O conjunto de experimentos ou testes psicolinguísticos de nossa pesquisa ficou desenhado nos seguintes formatos:
(1) 1º experimento (ou Teste de Reconhecimento Idiomático), em que aplicamos quatro tarefas:
Tarefa A:Teste e Verificação do Grau de Identificação Fraseológica, que consistiu em os informantes, após a leitura dos textos dados, identificarem, no texto, a expressão pluriverbal fixa, isto é, a forma fixa da expressão idiomática (expressão idiomática do tipo verbo-argumento);
Tarefa B:Teste de Verificação do Grau de Memória Fraseológica, que consistiu em os informantes, antes da aplicação do Teste de Verificação do Grau de Idiomaticidade Fraseológica, declararem se lembravam ou haviam ouvido a expressão ou se lembravam a expressão, mas não conheciam seu sentido idiomático ou, ainda, se lembravam a expressão e conheciam seu sentido idiomático;
Tarefa C:Teste deVerificação do Grau de Idiomaticidade Fraseológica, que consistiu em, durante a aplicação do Protocolo Verbal, os informantes atribuírem sentido idiomático à expressão dada, isto é, apontar sua idiomaticidade semântica, com ou sem Solicitação de Informação (SI) ou ajuda técnica do experimentador;
73 Trata-se de uma estratégia top-down por conta de o informante levar seus conhecimentos linguísticos e
experiência (inclusive a de adquirir informação através do diálogo com o experimentador) para o material lido.
Tarefa D: Teste de Verificação de Táticas e Estratégias de Compreensão, que consistiu em capturar dos informantes, durante a realização das entrevistas, as estratégias decorrentes do Protocolo Verbal, nas tarefas A, B e D, de modo a evidenciar a frequência de uso de táticas bottom-up e estratégias top-down de compreensão e as estratégias top-down bem-sucedidas relacionadas ao reconhecimento idiomático de seis expressões fixas.
Os procedimentos do Protocolo verbal think aloud, no 1º experimento, seguiram, com ligeiras adaptações, os passos metodológicos da pesquisa Cooper (1999) aplicada a 18 estudantes de Inglês como L2, nos EUA e os de outros estudos de L2 que também adotaram a mesma metodologia psicolinguística (CHARTERS, 2003 e BAHAMEED, 2009).
Com base nos procedimentos metodológicos adotados por Cooper (1999), introduzimos, no desenho de nossos experimentos, antes da tarefa de reconhecimento idiomático (denominada, em nossa pesquisa, idiomaticidade fraseológica), duas novas tarefas: identificação fraseológica e memória fraseológica. Na primeira, o informante teria que identificar a expressão (grau de fixação formal) e na segunda, declarar se lembrava ou não da expressão e de seu sentido idiomático.
Com a inserção destas duas tarefas no modelo de Cooper (1999), pudemos, então realizar a tarefa de idiomaticidade fraseológica, na qual o informante atribuía sentido idiomático à expressão e desconsiderávamos os informantes que já conheciam de cor as expressões idiomáticas do experimento.
Em substância, o experimento baseado em Cooper foi dividido em quatro tarefas nas quais objetivamos fazer uma gravação digital do que os participantes da pesquisa pensavam sobre quando tentavam descobrir os significados de 15 expressões idiomáticas em PB.
Inicialmente, foram dados, um a um, 15 cartões com expressões idiomáticas e pedido que lessem o pequeno texto que trazia inserida a expressão idiomática, mas sem quaisquer marcas de identificação de sua forma (fixação formal).
A segunda tarefa pedia ao informante para que dissesse se lembrava ou não da expressão e de seu sentido idiomático.
A terceira tarefa pedia que o informante, em voz alta, dissesse ao experimentador tudo que estava pensando a partir do momento que olhasse a expressão idiomática, identificasse-a (ou não, posto que no caso de não identificá-la tal procedimento seria feito pelo experimentador) até que dizer o que ela significava no texto lido.
Na quarta tarefa, o experimentador oferecia ajuda técnica, isto é, estratégias cognitivas (top-down) para que pudesse desvelar o sentido idiomático das expressões opacas.
2º experimento (ou Teste de Decisão Fraseológica), em que utilizamos três tarefas: Tarefa A: Teste de Verificação do Grau de Memória Fraseológica, que consistia em os informantes declararem, após ouvirem a expressão idiomática em voz alta pelo entrevistador, se lembravam ou haviam ouvido a expressão e sabiam seu sentido idiomático ou se lembravam, mas não sabiam seu sentido idiomático ou, ainda, se não lembravam nem sabiam seu sentido idiomático;
Tarefa B: Teste deVerificação do Grau de Idiomaticidade Fraseológica, que consistiu em, antes, durante ou depois da aplicação do Protocolo Verbal, os informantes atribuírem sentido idiomático à expressão dada, isto é, apontar sua idiomaticidade semântica a partir de alternativas de múltipla escolha.
Tarefa C: Teste de Verificação de Táticas e Estratégias de Compreensão, que consistiu em disponibilizar aos informantes, durante a realização das entrevistas, as estratégias decorrentes do Protocolo Verbal de ajuda técnica, na Tarefa B, de modo a evidenciar a frequência de uso de estratégias de compreensão e as estratégias bem- sucedidas relacionadas ao reconhecimento de seis expressões idiomáticas do presente experimento.
Em nossa pesquisa, recorremos aos procedimentos de Irujo (1996) para a elaboração do 2º experimento, denominado Teste de Decisão Fraseológica (TDF), com o objetivo de os participantes descobrirem o sentido de 15 expressões idiomáticas em Português a partir de itens de múltipla escolha. Seguindo o mesmo modelo de Irujo, as respostas às perguntas do TDF foram pontuadas em uma escala de 3 pontos: (a) 1 ponto foi dado para uma resposta "não sei" ou para uma definição errada; (b) 2 pontos para
uma resposta considerada parcialmente correta; e (c) 3 pontos para uma definição correta.
(3) 3º experimento (ou Teste de Competência Fraseológica), em que empregamos quatro tarefas:
Tarefa A - Teste de Verificação da Identificação Fraseológica, que consistiu em solicitar aos participantes que fizessem uma identificação fraseológica a partir de uma imagem-google que poderia evocar uma expressão idiomática;
Tarefa B: Teste de Verificação do Grau de Memória Fraseológica, que consistiu em os informantes declararem, após ouviram a expressão idiomática em voz alta pelo entrevistador se lembravam ou haviam ouvido e sabiam o sentido idiomático ou se lembravam, mas não sabiam os sentidos ou, ainda, se não lembravam e nem sabiam seu sentido idiomático, levando em conta respostas em L1 ou L2;
Tarefa C:Teste deVerificação do Grau de Idiomaticidade Fraseológica, que consistiu em, antes, durante ou depois da aplicação do Protocolo Verbal, os informantes atribuírem sentido idiomático à expressão dada, isto é, apontar sua idiomaticidade semântica, a partir de sua L1 ou L2;
Tarefa D:Teste de Verificação de Estratégias de Compreensão, que consistiu em disponibilizar aos informantes, durante a realização das entrevistas, as estratégias decorrentes do Protocolo Verbal de ajuda técnica, nas tarefas A e B, de modo a evidenciar a frequência de uso de estratégias de compreensão e as estratégias bem- sucedidas relacionadas ao reconhecimento de seis expressões idiomáticas.
Da pesquisa de Crespo e Cáceres (2006), levamos como procedimento metodológico para nossa pesquisa, a seleção das 15 expressões idiomáticas, presentes nos três experimentos, através de suas tarefas, uma vez que são as locuções verbais do tipo "verbo + argumento" que melhor permitem observarmos o comportamento verbal dos participantes da pesquisa quanto à atribuição de sentido literal e de sentido fraseológico às referidas expressões idiomáticas quando os mesmos são submetidos a testes psicolinguísticos.
Com base em alguns dos procedimentos e princípios da pesquisa de Flores d’Arcais (1993), elaboramos as tarefas do 3º experimento de nossa pesquisa, em duas partes.
Na primeira parte, denominada Teste de Imagens Idiomáticas (TII), objetivamos saber da competência fraseológica dos participantes da pesquisa em identificar e dizer os sentidos figurados ou fraseológicos a partir de imagens literais, publicadas na internet, que "poderiam" evocar expressões idiomáticas, apresentadas uma a uma ao participante.
A pesquisa de Detry nos ajudou no design da primeira tarefa do 3º experimento que consistiu em solicitarmos dos participantes a identificação das expressões (fixação formal) a partir de imagens literais que poderiam evocar ou sugerir as seis expressões idiomáticas selecionadas para o experimento.
Na segunda parte, denominada Teste da Competência Fraseológica (TCF), buscamos saber sobre a competência fraseológica dos sujeitos da pesquisa, de modo a descobrir sentidos plausíveis de 15 expressões idiomáticas em Português (para efeito de análise de dados, só consideramos seis delas), as mesmas da primeira tarefa, a partir de determinado contexto do português escrito (jornais de grande circulação nacional no Brasil).
As tarefas foram registradas em gravador digital de voz (CXR190-2GE), posteriormente, transcritas ortograficamente, com notações das conversas ou comentários observados pelos transcritores e pelo entrevistador (pesquisador principal), de modo a oferecer dados para a identificação, recordação e compreensão do sentido das expressões idiomáticas.