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V. DOLAYLI FAİLLİK VE DİĞER İŞTİRAK ŞEKİLLERİ ARASINDAKİ İLİŞKİ

2. DOLAYLI FAİL-AZMETTİREN AYRIMI

Foto da fachada do Teatro Municipal de Belo Horizonte, situado na Rua Goiás, esquina de Rua Bahia, onde, mais tarde, se instalou o Cinema Metrópole – sem data.193

Paisagem sonora XL – inauguração do Teatro Municipal: bondes circulando até

mais tarde e a peça de teatro Magda, de Sundermann.

O Teatro Municipal começou a ser construído em 1906 no mesmo lugar do Teatro Soucasseaux e foi inaugurado pela Companhia Nina Sanzi, em 21 de outubro de 1909, com a peça Magda, de Sundermann, quando a prefeitura mandou preparar alguns

193

bondes de luxo, atapetados e com bancos forrados de linho194. O teatro foi construído pela prefeitura e o seu construtor foi o engenheiro José Verdussem.

Paisagem sonora XLI – Teatro Municipal (1911): opereta vienense e novidades

italianas e francesas.

Em 1911, Belo Horizonte tomou perfeito conhecimento da opereta vienense. Até então, o que se via aqui não passava de originais de imitação do gênero, em que a música era mais de compilação que propriamente de inspiração original.

A companhia Laoz foi a primeira que esgotou no Teatro Municipal um extenso repertório de opereta vienense. A partir dessa época, tornou-se freqüente a vinda de companhia de opereta a Belo Horizonte. “Clara Weiss”, “Odete Marion”, “Branca Buona”, Léa Candini”, Vicente Celestino” e outras traziam, além de música vienense, novidades italianas e francesas (...)”195

Em 14 de julho de 1914, a senhora D. Branca de Vasconcelos196 promoveu um

concerto no Teatro Municipal, o qual reunia os seguintes músicos: D. Branca de Vasconcelos, Agenor Deus (primeiro prêmio do Instituto de Música), Flausino Vale,

D’Alló Ettore, José Ramos de Lima, Silvia Flores, Nair Flores e Altino Flores,

violinistas; Amneris Flores e Francisco Torres, executando viola; Honorina Flores e Cezar Flores, violoncelistas; Dr. Silvestre Moreira e Paula Xavier, contrabaixistas; Mario Gonçalves, flautista; Balbino Santos, tocando oboé; José Gabriel Marques e J. Emilio Machado, clarinetistas; Idelfonso Guerra e Bruno Magno de Souza, executando cornetins; José Abreu e Domingos Honorato, trompistas; José Francisco dos Santos e Julio Correa, trombonistas; Olindo Brigido, José da Silva Neri e Zacarias de Miranda, bateristas. Houve, ainda, canto com alunas da Escola Normal, provavelmente alunas de D. Branca.197 Parece-nos o começo de uma organização sinfônica, e destacamos o quanto a família Flores se faz presente.

194

PENNA, Otávio. Notas cronológicas de Belo Horizonte. Fundação João Pinheiro, Fapemig, Belo Horizonte, 1997.

195

Acervo da Família Flores, recorte de jornal da época, sem indicações de origem.

196

Violinista de reconhecido talento por se apresentar inúmeras vezes em todo o estado de Minas Gerais, foi aluna de Manoel J. de Macedo. Foi convidada pelo presidente do Estado, o Sr. João Pinheiro, que exerceu o governo de 1906 a 1908, para lecionar música na Escola Normal Modelo, criada em seu governo. Autora do Cancioneiro Escolar, coletânea utilizada como programa das escolas públicas em Minas Gerais, no começo do século XX, participou também das Comissões estaduais de folclore.

197

Paisagem sonora XLII – Teatro Municipal na década de 1910: peças teatrais,

violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, flauta, oboé, clarineta, cornetins, trompas, trombones, bateria, canto, solistas, coro e piano; músicos e atores.

Em 4 de fevereiro de 1917, D. Branca de Vasconcelos promoveu um festival de música. Atuaram, na ocasião: maestro Francisco Flores, como regente da orquestra; Pedro de Castro, pianista; e D. Vera de Lima e D. Branca de Vasconcelos, como solistas. Foi cantada em coro A Caridade, de Rossini, e levada a cena da comédia Os

dois gêmeos opostos e o drama Santa Dorotéia198. Destacamos o trabalho de D. Branca de Vasconcelos na promoção e participação, como cantora e professora, em concertos os quais envolveram muitos músicos. Destacamos, ainda, o começo da música sinfônica, o nome do maestro Flores - ligado à regência da orquestra - e o piano tocado por Pedro de Castro, pianista radicado em Belo Horizonte.

Paisagem sonora XLIII – Teatro Municipal na década de 1920: Orquestra de

Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte, piano, canto, violino e declamação.

Em 20 de agosto de 1922, ocorre outro festival de arte, em benefício do bispado de Belo Horizonte. Participaram: a Orquestra de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte, sob a regência do maestro Francisco Flores; Pedro de Castro, pianista; Inasinha Prates e Oscar Gonçalves, cantores; Carlos Archermann, violinista; e Edelweiss Marcelos, declamador.199

198

Idem.

199

Interior do Teatro Municipal.200

Paisagem sonora XLIV – Teatro Municipal, por Carlos Drummond de Andrade:

concerto da pianista Guiomar Novaes – Chopin, Albeniz, Liszt, Gottschalk, palmas ardentes e ruidosas.

Guiomar Novaes é uma das mais brilhantes pianistas que o mundo conhece. Guiomar Novaes esteve recentemente em Bello Horizonte, onde realizou tres recitaes, com invulgar successo. – O “cliché” que estampamos acima é de uma recente photographia da insigne pianista, tirada quando de sua ultima visita á Capital. (Revista Belo Horizonte, 16/09/1933)

200

Os dedos sobre o teclado Carlos Drummond de Andrade

Primeiro recital de Guiomar Novaes. Na sala cheia do Municipal (na sala quase inteiramente cheia, porque faltou a menina prodígio Bibi193, que nos seus verdes 5 anos já toca mais do que Pedro de Castro), havia os rostos mais lindos da cidade. E não só na sala: no paraíso modesto das torrinhas, lá em cima, gente bonita sorria para gente a gente cá de baixo, enquanto milhares de papeizinhos verdes, vermelhos, amarelos e azuis lembravam, caindo sobre as nossas calvícies ou gaforinhas, que na noite de terça-feira vamos aplaudir Guiomar Novaes. Outra vez.

Como é bom aplaudir Guiomar muitas vezes, todas as vezes que ela aparece no palco e, séria e simples, sem gestos brailowkianos ou rubinsteinicos, retifica a posição da banqueta e lança os dedos sobre o longo e negro Stenway. Bach, Chopin, Albeniz estão ai dentro. Só esperando que Guiomar Novaes conserte a banqueta e estenda os dedos, para nos contarem as suas, histórias sem palavras, que são mais vivas que as outras histórias. E nenhum briga com o outro. Octávio Pinto aparece de braço dado com Kreisler, Liszt reparte os aplausos com Gotschalk. Guiomar recolhe e resume todos os ritmos em um só, para desatá-los depois, numa revoada romântica que nos traz à idéia a revoada dos papeizinhos amarelos, azuis, cor de rosa, de há pouco. Guiomar está brincando com a gente e dizendo: “Fiquem quietos que eu vou contar uma história mais bonita ainda”.

Mas não vê que nós ficamos quietos? Pois sim! Essas velhas palmas belo-horizontinas, palmas chochas e insossas, que desde os tempos de Curral Del-Rei caracterizam a clássica pobreza mineira de entusiasmo, tornaram-se qualquer coisa de ardente e ruidoso, obrigando o artista a consumir-se em novos ritmos e novas viagens musicais. Ao meu lado, o “homem que já ouviu Rumel”, que já esteve na Europa e que conhece todas as melodias, inclusive a da Broadway, desmanchava-se em aplausos inacreditáveis. E até um velhote meio surdo, provavelmente professor de solfejo aposentado, dizia com as mãos que Guiomar era formidável, que as “Variações do Hino Nacional” eram a coisa mais séria deste mundo, e que se não fosse a música, etc., era preferível morrer.

Somem-se todas as opiniões – as dos entendidos, as dos estetas, as dos melômanos, as dos “snobs” e as de meia dúzia de pessoas inteligentes que são o sal de Belo Horizonte – e teremos mais uma vitória de Guiomar Novaes, na céptica, desconfiada e tímida capital de Minas Gerais.

Uma das páginas mais recentes de Jean Cocteau é a em que ele descreve e comenta a embriaguez do éter. Chega um momento, diz o homem do “Grand Écart”, em que o cigarro cai nas mãos do viciado e este tem a impressão de que lhe caiu um dedo. O éter confunde carnes e objetos.

A gente também não distingue os dedos de Guiomar Novaes do teclado que ela está movimentando. A música mistura tudo e, quando vamos ver, já estamos no chamado país dos sonhos. Não eram teclas, não eram dedos. Era um ser diferente num mundo diferente201.

Algumas estudantes de piano entrevistadas no presente trabalho revelaram uma relação de familiaridade com os concertos realizados no Teatro Municipal.

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Podemos supor que Drummond se refere à Berenice Menegale, aluna de Pedro de Castro e que desde a sua infância toca nos teatros e salas de concerto de Belo Horizonte. A “menina Bibi” torna-se mais tarde uma grande referência para todos os estudantes e futuros pianistas da cidade e seu professor ganha novo status.

201

Eu ia [aos concertos], mas era com minhas irmãs. Teatro Municipal? Ali na Rua da Bahia? Nossa, quantas vezes... tão bom que era! Uma vez eu perdi um brinco de ouro lá. (...) Lá no teatro era tudo muito bom!202

Lembro demais! Uma vez ela tocou (sua mãe, D. Aída Lobo Rezende Costa) lá no Teatro Municipal. Tocou, teve um concerto dos professores do Conservatório, e ela tocou também.203

O Teatro Municipal foi leiloado em 1941, no governo do prefeito Juscelino Kubitschek. Como contrapartida desse leilão, ficou o compromisso da construção de um novo teatro, maior, mais moderno e projetado pelo arquiteto Niemeyer. Depois de todo reformado, o antigo Teatro Municipal foi reinaugurado em 1942, com o nome Cine- Teatro Metrópole. O novo espaço, dedicado à exibição de filmes, tornou-se, a partir de então, propriedade da empresa Cine-Teatral Ltda204, e as obras do novo teatro foram paralisadas em 1945.