5. YARGI KARARLARI IŞIĞINDA KENTSEL DÖNÜŞÜM
5.1 Uygulama Yöntemi ve Planlama Sürecine Yönelik Kararlar
Em carta endereçada a Clarice Lispector, Rubem Braga (CARVALHO, p. 400) faz uma referência ao seu livro A cidade e a roça, então prestes a ser lançado:
Está saindo um livro meu pela José Olympio, A cidade e a roça, estava agora mesmo passando os olhos nele, e as crônicas, tão parecidas, com as antigas, me deram a sensação de como sou um homem monótono, passo a vida inteira ruminando duas ou três coisas que houve – ou que não houve. A última crônica é sobre a nossa Bluma.
Há um dado curioso sobre essa obra. Passados quase trinta anos do seu lançamento, o cronista resolveu “ter coragem” de mudar o título na edição posterior em livro. Ocorreu que, no ano de 1985, escolheu o nome de uma das crônicas que integrava a coletânea original, O
verão e as mulheres, e deu esse nome ao título da obra, prestando uma homenagem, segundo
ele próprio revelaria mais tarde, ao poeta e amigo de longas datas Vinícius de Moraes que havia falecido em meados desse período.
Outra particularidade que merece registro sobre A cidade e a roça é o fato de a mesma ter passado a incorporar, a partir da sua segunda edição, o livro Três primitivos, obra esta que o cronista havia publicado, por recomendação institucional do Governo Federal, para os
Cadernos de Cultura, do Ministério da Educação, no ano de 1954, e escrito no ano anterior.
Em nota explicativa introdutória a essa edição, já renomeada como “O verão e as mulheres”, o cronista nos revela que aproveitou a “desculpa”, pelo fato de A cidade e roça ter passado a incorporar, a partir de sua segunda edição, Três primitivos. Na verdade, revela o cronista, a mudança teria sido motivada pela semelhança de nomes, não muito apropriada segundo ele, entre o título anterior e o de A cidade e as serras, obra do romancista português Eça de Queirós. Vejamos o que nos diz Rubem Braga na nota:
Cada edição de A cidade e a roça foi feita por uma editora – a primeira pela José Olympio, a segunda pela Editora do Autor, a terceira pela Sabiá. Só
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agora, nesta quarta edição da Record, tomei coragem para mudar o título. É muito ruim, além de lembrar A cidade e as serras, de Eça de Queirós.
A mudança tem uma desculpa – é que, desde a segunda edição, o livro é composto, na verdade, de dois livros: A cidade e a roça e Três primitivos, este escrito em 1953 para os Cadernos de Cultura, do Ministério da Educação, quando lá funcionava o amigo Simeão Leal, no Serviço de Comunicação.(R.B.Rio, 1985)
O livro A traição das elegantes foi a última de suas produções em livro, abstraindo, é bem verdade, suas 200 crônicas escolhidas, trabalho que reúne textos extraídos de todas as suas obras.
A traição das elegantes contém sessenta e cinco crônicas, assim discriminadas: “O
mistério da poesia”; “Conversa de compra de passarinho”; “Os embrulhos do Rio”; “O mato”; “O compadre pobre”; “Um sonho de simplicidade”; “As Teixeiras moravam em frente”; “As Teixeiras e o futebol”; “A vingança de uma Teixeira”; “A casa viaja no tempo”; “A nenhuma chamarás Adelbarã”; “Lembranças”; “Velhas cartas”; “Na fazenda do frade”; “O fiscal da noite”; “Nós, imperadores sem baleias”; “Não ameis à distância!”; “Ao crepúsculo, a Mulher...”; “Uma tarde, em Buenos Aires...”; “O crime (de plágio) perfeito”; “Pensamentos em Itatiaia”; “Mensagem que não foi mandada”; “As pintangueiras d’Antanho”; “Pescaria de barco”; “As meninas”; “Despedida”; “Amor e outros males”; “Aquele folheto perdido”; “Meu ideal seria escrever...”; “Receita para mal de amor”; “Às duas horas da tarde de domingo”; Uma certa americana”; “Marinheiro da rua”; “A moça chamada Pierina”; “O desaparecido”; “Os icebergs”; “O rei secreto de França”; “O boi velho”; “Monos olhando o rio”; “Apareceu um canário”; “Carta de Guia de casados”; “Os pobres homens ricos”; “Moscas, e teto azul”; “O homem do Mediterrâneo”; “Confissões de um embaixador”; “Domingo: futebol em Casablanca”; “Você vendo não acredita”; “Lembrança ao compadre Joaquim”; “Mais uma desilusão amorosa”; “A sobrevivência do elefante”; “Ainda sobre elefantes”; “Parece que erraram a conta”; “Pessoas que acontecem”; “Algumas considerações catabólicas”; “Os carnavais de antigamente”; “Negócio de menino”; “Em Roma, durante a Guerra”; “A mulher e seu passado”; “O País de minha noiva”; “Enquete pelo telefone”; “Assim ama o colibri”; “Mestre Aurélio entre as palavras”; “A moça do carnaval”; “A traição das elegantes” e “Valente menina!”
Na Nota do Autor, em que introduz a obra, Rubem Braga afirma:
As 60 crônicas reunidas neste livro foram, em sua maioria, escritas para
96 Cláudia, O Globo, Correio da manhã e Jornal do Brasil. Fernando Sabino
me ajudou na seleção, substituindo 18 crônicas que eu escolhera para outras tantas que eu deixara na pasta de refugos.
R. B.
Como vemos, Rubem Braga contou com a colaboração do também cronista consagrado e amigo, Fernando Sabino, para fazer um levantamento daquilo seria a reunião dos melhores textos produzidos pelo cronista capixaba, integrando a sua vasta produção cronística, no período de 1935 e 1977.
Essa grande coletânea engloba textos oriundos de nove obras do autor: O conde e o
passarinho; Morro do Isolamento; Com a FEB na Itália; Um pé de milho; O homem rouco; A borboleta amarela; A cidade e a roça; Ai de Ti, Copacabana! e A Traição das Elegantes.
Da obra O conde e o passarinho foram escolhidas as crônicas: “Sentimento do mar”; “A empregada do D. Heitor”; “Batalha do Largo do Machado”; “O conde e o passarinho”; “Chegou o outono”; “Véspera de S. João no Recife”; “Luto da Família Silva”.
De Morro do isolamento foram escolhidos: “Almoço mineiro”; “Mar”; “Coração de mãe”; “Nazinha”; “Os mortos de Manaus”.
De Com a FEB na Itália foram escolhidas as crônicas: “A menina Silvana”; “Cristo Morto”.
De Um pé de milho foram escolhidos os textos: “Eu e Bebu na hora neutra da madrugada”; “Foi uma senhora”; “Aula de inglês”; “Passeio à infância”; “A companhia dos amigos”; “Um pé de milho”; “Dia da marinha”; “Conversa de abril”; “Não mais aflitos”; “Da praia”; “História do Corrupião”; “História do Caminhão”; “O Fícus do Senhor”; “Aventura em Casablanca”; “Fim de semana em Casablanca”; “Verdadeiro Fim da Aventura em Casablanca”; “Louvação”; “Receita de casa”; “Eu, Lúcio de Santo Graal”; “Sobre o vento noroeste”; “História de São Silvestre”; “Em Cachoeiro”; “As velhinhas da Rue Hamelin.”
De O homem rouco foram escolhidas as crônicas: “Sobre o amor, etc.”; “Sobre o inferno”; “Lembrança de um braço direito”; “Biribuva”; “O homem rouco”; “Procura-se”; “Histórias de Zig”; “Aconteceu com Orestes”; “Conto de Natal”; “A secretária”; “Uma lembrança”; “Os romanos”; “Pedaços de cartas”; “O barco Japaranã”; “O motorista”; “O vassoureiro”; “A vista do casal”; “Os saltimbancos”; “O funileiro”; “O jabuti”; “Nascem barões”.
97 Do livro A borboleta amarela foram escolhidas as crônicas: “A que partiu”; “A navegação da casa”; “Dona Tereza”; “Pedaço de pau”; “Marcha noturna”; “O afogado”; “A velha”; “O sino de ouro”; “A morta”; “Queda do Iguaçu”; “Força de vontade”; “O telefone”; “A praça”; “O senhor”; “Quermesse”; “Os jornais”; “Quinca Cigano”; “Partilha”; “Manifesto”; “Do Carmo”; “Natal”; “Imigração”; “No mar”; “A viajante”; “Mangue”; “Cinelândia”; “Um sonho”; “Os amantes”; “Os perseguidos”; “A borboleta amarela”; “Visão”; “A grande festa”; “A equipe”; “Impotência”.
De A cidade e a roça foram escolhidas as crônicas: “Opala”; “Homem no mar”; “Recado ao senhor 903”; “Lembranças”; “Madrugada”; “O homem dos burros”; “O verão e as mulheres”; “Galeria Cruzeiro”; “O jovem casal”; “O morto”; “O outro Brasil”; “A Revolução de 30”; “Neide”; “A feira”; “Mãe”; “A casa das mulheres”; “A casa dos homens”; “Caçada de paca”; “O lavrador”; “O cajueiro; “Rita”; “Buchada de carneiro”; “O gesso”.
Do livro Ai de ti, Copacabana! foram escolhidas as seguintes crônicas: “As luvas”; “Os amigos na praia”; “O padeiro”; “A casa”; “Fim de semana na fazenda”; “Sobre o amor, desamor...”; “São Cosme e São Damião”; “A primeira mulher do Nunes”; “Uma mulher esperando o homem”; “Coisas antigas”; “Desculpem tocar no assunto”; “Ai de ti, Copacabana!”; “Homenagem ao Sr. Bezerra”; “Um mundo de papel”; “Sizenando, a vida é triste”; “Lembranças da fazenda”; “Ele se chama Pirapora”; “Viúva na praia”; “História triste de tuim”; “Bilhete a um candidato”; “Entrevista com Machado de Assis”; “O pavão”; “Os trovões de antigamente”; “Natal de Severino de Jesus”; “Montanha”; “Ardendo sobre o rochedo”; “A tartaruga”; “Quarto de moça”; “A Deus e ao Diabo também”; “Visita de um senhora do bairro”; “A palavra”; “O homem e a cidade”; “A minha glória literária”; “Quem sabe Deus está ouvindo”; “É domingo, e anoiteceu”; “História de Pescaria”.
Do livro A traição das Elegantes foram escolhidas as crônicas: “O mistério da poesia”; “Conversa de compra de passarinho”; “Os embrulhos do Rio”; “O mato”; “O compadre pobre”; “Um sonho de simplicidade”; “Os Teixeiras moravam em frente”; “Os Teixeiras e o futebol”; “A vingança de uma Teixeira”; “A casa viaja no tempo”; “A nenhuma chamarás Adebarã”; “Lembranças”; “Velhas cartas”; “Na fazenda do frade”; “O fiscal da noite”; “Nós, imperadores sem baleias”; “Não ameis a distância!”; “Ao crepúsculo, a mulher...”; “Uma tarde, em Buenos Aires...”; “O crime (de plágio) perfeito”; “Pensamentos em Itatiaia”; “Mensagem que não foi mandada”; “As pitangueiras d’Antanho”; “Pescaria de Barco”; “As meninas”; “Despedida”; “Aquele folheto perdido”; “Meu ideal seria escrever...”; “Às duas horas da tarde de domingo”; “Uma certa americana”; “Marinheiro na rua”; “A moça chamada Pierina”; “O desaparecido”; “O rei secreto de França”; “O boi velho”; “Monos
98 olhando o rio”; “Apareceu um canário”; “Carta de Guia de Casados”; “Os pobres homens ricos”; “Moscas, e teto azul”; “O homem do Mediterrâneo”; “Lembrança do compadre Joaquim”; “Pessoas que acontecem”; “Negócio de menino”; “Em Roma, durante da Guerra”; “A mulher e seu passado”; “O país de minha noiva”; “Mestre Aurélio entre as palavras”; “A traição das elegantes”; “Ela tem alma de pomba”; “Os sons de antigamente”.
Esse passeio de recapitulação sobre a produção cronística de Rubem Braga demonstra que o escritor preservou, ao longo de sua carreira, certa regularidade na publicação de livros reunindo textos previamente selecionados que haviam sido anteriormente publicados em jornais ou revistas.
A despeito dessa regularidade, não podemos negar que o grande vulto de sua produção literária, em termos quantitativos, se encontra na publicação primária dos textos em jornais de seu tempo, que configura farto material para o desenvolvimento de pesquisas que almejem oportunizar um outro olhar repousando sobre a obra do artista.
Temos consciência de que estamos, como frisamos antes, diante de um caso singular no cenário de nossa literatura, por se tratar de um escritor que ganhou notoriedade e destaque, exclusivamente, pela via da crônica literária, algo por assim dizer inédito em se tratando de literatura brasileira e, por que não dizer, de literatura universal.
Feito isso, almejando propiciar uma visão panorâmica dessa produção, procederemos, a seguir, à análise textual de uma de suas obras mais representativas, A borboleta amarela, averiguando a incidência da temporalidade, mais particularmente da recordação contemplativa na produção cronística do autor estudado.
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