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Na cidade de Natal a maioria dos pequenos empreendimentos presentes nas praias estabelece-se fora da lógica empresarial formal e está fortemente atrelada à atividade turística (SEBRAE, 2007). De acordo com pesquisa do FADE (2006), na região metropolitana de Natal a exploração turística das praias vem se revelando uma forte atividade econômica desde os anos 90, como resultado da intensificação do turismo do tipo sol e mar, e, por consequência, atraindo muitos trabalhadores informais da cidade para esses espaços, que buscam um meio rápido e de baixo investimento para auferir renda. Em face do crescimento desordenado de comerciantes informais nas praias natalenses, o supracitado estudo do SEBRAE (2007) aponta uma necessidade de se desenvolver as atividades laborais de forma e

planejada, sabendo-se dialogar as legislações e regulamentações oficiais, as exigências dos frequentadores e as necessidades dos trabalhadores-empreendedores que adotam a praia como fonte de subsistência.

A referida pesquisa é uma das maiores contribuições em termos de investigação da atividade laboral informal desenvolvida no espaço de praias natalenses. Porém, embora seja considerada de grande importância, essa atividade econômica tradicionalmente não foi contemplada por estudos aprofundados. Na realidade natalense, estudos de Silva (2011), Oliveira (2009), Savalli (2008) e Fernandes (2008) relatam as atividades desenvolvidas no setor informal da economia, tanto em praias como no centro da cidade.

Uma das expressões dessa crescente tendência em investigar o trabalho nas praias se traduz no estudo do SEBRAE nacional e o do Rio Grande do Norte (2007), os quais conduziram uma pesquisa sobre as atividades informais desenvolvidas no espaço de praias. Como resultados da pesquisa em âmbito local (Natal / RN), apontou-se que em cada uma das cinco praias urbanas analisadas desenvolvem-se processos específicos de interação entre ambulantes, barraqueiros e frequentadores, dependendo da configuração territorial e da teia de reciprocidades, sociabilidades e elementos comunitários e societários.

Tal estudo da economia informal de praia foi o último empreendido pelo SEBRAE em nível local, o que revela a necessidade de se realizarem novas pesquisas para acompanhar as recentes configurações do mercado informal nas praias da cidade. Àquela época os resultados indicavam um maior comparecimento de frequentadores (e potencial mercado consumidor) na praia de Ponta Negra conforme pode ser observado no quadro da figura 2:

Figura 2 - Quantidade de frequentadores, ambulantes e barraqueiros em cinco praias urbanas de Natal/RN à época do mapeamento. Fonte: SEBRAE (2007)

Sete anos após essa pesquisa, o contingente de vendedores ambulantes teve um forte aumento em Ponta Negra, verificado pelo número de 12003 trabalhadores informais circulando pela praia até o mês de fevereiro de 2012, segundo estimativas da Associação dos Trabalhadores de Ponta Negra (ATPON) (informações registradas disponíveis em: http://www.sospontanegra.org/2012/02/trabalhadores-informais-de-ponta-negra.html).

A própria associação reconhece a falta de dados precisos sobre o tamanho dessa população, esclarecendo que há um cadastro (em torno de três anos) constando 378 associados, o que não corresponderia nem a 40% do total de trabalhadores informais da praia (conforme apontado pelo presidente da ATPON em entrevista ao jornal local Tribuna do Norte [2012], disponível em http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/praia-tera-plano-de- fiscalizacao/209990). Por outro lado, reforçando a discrepância das informações e a falta de estatísticas oficiais, a SEMSUR (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos), órgão da prefeitura responsável pela fiscalização e cadastramento de trabalhadores informais das praias, informa dados de 2012 de 415 ambulantes cadastrados em Ponta Negra4. Quanto às outras praias urbanas da cidade, este levantamento sequer fora realizado.

3 Dados disponibilizados em entrevista informal com o presidente da Associação dos Trabalhadores de Ponta

Negra.

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Dados obtidos diretamente com o Setor de Controle de Bancas de Revistas, Quiosques e Ambulantes, resultado de um cadastramento parcial dos ambulantes da praia de Ponta Negra, que será descartado em favor de um recadastramento.

Recentemente, em fevereiro de 2013, em reunião5com a ATPON, a SEMSUR revelou que o número de cadastrados no último censo era inexato, pois muitos dos cadastrados não trabalhavam de fato na praia de Ponta Negra e somente fizeram o registro devido ao interesse no terreno doado pela prefeitura aos ambulantes dessa praia, informando que um novo cadastramento haveria de ser feito, ainda sem perspectiva de início. O desencontro de informações revela a falta de dados precisos sobre a quantidade correta de ambulantes, em virtude da própria característica de instabilidade e temporariedade do trabalho e da recusa por parte de alguns deles em cadastrarem-se na prefeitura, o que pode deixar um número considerável de subnotificações.

O estudo do SEBRAE (2007) revelou ainda que nas praias natalenses os vendedores ambulantes comercializam os mais variados produtos e serviços, distribuídos entre serviços, alimentação, bebidas, vestuário, artesanato e acessórios, desde itens de fabricação caseira até aqueles importados, sejam legais ou ilegais. A pesquisa constatou um predomínio de vendedores ambulantes do sexo masculino em todas as praias e, no que tange ao grau de escolaridade, este se mostrou similar entre os vendedores das praias pesquisadas, verificando- se o predomínio do ensino fundamental.

Outro importante aspecto considerado relacionou-se à experiência prévia formativa de capacitação, que ensinasse a gerenciar o negócio: a maioria (93%) dos ambulantes nunca a realizou. Neste ponto, é interessante verificar que apesar de a grande maioria dos vendedores ambulantes e barraqueiros não ter tido nenhuma qualificação prévia que lhes ensinasse a gerenciar sua atividade empreendedora, nota-se uma importante quantidade deles que conseguem gerir satisfatoriamente seus negócios e fazê-los perdurar por muito tempo.

A pesquisa do SEBRAE (2007) constatou também procedimentos relativos à organização do empreendimento do vendedor ambulante. Os trabalhadores ambulantes

referiram enquanto itens de maior controle a contagem das mercadorias vendidas e as que sobraram; programação da atividade de acordo com a meteorologia (verificar se as condições climáticas favorecerão a atividade naquele dia); realização do planejamento de compras e ter alguém para ajudar na organização e conferência. Também se constatou que boa parcela dos vendedores ambulantes tem consciência da necessidade de obtenção de informações e orientações sobre seu negócio. A referida pesquisa verificou que alguns fatores específicos podem ser considerados importantes e significativos para a definição da singularidade de cada praia, como tradição, territorialidade, identidade, facilidade de acesso aos clientes e afetividade, os quais também influenciam na satisfação dos visitantes e consumidores, a renda auferida no empreendimento, a capacidade de gestão e a visão de futuro do negócio. O trabalho informal nas praias urbanas da cidade são também eventualmente retrados em matérias jornalísticas6. A tendência observada em grande parte dos jornais é considerar a informalidade nas praias natalenses num espectro que vai desde a precariedade nas condições de trabalho às oportunidades de geração de renda e perfil empreendedor dos trabalhadores.

Equipes de reportagem locais, como o jornal Tribuna do Norte (2010), também realizam eventualmente matérias jornalísticas sobre essas atividades. Em uma das matérias, o referido jornal investigou a dinâmica de funcionamento e perfil dos vendedores ambulantes da praia de Ponta Negra, retratando uma ocupação que, se por um lado é marcada por precariedade, instabilidade e insegurança acerca dos ganhos e da permanência na atividade, por outro lado é propícia também a um claro potencial empreendedor por parte dos

trabalhadores, que fazem da praia um “escritório lucrativo à beira mar”.

A matéria publicada em 28 de novembro de 2010 trata do cotidiano dos vendedores ambulantes para comercializar seus produtos e garantir sua subsistência, revelando uma rotina que exige criatividade, boa conversa para conquistar consumidores, estratégias de venda

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No caso da praia de Ponta Negra, existe um site que compila diversas reportagens que trazem a realidade do local. Para mais informações acesse: http://www.sospontanegra.org. Matérias jornalísticas sobre as demais praias urbanas também estão disponíveis no site do Jornal Tribuna do Norte.

diferenciadas para se destacar entre a concorrência, táticas para se aproximar dos potenciais clientes, visões de negócio e conta com motivações específicas que os levaram a escolher esse tipo de trabalho. Outras reportagens também são esporadicamente realizadas nas praias de Natal, retratando a realidade que vivem os trabalhadores que escolhem a praia como local de geração de renda, os quais frequentemente sofrem com tentativas de desocupação, apreensão de mercadorias, falta de investimento governamental e destruição da infraestrutura pública pela ação da natureza e pela ausência de manutenção) até a exploração da dinâmica de funcionamento da atividade e perfil dos vendedores ambulantes, enaltecendo o potencial empreendedor da ocupação e a rotina que exige criatividade, estratégias de venda diferenciadas para se destacar entre a concorrência e as diversas visões de negócio.

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Benzer Belgeler