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II – DEĞİŞİMLE İLGİLİ BAZI AKIM VE KAVRAMLAR

1) Yeni Kamu İşletmeciliğ

39 Em 1950, excepcionalmente, foram realizados dois Congressos o V e o VI em janeiro e julho,

respectivamente, Ambos foram sediados em Santos conforme proposta encaminhada pelo recém empossado presidente, Júlio Guimarães Sampaio, professor naquela cidade. A Tribuna. Santos. 29/01/50, p. 10.

Apesar de os congressos refletirem as principais demandas do professorado dentro da especificidade do momento em que eram realizados, alguns temas estiveram presentes em muitas ocasiões, como os relativos aos vencimentos dos professores, aqueles que tratavam da questão dos concursos, tanto os de admissão quanto os de remoção e, ainda, os debates a respeito do aprimoramento didático e pedagógico e os avanços experimentados pelas disciplinas constantes no currículo. Estes foram pontuados em muitos desses eventos, conforme se depreende do temário do IV Congresso:

Biologia e história natural: metodologia e programa; Latim, sua importância, pontos de vista do magistério oficial paulista com relação à sua exclusão de programas futuros; o mestre, sua preparação remota e próxima, sua capacidade intelectual e didática; a língua portuguesa, sua importância, metodologia e programas.40

Vale ressaltar que os anos 40 e 50 foram marcados pelos conflitos em torno de diferentes concepções de ensino. Posições divergentes a respeito da formação do currículo, das práticas em sala de aula e a formação do professor41, caracterizaram esse período, pautando as discussões nas entidades docentes.

Os congressos tiveram a seguinte dinâmica: os diretores realizavam uma reunião preparatória enumerando os temas que seriam debatidos, em seguida, nomeavam-se aqueles que se responsabilizariam por falar a respeito dos assuntos escolhidos, podendo ou não pertencer à direção da entidade. Durante o evento, após a sessão de abertura proferida pelo diretor do estabelecimento que recebia os participantes, o presidente da associação sintetizava os principais pontos de sua gestão,

40 Congresso do Magistério Secundário em Santos. O Estado de São Paulo. 07/01/48, p. 05. 41 FONSECA, 2004: 55

reforçando a idéia de que o professorado do secundário estava legitimamente representado por sua entidade.

Entre as palestras, nos horários destinados ao lazer, os participantes do evento visitavam a Câmara de Vereadores e em algumas ocasiões, o prefeito da cidade que sediava o certame. Em cidades turísticas, empreendiam visitas às suas principais atrações. Importante não esquecer que em todos os congressos houve a participação de algum funcionário representando os dirigentes estaduais de ensino.

Em relação aos concursos, o primeiro realizado no Estado ocorreu em 1943 e apresentou um baixo índice de aprovação42. Este foi um dos assuntos que nortearam os debates do I Congresso e sempre presente nos demais conclaves.

Sugerir aos poderes competentes a realização anual de um concurso de remoção; reclamar o direito de matrícula mediante concurso de habilitação de professores normalistas, sem as restrições que a legislação atual apresenta (II Congresso); O prof. Valeriano Gomes do Nascimento defendeu sua tese sobre os Concursos de Remoção e Ingresso ao Magistério Secundário e Normal Oficial do Estado de São Paulo (V Congresso); Manifestou-se ainda o Congresso sobre (...) sugestão de revisão do processo do concurso de ingresso de remoção (VIII Congresso);

Foram aprovadas, pelo Congresso, as seguintes resoluções (...) Enquadramento total dos concursos de remoção do pessoal docente durante as férias de verão; condições de admissão e exames de habilitação às escolas normais (IX Congresso).43

A realização dos concursos se enquadrava como uma necessidade e a luta para que eles acontecessem, tanto na esfera da admissão quanto na de remoção, contribuiu decisivamente para a afirmação profissional do professor44.

42 FONSECA, 2004: 323.

43 O Estado de S. Paulo. 18/01/46, p. 06; O Estado de S. Paulo. 31/01/50; Relatório apresentado à Assembléia

Geral Extraordinária. 1954, p. 08; A Gazeta. São Paulo. 20/07/53.

44 NADAI, 1991: 354. Segundo a autora o aumento no número de licenciados pelas faculdades pressionou as

entidades representativas do magistério a defender a realização permanente de concursos contribuindo assim para a consolidação da imagem profissional do magistério público.

Embora houvesse no Estado, desde os anos 3045, dispositivos legais que determinassem a exigência de concurso de títulos e provas, a realização do mesmo sempre ocorreu de forma esporádica nos anos 40, tornando-se mais efetiva a partir de meados dos anos 50. Tal situação acabou resultando, neste período, na seguinte composição do magistério secundário estadual:

(...) somente 30% dos professores ocupavam cargo em caráter efetivo, enquanto a maioria era constituída de professores admitidos em caráter precário, para ministrar aulas excedentes, o que lhes garantia menor remuneração e não estabilidade.46

A situação precária daqueles que não eram aprovados em face da falta de estabilidade e da menor remuneração acabou sendo um, dentre outros fatores, que contribuiu na organização coletiva dos docentes do Ensino Médio.

Porém, o assunto que centralizou as atenções do professorado nesses eventos foi, sem dúvida, a questão econômica, principalmente no que dizia respeito ao pagamento das aulas extraordinárias e em relação à majoração de seus vencimentos e que se referia.

Essas questões atinentes aos vencimentos, talvez tenham sido os principais motivos para atrair o professorado nesses certames. Entre cinqüenta e oitenta professores participaram de cada um dos congressos, reunindo principalmente, os docentes das proximidades da cidade sede do evento.

As principais conclusões desses eventos, em relação a esses assuntos, resultavam no envio de mensagens ao governador, ao secretário de Educação e a alguns deputados simpáticos às reivindicações do magistério. Ou seja, não tinham a

45 Segundo Nadai (1991:316), por meio do decreto 7.684 de 20 de maio de 1936, regulamentou-se o concurso

como forma de admissão nas escolas, ginásios e colégios públicos estaduais.

capacidade de promover ações coletivas que pressionassem de forma mais incisiva as autoridades políticas.

Além de possibilitar uma aproximação entre os professores, por meio do diálogo entre as diversas experiências cotidianas, esses congressos serviram para alicerçar as concepções de ensino e de trabalho docente que permeariam as ações da Apeoesp.

A partir do início da década de 50, a organização coletiva docente reformulou suas estratégias de ação, diferenciando-se das primeiras, em virtude de uma melhor organização e disposição, por parte de suas lideranças, em efetivar-se, mediante o poder público e a sociedade em geral, como legítimo representante do magistério secundário paulista.

Os congressos deram lugar às concentrações regionais. Estas ofereciam maiores oportunidades de aproximação com a categoria e mantinham mobilizados os professores, pois aconteciam em intervalos menores de tempo.