İKİNCİ BÖLÜM DİL BİLGİSİ İNCELEMESİ
21) Z Korkmaz o (kalın puntolu) işaretini (Korkmaz, 1994b: 33) kullanırlar.
2.1.2.1 Yazı dilinde bulunmayan ünsüzler
Em seu testamento, Antônio de Siqueira Quental fizera a seguinte afirmativa: “declaro que não tenho herdeiros forçados nem os posso ter por ser sacerdote e homem de conhecida nobreza” e, por isso, instituiu como seu legítimo herdeiro o Santíssimo Coração de Jesus.326 Entretanto, supostos legatários apareceram em dois momentos
ao longo do litígio que envolveu a herança do arcediago. Num primeiro momento, conforme salientado anteriormente, e do qual constam os documentos mais remotos desse processo, uma suposta filha reivindicara os bens, em 1777. E, em um segundo momento, por volta de 1801, foi a vez dos sobrinhos de Antônio.
A filha espúria de que trata o requerimento era Dona Josefa Leonor de Siqueira Quental que afirmou morar na congregação de Santa Anna, na vila de Santarém, reino de Portugal. Conforme os documentos comprobatórios anexados ao requerimento, Josefa declarou ser filha de Roza Maria de Souza e do arcediago. Este, além de ter reconhecido a paternidade, tratava-a com “distinção e decência” e fora o responsável por seu recolhimento no convento onde vivia. Em seu auto de justificação, de 15 de dezembro de 1773, Josefa relatara que Antônio “tivera amizade” com sua mãe, quando ainda era secular. E que ambos moravam na mesma casa, mas, algo
aconteceu327 e Roza fora levada por terceiros à Lisboa. A tentativa da suplicante,
através de seu representante, o ministro do distrito de Santarém, em contar como os pais se conheceram, a fim de comprovar a filiação, se faz perceptível.328
A dificuldade de Dona Josefa Leonor em comprovar que era filha de Antônio devia- se, primeiramente, à ocupação sacerdotal de seu pai. Acrescenta-se ao celibato, a própria afirmação do testador de não ter deixado herdeiros. Ainda que a exposição da filha fosse procedente e Antônio a tivesse reconhecido, como declarar em testamento o descumprimento de um importante dogma da Igreja Católica, o celibato clerical? Independente da veracidade do caso, o fato é que, em decorrência dos obstáculos em se provar a filiação, a oposição feita ao testamento e a causa de alimentos requerida pela suplicante “se acham devolvidas por agravo ordinário para o Tribunal da Casa da Suplicação” e não houvera prosseguimento.329
Passados trinta e dois anos, os sobrinhos do arcediago deram início ao processo legal de habilitação pelo Juízo das Justificações Ultramarinas, a fim de comprovar o parentesco e reaver os bens que pertenceram aos seus avós. Os suplicantes afirmaram não possuir conhecimento do andamento judicial da herança, pois uma tia deles estivera incumbida em dar entrada no processo. Somente após o falecimento dela, os suplicantes souberam que nada havia sido feito. E, então, recolheram, da maneira que lhes foi possível,330 os documentos necessários à constatação do
parentesco. Tratava-se dos filhos de José de Souza Castelo Branco, irmão legítimo de Antônio: Fernando José de Souza Castelo Branco Cabral de Quadros, Francisco Joaquim Cabral Castelo Branco, D. Catharina Delfina Cabral de Quadros e D. Theodora Rita Cabral de Quadros.331
Por despacho de 22 de outubro de 1801, a sentença do Juízo das Justificações Ultramarinas julgara procedente a habilitação dos sobrinhos do arcediago. Apesar disso, a habilitação não garantira a posse dos bens. Era necessário a deliberação da
327 Esse documento foi o que apresentou maior dificuldade, com muitos trechos ilegíveis, o que tornou
impossível fazer sua transcrição integral. Por hora, apresentamos apenas fragmentos deste documento que nos permitem levantar algumas indagações.
328 AHU, ES, cx. 04 doc. 372. 329 Ibidem, doc. 372.
330 De acordo com os sobrinhos não era possível apresentar todos os documentos, por causa do
terremoto de 1755 que destruíra os registros de alguns cartórios da cidade de Lisboa.
Mesa de Consciência e Ordens sobre o julgamento da nulidade testamentária.332
Sendo julgada procedente a anulação do testamento, os herdeiros de Antônio Quental deveriam ainda entrar com recurso junto à Real Fazenda requisitando a anulação do sequestro dos bens. De acordo com o parecer do Desembargador e Juiz dos Feitos da Coroa, a nulidade do testamento, assim como o direito dos herdeiros à sucessão era visível ao considerar a Lei de 9 de setembro de 1769. No parágrafo 10, à proibição de “dispor-se por testamento, ou ab intestato333 a favor de corpos de mão morta”
estava a contemplação dos herdeiros legítimos, quando isso ocorresse.
Com isso, o parecer favorável do Desembargador da Coroa juntamente com o requerimento dos herdeiros fora enviado em consulta ao Conselho Ultramarino. Nesse requerimento, Fernando José de Souza, a fim de persuadir à Coroa para que fosse legitimado o direito natural de sucessão, afirmara que, a partir do momento em que os herdeiros foram citados “para dizerem em seu direito”, no procedimento necessário à incorporação dos bens à Coroa, o sequestro deveria ter cessado e o domínio e posse civil decretada. Pois, a Lei de 1769, no parágrafo 10, assim como o Alvará de 20 de maio de 1796 e o assento retroativo de 21 de julho de 1797, ratificavam a sucessão natural preferível à da Coroa. Somado ao conhecimento das leis, os suplicantes ressaltaram sua descendência de família ilustre e honrada e os serviços prestados ao Estado. E, por isso, remeteram à “grandeza, justiça e piedade” de Vossa Alteza Real para que “se lhes conceda poderem entrar na posse natural da herança, que se lhe disputa, anulando-se o sequestro e removendo-se todo e qualquer outros obstáculos”. Esse ofício datado de 3 de março de 1806 foi o último encontrado referente à questão testamentária. Não se teve acesso ao parecer dos conselheiros sobre a causa. Porém, sabe-se que em 1811 um novo administrador chegara às fazendas do Campo e Engenho Velho, declarando-se representante dos legítimos donos daquelas terras, em referência os sobrinhos do arcediago. Além disso, por meio da queixa de um desafeto desse administrador, tem-se conhecimento sobre a deliberação em favor da nulidade do testamento do arcediago Antônio de Siqueira Quental feita pelo Tribunal
332 O ouvidor, José Pinto Ribeiro, procedera a anulação testamentária e sequestro dos bens junto ao
Fisco, contudo, ainda em 1805, a nulidade não havia sido julgada pelos competentes órgãos do poder central. Algo, inclusive, que fora questionado pelo Desembargador e Juiz dos Feitos da Coroa, responsável pelo parecer acerca do requerimento dos ditos sobrinhos.
333 Trata-se de uma expressão latina, utilizada em meio jurídico, utilizada para indicar que uma pessoa
da Mesa de Consciência e Ordem da cidade de Lisboa.334 A Coroa, possivelmente,
garantira o direito de sucessão natural aos sobrinhos do padre, porque não consta na documentação nenhuma contestação quanto a isso.
Antes de passar à administração do padre Domingos José da Silva e Sá, período em que ocorrera as sublevações escravas, considera-se pertinente, uma breve exposição sobre o modo como se deu a administração das fazendas e o comportamento das escravarias durante a disputa testamentária.