2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE ve ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.4. Duygusal Zekâ Modelleri
2.4.2. Karma Duygusal Zekâ Modelleri
2.4.2.3. Goleman‟ın Duygusal Zeka Modeli
2.4.2.3.1. Özbilinç
Nas construções religiosas, a principal função das torres era a de abrigar os sinos, constituindo a parte saliente e vertical das edificações. Nas igrejas onde inexistiam torres, as soluções mais praticadas eram instalá-los no frontão (empena) da igreja, internamente, acima do espaço ocupado pelo coro ou colocá-los numa construção independente próxima à igreja. Com relação à história das torres, Dangelo relata:
Carlos Magno, no século VI, fez anexar ao programa das igrejas as torres com funções de defesa e comunicação. (...) Um novo partido arquitetônico (foi desenvolvido) onde a torre passa a ser um elemento essencialmente vertical, de modo a propagar melhor a mensagem sonora. A partir desse momento, a torre sineira torna–se um referencial urbano e espacial ao qual se aliam ora a força da fé cristã, ora a representação do poder comunal. (DANGELO, 1998, p. 1- 2).
No que tange às torres das igrejas de Vila Rica, Baeta (2010) chama a atenção para interessante quebra da horizontalidade reinante no cenário barroco, sendo impossível não se deparar com um par de torres no percurso feito pelo transeunte. As torres que mais chamam atenção são as da igreja de São Francisco de Assis (FIG. 32), de forma cilíndrica e recuada, que aliada ao frontispício83 projetado para frente resulta numa visível tridimensionalidade.
82 “Finalmente, em 1826, o mestre pedreiro Manuel Fernandes da Costa contrata o ladrilhamento do
corredor ‘do lado de Mariana’ e o realiza no mesmo ano como afirma o registro de pagamento, a fls. 117 do livro segundo de receita e despesa, da quantia de 58$200.” (TRINDADE, 1951, p.342).
83 Fronstipício:
Figura 32 – Torres da igreja de São Francisco de Assis
Fonte: HENRIQUE, Elias, 2012.
Ao analisar a documentação alusiva à construção das torres, torna-se importante ressaltar a presença de uma equipe envolvida para colocar em prática este projeto de uma arquitetura inovadora em todos os aspectos, onde a introdução das mudanças feita integralmente nos partidos arquitetônicos não poderia mais ser posta de lado.
Para a introdução dessas torres na edificação, foi necessária uma equipe de profissionais com uma mentalidade mais arrojada. Essa equipe foi liderada por Luís Pinheiro Lobo. A construção das torres teve inicio em março de 1772 e, para a confecção delas, foram necessárias as subcontratações de profissionais que o auxiliariam na empreitada. No que tange aos pagamentos feitos pelas obras, a informação apurada é a de que receberam por “seus jornais sete oitavas e quatro vinténs.” (TRINDADE, 1951, p. 347).
No ano de 1787, a Irmandade decidiu fazer algumas modificações no projeto original, contratando para este serviço o carpinteiro José Ribeiro de Faria. Estas informações são confirmadas no recibo abaixo:
Recebi do senhor ajudante Manoel Alves de Meireles Prior da orde Terceira de Santo Francisco des oitavas de ouro do acréscimo que ouve na cimalha das torres da mesma Capella. Villa Rica a 19 de maio de 1787. Jozé Ribeiro de Faria. (TRINDADE, 1951, p. 348).
No que respeita os sinos (FIG. 33), da mesma forma que ocorreu na construção das torres, um grande número de profissionais foi mobilizado, desde a sua fatura até a sua instalação nas torres. Por ser considerada uma peça de extrema relevância, anunciadora de missas e mortes dos confrades. Os recibos feitos pela Irmandade trazem vários nomes de profissionais envolvidos nesta etapa.
Figura 33 – Sino da igreja de São Francisco de Assis
Fonte: Foto da autora, 2012.
Um deles foi o de Baltazar Gomes de Azevedo. Este ferreiro, quando contratado para executar os trabalhos na oficina de São Francisco de Assis, já era reconhecido e respeitado no meio profissional. Em 1751, Gomes de Azevedo já estava com a sua “Carta de exames e provisões de ofícios” e além de atuar em São Francisco de Assis, trabalhou também na igreja de Nossa Senhora do Carmo, no ano de 1768, conforme será analisado mais adiante, e na Casa de Fundição, no ano de 1770. No
testamento de Gomes de Azevedo, pode ser confirmado que o ferreiro possuía uma estrutura mínima de trabalho, já que declara no documento que deixará escravos, tendas de ferreiro e caldeireiro, com seus aparelhos. (MARTINS, 1974, p. 89).
Ficou a cargo deste ferreiro o “feitio das ferragens do sino”, que compreendia o feitio do badalo, do eixo, das argolas, dos gatos84, das cavilhas85 e das dobradiças. Era este profissional que ficaria responsável por dar o formato final ao sino. Todos os passos deveriam ser observados em seus detalhes, pois isso incidiria tanto na sonoridade e na afinação dos sinos.
Além de exercer esta atividade, Gomes de Azevedo foi localizado executando também a fatura das grades de ferro86 tanto para igreja de São Francisco, quanto para igreja do Carmo. Interessante notar que, se o serviço executado por um profissional em igrejas vizinhas saísse a contento, a irmandade contratante solicitaria o mesmo tipo de serviço para que ao final da obra a sua igreja não ficasse aquém ou menos exuberante diante das igrejas já construídas. Como exemplo, existe, na documentação alusiva, a arrematação das grades de ferro, para a igreja São Francisco de Assis, que Baltasar Gomes de Azevedo deveria fazer as grades “com toda perfeição e segurança e feitio das do Carmo como se acha declarado”. (TRINDADE, 1951, p. 346).
Retornando a fatura dos sinos e ao material utilizado neles, há, em sucessivos recibos, o pagamento de somas de dinheiro para a compra de cobre e de chumbo para serem aplicados na fundição dos sinos.87 Há também o pagamento feito a Manoel Gonçalvez Neto88 pelas ferragens que ele vendeu à Irmandade. Além do citado material, a Irmandade investia na compra de lenhas para ser utilizadas nos
84
Gatos: “Peças de ferro que, em parede, muro, etc., une e segura duas pedras de cantaria.” (ÁVILA, 1996, p.49).
85 “Peças de madeira ou metal, curta como prego, com cabeça numa extremidade e geralmente fenda
na outra, destinada a unir ou segurar peças de madeira ou outro material.” (ÁVILA, 1996, p. 31).
86
“(...) e havendo vários lanços foi o menos o de Balthazar Gomes de Azevedo morador nesta villa que nella lançou por cada húa libra de ferro obrado.” (TRINDADE,1951, p. 345)
87 “Resebi do Sr. Domingos Alves da Costa hua oitava de ouro de cobres velhos que lhe vendi q.
pezarão sete libras para a fundição do sino novo que se fez em São Francisco e para sua clareza lhe paso este de mesma letra e sinal. 15 de setembro de 1794. Antônio de Crasto Lobo.”. (TRINDADE, 1951, p. 348).
fornos. Jacinto Coelho da Silva era o responsável pelo carregamento das bestas que levavam as lenhas até a fundição. Este tipo de oficio mobilizava um alto número de fornecedores de materiais.
O primeiro profissional contratado pela Irmandade para a fundição dos sinos foi o irmão e sargento-mor Manoel Fernandes da Silva que cobrou da Irmandade seis contos 49 mil, 200 e 80 reis. Outro profissional contratado pela Irmandade para a mesma função foi José Valentim Onofre, que entregou o serviço pronto à Irmandade em oito de dezembro de 1883.
Valentim Onofre, que possuía a fundição em Vila Rica, atendia também as regiões vizinhas, como Mariana, conforme consta na inscrição presente no sino da Sé de Mariana. (FIG. 34)
Figura 34 – Sino da Sé de Mariana – Mariana/MG
Na inscrição lê-se: Fundido em Ouro Preto por José Valentim Onofre em Maio de 1884 Fonte: Foto da autora, 2012.
A documentação datada de 1832 traz informações preciosas acerca da mobilização feita para a colocação do sino nas torres. Um total de 25, 360 réis foi empregado por parte da Irmandade, tal soma foi empregada para pagar a pessoa que tirou o sino do seu lugar89, para comprar uma arroba de chumbo90, caibros91 para a fatura dos
89
1$920
90 7$000 91 1$840
andaimes necessários para instalação dos sinos nas torres, trabalhadores92 que estiveram envolvidos na fundição do sino e, por fim, o responsável por colocar o sino na torre93.
Ao fazer a análise, desde a fundição dos sinos até a instalação deles fica evidente que um número considerável de trabalhadores foi contratado para esta etapa da construção. Nesse momento, é percebida a quantidade de profissionais que circulavam numa oficina, assim como o grande número de empregos gerados pela Irmandade em suas contratações.