de frete; a Linha Woermann (Woermann-Linie); entre outras (Weygandt, 1927, p.07).
A história das ciências e das instituições de ensino em Hamburgo remonta o período da reforma protestante e o século XVII. No século XX, ocorreu, contudo, uma fase de expansão e criação de novas instituições importantes: em 1900, surgiu o Instituto Marítimo de Doenças Tropicais (Institut für Schiffs- und Tropenkrankheiten), em 1907, foi criada a Fundação Científica Hamburguesa (Hamburgische
Wissenschaftliche Stiftung) e, em 1908, foi aberto o Instituto Colonial de Hamburgo (Kolonial-Institut). Segundo Weygandt (1927, p. 08), os grandes hospitais estaduais de Hamburgo financiavam de forma independente a ciência médica, quando foram construídos laboratórios significativos, como, por exemplo, o Instituto Fisiológico (Physiologisches Institut) no Hospital Eppendorf (Allgemeines Krankenhaus Eppendorf) (Weygandt, 1927, p. 08).
161 Com a criação da Universidade de Hamburgo, Wilhelm Weygandt foi nomeado professor catedrático
de psiquiatria, em maio de 1919, junto com um grupo de importantes médicos locais, como Bernhard Nocht e Ludolph Brauer. Quando foi nomeado professor, Weygandt já ocupava o cargo de diretor do Hospital Psiquiátrico Friedrichsberg. Carta da Universidade de Hamburgo a Wilhelm Weygandt. Hamburgo, 03/06/1919. StA HH 361-6/I.411 Bd 1. p. 02 e 03-04 (Anexos).
162 Weygandt tornou-se médico com forte interesse nos trabalhos de Wundt. Por essa razão, acompanhou
o trabalho de Kraepelin em psicologia experimental, na Universidade de Heidelberg. Assim como Kraepelin, voltou-se também para a psiquiatria forense, nas anormalidades da infância e juventude e higiene mental, especialmente, no tema do alcoolismo. Além de Kraepelin e Wundt, Konrad Rieger foi outra importante referência para Weygandt (Weber-Jasper, 1996, p. 24-28).
144 Vemos assim que, em Hamburgo, havia um interesse especial pela exploração tropical, aos empreendimentos coloniais e ao comércio internacional que impulsionaram tanto a ciência quando a medicina. Os comerciantes de Hamburgo também financiavam um sistema de aulas públicas e institutos eruditos, voltados para humanidades (ciências sociais e políticas). Foi depois da fundação do Instituto Colonial, em 1908, que se planejou combinar esse centro com uma universidade. Com o apoio da prefeitura e a ajuda de homens como Max Warburg, esse projeto foi concretizado em 1919 (Ringer, 2000, p. 85). O edifício da Universidade era da Fundação von Edmund Siemers (Weygandt, 1927, p. 08).
A fundação da Universidade de Hamburgo surgiu, incialmente, através de um projeto levado a cabo pelo Prefeito Dr. W. von Welle e pelo Senado da cidade, em 20 de dezembro de 1912, sem a inclusão da medicina. O projeto foi rejeitado em 29 de outubro de 1913. Mesmo durante a guerra as aspirações de criação da universidade não cessaram (Weygandt, 1927, p. 08). Quando acabou a guerra e se iniciou a revolução política alemã, os representantes das ciências jurídicas, humanas, naturais e numerosos médicos se reuniram para viabilizar os cursos universitários na cidade, tendo em vista o retorno dos estudantes de Hamburgo do front. Entre 06 de janeiro e fins de março de 1919, o semestre letivo se tornou realidade. A partir de maio de 1919, a jovem Universidade abriria suas atividades, erigida em quatro grandes faculdades.
Antes de fundação da Universidade de Hamburgo, em 1919, a ciência local já atuava nas relações exteriores, tendo em vista a vocação comercial da cidade e a existência de um instituto colonial e o de medicina tropical (Tropeninstitut). Depois da Grande Guerra, Hamburgo continuou a expandir seus interesses de além-mar, através de suas linhas de vapores, da ciência e das novas instituições criadas com a fundação da Universidade, como o Instituto Ibero-americano de Hamburgo (Iberoamerikanisches
Institut). De acordo com Weygandt (1927, p. 116), em dezembro de 1917, o prof. Dr. Bernhard Schädel (1878-1926) lançou as bases para a aproximação da Alemanha com os países de língua hispânica e portuguesa, através da fundação do Instituto Ibero- americano de Hamburgo. Em relação à história do instituto, Weygandt lembra que nos
“anos fatídicos da Alemanha do pós-guerra, o instituto teve de experimentar em seus inícios algumas alterações e adaptações, antes que pudesse aproximar-se da resolução de suas tarefas, em tornar-se um internato para o intercâmbio cultural entre a Alemanha e os países hispano e lusófonos e para o zelo de informações sobre o estrangeiro. Graças ao apoio do Estado de Hamburgo e, particularmente, por meio da concessão de salas, foi possível ao
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instituto, desde 1924, uma consolidação organizacional e o desenvolvimento contínuo de seus trabalhos” (Weygandt, 1927, p.116-117).
Segundo Weygandt, esse instituto contava com “mais de cem especialistas nacionais e internacionais, oriundos de áreas distintas da economia, literatura e ciências únicas”. Ali, eram promovidas “palestras em alemão, espanhol e também em português”, bem como cursos de língua. Devido ao crescente interesse despertado, foram organizados não apenas cursos de idiomas mensais de espanhol e português, mas também “cursos de férias para nativos e estrangeiros”. Além disso, Weygandt destaca que “com frequência, são recebidos viajantes célebres do mundo ibero-americano em suas dependências” e que “o instituto concedeu suas douradas moedas de honra a vários órgãos de fomento” (Weygandt, 1927, p.119-120).
Além de Hamburgo, foram organizadas outras universidades na Alemanha após a guerra. Em 1919 surgiu – como vimos – a Universidade de Frankfurt. Em Frankfurt, graças aos centros de estudo de medicina e ciências físicas que eram financiados, desde o século XIX, pelo setor privado e pelo município, foi possível a criação, em 1901, de uma academia de ciências sociais e comerciais – embrião da posterior universidade (Ringer, 2000, p. 86).
Em Colônia encontramos um processo similar. Os interesses privados e municipais levaram a criação de um instituto comercial (Handelshochschule), em 1901, e de uma academia de medicina prática (1904), uma organização para o ensino público do direito e da política (1906), uma academia (Hochschule) de administração municipal e social (1912) e um instituto de pesquisas de ciências sociais (1918). Esta última instituição, foi a base da nova universidade (Ringer, 2000, p. 86).
No que se refere ao sistema de ensino das universidades durante a República de Weimar, Ringer (2000) destaca algumas tentativas de reforma e a crescente ampliação do acesso sob as fortes críticas – muitas vezes elitistas – da Corporação das Universidades Alemãs (Verband der deutschen Hochschulen). O plano de reforma idealizado, entre 1919 e 1921, pelos social-democratas prussianos propunha ainda aumentar a influência dos professores instrutores (Privatdozenten) e a expansão do número de catedráticos. O projeto previa transformar, por exemplo, os melhores professores instrutores em catedráticos extraordinários (Auβerordentliche Professoren) – o que de fato ocorreu sem, contuto, trazer grandes alterações numéricas no sistema acadêmico. Em 1930, os catedráticos de Berlim, Heidelberg e Muique, por exemplo,
146 não passaram de 26% do corpo docente, contra os 24% que representavam em 1913- 1914 (Ringer, 2000, p. 75-89).
Até o final da República de Weimar, as universidades estavam marcadas por um clima acirrado de disputas entre os docentes (progressistas e conservadores) e entre docentes e alunos que refletiam a crise política, enconômica e geracional das instituições de ensino superior. No que se refere à questão geracional, autores como Grüttner (2003) e John (2010) destacam para a questão da falta de oportunidades. Levando em conta as questões políticas e a grande presença de judeus nas universidades alemães, é possível entender a dinâmica de demissões em massa e a abertura de novas oportunidades para os intelectuais mais jovens, com a chegada dos nazistas ao poder.
As universidades representam, portanto, um protótipo importante para a compreensão do contexto político maior da República de Weimar. Peter Gay (1978) cita o “trauma do nascimento de Weimar” para destacar que muitos intelectuais – dentre os quais, diversos tinham posições nas universidades – mostraram-se apenas tolerantes com a chegada da república que tanto destestavam. Para os idealistas e setores mais conservadores das universidades, a República de Weimar foi o começo do fim de toda uma tradição universitária alemã, calcada na autonomia acadêmica e liberdade de ensino, mas também em fortes tendências nacionalistas e elitistas (Ringer, 2000).