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KAVRAMSAL ÇERÇEVEDE TOPLUM VE KURUM

3. Sosyal değiĢmeye etki eden çevre faktörler: Fiziki çevre faktörü, teknoloji, üretim ve tüketim yapısı, ırk faktörü, bilgi seviyesi ve dini tutum ve davranıĢlar

2.3. DĠN VE SOSYAL DEĞĠġME ARASINDAKĠ ĠLĠġKĠLER

2.3.2. Sosyal DeğiĢme Faktörü Olarak Din

A metáfora constitui um processo unidirecional de abstratização crescente, pelo qual conceito que estão próximos da experiência humana são utilizados para expressar aquilo que é mais abstrato e, consequentemente, mais difícil de ser definido. Ela é fundamentada na experiência dos falantes, pois eles criam seus esquemas de imagens baseados nas experiências corporais básicas ou nas experiências culturais, o que contribui para a diversidade de metáforas nas línguas.

A metáfora faz uso de conceitos que estão mais concretos para expressar conceitos mais abstratos, ou seja, conceitos mais difíceis de serem entendidos, compreendidos e definidos. É uma estratégia cognitiva que auxilia na compreensão da gramaticalização e do comportamento gramatical.

Para Lakoff & Johnson (2002), o cotidiano é construído por meio de metáforas. As metáforas conceituais orientam os falantes a organizarem conceitos por meio de analogias e da transferência das características de um domínio mais estabilizado para um domínio com pouca estabilidade. Os autores (2002) ainda usam o termo metáfora como um conceito que consiste em experienciar uma coisa em termos da outra. Berber Sardinha (2007, p. 30-31), afirma que os pesquisadores Lakoff &Johnson foram os responsáveis pela formulação da teoria da metáfora conceptual e apresenta os principais conceitos dessa teoria:

- Metáfora conceptual: é uma maneira convencional de conceitualizar um domínio de experiência em termos de outro, normalmente de modo inconsciente. Por

exemplo, O AMOR É UMA VIAGEM. Uma metáfora conceptual é assim chamada porque conceitualiza alguma coisa. No caso acima, a metáfora fornece um conceito de amor. Segundo esse conceito, amor seria uma viagem. Esse é o conceito metafórico. - Expressão metafórica: expressão linguística que é uma manifestação de uma metáfora conceptual. Por exemplo, „nosso casamento está indo muito bem‟, é uma expressão que advém da metáfora conceptual O AMOR É UMA VIAGEM.

- Domínio: área do conhecimento ou experiência humana. No exemplo acima, os domínios são AMOR e VIAGEM.

- Mapeamento: são as relações feitas entre os domínios. No exemplo anterior, temos os seguintes mapeamentos, entre outros:

A - viajantes: amantes ou marido e mulher. B – destino da viagem: relação feliz a dois.

C – mapa da viagem: planos futuros da vida a dois.

- Desdobramentos (entailments): as inferências que podemos fazer a partir de uma metáfora conceptual. Por exemplo, dado que O AMOR É UMA VIAGEM, então:

A – Se uma viagem longa e repetitiva é monótona, então um casal que vive há muito tempo junto pode achar o relacionamento monótono.

B – Se uma viagem longa é cansativa, então um casal que vive junto há muitos anos pode se cansar do relacionamento.

E para finalizar, a metáfora é uma representação mental, é cognitiva, existe na mente e atua no pensamento, por isso, é também abstrata.

A seguir por necessidade de aprofundamento da análise apresentamos brevemente a teoria da enunciação e as funções enunciativas de acordo com Eni Pulcinelli Orlandi (2008).

2.6 ENUNCIAÇÃO

De acordo com o Dicionário de Lingüística da Enunciação (2009), o termo enunciação apresenta várias definições, tais como: é o campo heterogêneo do conhecimento em que se articulam língua, fala e sujeito; é a materialização da interação verbal de sujeitos históricos; é o ato do falante de utilizar os meios de expressão comuns a todos os indivíduos de uma comunidade lingüística para expressar suas idéias e sua subjetividade; é a colocação da língua em funcionamento por um ato individual de utilização; é o modo de constituição dos enunciados pelo qual se dá a construção de sentido; é o acontecimento constituído pelo aparecimento de um enunciado; é a instância lingüística que permite a passagem da organização virtual do discurso à sua realização; é a atividade pela qual se manifesta a presença codificada do falante naquilo que é falado; e, por fim, pode também designar o acontecimento dotado de significação que ocorre em um local determinado e em um certo momento. O enunciado, por sua vez, é a manifestação particular de uma frase; unidade argumentativa de sentido, composta de um segmento-argumento e um segmento-conclusão; manifestação da enunciação, produzida cada vez que se fala; produto resultante do ato enunciativo, independentemente da dimensão sintagmática e, por fim, é o ato do discurso que é dito em um local e em um momento determinado.

Conforme podemos observar nas várias definições de enunciação e enunciado, verificamos que a enunciação é o processo e que o enunciado é o produto. Mas, para que ocorra a enunciação, sempre será necessária a presença de um falante para produzir algum discurso, e, na medida em que esse falante produz seu discurso, o resultado dessa produção é o enunciado, que é o que a pessoa disse e em que momento e para quem essa pessoa disse. Em todos os enunciados sempre haverá o “EU”, o “TU”, o “AQUI” e o “AGORA”. Os dois primeiros dizem respeito às pessoas do discurso; o “AQUI” trata do lugar, indicando a posição que as pessoas do discurso ocupam e o “AGORA” é o tempo em que acontece o discurso. Todo ato de fala tem implicações que decorrem do ato individual de utilização da língua. Toda frase é a fala de determinado usuário da língua e revela um pensamento materializado desse falante, mostrando uma atitude do sujeito, um posicionamento dele durante aquela situação de interação comunicativa, ou seja, durante a enunciação, a qual, vale lembrar, sempre será única.

De acordo com Flores (2008, p. 68),

a frase, por expressar eu – tu – aqui - agora, é fugaz. Assim que a palavra é tomada por aquele a quem a frase se dirige, a frase se renova: renovando-se a situação enunciativa, a idéia que se apresenta é outra. Assim, a frase é sempre nova e não-repetível. Mesmo que, por sua constituição, a frase pareça ser a mesma, as circunstâncias não são as mesmas, daí a frase ser diferente. A frase ou enunciado é sempre singular, particular, reveladora de quem a expressa e da situação que, na e pela enunciação, se constitui.

Conforme verificamos na citação acima, cada pessoa se expressa de uma maneira e constrói seus enunciados de forma particular, a qual ela releva, por meio do ditos, uma determinada situação vivida pelo falante. Dessa forma, fica evidente que o sentido é relativo à enunciação, ao momento da fala. Ainda nas palavras de Flores (2008, p. 72), “o sentido é relativo à atividade do sujeito com a língua. É o sujeito que „organiza‟ as palavras de uma certa maneira, porque há uma idéia que é sua, que diz sua atitude e que diz a situação enunciativa.”

Para Eni Orlandi (2008), o discurso é o desmembramento de vários textos e o texto é o desmembramento do sujeito, sendo assim, o sujeito no texto é um sujeito heterogêneo, pois ele pode ocupar várias posições no texto, por exemplo, autor, narrador, interlocutor, enunciador e locutor. O texto sempre revelará o posicionamento do sujeito no discurso, pois o discurso é uma prática e com tal ocorre na interação entre pessoas. Continua a autora (2008, p. 58), “a formação discursiva é, enfim, o lugar da constituição de sentido e identificação do sujeito”.

Ainda afirma a autora (2008, p. 58),

o sentido não existe em si, mas é determinado pelas posições ideológicas colocadas em jogo no processo sócio-histórico em que as palavras são produzidas. As palavras mudam de sentido segundo as posições daqueles que as empregam. Elas tiram seu sentido dessas posições, isto é, em relação às formações ideológicas nas quais essas posições se inscrevem. A formação discursiva se define como aquilo que numa formação ideológica dada determina o que pode e deve ser dito. As palavras recebem seu sentido da formação discursiva na qual são produzidas. Da mesma maneira que isso ocorre com o sentido, também ocorre com os indivíduos, que são interpelados em sujeitos falantes, sujeitos de seus discursos pelas formações discursivas que representam as formações ideológicas que lhes correspondem. A palavra recebe seu sentido na relação com as outras na mesma formação discursiva do sujeito falante.

Os sentidos das palavras estão diretamente ligados à posição que o sujeito falante ocupa no momento da enunciação como podemos constatar na citação acima. É o posicionamento do usuário da língua que dará o sentido ao que ele quer dizer, ao seu dito, ou seja, é ele quem faz as escolhas lexicais que melhor se enquadrem ao sentido que quer transmitir, já que o usuário da língua utiliza o léxico como fundamento ou

âncora dos enunciados, que é o que trata a classe da lexicologia das formulações2. Para Eni Orlandi (2008), “há uma relação dinâmica entre sujeito e discurso. E o sujeito e autor se relacionam de diversas maneiras.”

Diz a pesquisadora (2008, p. 61)

podemos pensar as várias funções enunciativas do sujeito falante, como segue, e nessa ordem: locutor, enunciador e autor. Onde o locutor é aquele que se representa como „eu‟ no discurso, o enunciador é a perspectiva que esse „eu‟ constrói, e o autor é a função social que esse „eu‟ assume enquanto produtor da linguagem. O autor é, das dimensões enunciativas do sujeito, a que está mais determinada pela exterioridade (contexto sócio-histórico) e mais afetada pelas exigências de coerência, não-contradição, responsabilidade etc.

Em um discurso o enunciador assume algumas perspectivas, ou seja, são os papéis diferentes assumidos pelo sujeito que nada mais é do que o agente no ato de fala, podendo ser considerado o locutor e o alocutário.

Para Orlandi (2008, p. 62),

o locutor é aquele que se representa como “eu” na enunciação, representando-se, internamente ao discurso, como o responsável pela enunciação realizada: o locutor é uma figura constituída internamente e marcada no texto pelas formas gerais do paradigma do eu. O alocutário é o “tu” do discurso, e o correlato do locutor. Por outro lado, temos o nível da relação entre enunciador e destinatário. O enunciador é a posição do sujeito que estabelece a perspectiva da enunciação. Esta perspectiva pode ser a do próprio locutor; pode ser ao contrário, a do alocutário, e neste caso o locutor constitui um recorte enunciativo como se ele fosse enunciado da perspectiva de seu alocutário.

Mas é necessário observar que o locutor pode ocultar-se na impessoalidade representando-se como responsável da enunciação.

O corpus deste trabalho são crônicas e seu autor, no papel social de cronista, ao produzir seus textos, assume diversas posições para construir os sentidos desejados para manter a interação com o leitor. Assim, concluímos que seria importante tratarmos brevemente da enunciação, que aborda a questão das relações e posicionamentos entre enunciador, autor e locutor com diferentes papéis sociais.

Neste capítulo, foi caracterizada a Linguística Funcional e a Linguística Cognitiva, traçando seu conceito, seus princípios, a metáfora e também a enunciação.

2 De acordo com Turazza (2005, p. 59), “a classe das formulações implica que as lexias

gramaticais veiculam as intenções de um locutor, ou seja, o léxico exerce um papel fundamental para a elaboração dos enunciados.”

No capítulo seguinte abordamos o Gênero Textual Crônica e fazemos a análise de algumas ocorrências de gramaticalização encontradas no livro “Amor é Prosa, Sexo é Poesia: Crônicas Afetivas” do escritor Arnaldo Jabor. Não apresentamos todos os casos selecionados devido ao volume de ocorrências de gramaticalização presentes nos textos de Arnaldo Jabor e, ao final do trabalho, trazemos um quadro síntese indicando a quantidade e o tipo de cada ocorrência de gramaticalização encontrado no corpus analisado.

CAPÍTULO III