A pesquisa de Cooper (1999) investigou as estratégias de processamento cognitivo on-line utilizadas por uma amostra de falantes não nativos de Inglês que foram convidados a darem os sentidos de expressões idiomáticas frequentes e apresentadas em um contexto escrito.
Cooper parte da noção fregeana de não composicionalidade semântica de que uma expressão idiomática é uma expressão cujo sentido nem sempre pode ser facilmente derivado do sentido comum dos seus elementos constitutivos. Segundo ele, é difícil dizer o sentido literal por exemplo, das palavras individuais (chutar, balde, pau, barraca) em expressões como, em português, chutar o baldee chutar o pau da barraca om o sentido de "abandonar".
Quanto aos participantes da pesquisa, Cooper contou com um total de 18 sujeitos não nativos do Inglês. Eles tinham idades entre 17 a 44 anos, sendo a idade média de 29,3 anos. Havia oito falantes nativos espanhóis, três japoneses, cinco coreanos, um russo e um português. Os participantes tinham vivido nos EUA 5,1 anos em média, e passaram de 7,3 meses em média estudando Inglês nos EUA. Muitos dos participantes tinham estudado ou estavam estudando Inglês em cursos de idiomas especiais destinados a aumentar a proficiência dos estudantes estrangeiros para que eles pudessem atingir uma pontuação alta o suficiente no teste de Inglês como língua estrangeira para admissão em uma universidade dos EUA.
No tocante aos materiais dos experimentos, os participantes receberam um teste de reconhecimento idiomático no qual eles foram instados a darem, oralmente, os sentidos de 20 expressões idiomáticas frequentemente usadas, selecionadas de um dicionário de expressões idiomáticas americanas. As expressões idiomáticas escolhidas representaram uma mistura de diferentes níveis de discurso.
Na seleção de expressões idiomáticas feita por Cooper, oito das expressões eram representativos do Inglês padrão, oito eram informais ou coloquiais no nível do discurso, e quatro eram expressões do tipo gírias. As expressões em Inglês padrão seriam mais prováveis de ocorrerem em Inglês escrito e expressões de gíria mais no coloquial.
Para auxiliar os participantes a decifrar os sentidos das 20 expressões idiomáticas, cada expressão foi incorporada em um contexto de uma ou duas frases selecionadas a partir de estudos de compreensão das expressões idiomáticas em L1. Cada expressão com seu contexto foi digitada em um cartão de nota separada e entregue aos participantes em sequência. Desta forma, a pesquisa buscou aferir as medidas de compreensão para que fosse analisado o processamento das expressões idiomáticas imediatamente após a percepção auditiva ou visual.
Segundo Cooper, os dados do Protocolo Verbal forneceriam provas do que estava na mente do indivíduo durante a tarefa, permitindo ao pesquisador zerar os esforços mentais envolvidos no exato momento que um sujeito não nativo encontrou uma expressão idiomática potencialmente problemática.
A principal hipótese da pesquisa de Cooper (1999) foi a de que o reconhecimento da expressão idiomática pode ser influenciado por fatores linguísticos,
como o sentido de uma determinada palavra na expressão idiomática e extralinguísticos como as experiências e conhecimentos prévios dos participantes. Por essa razão, os participantes foram solicitados a manterem esses fatores em mente ao verbalizem seus pensamentos sobre como eles chegaram a possíveis sentidos das 20 expressões idiomáticas.
Os dados da pesquisa foram analisados em duas fases. Na primeira fase, as definições das 20 expressões idiomáticas pelos participantes foram pontuadas em uma escala de 3 pontos: (a) 1 ponto foi dado para uma resposta "não sei" ou para uma definição errada; (b) 2 pontos para uma resposta considerada parcialmente correta; e (c) 3 pontos para uma definição correta. Na segunda fase da análise, as respostas dos participantes para cada expressão, após serem divididas em segmentos discursivos (denominadas de t- unidades), e como tais foram analisadas e marcadas de acordo com a estratégia de compreensão da expressão idiomática utilizada pelo participante.
As estratégias de compreensão para as quais foram encontradas provas nos dados foram denominadas com referência a estudos anteriores que lidaram com a compreensão on-line da expressão idiomática em L1 (Cacciari, 1993; Flores d'Arcais, 1993), uma vez que tal terminologia tinha se mostrado eficaz na análise e categorização dos dados a partir de protocolos verbais. Estas estratégias de compreensão de expressões idiomáticas, entre outras, foram classificadas em dois grupos: as estratégias de preparação e as estratégias de adivinhação.
As estratégias de preparação permitiram aos participantes clarificar e consolidar o conhecimento sobre a expressão (estratégia RP, repetir ou parafrasear o idioma); para ganhar mais tempo antes de proferir um palpite, talvez para ensaiar uma resposta, e para peneirar a nova informação linguística (estratégia DA, discutir e analisar a expressão idiomática), e para coletar informações adicionais, a fim de dar um palpite melhor informado sobre o sentido da expressão idiomática (estratégia RI, solicitando informações sobre o idioma).
As estratégias de adivinhação representam casos em que o participante realmente arriscou uma interpretação da expressão, e a estratégia que leva à suposição foi categorizada como descobrir o sentido idiomática da expressão a partir do contexto (estratégia AC), usando o sentido literal (estratégia SL),utilizando o conhecimentos
prévios (estratégia CP), referindo-se a uma língua L1 (estratégia L1), ou usando outras estratégias (estratégia OE).
Cooper (1999) observou que, durante a aplicação do teste, a maioria dos participantes estava muito interessada em participar dos protocolos de assistência técnica em matéria de reconhecimento expressão e sempre buscavam saber os sentidos das expressões. Eles estavam conscientes das dificuldades inerentes à compreensão das expressões idiomáticas em L2 e queriam mais ajuda nesta área, especialmente para lidar com a frustração causada para compreenderem muitas expressões idiomáticas em L2.
Os dados levantados pelo Teste Reconhecimento Idiomático (TRI) permitiram apontar que oito estratégias de processamento de expressões idiomáticas foram identificadas, das quais três foram usadas mais frequentemente (supor o sentido idiomático que a partir do contexto, usar o sentido literal da expressão e discutir e analisar a linguagem), enquanto as outras cinco estavam em menos evidência (referir-se a uma lingua L1, solicitar informações sobre a linguagem e contexto, repetir ou parafrasear a expressão idiomática, utilizar o conhecimento de fundo e usar outras estratégias)
Cooper (1999) assinalou que não foi encontrado um modelo padrão para explicar a compreensão idiomática entre os conhecidos modelos de compreensão de expressão idiomática em L1 (teorias léxicas e composicionais do processamento cognitivo das expressões idiomáticas), entre outros, e sim, um modelo heurístico pelo qual os não nativos do Inglês, após encontrarem uma expressão idiomática desconhecida, empregam uma variedade de estratégias de uma forma de tentativa e erro para interpretar expressões idiomáticas L2 .
Modelos de aquisição de expressão idiomática em L1 não se aplicam satisfatoriamente à compreensão de expressões idiomáticas pelos usuários L2.
Algumas sugestões pedagógicas, derivadas dos achados, foram incluídas nas sugestões e recomendações da pesquisa de Cooper.