2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE ve ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.4. Duygusal Zekâ Modelleri
2.4.1. Yetenek Tabanlı Duygusal Zekâ Modeli
As abóbadas mais comuns adotadas nas igrejas de Vila Rica foram as de berço, barrete de clérigo75 e aresta. (SANTOS, 1951). As abóbadas de berço, feitas em madeira, foram utilizadas nas capelas-mores, mas, em maior escala, nas naves. Já as abobadas de barrete de clérigo foram mais empregadas nas capelas-mores, como foi o caso da igreja de São Francisco de Assis.
A partir da documentação analisada, apurou-se que, no ano de 1772, foi posta em concorrência a arrematação do barrete da capela-mor e das abóbadas dos corredores da igreja de São Francisco de Assis. No mesmo ano, as obras foram arrematadas por Henrique Gomes de Brito e seu sócio Bento Luiz, conhecido, pela Irmandade, como “mestre dos barrotes”. (TRINDADE, 1951, p. 480).
Os documentos referentes à vida profissional desses dois mestres indicam que ambos iniciaram a parceria na oficina de São Francisco de Assis. Ao que se parece a parceria foi exitosa, já que aparecem juntos novamente no ano de 1774, na reedificação do Palácio dos Governadores e, em 1776, nas obras da residência do desembargador e provedor da Real Fazenda (MARTINS, 1974), ambos os trabalhos contaram com a atuação de Manoel Rodrigues Graça.
No que tange à forma de pagamento acordada entre os profissionais e a Irmandade, ficou determinado que o pagamento fosse feito em três parcelas. A primeira deveria
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O Barrete de clérigo também conhecido como abóbada de clérigo “é formado por quatro triângulos curvilíneos, cujos vértices se encontram num ponto central. É às vezes chamada simplesmente barrete.” (ÁVILA, 1996, p. 25).
ser paga após ter sido entregue o corredor do lado do evangelho; a segunda, quando fosse entregue o corredor do lado da epístola; e, por fim, quando o barrete da capela-mor fosse entregue, após ser guarnecido e caiado.
O processo de arrematação das abóbadas, tanto da capela-mor, quanto dos corredores, se deu de forma bastante semelhante ao da arrematação dos alicerces e paredes feitas por Domingos Moreira de Oliveira. Gomes de Brito e Bento Luiz, ao assumir as arrematações por menor preço, receberam por parte da irmandade de São Francisco um documento com 11 cláusulas, onde constavam todas as orientações sobre como os mestres-pedreiros deveriam proceder para entregar a obra com êxito.
Importa ressaltar que, diferentemente do empreiteiro Domingos Moreira de Oliveira, os sócios Gomes de Brito e Bento Luiz contaram com a parceria integral da irmandade de São Francisco de Assis, já que a mesma assistiu ao arrematante com todos os materiais que ele necessitou, como tijolo, cal, madeiras, pedras. Fato que causa certo estranhamento, já que, como se sabe, um empreiteiro, ao assumir a obra, deveria arcar com todos os gastos decorrentes dela, desde as contratações dos trabalhadores até a compra dos materiais.
Na análise da documentação da igreja de São Francisco de Assis, pode-se constatar que Henrique Gomes de Brito fazia parte da irmandade como Irmão. O que talvez explique essa maleabilidade por parte da irmandade.
Com relação à arrematação no documento, estão contidas as “condiçõens para se rematarem as abobadas dos corredores e barrete da capella-mor da Igreja do Patriarca São Francisco de tijolo e cal (...)” (TRINDADE, 1951, p. 334).
Uma das principais orientações que a irmandade salienta é em relação aos riscos (plantas) que lhe haviam sido passada. Tais orientações deveriam ser reproduzidas o mais fielmente possível e quando estivessem prontas as estruturas, os mestres-
pedreiros deveriam aplicar os massames76 em cima da abóbada dos corredores. Além de ser um procedimento importante para a segurança e reforço da abóbada, seria esta técnica responsável pela união das duas abóbadas, do corredor e da capela-mor.
Para os acabamentos, foi utilizado betume77, uma exigência por parte da irmandade, para que não houvesse infiltrações nos tijolos. O betume era uma composição que consistia na união de cal, azeite e breu e era necessária a sua aplicação para vedar a passagem da água. Esta técnica de vedação precisou ser utilizada para que a água fosse desviada para as gárgulas e não para a parte baixa das paredes.
Observadas as orientações técnicas e estruturais contidas no documento, toda a circunferência das abóbadas foi caiada sem manchas, com o intuito de dar melhores aparências e perfeição à obra. A finalização dada às abóbadas foi feita em cantaria. Devido ao alto custo, esse material não era utilizado na totalidade do edifício, mas, sim, nos detalhes, como no frontispício, soleiras, pilastras, cornijas, janelas, cunhais e nos arcos das abóbadas, como no caso da igreja de São Francisco de Assis.
Interessa ressaltar que essa preparação das abóbadas era para receber os trabalhos de escultura executado por Antônio Francisco Lisboa (FIGURA 29). No período de 1773 a 1774, Henrique Gomes de Brito e seu sócio Bento Luiz estiveram lado a lado com Aleijadinho, nesta oficina. Além dos entalhadores Luiz Ferreira da Sylva, Faustino da Silva Correa e Leandro Soares de Carvalho. Provavelmente, eles fossem aprendizes e iniciaram na oficina de São Francisco, já que a única referência localizada a respeito desses personagens seja a fatura, juntamente com o mestre Aleijadinho, das esculturas do barrete.
76 Conforme Ávila, massames são “argamassas simples, de cascalho, terra e cal, para receber o
assentamento de piso de pedra ou ladrilho.” (1996, p.62).
77 De acordo com Ávila (1996, p. 26) o betume é uma composição de cal, azeite, breu e outros
ingredientes que, à maneira de betume, se usava para vedar condutos de água ou tapar junturas nas pedras. Com a grafia batume, aparece em 1772 nas condições para a construção das abóbadas da igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto.
Figura 29 – Escultura do barrete da capela- mor da igreja São Francisco de Assis
Fonte: Foto da autora, 2012.
Além da arrematação das esculturas do barrete da capela-mor, ficaram a cargo de Antônio Francisco Lisboa e de seus auxiliares os púlpitos, executados em pedra- sabão, localizados no arco-cruzeiro78, a portada com a escultura de São Francisco de Assis recebendo os estigmas no Monte Alverne (FIG. 30) e o retábulo79 da capela- mor. (FIG. 31).
78 O arco-cruzeiro é um “arco que separa a nave central e a capela-mor na parte da igreja
denominada cruzeiro.” (ÁVILA, 1996, p. 20).
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Retábulo: “Estrutura ornamental, em pedra ou talha de madeira, que se eleva na parte posterior do altar. Às vezes, é chamado genericamente de altar.” (...). (ÁVILA, 1996, p.171).
Figura 30 – Escultura da portada da igreja de São Francisco de Assis
São Francisco de Assis recebendo os estigmas no Monte Alverne. Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 31 – Retábulo da Capela – mor da igreja de São Francisco de Assis
Pode-se dizer que a oficina de São Francisco de Assis foi para Aleijadinho o local propício para que ele pudesse colocar em prática os ensinamentos aprendidos na oficina do Bom Sucesso, que teve como provável mestre José Coelho de Noronha.
Além de ser o provável arquiteto da igreja de São Francisco, Aleijadinho executou os trabalhos de talha. Diversos recibos, que estão presentes e que podem ser analisados na obra de Trindade (1951), foram passados a ele pelo construtor Domingos Moreira de Oliveira e ele assumia a responsabilidade de repassar a seus auxiliares os pagamentos feitos pela Ordem Terceira80. Este profissional pode ser considerado um verdadeiro empreiteiro que possuía o controle das ações praticadas na oficina de São Francisco de Assis. Sendo responsável tanto pelas subcontratações dos profissionais que atuariam a seu lado, passando pelos ensinamentos que ele, enquanto mestre repassava aos aprendizes, culminando com o pagamento dos trabalhadores que atuavam sob as suas orientações.