YAPTIRIMLAR A Genel Çerçeve
B. Vergi Ceza Hukukunun Kapsamında Kalan Suç ve Kabahatler ile Bunlara Uygulanacak Yaptırımlar
2. Türk Vergi Mevzuatında Yer Alan Vergi Suç ve Kabahatlerinin Hukuki Rejimi ve Bunlara Uygulanacak Hükümler
Durante milhões de anos a história de nosso planeta tem apenas as rochas como testemunhas. São elas que contam as histórias dos climas, das condições físicas e químicas de nossa atmosfera e das transformações por que passou nosso planeta até o acolhimento da vida.
Ser e estar nesse planeta, enquanto seres pulsantes e parte de uma grande teia, onde se interconectam emoções, sentimentos, história de vida, produção de conhecimento e tecnologia, nos faz muito semelhantes à rocha que abre esse capítulo, pois somos parte de uma grande estrutura, aparentemente caótica, mas repleta de beleza e história e aberta à leitura. Como disse o personagem de Monteiro Lobato, Visconde de Sabugosa7explicando seu sorriso diante de um barranco semelhante ao que ocorre na Barreira do Inferno: “Esse barranco é para mim um livro aberto, uma página da história da Terra, na qual leio mil coisas interessantíssimas”.
Para ele, as ravinas, os barrancos, as areias e as montanhas são páginas de um livro aberto, que contam pedaços da vida da Terra. Mas só aquele que sabe ler o livro da natureza é capaz de compreender a beleza e o conhecimento que eles trazem e, muito
7Visconde de Sabugosa é um personagem do Sítio do Pica-Pau Amarelo, criado pelo escritor
brasileiro Monteiro Lobato. O Visconde é um boneco feito de sabugo de milho, um grande sábio, cuja sabedoria obteve através dos livros.
mais, é capaz de ler através do contato direto com o mundo, se permitindo vivenciar e aprender através de todos os sentidos.
Assim somos nós, sujeitos de convivências, fazeres, saberes e abertos para o conhecimento. Assim como o arenito que se transforma, nós também passamos por processos que expandem nossa corporeidade, mudam nossas cores e formas. Somos seres em constante transformação que experienciam o mundo e interagem a cada momento com outros seres e com a força modeladora das emoções, como sujeitos ludopoiéticos imprimindo em nós a história de nossas vidas.
Nossa educação está cada vez mais centrada no processo auditivo e visual (MINOGUE e JONES, 2006), na posição estática dos corpos dos alunos diante dos computadores ou das telas de projeção. O professor fala e mostra imagens estáticas ou móveis. O aluno, sentado na cadeira ouve e vê, como “mero espectador, de simples receptor, presenciador e receptor” (MORAES, 2005, p. 17). A maioria das vezes ele vê muito mais do que ouve, pois o que se projeta nas telas são palavras e como afirma Mousquer (2004, p. 102, grifo da autora) “O olhar nas escolas está centrado em palavras”, quando discute o uso das imagens na escola. As imagens são importantes, assim como a oralidade.
Bosi (2006, p. 65) afirma que “os psicólogos da percepção são unânimes em afirmar que a maioria absoluta das informações que o homem moderno recebe lhe vem por imagens [...] oitenta por cento dos estímulos seriam visuais”. Mas a imagem não se forma somente pelo sentido da visão. Precisamos avançar, ir além de um corpo que só ouve e/ou vê. Somos sujeitos plurisensoriais e nossos sentidos dialogam no processo de produção de conhecimento. A imagem fala, traz em si o discurso, mas este discurso é construído pelo processo cultural e pela forma de ser e estar no mundo de cada um, e não está ligado somente ao sentido da visão, mas se forma pela mixagem de nossos sentidos.
O processo físico e biológico da visão é similar em todos os seres humanos, como afirma Sardelich (2006, p. 212) o que diferencia é “o modo de descrever e representar o mundo de cada um deles, já que eles possuem diferentes maneiras de olhar para o mundo”. Mas não se olha somente com o sentido da visão, que é um poderoso desvelador do mundo que vivenciamos, porém ele é mais amplo e complexo, como diz Bosi (2006, p. 66) “o olhar não está isolado, o olhar está enraizado na corporeidade, enquanto sensibilidade e enquanto motricidade”.
Não se pode pensar em uma autoformação humanescente sem considerar o sujeito que aprende e que ensina em sua inteireza no sentipensar. É preciso avançar em prol de sua capacidade de fazer uso de todos os seus sentidos e sentimentos fazendo desabrochar sua corporeidade. Como discute Probyn (2004), o desafio é usar a imaginação para despertar a curiosidade, o intelecto e as emoções dos alunos. Para Paulo Freire (2004, p. 150) “a curiosidade é motor da produção de conhecimento”.
A corrente social da autoformação tem em Dumazedier (2001, p. 265) seu maior representante, que compreende o lazer como um tempo voltado para a satisfação do indivíduo, gerando uma possibilidade de autoformação permanente, de ruptura com a vida cotidiana. Para o autor “o tempo de lazer, enquanto um tempo de fruição, torna-se também um tempo de aprendizagem, aquisição e integração, diverso dos sentimentos, conhecimentos, modelos e valores da cultura”.
A vertente existencial da autoformação inaugurada por Gaston Pineau, com seguidores como Marie-Christine Josso e Galvani, considera que na autoformação o aprendente é a peça fundamental na construção dos conhecimentos e dos sentidos produzidos.
Galvani (2001, p. 2) define autoformação como sendo “um processo cotidiano, humano, vital, que permite a cada pessoa produzir uma forma pessoal, a partir do conjunto de suas interações com o meio ambiente”, acontecendo a todo o momento e em todas as situações a que está inserida em seu processo vivencial, envolvendo a produção de uma forma e de um sentido pessoal.
O grande desafio é reencantar a educação e implantar novas práticas pedagógicas, levando a experiencialidade para o ambiente escolar, possibilitando a interação entre os sujeitos no processo do ensinar e aprender, resgatando e compreendendo as implicações do corpo e a corporeidade na dinâmica educacional.
Pouco se pesquisa sobre a importância do tocar no processo de ensino e aprendizagem. Ao se pesquisar sobre o tato na educação, encontramos muitos trabalhos voltados ao uso deste sentido na aprendizagem de pessoas cegas, porém o desenvolvimento do tato em pessoas que não tem o sentido da visão é muito diferenciado daquelas que tem todos os sentidos e onde o tato dialoga muito intensamente com o sentido da visão e os outros sentidos (GARDINER; PERKINS, 2005; THOMPSON; CHRONICLE, 2006).
Uma pesquisa na Scientific Electronic Library Online – SciELO, biblioteca eletrônica que abrange uma coleção de periódicos científicos, com o termo tato,
apareceram 41 artigos. Destes 25 foram na área da Saúde, sete na área de ciências humanas e os outros nas de Agricultura, Linguística e Arquitetura. Muitos destes artigos relacionam o tato no sentido figurado de ter habilidade nas relações humanas. Ao pesquisar as palavras tato e educação, somente três artigos abordam a temática, dois no sentido figurado da palavra e um no tato das pessoas cegas.
Na biblioteca da Universidade de São Paulo, somente dois trabalhos tratam do tato na educação e eles são direcionados para as pessoas cegas. Alguns autores discutem o uso das maquetes em sala de aula, desde sua elaboração até seu uso, porém a abordagem é voltada para a percepção de conteúdos técnicos, sem referências ao tocar como possibilidade de brincar, criar e sentir (LOMBARDO; CASTRO, 1997; SILVA, RIBAS; FREITAS, 2008). As maquetes devem ser tocadas e manuseadas pelos alunos, ajudando-os a desenvolver suas habilidades muscular, perceptiva e psicomotora proporcionando-os experiências concretas com conceitos intangíveis e ideias (ROSS; KURTZ, 1993).
O tato, conforme Minogue e Jones (2006) é inerentemente multidisciplinar, envolvendo pesquisa na engenharia, robótica, psicologia experimental, ciência cognitiva, ciência da computação, e, muito discretamente na tecnologia educacional. Os autores realizaram uma revisão bibliográfica sobre o tato na educação. Eles realizaram uma pesquisa em duas bases de dados eletrônicas, ERIC8 e PsycINFO9. Inicialmente utilizaram o termo háptico como a única palavra-chave, o que mostrou 1151 resultados (187 do ERIC e 964 do PsycINFO). Posteriormente, utilizaram os termos tátil e aprendizagem como palavra-chave e encontraram 279 referências, 185 do PsycINFO e 94 de ERIC. A próxima pesquisa empregou o termo háptico e educação. Surpreendentemente, isso resultou em apenas 126 referências, 90 de ERIC e 36 de PsycINFO. Os resultados duplicados foram eliminados, restando somente 144 artigos para serem examinados. Destes trabalhos eles selecionaram aqueles que investigavam o desenvolvimento de tato e seu papel na cognição; os que tratavam especificamente das interações da visão com as percepções táteis e os trabalhos que investigavam diretamente o uso do tato no contexto de ensino e aprendizagem.
8ERIC - Education Resources Information Center, ERIC oferece acesso ilimitado a mais de 1,3
milhões de registros bibliográficos de artigos de periódicos e outros materiais relacionados com a educação.
9PsycINFO é um banco de dados abstratos que proporciona uma cobertura sistemática da
Da análise destes trabalhos os autores detectaram que pouquíssimas pesquisas empíricas têm, sistematicamente, investigado o valor do tato no complexo processo de ensino e aprendizagem. Algumas pesquisas na área de Física, Biologia e Matemática lançam mão da experiência tátil, porém mais voltados para o toque passivo, onde o indivíduo não escolhe deliberadamente suas ações na exploração e manipulação de um objeto. Byington (2003, p. 162) afirma que “a ausência das mãos no aprendizado, a não ser para o professor escrever no quadro-negro e os alunos anotarem, é uma das mutilações do ensino tradicional”.
Gibson (1996) faz uma interessante discussão sobre os sistemas de percepção, entre os quais o sistema háptico. Para o autor, sempre foiassumidoque nossos sentidos visual, auditivo, tátil, olfativo e gustativo eram os canais da sensação, porém, ele afirma que os órgãos sensórios constituem-se em sistemas perceptivos complexos e interrelacionados. Ainda de acordo com Gibson (1996.) o sistema háptico não possui um órgão especifico de sentido, mas receptores nos tecidos que estão por toda parte do corpo, portanto, as mãos e outros membros do corpo são efetivamente órgãos ativos de percepção. O autor ressalta ainda, que no ser humano as duas partes principais do que ele chama de “aparato háptico” são a pele e o corpo em movimento, por mais sutil que seja o movimento, desde um eriçar de um pelo até o movimento das mãos sobre a areia. Portanto, o sistema háptico precisa ser considerado em uma dimensão mais ampla que o simples tocar com as mãos, uma vez que todo o corpo toca o mundo vivencial, ao interagir com ele, desenvolvendo assim sua tatilidade como fenômeno de apreensão do mundo pelo ser humano, o qual permite sua interação sensitiva e cinestésica com todos os seres da natureza. A tatilidade está intimamente relacionada com sua corporeidade e, portanto, é responsável pela qualidade e quantidade das emoções que se revela e se vivencia no mundo (MONTAGU, 1988; GIBSON, 1996; FINNEGAN, 2005).
A apreensão do mundo vivencial acontece por meio do toque ativo onde interagimos com os objetos, não somente com o tato, mas em interação com a audição, o paladar, o olfato e visão, intermediados pelos sentimentos. Por meio deles sentimos o mundo e dialogamos com outros seres e com a natureza. Os sentidos não atuam de forma isolada, ao contrário, eles dialogam constantemente e o tato tem possibilidades múltiplas, pois através deste sentido “sinto a dureza, a flexibilidade daquilo que toco, mas também sinto o frio, o calor, a suavidade, a textura daquilo eu me toca”, afirma Austry (2008, p. 118).
Este diálogo dos sentidos, conhecido como sinestesia nos possibilita vivenciar situações inusitadas como sentir o gosto das cores ou das músicas. Sacks (2007) esclarece que durante muito tempo a sinestesia foi interpretada como sendo fruto da imaginação de artistas e escritores. Com o avanço das pesquisas neurofisiológicas sobre este fenômeno sabe-se, no entanto, que algumas pessoas podem ter ativação simultânea ou coativação de duas ou mais áreas sensoriais no córtex cerebral. Para o autor a sinestesia não pode ser controlada e nem induzida.
Basbaum (2002), afirma que neurologicamente a sinestesia se apresenta de duas maneiras. A primeira trata da sinestesia constitutiva que revela mecanismos cerebrais e cognitivos e a segunda é a associação entre modalidades perceptivas de maneira geral. Interessa-nos neste trabalho a sinestesia cognitiva que se caracteriza por associações de ideias, como ouvir uma música e associar a determinado ambiente experienciado anteriormente ou sentir um cheiro e ser remetido a outro espaço-tempo.
O Jogo de Areia, por seu caráter lúdico-criativo, é uma estratégia vivencial que possibilita o construir e reconstruir do mundo por intermédio da tatilidade, onde a pessoa passa a ser o ator principal na construção de seus conhecimentos, utilizando a inteireza de seu corpo e sua corporeidade. Este é um processo permanente que fortalece a autoformação humanescente.
Porém, tradicionalmente, o Jogo de Areia é aplicado no âmbito psicoterapêutico, com poucos trabalhos voltados para a área pedagógica, como vivência ludopoiética. Entre os autores que se afastam que têm buscado interlocuções entre o Jogo de Areia e outras áreas do conhecimento, destacam-se Giovanetti e Sant'anna (2005) que investigaram o psicodiagnóstico interventivo com Jogo de Areia na avaliação de momentos de crise adaptativa às atividades clínicas e institucionais do curso de Psicologia, bem como no término da graduação. Scoz e Mitjáns (2009) utilizaram-no como recurso metodológico para o estudo da zona muda das representações sociais, especialmente as representações sociais de professores, pela sua significação para a prática pedagógica. Scoz (2004; 2008) utilizou-o como uma técnica que contribui para uma aproximação da compreensão da subjetividade em psicopedagogia. Franco e Pinto (2003) apresentam possibilidades de sua ampliação como um instrumento de pesquisa acadêmica na psicologia clínica, enfocando-se suas propriedades projetivas e diagnósticas.
A sistematização do Jogo de Areia como estratégia vivencial no processo de ensino-aprendizagem e como técnica de pesquisa que complementa entrevistas e outras
abordagens, vem sendo realizada desde o ano de 2006 pela Linha de Pesquisa Corporeidade e Educação no PPGED/UFRN e também nos laboratórios vivenciais de cada pesquisador que atuam na área de Lazer (PEREIRA, 2007; PEREIRA; CAVALCANTI, 2007; PEREIRA, 2008; MAIA, 2008); Música (MOSCA, 2007, 2008), Formação de Professores (MUSSE, 2007a, 2007b; 2008a, 2008b) Educação Infantil (BARBOSA, 2007, 2008, 2009; PINHEIRO, 2010); Enfermagem (SAMPAIO, 2009).
Para Franco (2009) o uso do Jogo de Areia na realidade brasileira tem passado por modificações e adaptações, criando uma identidade brasileira “capaz de respeitar diferenças e em evolução para a ampliação de seu reconhecimento”. Entre estas modificações e adaptações está o seu uso no processo educacional, onde os cenários são construídos individualmente, mas nem por isso configurando-se como um processo solitário; ao contrário, é uma construção permanente sem a dependência dos outros, na relação com eles, apoiados pela reflexividade, ludicidade, criatividade e imaginação como sujeitos autopoiéticos e humanescentes. É uma quebra de paradigma com a cultura tradicional de se aprender somente com o aporte visual e oral, onde a prática, o tocar e o vivenciar ainda estão muito longe da escola.
Portanto, as vivências com o Jogo de Areia, no processo educacional e como vivência ludopoiética, necessitam de uma investigação mais aprofundada, possibilitando compreender o movimento da tatilidade no fazer com as mãos e suas possibilidades ludopoiéticas na autoformação humanescente.