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On “Sustainability” in Land Management

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5. On “Sustainability” in Land Management

Com esse referencial quanto ao estudo histórico do sistema do common law, tem-se agora como importante tarefa a delimitação do âmbito de utilização da sobredita expressão de forma técnica, dissociando-a de outras, vale dizer, afastando uma suposta relação de sinonímia existente com outros vocábulos.

51SOARES, Guido Fernando Silva. Common law - Introdução ao Direito dos EUA. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 35.

52SÈROUSSI, Roland. Introdução ao Direito inglês e norte-americano. São Paulo: Landy, 2001. p. 23.

53Ibid., p. 152-153. 54Ibid., p. 33.

Essa possibilidade de confusão terminológica foi pinçada com perspicácia por Guido Fernando Silva Soares55, para quem se impõe a distinção da expressão

common law de uma de suas supostas sinonímias, a expressão Direito Anglo- Saxão, uma vez que “o Direito Anglo-Saxão era o Direito das tribos e reinos da Inglaterra antes da conquista normanda, e que conviveria com o common law nos seus primórdios”, isto é, “o sistema do common law alberga o Direito Anglo-Saxão, mas com ele não se confunde”.56

Outra distinção conceitual merece elucidação: o common law não é Direito Inglês nem da Grã-Bretanha. No primeiro caso porque se aplica o common law em diversos outros países independentes afora a Inglaterra, tais como a Índia, o Paquistão, os Estados Unidos da América (EUA), dentre outros.57 No segundo caso porque, a despeito da união real havida entre a Inglaterra e a Escócia, em 1707, para a formação da Grã-Bretanha, e, posteriormente, com a inclusão da ilha da Irlanda (que, a partir de 1921, manteve apenas a Irlanda do Norte integrada, em virtude da separação da República da Irlanda), gerando o complexo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, o fato é que o ordenamento jurídico escocês pertence à família romano-germânica, diversamente dos demais componentes do Reino Unido; logo, a expressão common law não pode ser associada à Grã- Bretanha, dado que um de seus integrantes – a Escócia – pertence à família de Direitos do civil law.58

Outra sinonímia a ser dissipada é a estabelecida entre common law e Direito costumeiro. Ora, o costume é a prática reiterada, diuturna, perene e que se incute na sociedade, passando, pois, a ser preceito obrigatório. Já no common law um único julgado pode ser considerado como vinculante, haja vista que declara a existência de uma norma jurídica para os fatos postos sub judice.59

55SOARES, Guido Fernando da Silva. Common law - Introdução ao Direito dos EUA. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 25.

56SOARES, Guido Fernando da Silva. Common law - Introdução ao Direito dos EUA. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 51.

57SOARES, op. cit., p. 51. 58Ibid., p. 51.

59SOARES, Guido Fernando Silva. Common law - Introdução ao Direito dos EUA. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 52.

Entretanto, é lógico que, sem embargo da conclusão de que o common law não se confunde com o Direito inglês, britânico, anglo-saxônico ou consuetudinário, é certo que estes contribuíram decisivamente para a conformação daquele.60

Dito isso, num passo subsequente, como outros aspectos relevantes, cumpre salientar que, desde as obras dos primeiros comentadores do common law, verificou-se a tendência desse sistema em considerar a necessidade de manutenção de decisões com o fito de salvaguardar o ordenamento de veredictos contraditórios, vale dizer, a importância de ater-se, no julgamento de casos similares, àqueles que já tinham sido antes decididos.61 E, com essa orientação, José Rogério Cruz e Tucci62 assevera que:

Toda essa ideologia que marcou o início de formação da common law favorecia a que, cada vez mais, os operadores do direito, juízes e advogados, invocassem os precedentes judiciais. Afirma-se precisamente por essa razão, que, desde a sua fase embrionária, a common law mostrou natural vocação para ser um sistema de case law. Não havia regra jurídica que impusesse efeito vinculante ao precedente. Contudo, com frequência, os juízes ressaltavam a relevância dos julgados, e, sobretudo de uma série de decisões conformes, como sendo os melhores intérpretes da lei, e a exigência de que tais decisões deviam ser seguidas para conferir certeza e continuidade ao direito.

Assim, podemos dizer que a natureza vinculante dos precedentes judiciais, alçando a jurisprudência como principal fonte produtora do Direito, é a grande marca do common law enquanto sistema de Direito.

Lembre-se, todavia, para não se ter a falsa impressão do engessamento do sistema do common law por conta do respeito e vinculação dos juízes às decisões anteriores, da possibilidade da aplicação do instituto que se denomina overruling, significando a formal superação de um precedente por conta da mudança do entendimento que lhe deu lastro63, empreendendo-se uma nova orientação judicial.

Daí a afirmação de que o common law é largamente caracterizado pela habilidade com que os juízes desempenham sua tarefa de decidir.64 E, em vista da importância que se dá aos casos julgados pelas Cortes de Justiça, afirma-se que, no

60BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de Filosofia do Direito. São Paulo: Ícone, 2006. p. 33.

61TUCCI, José Rogério Cruz e. Precedente judicial como fonte do Direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 153.

62Ibid., p. 154.

63SILTALA, Raimo. A theory of precedent

– from analytical positivism to a post-analytical philosophy of law. Oxford: Hart Publishing, 2000. p. 73.

64HUTCHINSON, Allan C. Evolution and the common law. New York: Cambridge University Press, 2005. p. 4.

contexto do common law, a noção de validade do ordenamento jurídico positivado não tem a mesma relevância que no civil law.65

Finalizando estas notas introdutórias a respeito do sistema jurídico em análise, segundo os dizeres do Magistrado da Suprema Corte dos Estados Unidos e considerado o maior jurista de todos os tempos daquele país, reconhecido como precursor da celeridade e pragmatismo no âmbito judicial, o Justice Oliver Wendell Holmes Jr., o common law é considerado o maior trabalho da jurisprudência americana66, deitando suas origens, como visto, nos primórdios do segundo milênio d. C., na região que hoje se encontra a Inglaterra.

65EDLIN, Douglas E. Common law theory. New York: Cambridge University Press, 2007. p. 185. 66HOLMES, Oliver Wendell. The common law. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University