Crescimento econômico é entendido, hoje, como o crescimento contínuo do Produto Nacional em termos globais ao longo do tempo, enquanto desenvolvimento econômico representa o crescimento da produção nacional mais a forma como é distribuído social e setorialmente. Passou a ser complementado por indicadores que expressam a qualidade de vida dos indivíduos; a diminuição dos níveis de pobreza, desemprego e desigualdade; a elevação das condições de saúde, nutrição, educação e moradia. (Milone, 1981). A diferenciação acima, embora demonstre uma evolução conceitual, ainda não incorpora o estado de depleção dos recursos naturais.
As decisões frente às questões de medidas de proteção ambiental, em especial nos países em desenvolvimento, são resultado de uma complexa teia de interesses sejam políticos,
O desempenho ambiental verificado nas empresas líderes de 10 setores no Brasil, mostra que são três as áreas do mercado que estão na frente – químico, papel e celulose e automotivo (Jesus, Faria, Zibetti, op. cit., p. 75). O setor de papel e celulose está sujeito a regulamentações externas dos importadores, e há muita pressão pela obtenção de certificações como a BS 7750 e a ISO 14001. As empresas deste setor são signatárias de acordos como o World Business Council for the Sustainable Development e o Forest Stewardship Forum.
Foram criados, a partir da década de oitenta, alguns mecanismos econômicos com o objetivo de solucionar a pressão do desenvolvimento econômico, ainda que não sejam muito utilizados no Brasil, a saber:
• O Imposto sobre Poluição, que busca corrigir a formação de preços de mercado ao introduzir o custo de recursos esgotáveis empregados na produção de bens e serviços, reprimindo assim, o uso excessivo e descuidado dos recursos ambientais escassos. (Oates, 1989, p. 27-31)
• As Cotas de Emissão de Poluentes, que são estabelecidas por autoridades ambientais e definem cotas por países, regiões ou indústrias, e teriam uma taxa de emissão pré- determinada, podendo estas taxas ser negociadas, estando as fontes livres para comprar e vender permissões de emissão.
• A Conversão da Dívida em Investimentos na Natureza, que permite aos países em desenvolvimento reduzirem seus ônus junto aos países desenvolvidos, e também contribui para reduzir os problemas ambientais.
• A Contabilidade dos Recursos Naturais, criado para deduzir os impactos ambientais das contas nacionais, o que acaba afetando o PIB.
Segundo dados da Organization for Economic Cooperation and Development (OCDE), as exportações do ecobusiness em 1995 chegaram a representar de 5% a 10% da produção dos países desenvolvidos. O mercado de ecobusiness movimenta 230 bilhões de dólares e absorve 1% da mão de obra dos países desenvolvidos (Jesus, Faria, Zibetti, 1997). O mercado latino- americano ainda ocupa uma posição de menor importância na “onda verde” dos negócios, mas a tendência é que estes países se incorporem gradativamente ao mercado ambientalmente correto. Estudos afirmam que o consumidor europeu está disposto a pagar de 5% a 15% mais caro por produtos de madeira que possuam selos ambientais. A previsão é que as empresas de ecobusiness faturem 580 bilhões de dólares até o final da década. (Ibid.)
As empresas que compõem a vanguarda da legislação ambiental são:
a) exportadoras discriminadas por barreiras não-tarifárias, técnicas ou de certificação; b) aquelas dependentes de financiamentos de bancos internacionais, que precisam passar
por avaliações de impacto ambiental antes da liberação de recursos financeiros; c) multinacionais suscetíveis às leis e pressões de acionistas e consumidores em seus
países de origem. (Ibid., p. 166-180)
Há preocupação com o consumo mais duradouro, com os produtos verdes que buscam o reaproveitamento de todos os recursos do sistema de produção e consumo, realimentando o processo produtivo. Desperdícios e subprodutos são agora considerados fontes valiosas para reprocessamento. O reconsumo é um sistema complexo que pode ser identificado em quatro aspectos:
1) Produtos que permitem reabastecimento após seu consumo: embalagens para refil, restauração de produtos pelo fabricante, recondicionamento de componentes. 2) Reutilização das embalagens, ao invés de descarte após o uso.
3) Reciclagem parcial ou total de insumos (latas de alumínio, embalagens de papel, plástico e vidro).
4) Aproveitamento total ou parcial do produto e de sua embalagem: itens de plástico reprocessados para virar vasos, bacias e prendedores de roupa; resíduos de alimentos transformados em adubo. (Jesus et al., p. 172-180)
No ano de 1993, US$ 432,2 milhões foram investidos em proteção ambiental, sendo que mais da metade destes recursos veio do BNDES e suas subsidiárias. Os setores de papel e celulose, siderúrgica, química e petroquímica receberam 71% da parcela financiada pelo BNDES. (Ibid.)
O Protocolo Verde é a iniciativa do Governo Federal que instituiu as bases da incorporação da variável ambiental nas análises de crédito bancário. Assinado pelo BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, um grupo de trabalho foi criado pela Presidência da República para estender o Protocolo Verde a todo o sistema financeiro nacional.
manutenção da saúde do meio ambiente. Deve-se tomar cuidado especial para não usar o marketing verde se o produto não for efetivamente correto, pois pode se reverter contra o próprio fabricante.
O ecobusiness brasileiro está em expansão, principalmente nos setores ligados ao tratamento de água e esgoto. Financiamentos de cerca de US$ 5,4 bilhões foram liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre 1995 e 1999 para projetos como a despoluição dos rios Tietê, Guaíba, da Baía de Guanabara e outros. (Ibid.)
Em suma, um eco produto não pode ser definido simplesmente por uma “maquiagem verde”, como recurso de marketing. Os produtos verdes apontam para um novo paradigma de consumo, incorporando o conceito de qualidade ambiental, como visto anteriormente.