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SUÇUN İŞLENİŞİNDE KULLANILAN ARAÇ KİŞİNİN KASTI OLMAMASI HALİ

V. DOLAYLI FAİLLİK VE DİĞER İŞTİRAK ŞEKİLLERİ ARASINDAKİ İLİŞKİ

1. SUÇUN İŞLENİŞİNDE KULLANILAN ARAÇ KİŞİNİN KASTI OLMAMASI HALİ

Paisagem sonora LXI – primeiro concerto da Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte: discursos, aplausos e peças para coro e orquestra.

Ensaio da Sinfônica de Belo Horizonte, sob a regência do maestro Mario Pastore.273

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Francisco Nunes, a quem, apesar de opiniões em contrário, se deve a efetiva realização do conjunto sinfônico, embora a idéia nascesse dos componentes do quarteto Achermann, que não chegou a ter o desejado desenvolvimento, Francisco Nunes, dizíamos era um idealista. É preciso, para bem fixar os contornos da sua arrojada empresa, que se atente nas condições de Belo Horizonte, ao tempo em que o dedicado maestro resolveu solucionar o problema da música sinfônica em nossa capital. Éramos, então, uma cidadezinha provinciana, excessivamente burocrática, sem elementos suficientes à manutenção de uma iniciativa que encontra sempre obstáculos, quer no terreno artístico, quer no financeiro, como é a constituição de uma orquestra sinfônica. Sem embargo disso, o velho Nunes pôs mãos à obra e venceu. Ao seu idealismo juntou-se o de um grupo apreciável de amantes da boa música, que propiciava momentos de arte à sociedade belo-horizontina, especialmente com as suas exibições no Cinema Odeon.274

A Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte (SCSBH) foi fundada em 27 de junho de 1925 pelo maestro Francisco Nunes com participação de professores do Conservatório Mineiro de Música e o apoio do Governador Mello Vianna. Essa entidade foi registrada em cartório e tinha por objetivo desenvolver a cultura musical em todas as suas modalidades, promover concertos e festivais e contrair obrigações com os governos – Federal, Estadual e Municipal – ou instituições particulares ou jurídicas, de acordo com a sua finalidade. Além de Francisco Nunes, seu fundador, a SCSBH teve outros dois músicos importantes ligados à sua história: o maestro Francisco José Flores275 e Carlos Achermann.276

Quarteto Achermann: violinos - Carlos Achermann e Eugênio Guadagnin, celo - Targíno da Mata, viola - Leone Cioglia.277

274

Revista Alterosa, junho de 1950, p.7.

275

Há referência sobre a contribuição do maestro Flores na criação do movimento sinfônico de Belo Horizonte na p.123 e 234.

276

BRANT, Celso. In: Revista Acaiaca, nº 20, junho de 1950.

277

Os integrantes iniciais do Quarteto Achermann, fundado em 1921, projetaram um conjunto orquestral, que teria sido criado, em 1922, com o nome de Orquestra de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte. Porém, a criação da sociedade se deu numa reunião realizada no Conservatório Mineiro de Música pelo maestro Francisco Nunes. Nessa reunião discutiu-se a possibilidade de se dar continuidade a propostas anteriores, como a da Orquestra de Concertos Sinfônicos, criada com base no Quarteto Achermann, porém a decisão foi de se começar uma sociedade independente de movimentos preexistentes. Sendo assim, a SCSBH, da forma como foi idealizada na reunião, teve a sua estreia em 21 de dezembro de 1925 – data de aniversário de um ano do governo de Mello Vianna –, no Teatro Municipal, sob a regência do maestro Francisco Nunes. Faziam parte do programa peças envolvendo coro e orquestra. Foi um concerto realizado com casa cheia, e lá se encontravam as autoridades políticas e toda a elite belo-horizontina. Foi relevante o discurso do presidente da SCSBH, uma vez que ressaltou a ligação e a força do poder público na formação de um possível campo musical278. Destacamos alguns trechos do discurso, com o intuito de possibilitar maior

278

Discurso pronunciado pelo presidente da Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte, professor Carlos Góis, no concerto de estreia da orquestra: “A Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte, recém-fundada nesta Capital, por inspiração do maestro Francisco Nunes (criador da sociedade congênere do Rio de Janeiro), constituída das figuras mais representativas da classe musical, houve por bem realizar a sua récita inaugural no dia, para todos nós, auspiciosíssimo, em que se completa um ano do fecundo govêrno do exmo. Sr. Dr. Melo Viana, govêrno dinâmico de grandes realizações. Entre as muitas, que a atual administração doou ao bem público, avultam a criação do Conservatório Mineiro de Música, e a construção do seu prédio já muito adiantada.

Esse ato da atual administração, devido à iniciativa do exmo. Presidente Melo Viana e de seus devotos auxiliares de então, drs. Mário Brant e Sandoval de Azevedo (nomes para sempre gratos e imperecíveis no coração dos que amam e cultivam a música em nossa terra), esse ato a tal ponto repercutiu no seio da classe musical, prestigiando-a, e incentivando-a, que o atual chefe do poder executivo mineiro ficou sendo, para ela, o criador da música oficial do Estado de Minas, uma das glórias que lhe perpetuarão o nome.

Possuída de grande, de inefável gratidão por esse ato de verdadeira benemerência, a classe musical (a que não tenho a honra de pertencer, e por isso sinto à vontade para falar em seu nome) retardou de alguns dias a récita inaugural da Sociedade de Concertos Sinfônicos, a fim de que a sua primeira prova pública celebrasse também a grata efeméride do primeiro aniversário do atual govêrno. De sorte que as notas que dentro em pouco reboarão neste recinto, não limitarão a ser as vozes dos instrumentos tangidos pelas figuras orquestrais; elas serão também a exuberante exaltação do íntimo e profundo reconhecimento, que transbordará a fluxo do coração de seus executantes.

Se a música foi criada, como reza a História, para cultuar a graça e as dádivas, que emanavam os deuses – o mesmo espírito primitivo e tradicional que ditou o seu advento entre as artes, esse mesmo libertar-se-á espiralado em sons e alado em notas, envolvendo a pessoa do seu criador em minas num halo de refulgência, que seja a moldura a circundar-lhe o nome a grande obra meritória, de que foi realizador. Sabem todos o grande influxo que o ensino da música exerce sobre a educação popular. Segundo os pedagogos franceses, o ensino de música, longe de constituir um luxo adventício, um mero ornamento, um simples entretenimento, - é um poderoso fator de cultura moral. E a prova temo-la nos hinos patrióticos e nos cantos sacros, em que a música desperta, em uns, o censo cívico, base do amor da pátria e, em outros, o senso místico, principal fundamento da religiosidade.

clareza à trama que buscamos tecer: “o atual chefe do poder executivo mineiro ficou sendo, para ela [classe musical], o criador da música oficial do Estado de Minas”. O

orador lembra que o Presidente Mello Vianna foi responsável pela “criação do

Conservatório Mineiro de Música, e a construção do seu prédio já muito adiantada”.

Reforçamos que um interesse muito forte das autoridades estava em manter um entendimento e até o uso da música como mediador de educação cívica e linguagem

disciplinadora, o que revela um discurso muito difundido na época: “Sabem todos o

grande influxo que o ensino da música exerce sobre a educação popular. Segundo os pedagogos franceses, o ensino de música, longe de constituir um luxo adventício, um mero ornamento, um simples entretenimento, – é um poderoso fator de cultura moral. E a prova temo-la nos hinos patrióticos e nos cantos sacros, em que a música desperta, em uns, o censo cívico, base do amor da pátria e, em outros, o senso místico, principal fundamento da religiosidade.”. Em seu discurso, o presidente da SCSBH transitava entre a igreja e o estado.

Paisagem sonora LXII – terceiro concerto da SCSBH: Saint-Saëns, Strauss,

Westerhout, Rimsky-Korsakov e Carlos Gomes.

O terceiro concerto da SCSBH, dedicado aos trabalhadores realizou-se no Cine Teatro Brasil, sob a regência de Arthur Bosmans. Foram executadas músicas de Saint- Saëns, Strauss, Westerhout, Rimsky-Korsakov e Carlos Gomes. Houve solo de violino do professor Flausino Vale em Cena de Baile, de Charles Bériot279.

Segundo Brant280, os primeiros anos da SCSBH foram de muito trabalho e o maestro Francisco Nunes esteve à frente da orquestra até 1934, ano de sua morte. Faziam parte da primeira formação da Orquestra de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte a orquestra de Achermann, professores do Conservatório Mineiro de Música e outros instrumentistas. Pelas dificuldades apresentadas de todas as naturezas, o trabalho, que era para ter sido realizado com disciplina e regularidade, tornou-se intermitente.

Identificado com esses preceitos, o chefe atual da administração lançou os fundamentos da cultura musical em Minas. Bem haja, pois, a sua obra benemerência, di-lo por minha boca a classe musical, que reafirma a s. excia os meus protestos de imorredoura gratidão”. (grifos nossos)

279

Revista Alterosa, 1926.

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Entre os políticos que apoiaram o trabalho desse grupo destacam-se: o Prefeito Juscelino Kubitschek, que, em 1944, encampou a sociedade e a apoiou com subvenção municipal, dando-lhe o nome de Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte; o Prefeito Otacílio Negrão de Lima, que possibilitou a sua reorganização; o Governador Milton Campos, que, em 1950, declarou-a de utilidade pública. Apesar do apoio desses governantes, a maioria das fontes mostra que a orquestra viveu em meio a altos e baixos quanto ao apoio do poder público. Os músicos que integraram as primeiras formações viveram momentos de grande instabilidade e, em um deles, a orquestra se dividiu em dois grupos. Um continuava com a mesma direção e a regência do maestro Guido Santórsola, e outro, dissidente, passa a ser gerido pelo governo do Estado e dirigido musicalmente pelo maestro Arthur Bosmans – a Sinfônica Estadual.

Os regentes que trabalharam à frente Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte foram: maestro Francisco Nunes (1925 a 1934), maestro Elviro Nascimento (trabalhou junto do maestro Nunes, nos últimos anos da sua vida), maestro Mario Pastore (1934 a 1944), maestro Guido Santórsola (1944) e maestro Arthur Bosmans (1945), maestro Guido Santórsola novamente e, esporadicamente, os maestros Hostílio Soares, Assis Republicano e Francisco Mignone. A Sinfônica apresentou-se em vários espaços da cidade, como: Teatro Municipal, Palácio da Liberdade, Instituto de Educação, Conservatório Mineiro de Música, Teatro Francisco Nunes, Cine Brasil e estádios.

Paisagem sonora LXIII – Concerto dedicado aos Empregados do Comércio: E.

Nascimento, Hymno do Empregado do Comercio (orquestra e coro de rapazes e senhorinhas do comércio); Mendelssohn, Concerto, op. 64, para violino e orchestra e

Scherzo da suíte Sonho de uma noite de verão; Felix Otero, A água e a fonte; M. Falla, Jota (dois solos de canto); Granados, Andaluza; M. Ravel, Habanera; D. Popper, Gavota em ré (três solos de violoncelo); Beethoven, A creação de Prometheus.

Sociedade de Concertos Symphonicos

O que Bello Horizonte tem de mais culto e mais enthusiasta pela musica são os elementos que formam, mensalmente, a platéa do Municipal por occasião de seus concertos. E a symphonica merece o apoio e a collaboração da sociedade culta da capital. É uma associação que, sem medir sacrifícios, sem auxílios ou subvenções, vence mil difficuldades mas consegue realisar suas finalidades.

Para este mez, a applaudida orchestra nos offerece um esplendido programma e que, num gesto de captivante sympathia, a directoria da Sociedade de Concertos Symphonicos dedica aos Empregados do Commercio, na data em que esta laboriosa classe comemora o seu dia.

Será executado o seguinte programma, no concerto do dia 30 desde mez: I- E. Nascimento – Hymno do Empregado do Comercio, pela Symphonica e coro formado por vários dos rapases e senhorinhas do Comercio; II – Mendelssohn, Concerto, od. 64, para violino e orchestra. Solista – prof. George Marinusei; III – Mendelsohn, Scherzo da Suíte “Sonho de uma noite de verão”, pela Symphonica; IV – Felix Otero – “A água e a fonte”; V – M. Falla, “Jota”, dois solos de canto pela senhora Carmen Rabello, acompanhados ao piano pela prof. d. Manoelita Rabello; VI – Granados, Andaluza; VII – M. Ravel, Habanera; VIII – D. Popper, Gavota em ré, três solos de violoncello pelo prof. Raphael Hardy, acompanhado ao piano pelo prof. Coloman Sibalsky; IX – Beethoven, A creação de Prometheus, pela Symphonica.281

Por trás de toda a história das realizações e dificuldades, dos músicos que sobreviveram às crises e dos dirigentes magnânimos, está a falta de apoio consistente de uma política cultural na época. Coube aos dirigentes da sociedade serem intermediadores junto aos governos ou até mesmo ao contrário, representarem o governo junto à sociedade musical.

A primeira diretoria foi constituída por: Presidente: professor Carlos Góis;

Vice-presidente: professor Arduino Bolívar; 1º Secretário: Dr. José Monteiro;

2º Secretário: Dr. Marcelo Costa; Tesoureiro: Dr. Francisco Leal.

Um nome destacado na direção desse grupo foi o Sr. Carlos Vaz de Carvalho, o mecenas da orquestra e seu presidente em dois mandatos.

No ano de 1951 o então Governador, Juscelino Kubitschek, o Prefeito Américo René Giannetti e o vice-governador Clóvis Salgado instituíram um convênio de amparo às atividades artísticas que envolviam a prefeitura e o governo estadual e extinguiram a

Sinfônica Estadual. “Entre outras cláusulas este convênio previa que a Sociedade de

Concertos Sinfônicos e a Orquestra Sinfônica Estadual passariam a constituir uma só entidade sob a denominação de Sociedade Mineira de Concertos Sinfônicos (SMCS),

recebendo subvenções mensais tanto do Estado quanto do Município”282

. Entre os anos de 1956 e 1963, o maestro Magnani foi o seu diretor artístico e regente.

281

Revista Bello Horizonte, 28/10/1933.

282

O concerto inaugural da SMCS, no Teatro Francisco Nunes, deu-se no dia 23 de agosto de 1953, sob a regência do maestro Sérgio Magnani. A partir dessa data, a música sinfônica viveu momentos especiais no TFN, entre os quais destacaram-se: o retorno do maestro Guido Santorsola, que regeu uma série de concertos no mês de março de 1956; o concerto de maio de 1958, patrocinado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e regido pelo maestro H.J. Koellreutter; o recital de piano do prodigioso Nelson Freire, acompanhado pela orquestra da SMCS, em março de 1959; o concerto de abril do mesmo ano, regido por Isaac Karabtchevsky, com a participação da Sociedade Coral e do Madrigal Renascentista; e a apresentação da orquestra de Washington, The National Symphony Orchestra, em junho de 1959, sob os auspícios do programa de intercambio cultural Brasil-Estados Unidos. Além desses eventos marcantes, a SMCS realizou inúmeros concertos, quase todos regidos pelo incansável maestro Sergio Magnani.283

Maestro Sergio Magnani284

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MATA-MACHADO, 2002, p.59.

284

Reprodução feita do site: <http://www.institutosergiomagnani.org.br/o-instituto/sobre-o-maestro- sergio-magnani/>. Acesso em: 08/09/2011.

Concerto da SCSBH e seu regente, Francisco Nunes.

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Concerto da SCSBH e seu regente, Mario Pastore.286

Maestro Francisco Nunes na capa da revista Acaiaca, junho de 1950.

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Revista Acaiaca, nº20, junho de 1950.

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Revista Acaiaca, nº20, junho de 1950.

Maestro Mario Pastore287

287

Regentes da Sinfônica: Elviro Nascimento, Guido Santórsola.288

À primeira formação da orquestra e ao maestro Francisco Nunes coube uma tarefa educativa, uma vez que nos primeiras concertos não havia público. Destacamos na paisagem sonora LXIII, no programa dedicado aos empregados do comércio, o cuidado de incluir o Hino do Empregado do Comércio, e, ainda, entre os músicos a inclusão da orquestra e de coro de rapazes e moças do comércio. Esse tipo de cuidado pode ser entendido como uma forma de educação de público, uma vez que os empregados do comércio, ao assistirem ao concerto, identificariam seus pares e o hino da categoria em meio a outros compositores, tais como Mendelssohn, Felix Otero, M. Falla, Ravel e Beethoven. Nossas fontes revelam que tais cuidados foram frequentes nos concertos da SCSBH. Segundo Bosmans289, no começo de sua organização, a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte apresentava-se de três a quatro vezes ao ano, o que inviabilizava a formação de publico – haja vista o concerto do violinista Odnoposoff, em que havia vinte e duas pessoas na plateia – e a disciplina de ensaios dos músicos. O maestro referia-se ainda a programas restritos ao período “Beethoven - Wagner”. O trabalho musical precisou transformar-se em um processo de educação para o público para, então, se tornar regular. Na década de 1950, a situação estava mudada. A orquestra formou um público numeroso com concertos a preços acessíveis e conquistou um

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Revista Acaiaca, junho de 1950.

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público jovem. Havia um cuidado na divulgação da música sinfônica brasileira, quando se ouviam obras de Villa Lobos, Francisco Mignone, Frutuoso Viana, Hostílio Soares, Lorenzo Fernandes, Elviro Nascimento e outros.

Curt Lange, em entrevista, critica o movimento sinfônico de Belo Horizonte:

Antes de lhe analisar as possibilidades, temos de reconhecer primeiro que sua constituição não foi isenta de enormes dificuldades criadas unicamente pela ausência de uma organização musical e de um Conservatório que tivesse em funcionamento todas as cátedras para formação dos profissionais que integram um conjunto orquestral moderno.

De outra parte o Conservatório não podia formar professores enquanto não tivessem essa possibilidade de atuar. Por essa razão a Orquestra tem falhas que só podem ser eliminadas com o correr do tempo, por motivo de economia, carência de figuras formadas em estabelecimentos adequados, falta de prática e, ainda, por motivos sentimentais e humanos.

A Orquestra Sinfônica não conta em Belo Horizonte com uma elite musical. (...) E se existisse, não passaria ao labor fundamental que ao conjunto compete realizar. (...)

Assisti aos ensaios e aos concertos da OSBH. Só posso dizer que o conjunto tem direito à existência e muito futuro.290

Paisagem sonora LXIV – Um concerto da Sinfônica de Belo Horizonte no ano de 1948291: Handel – Martucci – Suite para cordas, Bach – Santórsola – Prelúdio nº 16 –

Fuga nº 21, Mozart – Pequena Serenata Noturna, Grieg – Concerto em la menor (sol.: Vinicius Mancini), Rimski-Korsakov – Capricho Espanhol (op. 34).

Destacamos algumas sonoridades contidas em uma grande paisagem – concertos

da Sinfônica de Belo Horizonte em 1948 e 1949 – na qual a paisagem sonora LXIV estaria incluída. Essa grande paisagem apresenta 41 concertos, nos quais, 16 tiveram solos ou participações de pianistas. Em seis ouvimos uma música de compositor brasileiro, e em outros dois ouvimos 2 vezes compositores brasileiros. Enquanto Beethoven foi ouvido 23 vezes; Mozart, 16; Bach e Chopin, nove e Mendelssohn, sete.

Paisagem sonora LXV – concerto comemorativo dos 25 anos SCSBH (1950): Sinfonia nº 4, em lá maior, op. 90 – Sinfonia Italiana –, de Mendelssohn; Concerto em ré maior, para violoncelo e orquestra, de Haydn; Minueto, de Hostílio Soares; e os Prelúdios, de Liszt, discurso, aplausos.292

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LANGE, Curt. Entrevista dada ao jornal O Diário, s/d. Acervo da professora Sandra Loureiro Reis.

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Revista Acaiaca, junho de 1950. Em anexo: a programação de todos os concertos da orquestra, no período de 1948 a 1949.

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