A produção cultural de Moçambique sofreu as consequências do tenso contexto sociocultural antes e após a indepêndencia. Nessa linha de pensamento, Macamo (2003) evidencia, no relatório de sua autoria sobre a “fase de declínio [da produção literária infanto-juvenil] entre 1987 e 1990”, que a cultura” foi “relegada para segundo plano devido à instabilidade provocada pela guerra”.
Muito embora tenhamos identificado uma quantidade significativa de obras literárias destinadas às crianças e aos jovens, em Moçambique, estas praticamente não circulam no mercado editorial local e, menos ainda, em grande parte do espaço escolar. Excetuam-se os livros recentemente publicados por Texto Editores e outras editoras da região, mas o número de livros expostos nas livrarias de Maputo é ínfimo.
No que se refere às traduções, localizamos poucas. Algumas são procedentes dos contos de fadas e/ou pela editora portuguesa Caminho, cuja filial situa-se em Maputo. Há, também, textos oriundos das narrativas orais. Alguns adaptados ao universo dos leitores e outros não, apenas ilustrados e editados. No entanto, conforme Carmem L. Tindó Secco (2007, p. 9)
Fabular, contar casos, reinventar missossos e outras estórias da oratura africana, recriar tradições por intermédio de modernas estórias está na alma de diversos escritores angolanos e moçambicanos que, principalmente depois da independência, começam a publicar textos dirigidos a crianças e jovens.
Mas, ressalta a referida pesquisadora, os “contos tradicionais africanos” e os “textos da literatura infanto-juvenil de Angola e Moçambique, até agora”, têm sido “pouco estudados nos meios acadêmicos literários brasileiros” (SECCO, 2007, p. 9).
A afirmação de Secco é pertinente visto que, em Moçambique, notamos a escassez de informações escritas sobre a área ainda nos dias atuais. Estas prosseguem,
portanto, à margem no mundo acadêmico e demais espaços informativos. Tanto é que, para o presente estudo, contamos apenas com os diálogos verbais com os respectivos escritores e três breves textos resultantes de um relatório acerca de palestra sobre a literatura infantil, realizada no dia do escritor moçambicano, 7 de novembro de 2003, em Maputo. Tais textos contribuem para demarcar o percurso histórico da literatura infanto-juvenil moçambicana. Dois deles escritos por Macamo (2003) e Manjate (2003), trazem a contribuições para identificarmos a trajetória quantitativa das publicações e, de certo modo, as temáticas predominantes quando do “renascimento” destas nos últimos tempos.
Como a literatura infanto-juvenil parece originária do final dos anos 70, precisamente em 1979112, após a publicação de quatro livros, conforme consta do relatório de Macamo (2003), podemos inferir que seu nascimento no âmbito da escrita emerge na pós-independência. Esta época marcada pela re-construção do nacionalismo moçambicano, após tantos anos de conflitos internos no país.
A presença negra representada em status sócio-econômico elevado é, então, recente no panorama histórico de Moçambique sendo, diferentemente do Brasil, a classe destacada na mídia, enquanto consumidora, e aparece nos mais diversificados papéis sociais. Cabe, agora, observarmos a produção literária não só pela temática como, também, os papéis atribuídos aos personagens. Conseguiremos, a partir daí, mapear as
funções, ações e espaços sociais em que foram situados, partindo das contribuições de
Propp (1984) e de estudos correlatos, aludidas anterioremente.
Diante desse mapeamento geral podemos asseverar que a produção literária destinada às crianças e jovens no Brasil e em Moçambique seguem percursos distintos, dentro das respectivas conjunturas sócio-históricas. Se, aqui, nos anos 70 e, principalmente nos anos 80, houve a eclosão da referida produção no mercado livresco,
112 No que se refere à origem da literatura infanto-juvenil enquanto produção escrita, não podemos
afirmar que antes de 1979 não havia livros editados em Moçambique, mas consideramos pertinente o relato de Baltazar Macamo, o qual resulta de dados oficiais da época, levando em conta os órgãos responsáveis pelas publicações em Moçambique, contando-se também com a presença dos principais escritores, além dos representantes do Ministério da Educação (MINED) e do Instituto do Desenvolvimento da Educação (INDE). Daí inferirmos que a Literatura Infanto-juvenil moçambicana tem sua origem no final dos anos 70, e seu “renascimento” a partir de 1990, quando dos investimentos maiores por parte das ONGs e demais órgãos que viabilizaram a inserção de uma quantidade significativa de livros, embora estes não circulassem, pois eram concebidos para determinados espaços educativos, especificamente via concursos, e não para serem disponibilizados no mercado livresco, a exemplo das livrarias e demais editoras. Não podemos esquecer que a sociedade saía das eras conflituosas do colonialismo, sendo o pós-independência marcado pela devastadora guerra civil e que só a partir de 1992 é que a sociedade começa a respirar um pouco de paz no ambiente social.
em Moçambique a história é bem diferente pois, segundo o relato de Baltazar Macamo (2003)
A recolha bibliográfica efectuada por António Sopa e Júlio Navarro, entre 1975 e agosto de 98, confirma que a produção literária infantil em Moçambique começou em 1979 com a edição de quatro novos títulos; em 1980, dezesseis; 1981, dez, tendo-se depois seguido uma fase de declínio entre 1987 e 1990 por a cultura ter sido relegada para segundo plano devido à instabilidade provocada pela guerra.
Considerando o relato, temos: 1) 1979 = 4 livros; 2) 1980 = 16 livros; 3) 1981 = 10 livros; 3) 1987 – 1990, declínio, devido à guerra. Portanto, só a partir de 1990 se iniciou o “renascimento da literatura infantil”, segundo Macamo, devido às “novas iniciativas” na área. Nesse período a Secretaria de Estado para a Ação Social “lançou no mercado dez títulos”; o UNICEF “assumiu projectos de livros infantis publicando cerca de quarenta novos títulos”, inclusive Ziraldo, reconhecido na literatura infanto- juvenil brasileira, que chega ao país para “treinar moçambicanos na arte de escrever e desenhar para crianças”. Macamo complementa ainda que: “Dessa iniciativa foi produzido um livro conjunto a partir de um conto tradicional moçambicano, O Homem
e os Macacos. Eis, assim, a criação de “uma nova geração de fazedores de livros infantis”, em Moçambique, conclui.
A asserção de Macamo a respeito da presença de Ziraldo é pertinente e reitera um diálogo que tivemos com a pioneira da literatura infanto-juvenil moçambicana, Angelina Neves, que não sabe mensurar a quantidade de livros, de sua autoria, até então publicados no país. Um deles é Boa noite, de 1993, cujo enredo gira em torno da mamãe macaca, seu filhote que só queria brincar, e a lua, que o embala sob seu suave cântico. É a referida escritora a grande precursora dessa literatura desde as publicações do folheto do jornal Njingiritane, destinado às crianças e jovens. Tal folheto atualmente está sob a responsabilidade de Mário Lemos, outro escritor do gênero literário que reconhece ter sido Angelina sua grande inspiradora e mentora desde a época em que ele, na juventude, mergulhava no universo literário dos textos contidos naquele suplemento, antes coordenado por Neves.
Em se tratando da história literatura infanto-juvenil no país, Macamo salienta que
A partir de 1990, as principais iniciativas para a produção do livro infantil passam também a pertencer as ONG's e editoras privadas, que drenaram um verdadeiro renascimento da literatura infantil. Estima-se em mais de 130 os títulos de autores com preparação técnica reconhecida.
A Coopimagem, a Associação Progresso, a Fundação Bernard Van Liar, a APOSEMO, a Editora Escolar e a Editora Ndjira, por sua vez, estimularam a recolha de contos tradicionais moçambicanos em todo o país, durante os últimos anos. Há que se referir a MINED que tem se interessado pela reimpressão de alguns livros.
Diante desses dados notamos que o “renascimento” da literatura infanto-juvenil moçambicana se inicia, de fato, no final da pós-independência, a partir de 1990, sob a tutela de importantes orgãos locais apoiados por renomadas instituições internacionais. Mesmo assim, grande parte das obras não circulam no mercado editorial, devido à falta de maiores investimentos por parte dos orgãos públicos e privados, da região, diferentemente do que ocorreu no Brasil, antes dos anos 60.
Não seria impertinente inferir, portanto, que a referida produção, até o momento, não atingiu os espaços mais privilegiados na sociedade moçambicana. As produções têm endereços certos e, às vezes, tamáticas pré-estabelecidas. Afinal, resultam dos projetos promovidos pelos orgãos internacionais, alguns nacionais, e a academia não tem se detido sobre essas produções113. Por outro lado, os escritores não conseguem viver das suas produções, profissionalizando-se na área. Atuam na área literária em meio às atividades institucional, educacional, artística, ou jornalística.
Também, as obras escritas não transitam no mercado livresco, permanecendo desconhecidas por grande parte dos leitores114, excetuando-se os livros designados aos
113 Vale salientar que tais instituições têm, sem sombra de dúvida, sido os principais veículos de
promoção da leitura na região, o trabalho que fazem, há anos, inclusive quando não se investia na leitura literária para crianças e jovens no país. A Associação Progresso é um exemplo desse pioneirismo. É, portanto, extraordinário, o papel de tais órgãos, nos espaços sociais onde atuam. Mas, por outro lado, tais órgãos não têm infra-estrutura para produzir livros infanto-juvenis que atinjam um público maior, abrangendo Maputo e outras províncias, ao que parece. Esse é, a nosso ver, responsabilidade do poder público, o Ministério da Educação, principalmente. Talvez se se pensassem parcerias, incluindo as editoras, universidades públicas e privadas, as escolas, livrarias, quem sabe, por aí, não se começasse a conquistar outros caminhos com vistas à eclosão da leitura literária em Moçambique? Aqui seria importante ampliar o leque de possibilidades com o Brasil, no caso, através do Consulado, mediante a Lei 10.639/03 e respectivas Diretrizes, para se pensar meios de importar e exportar obras literárias, ampliar projetos envolvendo os escritores e as tantas editoras brasileiras, entre as que vêm atuando na área das relações étnico-raciais: a Mazza Edições, a Selo Negro, a Nandyala. Enfim, estas são conjecturas que demandam maior atenção, com vistas de pensarmos possíveis interlocuções entre o Brasil e Moçambique, no futuro, culminando com visibilidade e maior acesso das crianças e jovens de ambos os países às respectivas produções literárias.
114 Muito embora observemos, principalmente em diversos artigos da Revista PROLER, a constatação do
desinteresse pela leitura no país. Trata-se, no entanto, de um delicado probblema que foge ao propósito dos nossos estudos. Se houvesse maiores investimentos na área literária infanto-juvenil talvez se dirimisse mais os altos índices de analfabetismo na Língua Portuguesa. Esse seria, portanto, o “pontapé” inicial: promover e fazer cicular tal gênero literário no espaço escolar. A partir daí, outras providencias deverão ser tomadas, para se pleitar o resultado esperado de envolver os leitores, a começar, pela sensibilização dos profissionais, os educadores, que são os principais responsáveis pela fomação dos estudantes, juntamente com as famílias. Mas no caso das crianças oriundas das famílias pobres, cabe à escola a importante tarefa de viabilizar essa árdua, mas promissora tarefa.
projetos e determinados espaços escolares. Entendemos ser esse um dos motivos de se desconhecer que há, sim, uma quantidade significativa de obras literárias destinadas às crianças e aos jovens produzidas na capital115. O grande acervo existente na Associação Progresso é um exemplo disso.
Além dos três artigos localizamos uma breve entrevista de Teresa Noronha (2005, p. 29) publicada na Revista PROLER, com Machado da Graça que, além de escritor, tem também investido na editoração de livros literários infanto-juvenis de sua autoria e de demais escritores da região, por meio da Promédia, em parceria com a Associação Progresso.
Compreendemos, pois, que um dos fatores, entre tantas outros, que contribue para manter o desinteresse pela leitura em Moçambique é a carência de livros atrativos ao mundo das crianças e jovens116. Sendo assim, enquanto a carência de investimentos no objeto livro literário persistir, tender-se-á a manter grande parte das crianças e jovens distanciadas do instigante mundo da leitura117.
A despeito do parco investimento na produção literária infanto-juvenil moçambicana, a qual tem sobrevivido graças aos guerreiros empreendedores da área, a saber, os escritores, editoras, as ONGs, além dos orgãos responsáveis pela viabilização do objeto livro na região, se percorrermos as livrarias de Maputo podemos nos decepcionar com a escassez de tal literatura. É fundamental, portanto, ir ao encontro dos escritores, individualmente, pois os livros publicados resultam dos projetos realizados em Moçambique e já seguiram os respectivos destinos para os quais foram concebidos, as províncias e outras demandas locais.
Além dos escritores, para não nos limitarmos às escassas prateleiras das livrarias, cabe seguir outras trilhas, a exemplo do Instituto Camões, a Associação Progresso, locais onde encontramos a maioria dos livros publicados em Moçambique e,
115 Se existem tais livros publicados nas demais províncias, não sabemos, pois nossa pesquisa centrou-se
na província de Maputo, especificamente.
116 Grande parte das publicações literárias infanto-juvenis em Moçambique resultam dos concursos
realizados pela Associação Progresso, cujas obras são destinadas às Províncias de Cabo Delgado e Niassa, levando-se em conta as necessidades regionais dessas províncias, conforme dilálogo efetivado com Teresa Veloso, uma das dirigentes da Associação. Outros livros emergem dos concursos promovidos pelo Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.
117 Conforme podemos constatar por meio da Revista PROLER, através das entrevistas aos escritores e
estudiosos de literatura e também pelos relatos dos estudantes, termômetro basilar para diagnosticar as problemáticas que os distanciam e os meios que os atraem ao universo da leitura. Vale salientar o crucial papel da Revista PROLER, importante produção intelectual da região, concebida sob a direção do Prof. Francisco Noa, depois Lourenço do Rosário e, atualmente, sob a direção do Reitor Marcelo Panguana. É por meio dessa Revista que se pode conhecer um pouco da produção acadêmica moçambicana e também das demais atividades culturais locais, além de algumas incursões sobre o panorama internacional, no tocante aos eventos, publicações, entre outras atividades culturais.
ainda, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), com alguns títulos, e as editoras, a exemplo da Promédia, a Ndjira e a Texto Editores, principalmente.
Se seguirmos as pistas acima, sem nos desalentarmos face aos entraves dessa garimpagem literária, haja vista a necessária busca que ela exige, por fim podemos nos surpreender com uma
quantidade significativa dessa produção desconhecida, inclusive, de grande parte da população local. E o resultado será uma farta mesa forrada por diversos livros coloridos118 (Fig. 47), muito embora alguns tragam imagens em preto e branco no seu corpus, o que pode afugentar os pequenos leitores desejantes do
magnífico universo das cores primárias. Cabe-nos, portanto, insistir, persistir e prosseguir a pesquisa, de certa forma, arqueológica.
Encontraremos desde o patriotismo até as consequências da guerra. Temos, assim, a orfandade, no caso, e uma delicada cena que nos projeta à explosão do corpo de uma mãe lançada ao ar, por uma mina, sob o perplexo olhar do filho. Ainda, a orfandade resultante da SIDA, tema recorrente na literatura infanto-juvenil moçambicana. Há a pobreza de pequenos personagens esfomeados no mundo das ruas, as peraltices do Coelho que nem sempre leva a melhor, entre outras lendas oriundas dos contos
118 Veja-se a figura 47, na qual há parte do acervo da Associação Progresso (Maputo, julho/2009).
Exposta à mesa há livros escrito não só na Língua Portuguesa como, também, nas regionais.
tradicionais, e as recentes aventuras de dois irmãos, os gêmeos, percorrendo as províncias da região.
4.1.2 TEMÁTICAS PREDOMINANTES
Antes de percorrermos o universo das narrativas infanto-juvenis moçambicanas precisamos retomar algumas constatações aventadas anteriormente, no que se refere aos personagens. Estes, enquanto elementos constitutivos da narrativa, sugerem leituras do seu modo de ser e de se relacionar com o mundo. Mundo esse perscrutado através da voz do narrador, quando relata a história utilizando-se da primeira ou terceira pessoa do singular e/ou do plural. Sua voz nos guia e amplia a leitura das ilustrações. Estas, por sua vez, tendem a reconfigurar o texto verbal, antecipar os fatos, as ações e as sensações dos seres ficcionais.
Grande parte da produção literária infanto-juvenil, conforme salienta Zilberman (1988), é uma produção assimétrica, produzida, comprada e trabalhada pelo adulto. Sendo assim, salienta Palo (2005), os principais destinatários praticamente não têm “voz”, diante dos textos que lhes são designados. Daí ser “assimétrica” a relação entre a literatura infanto-juvenil e o leitor.
Quando o texto literário infanto-juvenil é menos lúdico e mais educativo, ele tende a não envolver os destinatários tanto quanto os que trazem à tona os dilemas e desejos, seus anseios emocionais. É como se ali estivesse a voz do adulto a lhe dizer como se comportar, aprender, enfim, se relacionar com o mundo. Tende-se, assim, a construir um ideal de criança bem comportada, passiva, menos instigativa, dentro dos ditames “adultocentrico”. Foi esse o princípio basilar de tais produções desde o século XVII, por meio dos contos de fadas compilados por Charles Perrault, na França, nos quais encontramos ainda a lição de moral ao final. Na Alemanha, no século XIX, os irmãos Grimm não fazem diferente, conforme salienta Abramovich (1991).
Partindo das asserções de Zilberman podemos inferir que, em se tratando das narrativas infanto-juvenis publicadas em Moçambique, salvo raras exceções, prevalece a finalidade educativa, visando-se à transmissão de ensinamentos aos destinatários, seja por meio dos problemas sociais e/ou das lições de moral. São ainda poucas as obras que se distanciam de tais propósitos. Foi o que observamos em grande parte dos textos provenientes da tradição oral, entre outros. A leitura lúdica, voltada para o universo das crianças e jovens, com suas questões existenciais permanece escassa. Sobressaem os
ensinamentos acerca do contexto social, modos comportamentais, instrutivos, morais, etc.
Os personagens desempenham papéis sociais diversificados, situados nas zonas rurais, nas aldeias, e/ou nos centros urbanos. Prevalece o relato dos fatos e menos as
ações, sem a descrição dos seus traços físicos, no que se refere aos cabelos, cor da tez,
enfim, aos fenótipos. Estes são identificados apenas por meio das ilustrações. No entanto, é comum haver alusão aos comportamentos, à educação, ao afinco estudantil, inteligência, astúcia, enfim, ao que expressa índole imaculável ao reprovável. Exceção à parte são alguns antagonistas, os quais são castigados, dentro dos ditames das narrativas tradicionais, nas quais prevalece o maniqueísmo.
As histórias são narradas através da 3ª pessoa do singular, ora recorrendo-se à onisciência e desvelando a interioridade das personagens, ora não. Exceções são os seguintes livros: 1) Carta aberta aos grandes, de Alberto da Barca (1991); O barco de
papel, de Mário Lemos (2008), e Olhos de tangerina (2004)119, desse mesmo escritor.
4.1.2 Escritores e obras moçambicanas: visão panorâmica
Tendo em vista a pesquisa bibliográfica que realizamos em Maputo destacamos, por ordem alfabética, os seguintes escritores que vem investindo na produção infanto- juvenil nos últimos tempos120:
1. Alberto da Barca, um dos precursores e importante investidor na área ao final das lutas armadas, prosseguindo também até meados dos anos 90.
2. Angelina Neves, educadora, precursora da literatura infanto-juvenil moçambicana, prossegue produzindo nos dias atuais. Além disso, escreve livros didáticos para a fase pré-escolar, é ilustradora, tendo passado pelo crivo de Ziraldo, anos atrás.
3. Calane da Silva, tem publicações para os adultos; recentemente lançou dois livros destinados ao público infanto-juvenil. Um deles é sobre a poesia.
4. Carlos dos Santos, cuja produção volta-se para os contos tradicionais, dos quais localizamos duas histórias.
5. Felizmina W. Velho tem, também, se destacado os contos tradicionais.
119 Esse livro foi premiado no Concurso de Literatura Infantil e Juvenil, promovido pela Associação
Progrssso, em 2004.
120 Descrevemos as atividades dos escritores, conforme informações obtidas via contato com os mesmos