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BÖLÜM II: SOĞUK SAVAŞ YANSIMALARIYLA BULGARİSTAN’IN DIŞ

2.1 Türkiye’nin Bulgar Dış Politikasına ve Sovyet Etkisine Bakışı

2.1.4 Bulgar–Yunan İlişkileri ve Türkiye’nin Bu İlişkilere Bakışı…. 38

Antes de encerramos esse capítulo, faz-se necessária a análise da relação entre Kraepelin e Ernst Rüdin que, conforme já destacado, exercia funções importantes na

74 Alzheimer casara-se com uma aristocrata, o que lhe garantiu um apoio financeiro para sua carreira,

fundamental, especialmente, quando ele trabalhava sem qualquer retorno econômico. Elias (1997) lembra que o meio universitário alemão era composto por um grupo reduzido: elite e classe média. Ringer (2000) lembra que somente os catedráticos (ordentliche Professur) tinham estabilizadade financeira e, em muitas universidades, eles não passavam de 20% a 25% dos quadros docentes de professores catedráticos.

77 clínica de Munique, especialmente, a partir de 1909 – quando substituiu Alzheimer como médico sênior do hospital psiquiátrico da Universidade de Munique. Spielmeyer, Plaut e Rüdin representavam os nomes mais fortes formados por Kraepelin e Alzheimer, na Clínica de Munique.75 A partir de 1911, Rüdin conquistou muito prestígio e poder no meio científico alemão e internacional, como grande especialista no tema da hereditariedade das doenças mentais (psiquiatria genética)76 – tema de estudo incumbido a ele por Kraepelin.

Ernst Rüdin nasceu em 1874, na cidade de St. Gallen, na Suiça. Nos anos de sua formação, alguns personagens exerceram papel central para o desenvolvimento profissional e de sua visão de mundo. Além de Kraeplein, Auguste Forel (1848-1931) e Alfred Ploetz (1860-1940) completam o lugar de principais interlocutores de Ernst de Rüdin. Antes de iniciar seus estudos universitários, Rüdin tomou contato, em 1890, com as ideias de Auguste Forel (1848-1931) – catedrático de psiquiatria na Universidade de Zurique, entre 1879 e 1898. Através de Forel, Rüdin se engajou, a partir de 1891, no movimento pela abstinência alcóolica (Abstinenzbewegung) de St. Gallen.

Segundo Weber (1993), Forel deu grande atenção à questão social do século XIX: neomaltusianismo e controle do nascimento; alcoolismo, infecções venéreas e degeneracionsimo; teorias raciais (Gobineau); darwinismo social e higiene racial (primeira geração). Além disso, Forel foi um dos pioneiros da psiquiatria forense. Apoinando-se em Forel, Rüdin construiu sua concepção sobre a profilaxia das doenças mentais (Weber, 1933, p. 30).

Depois de trocar cartas com Forel, Rüdin travou contatos pessoais com ele, em 1892 (Weber, 1993, p. 29). Foi incentivado a estudar psiquiatria e, em 1893, iniciou, assim, sua formação médica (Weber, 1993). Depois de iniciar seus estudos em Genf (Suíça), Ernst Rüdin circulou por diversas universidades da Europa: Nápoles, Heidelberg, Berlim e, finalmente, Zurique – onde foi aprovado nos exames finais, junto ao governo suíço, em 1898. Em 1900, trabalhou com Emil Kraepelin na Clínica de

75 Ao contrário de Rüdin, Spielmeyer e Plaut não se tornaram personagens centrais na tese. Por essa

razão, não dedicamos maiores esforços, neste momento, para analisar suas trajetórias. No entanto, falaremos ainda bastante sobre eles ao longo do texto, especialmente de Spielmeyer. Por ora, cumpre apenas destacar que eles foram os dois discípulos mais sucedidos de Alzheimer. Spielmeyer se dedicou ao tema da anatomia patológica do sistema nervoso. Plaut se distinguiu como especialista em sifilografia, sorologia e imunologia. Além de Alzheimer, a Auguste von Wassermann (1866-1925), de Berlim, foi central para sua formação.

76 Utilizamos nesta tese o termo psiquiatria genética para se referir aos dois termos que aparecem nas

fontes: Genetische Psychiatrie e Erbbiologie. Seguimos, assim, o trabalho de Roelcke (2003), já que este historiador preferiu utilizar o termo Genetische Psychiatrie.

78 Psiquiatria da Universidade de Heidelberg, quando começou a ter interesse pela transmissão hereditária dos efeitos do álcool. Em 1901, defendeu sua tese de doutorado, também em Zurique, intitulada “Sobre as formas clínicas das psicoses carcerárias” (“Über die klinischen Formen der Gefängnispsychosen”). Entre 1901 e 1906, trabalhou em diversos lugares, dedicando maior tempo à psiquiatria forense, quando foi médico voluntário da prisão de Moabit, em Berlim (Weber, 1993).77

O interesse pela higiene racial foi consequência, não somente dos contatos com Forel, mas também, por suas relações próximas a seu cunhado, Alfred Ploetz (1860- 1940), com quem foi colaborou fiel até 1940, quando este faleceu. Na Alemanha, a recepção da eugenia e do darwinismo social foi obra de médico e economista Alfred Ploetz. Em 1904, ele fundou o Archiv für Rassen- und Gesellschaftsbiologie que, em 1905, passou a ser editado junto com seu cunhado, Ernst Rüdin. Nesse ano, foi criada a Sociedade Alemã de Higiene Racial (Deutsche Gesellschaft für Rassenhygiene), quando o Archiv se tornou, então, periódico oficial dessa sociedade. Segundo Weiss (2013), nos primeiros anos do Archiv foram publicados artigos sobre eugenia, genética, hereditariedade humana, demografia e estudos populacionais.

Nesse sentido, ao lado de Ploetz, Rüdin teve grande engajamento no movimento de higiene racial alemã e no movimento eugênico internacional. Inicialmente, a Sociedade de Higiene Racial foi idealizada para ser internacional e atrair membros de diversos países. Rüdin foi enviado para Escandinávia para ajudar a recrutar cientistas- membros e conseguiu sucesso com o geneticista dinamarquês Wilhelm Johannsen que, em 1909, diferenciou genótipo de fenótipo (Weiss, 2013, p. 27-28).

O interesse de Ernst Rüdin pela luta contra o consumo de álcool foi consequência direta da influência exercida sobre ele por Auguste Forel (Weber, 1993). Contudo os efeitos do álcool foram também objeto de pesquisas Kraepelin, desde Dorpart (Kraepelin, 1987, p. 70). Em sua autobiografia, Kraepelin narrou que, em 1892, ficava alguns meses abstinente. Ele se questionava sobre as relações entre o álcool e a saúde mental. Por volta desse ano, Kraepelin teve um encontro com Forel, quando abordaram longamente os problemas do álcool. Kraepelin ficou cada vez mais convencido a utilizar sua abstinência para lugar contra o consumo de álcool, até que, em 1895, abriu mão totalmente do hábido de beber. Kraepelin tornou-se, então, cofundador

77 Embora menor escala, Eugen Bleuler (1857-1939) foi também uma importante referência para Rüdin.

Mathias Weber (1993, p. 31-34), biógrafo de Rüdin, fala ainda sobre as relações com o neurologista Hermann Oppenheim (1858-1919) de Berlim-Charité e com Ludwig Wille (1834-1912), psiquiatra e psiquiatra forense em Basel. Esses contatos foram travados entre 1898 e 1903.

79 da Sociedade de Médicos Abstinentes (Verein abstinenter Ärzte), na Alemanha (Kraepelin, 1987, p. 70). Além de Forel, Rüdin tinha em Kraepelin outra importante referência na luta contra o alcoolismo e a degeneração, através da higiene e profilaxia (Engstrom, 2007; Kraepelin, 1999 [1917]).78

Em 1905, Ernst Rüdin enviou uma carta a Kraepelin para contar sobre os progressos de suas pesquisas. Nessa carta, Rüdin respondia também o convite de Kraepelin para que ele retornasse a Munique. Para tanto, Rüdin impôs algumas condições para aceitar o convite de Kraepelin para integrar sua equipe em Munique. Além disso, Rüdin pediu a Kraepelin, que este contribuísse com o Archiv für Rassen

und- Gesellschaftsbiologie.79 Esse pedido nunca foi atendido por Kraepelin. Apesar da militância de Kraepelin contra o alcoolismo e pela profilaxia contra a degeneração, parece que ele não tinha grandes interesses pelo movimento da higiene racial (Kraepelin, 1905, p. 37-38 Kraepelin, 1908; Kraepelin, 1999 [1917]).80

Ao lado Kraepelin, Rüdin colocou pouco a pouco em segundo plano o tema da psiquiatria forense para se dedicar a etiologia e genética das doenças mentais. O interesse pela psiquiatria forense havia intensificado até sua habilitação, concluída em 1909, na Universidade de Munique, sob o mesmo tema e título da tese de doutoramento: as psicoses carcerárias. Em 1907, foi convidado por Kraepelin para dirigir o Laboratório Genealógico-Demográfico da clínica de psiquiatria de Munique, com o objetivo de se dedicar ao tema hereditariedade das doenças mentais. Em 1911, Rüdin lançou o programa de pesquisa da psiquiatria genética (Roelcke, 2003).81

Através do uso de métodos estatísticos, ele buscou calcular a transmissão de genes defeituosos entre as famílias alemãs. Com isso, o método de Rüdin ampliava a idéia dos cartões diagnósticos (Zählkarten) de Kraepelin – até então mais circunscritos aos doentes das instituições psiquiátricas (Weber, 1993). Através das genealogias das famílias alemãs e das estatísticas sobre a transmissão genética das patologias mentais (como a esquizofrenia, a chorea, a psicose maníaco-depressiva, entre outros), Rüdin defendia a necessidade de medidas eugênicas para reduzir o número de doentes mentais

78 Em seu discurso de 1905, por ocasião da abertura da Clínica de Munique, Kraepelin afirmou que

“temos aqui mais a ver com a instrução preparatória puramente científica, cabe assim a nós, em tais áreas vizinhas de nossa ciência, esclarecer o significado de experiências psiquiátricas para questões gerais como para higiene mental, surgimento da sugestão, a questão do álcool, etc.”(Kraepelin, 1905, p. 37-38).

79 Carta de Ernst Rüdin a Emil Kraepelin. Berlim, 19/06/1905. MPIP-HA K33/16 Rüdin. Apud Burgmair,

Engstrom e Weber (2006, p.225-228).

80 Para maiores detalhes, ver a psiquiatria social de Kraepelin, em Engstrom (2003b). 81 MPG-Archiv, ZA 131 Rüdin, Box 1.

80 e anormais degenerados (incluindo criminosos e anômalos morais) na Alemanha (Roelcke, 2003).

Dessa forma, através da psiquiatria genética, Rüdin voltou-se para o estudo da hereditariedade das doenças neuropsiquiátricas. Segundo Roelcke (2003), o programa de Pesquisa de Rüdin (1911) compreendeu a reunião de inventários pessoais (Personalakten): análise estatística e fusão sistemática de dados psicopatológicos, fisiológicos, genealógicos, demográficos e físico-antropológicos; realização de prognósticos da prole de determinados indivíduos, isto é, a probabilidade estatística de ocorrência de uma doença genética. Estas estatísticas seriam a base científica para formulação de futuras políticas governamentais eugênicas (biopolítica).

No movimento eugênico alemão, até a Primeira Guerra Mundial, Sheila Weiss (1990) identificou duas tendências mais articuladas. Rüdin, Fritz Lenz e Alfred Ploetz representavam o grupo mais radical entre os eugenistas alemães/higienistas raciais. Eram idealistas e sua visão sobre a eugenia, a nação alemã e o mundo (Weltanschauung) associavam ideias e mitos do pangermanismo, volkismo (völkisch) e do arianismo82 (Weiss, 1990). Contudo, antes de 1914, o movimento eugênico alemão estava mais voltado para a eugenia positiva e preventiva (Turda, 2010; Weiss, 1990).83

82 Sobre esses mitos e conceitos, ver o livro de Olusoga e Erichsen (2011, p. 88-90) e o texto de Francisco

Carlos Teixeira da Silva (2010).

83 De acordo com a historiadora americana Sheila Weiss, os críticos da ideologia ariana eram

representados pelo biólogo e padre jesuíta Hermann Muckermann e o médico Wilhelm Schalmayer (Weiss, 1990).

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CAPÍTULO 2. CIÊNCIA NACIONAL-INTERNACIONAL: